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terça-feira, 2 de setembro de 2014

MP investiga denúncias na eleição do Ceará

 

Uma prática típica dos primeiros anos da República brasileira, a compra de votos, atravessa séculos e continua em vigor até hoje no país, apesar das leis e da maior fiscalização por parte das autoridades e da sociedade civil. Nos bastidores, a informação é de que, de norte a sul do Brasil, votos são comprados com uma extensa lista de benefícios, em que o dinheiro e às vezes até dentadura são a principal moeda utilizada. São usados, também, material de construção, cesta básica, gasolina, comida e bebida, passagem de ônibus, pneus, até mesmo, emprego na esfera pública.
Até o momento, segundo informou, o procurador regional eleitoral, Rômulo Conrado, não existe nenhum caso concreto nas eleições desde ano, aqui no Ceará. Entretanto, diversas denúncias sobre suposta compra de votos estão sendo investigadas e, sendo assim, os procuradores estão de olho na movimentação dos candidatos no interior do Estado. Na mira da Justiça Eleitoral, a prática é difícil de ser combatida por conta das provas, conforme explica Rômulo Conrado.
Na semana passada, o Ministério Público Eleitoral (MPE), no Ceará, instaurou procedimento administrativo para investigar denúncias feitas por deputados estaduais sobre casos de compras de votos por candidatos nas eleições deste ano. Na sessão da Assembleia Legislativa, da última terça-feira, o deputado Fernando Hugo (SD) declarou na tribuna, sem citar nomes, que uma candidata que busca vaga no Legislativo estadual estaria comprando todos os votos na Ibiapaba, inclusive, insinuou que se referida a ex-prefeita de São Benedito.
Além dele, o deputado estadual Ely Aguiar (PSDC) e Lula Morais (PCdoB) e o federal Chico Lopes (PCdoB) também afirmaram ter conhecimento de candidatos que estão comprando votos no interior cearense.
Sobre o assunto, o procurador Rômulo Conrado informou que, hoje, conversará com o deputado Chico Lopes, mas, segundo adiantou, ele já apresentou não ter elementos concretos sobre a denúncia. O deputado Fernando Hugo foi o primeiro a prestar esclarecimentos e também afirmou ter apenas reproduzido os boatos ouvidos em algumas regiões visitadas durante a campanha.
O procurador, portanto, afirmou que as investigações serão aprofundadas e as regiões citadas monitoradas, sem identificar os lugares. Até agora, conforme explicou, as denúncias envolvendo compra de votos são bem menores, se comparadas as eleições municipais de 2012.

Do Blog do Macário Batista

Rumo ao desconhecido, por André Singer

 

dom, 31/08/2014 - 16:23

Sugerido por Mailson

Está na Folha a matéria de André Singer denominada Rumo ao desconhecido. Dê uma olhada.

Por André Singer

Rumo ao desconhecido

Da Folha de S. Paulo

Com a ascensão rápida de Marina Silva, confirmada pelo Datafolha e captada pelas pesquisas desta semana, teremos dois meses de alta indeterminação pela frente. As incógnitas que rondam a candidata, neste momento majoritária no segundo turno, tornarão volátil o cenário político e eleitoral até 26 de outubro. Relação com o agronegócio, programa social, base de apoio para governar, há muito em aberto na candidatura pessebista.

Ao comprometer-se com a independência do Banco Central (BC), Marina traçou o perfil macroeconômico de um possível governo do PSB. Teremos juros altos, recessão bem mais que técnica, corte de gastos públicos e desemprego. Mas como seria possível encaminhar os problemas da população que tem renda familiar mensal (RFM) entre 2 e 5 salários mínimos e mora em grandes centros urbanos, cujo apoio a ex-senadora precisa consolidar para

vencer?

De acordo com o Ibope, Marina detém 31% das intenções de votos nesse segmento, encontrando-se empatada tecnicamente com Dilma Rousseff (33%). Como a vantagem de Dilma é nítida entre os mais pobres –sobretudo os que recebem até 1 salário mínimo de RFM (46% contra 23% da candidata ambientalista)–, o fiador da possível eleição de Marina será o eleitor de baixa renda que já superou os problemas da sobrevivência imediata, mas continua

às voltas com grandes insatisfações.

A lógica eleitoral indica que Marina vai acentuar promessas, como a realizada no debate da Band (26/8), de destinar 10% da receita da União para a saúde. Ocorre que as referidas propostas são incompatíveis com a orientação sinalizada pela independência do BC. É certo que as campanhas adversárias vão apontar a contradição, ainda que isso cause algum problema de definição para elas próprias.

Outra via de ataque a Marina diz respeito à "nova política". A entrevista para o "Jornal Nacional" (27/8) deu o tom do que vem pela frente. A impossibilidade de explicar, ou condenar, o suposto caixa dois envolvido no avião em que Eduardo Campos viajava, deixou Marina com a resposta típica do que ela chama "velha política": por enquanto nada tenho a declarar e tudo será

investigado. Casos do gênero vão pipocar, pois a candidata está, e estará cada vez mais, aliada a políticos tradicionais.

Em que medida o eleitor prestará atenção e perceberá tais incongruências? Concluo, após duas décadas de estudos eleitorais, que, apesar de pouco informado, o cidadão médio capta o "cheiro" do que vem pela frente. O difícil é saber se, na hora H, preferirá correr o risco de decepcionar-se com Marina para tirar o PT do poder, ou se optará pela segurança da situação já conhecida, ainda que não animadora.

Estatais disparam na Bolsa em efeito pró-Marina

 

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Mercado experimentou hoje alta de 1%, com disparada das estatais: Banco do Brasil (+3,4%), Petrobras (+4%) e Eletrobras (+7%); às 16h35, alta diminuiu para 0,21%; motivo alegado é o resultado da pesquisa Datafolha que apontou alta de Marina Silva contra presidente Dilma Rousseff e condutor da política econômica Guido Mantega, da Fazenda; segundo estudo divulgado hoje pela consultoria Economatica, nunca as companhias brasileiras listadas na Bovespa valeram tanto como agora; soma do valor de mercado de cada uma perfaz R$ 2,59 trilhões; empresários que choram estão mesmo defendendo seus próprios interesses? Ou reclamação é de 'barriga cheia' e pode gerar arrependimento?

1 de Setembro de 2014 às 12:58

247 – Reclamar do dia a dia da economia faz parte de qualquer democracia, especialmente quando há retração no PIB, como a verificada no segundo trimestre, de 0,6%, de acordo com o IBGE. Mas anotar resultados em série histórica dos grandes setores produtivos também precisa fazer parte das análises mais profundas. Neste sentido, a consultoria Econométrica elaborou um estudo sobre a evolução mensal do valor de mercado das companhias brasileiras abertas – e apurou que elas nunca valeram tanto como agora.

Perfazendo R$ 2,59 trilhões, o valor de mercado somado das empresas nacionais listadas na Bolsa de Valores de São Paulo nunca esteve tão alto desde dezembro de 2002. O cálculo considera um número de empresas variável no tempo por que foi elaborado com todas as companhias presentes em cada data analisada.

O resultado mostra que os empresários, que têm feito coro contra a política econômica, podem se arrepender de uma mudança brusca no rumo traçado no governo da presidente Dilma Rousseff e executado pelo ministro Guido Mantega.

Nesta segunda-feira, reafirmando a aposta contra o governo, o Ibovespa subia 0,88%, às 14h29, com disparada dos papeis do Banco do Brasil (+3,4%), Petrobras (+4%) e Eletrobrás (+7%). A alta seria uma reação dos investidores à subida nas pesquisas da candidata do PSB, Marina Silva, na pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira 1. O paradoxo está no fato de Marina já ter se comprometido em esfriar a exploração do pré-sal, pela Petrobras, o que, segundo os técnicos da companhia, tem tudo para prejudicar o crescimento da estatal. O que está importando para o mercado, ao que se vê, é mais a política, neste momento, do que a própria situação das empresas.

Abaixo, texto do portal Infomoney, parceiro do 247, sobre o dia na Bolsa e tabela e análise elaborados pela Economatica sobre o recorde em valor de mercado das companhias dos mais diferentes setores da economia:

Eletrobrás dispara 7% com "euforia" do Datafolha; Petrobras e Bancos sobem forte

Por Leonardo Silva
SÃO PAULO - Em meio à uma segunda-feira agitada pelo noticiário corporativo e com a repercussão do Datafolha, o destaque desta sessão fica com as ações que repercutem o "efeito Marina", após a disparada da candidata nas pesquisas. Entre elas, vale mencionar a forte alta nos papéis das estatais - Petrobras (PETR3;PETR4), Eletrobrás (ELET3; ELET6) e Banco do Brasil (BBAS3)-, e os papéis das empresas do setor sucroalcooleiro.

Além delas, mas ainda dentro do novo cenário político, destaque para as ações que não pararam de subir desde o dia 14 de agosto. Do lado de baixo do Ibovespa, destaque para as ações da Souza Cruz, que lideram as perdas nesta sessão, e caem pelo 4º pregão consecutivo, acumulando perdas de 5,10%.

Além do "driver" político, as ações da Tim (TIMP3) e a série de recomendações do BTG Pactual chamam a atenção dos investidores. No caso da empresa de telecomunicações, os papéis reagem com leve alta após a Telecom Itália afirmar que considerar todas as opções para reforçar a sua unidade brasileira, enquanto BB Seguridade (BBSE3) e Mills (MILS3) reagem ao relatório do banco.

Rali eleitoral

O mercado mostra forte euforia hoje após pesquisa Datafolha mostrar disparada de Marina Silva (PSB) na corrida à presidência. As estatais, que vêm sendo as protagonistas desse "rali eleitoral", acentuam os ganhos a cada minuto de negociação e roubam a cena nesta sessão, sendo elas: Petrobras (PETR3, R$ 23,01, +3,93%; PETR4, R$ 24,34, +4,24%), Eletrobrás (ELET3, R$ 8,76, +7,48%; ELET6, R$ 12,76, +3,32%) e Banco da Brasil (BBAS3, R$ 35,84, +3,40%).

Toda essa euforia deve-se a pesquisa eleitoral Datafolha, que mostrou Marina Silva (PSB) 13 pontos percentuais acima da última pesquisa do instituto, realizada em 18 de agosto, e agora com 34% das intenções de voto, empatada com o mesmo percentual de Dilma Rousseff (PT). Enquanto isso, o candidato do PSDB, Aécio Neves, apresentou forte queda, indo dos 20% do dia 18 para atuais 15%.

Além disso, o BTG disse que o papel ordinário da Petrobras poderia chegar a R$ 30,00 em caso de vitória de Marina Silva à presidência. Na última sexta-feira, as ações ONs da estatal fecharam a R$ 22,14. (Para ver mais informações sobre a recomendação, clique aqui).

Os bancos, que junto com as estatais foram as empresas que mais repercutiram o "rali eleitoral", também sobem nesta sessão. Destaque para as ações do Itaú (ITUB4, R$ 40,64, +0,73%) - e sua controladora Itaúsa (ITSA4, R$ 10,98, +0,87%) -, Bradesco (BBDC3, R$ 40,68, +1,65%; BBDC4, R$ 41,30, +1,13%) e Santander (SANB11, R$ 15,67, +1,36%).

Em um possível segundo turno, Marina Silva seria eleita presidente com 50% dos votos, contra 40% de Dilma Rousseff, uma ampla vantagem de 10 pontos percentuais. Caso a disputa seja entre Dilma e Aécio Neves, a candidata petista venceria por 48% contra 40%.
Ações do "kit Marina" Unindo-se às estatais e aos bancos, as ações do setor sucroalcooleiro aparecem como novas protagonistas do rali eleitoral: Cosan (CSAN3, R$ 47,60, -1,08%), São Martinho (SMTO3, R$ 46,01, +1,37%) e Tereos (TERI3, R$ 2,89, +3,21%1).

As empresas reagem à disparada de Marina Silva nas pesquisas eleitorais, com o discurso de sustentabilidade da ex-senadora. A gestora de recursos da Coinvalores Corretora, Tatiane Cruz, esclarece que a alta dos papéis se deu por uma reação tardia do mercado ao "rali eleitoral", já que os candidatos à presidência estão se aproximando cada vez mais do agronegócio.

Ações que não param de subir desde 14 de agosto As ações da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 14,03, +3,93%) MRV (MRVE3, R$ 9,33, +2,30%) e CCR (CCRO3, R$ 20,96, +3,46%) reagem novamente com o novo cenário político desde sua mudança em 14 de agosto, com a trágica morte de Eduardo Campos.

O mercado tem visto que a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral aumentou a chance de uma mudança de governo. Esse "choque de expectativa", que viria com uma reversão do atual cenário, é o que tem puxado o mercado para cima nos últimos dias.

Embora nos primeiros dias após a morte de Eduardo Campos, 13 de agosto, o cenário político ainda estivesse incerto, especulações de que Marina entrasse na corrida eleitoral foi o grande propulsor da Bolsa. Assim como Campos, o mercado vê que Marina vai adotar uma política mais pró-mercado - o que foi confirmado com a divulgação de seu plano de governo na última sexta-feira (29).

Telecomunicações

A Telecom Italia vai considerar todas as opções para reforçar a sua unidade brasileira, TIM Brasil (TIMP3, R$ 12,72, +1,35%), disse o presidente da Telecom Italia, Giuseppe Recchi, segundo o jornal italiano "Corriere della Sera". A empresa também pode olhar para um acordo comercial com a Mediaset, como forma de compartilhar conteúdo e tecnologia com a emissora italiana, que é controlada pelo ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, disse Recchi ao jornal no domingo.

Além disso, a espanhola Telefónica planeja sair da Telecom Italia após o grupo espanhol finalizar a compra da unidade brasileira de banda larga da francesa Vivendi, a GVT, disse o presidente do Conselho da companhia, César Alierta, nesta segunda-feira, encerrando uma participação de muito tempo.

Relações tensas entre as companhias da Espanha e da Itália culminaram na semana passada quando a Telefónica venceu a Telecom Italia na compra da GVT, um golpe contra a companhia italiana que pode transformá-la num alvo de aquisição em uma indústria que se consolida rapidamente.

"Após a operação da GVT a mensagem é clara, não queremos permanecer na Telecom Italia", disse Alierta para jornalistas após participar de uma conferência sobre telecomunicações em Santander, no norte da Espanha.

Braskem (BRKM5, R$ 15,49, +1,57%) As ações da Braskem sobem nesta sessão apesar da notícia de que a companhia não conseguiu entrar em um acordo com a Petrobras sobre o reajuste do preço da nafta. Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, os termos do acordo formalizado representam uma derrota dupla para a Braskem.


Valor de mercado da bolsa brasileira atinge seu máximo histórico em agosto de 2014 – Setor bancos e de petróleo e gás puxam alta no mês de agosto.

Economatica calcula a evolução mensal do valor de mercado das empresas de capital aberto brasileiras desde dezembro de 2002 e verifica que no dia 29 de agosto de 2014 o valor de mercado das empresas brasileiras atingiu R$ 2,59 trilhões, maior valor da história do mercado.
O calculo considera numero de empresas variável no tempo por que foi elaborado com todas as empresas presentes em cada data analisada.

O setor bancário com 22 instituições é o setor que no dia 29 de agosto tem o maior valor de mercado com R$ 561,8 bilhões, no mês agosto de 2014 o setor teve o maior crescimento com R$ 70,4 bilhões.
O segundo setor com maior valor de mercado da Bovespa é o de Alimentos e Bebidas com R$ 382,0 bilhões
O setor de Petróleo e Gás e o terceiro setor com maior representatividade com R$ 310,9 bilhões e também o setor com o maior crescimento nominal no mês de agosto com R$ 55,6 bilhões.
No mês de agosto de 2014 o valor de mercado das empresas brasileiras cresceu R$ 196,5 bilhões, maior crescimento nominal em amostras mensais da história.

http://www.brasil247.com/+1d0x9

Unicamp reage à declaração de guru de Marina

 

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Professores da Universidade Estadual de Campinas rebatem declaração de Eduardo Giannetti, atual assessor econômico da presidenciável Marina Silva (PSB), que chamou instituição de “produto típico do regime militar” e defendeu que o ensino seja pago para os que podem arcar com as mensalidades; “o assessor liberal de Marina tem o discurso novo de um velho conhecido: o Estado mínimo”, responderam os professores

27 de Agosto de 2014 às 06:06

247 – Professores da Unicamp reagiram às recentes declarações de Eduardo Giannetti, atual assessor econômico da candidata à presidência, Marina Silva (PSB) sobre a instituição.

Segundo ele, a Unicamp é um “produto típico do regime militar”. Ele se referia à formação dos economistas da Universidade Estadual de Campinas, que tenderiam a defender a regulação da economia pelo Estado.

Ele defendeu ainda que o ensino seja pago nas universidades públicas aos estudantes que podem pagar, como “os que fizeram nível médio em escola particular”.

As declarações provocaram uma reação de professores da Unicamp, que saíram em defesa da instituição. Leia abaixo o texto:

Eduardo Giannetti e a intolerância de um liberal

Em evento organizado na última segunda-feira pela consultoria Empiricus (que vem se notabilizando pelo pessimismo militante e previsões sobre o “fim do Brasil”), o porta-voz econômico da candidatura do PSB afirmou: “A Unicamp é um produto típico do regime militar”. O professor Eduardo Giannetti é um intelectual sofisticado, filósofo e economista, assumidamente um liberal – que a princípio defende e respeita a pluralidade de pontos de vista. Nesse episódio, esteve mais próximo de gente bem menos refinada, como o blogueiro Rodrigo Constantino.

De acordo com o relato da Rede Brasil Atual, quando questionado sobre a formação dos economistas do governo, suas palavras foram: “O regime militar é culpado disso (…) um grupo que se fecha religiosamente em torno de um pensamento desconectado do mundo”.

Indo além, sacou da cartola um suposto seminário “em 1978” em que Celso Furtado teria sido desqualificado em Campinas, com suas ideias consideradas “de interesse da ‘burguesia’, enquanto a preocupação dos presentes ao encontro seria‘a luta de classes, o imperialismo’”. Como cereja do bolo, teria afirmado que “o bolchevismo não aparece em países democráticos”.

Salvo algum engano do repórter, lamentamos o tom e os termos. Mas antes de tudo não conseguimos compreender o raciocínio do especialista em ideias econômicas. A desqualificação que procura obstruir o debate vem baseada em desconhecimento da instituição que critica de forma rasteira.

Celso Furtado foi o ponto de partida das reflexões originais dos fundadores do instituto, é Doutor Honoris Causa por esta instituição e parece pouco provável que suas ideias tenham algum dia sido contestadas aqui com este nível de argumento. Nem por este lado. A propósito, falar em “bolchevismo” e recorrer a este suposto episódio levanta a dúvida sobre quem está de fato com a cabeça em décadas passadas.

A Unicamp foi um dos centros que aglutinou o pensamento crítico brasileiro durante o período militar. Assim como outros economistas hoje no campo liberal – como Edmar Bacha e Pedro Malan, por exemplo – seus professores discutiram rigorosamente o significado das opções econômicas da ditadura e denunciaram seu caráter excludente. Ao contrário de “fechamento”, o que marcou a instituição naquele período de pouca abertura para a contestação foi sempre a busca do debate público, a explicação da realidade brasileira e de seus problemas reais. E assim se manteve ao longo das décadas seguintes, em vários outros temas.

Se o conteúdo destas explicações hoje desagrada a quem não participou daquele debate, é outro problema. Discordamos de Giannetti e do discurso do “Estado que não cabe no PIB”, da privatização dos bancos públicos e da redução dos gastos sociais. Mas jamais vincularíamos suas ideias à falta de inteligência ou a motivações religiosas. Muito pelo contrário, são claros os interesses econômicos e financeiros a sustentar tais posicionamentos.

Além disso, a pluralidade política dos economistas da Unicamp desautoriza qualquer generalização ou associação direta. No instituto estudou a presidenta da República, mas também quadros que serviram a outros governos antes de 2003. São professores da casa o atual presidente do BNDES e o ministro da Casa Civil, mas também tiveram grande importância em sua história José Serra e Paulo Renato Costa Souza.

Do ponto de vista teórico, o curso de Economia, conhecido por apresentar Marx e Keynes a seus alunos, também estuda obviamente Hayek, Friedman e seus discípulos mais recentes. A existência de um eixo teórico que organiza o curso não significa bloqueio ou desconhecimento de outras abordagens.

Quem faz isso, aliás, é a maioria das escolas convencionais de economia, em atitude muito questionada nos últimos tempos. Se estar “conectado” significa este tipo de postura, agradecemos mas rejeitamos o conselho.

No final das contas, a caricatura geralmente feita dos economistas da Unicamp revela uma vontade de reinar sozinho em um debate onde só há uma alternativa, a do liberalismo econômico. E que todos que pensem diferentes sejam desqualificados. A “nova política”, no caso específico da política econômica, tem como ingrediente principal um velho conhecido: o Estado Mínimo.

Luiz Gonzaga Belluzzo
Ricardo de Medeiros Carneiro
André Biancarelli
Pedro Rossi

Ibope: 76% dos brasileiros estão satisfeitos ou muito satisfeitos com situação econômica

 

Postado sábado, 30 de agosto de 2014, às 05h34.

arte blog

A pesquisa Ibope divulgada esta semana mostra que 76% dos brasileiros estão satisfeitos ou muito satisfeitos com a sua situação econômica. Os níveis de empregos nunca estiveram tão elevados e o salário do trabalhador brasileiro nunca esteve tão alto. Vale ressaltar que só o Brasil enfrentou a crise gerando renda e emprego. Só no Governo Dilma foram mais de 5 milhões de empregos. O número é extraordinário e a sua importância fica ainda maior quando comparamos a situação do Brasil com a dos países desenvolvidos, que estão sofrendo com o desemprego.

O setor de serviços foi o responsável pela geração de quase metade das 5 milhões de vagas geradas desde janeiro de 2011. Isso se deve, de acordo com a presidenta, à elevação do nível de vida da população. Os programas sociais do Governo Federal promoveram uma histórica distribuição de renda e nos últimos anos houve um expressivo desenvolvimento social. Como o ex-presidente Lula já frisou, “somos hoje a 7ª economia do mundo, com um PIB que passou de US$ 550 bilhões em 2002 para mais de US$ 2 trilhões e 200 bilhões em 2013″.

Sem contar que, dos países que compõem as vinte economias mais ricas do mundo (G20), o Brasil foi um dos nove a registrar uma taxa de crescimento acima de 2%. O Brasil é hoje uma das economias mais importantes do mundo e a descoberta do pré-sal abriu portas para grandes oportunidades no cenário internacional e para a economia interna.

Durante os 12 anos de Governo do PT foram financiadas 2,5 milhões de casas e apartamentos pelo Sistema Financeiro da Habitação, enquanto nos oito anos da gestão do PSDB foram apenas 315 mil casas.

Na área da Educação o Brasil teve um progresso incrível. O número de universitários saltou de 3,5 milhões para 7 milhões e com um número expressivo de estudantes vindos das classes sociais mais baixas.

http://www.senadorhumberto.com.br/ibope-mostra-que-76-estao-satisfeitos-ou-muito-satisfeitos-com-situacao-economica/

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Silêncio de Marina sobre clientes lembra Palocci

 

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Recolhida para gravar programas de TV neste domingo, a ex-senadora Marina Silva não foi perguntada sobre sua empresa que, nos últimos três anos, faturou R$ 1,6 milhão com palestras; ao que tudo indica, ela manterá a decisão de não revelar quem são seus clientes, em razão de cláusulas de confidencialidade nos contratos; o silêncio poderá preservar a identidade de financiadores já públicos e notórios de Marina, como o Itaú e a Natura, mas não contribui para a transparência do processo eleitoral; no início do governo Dilma, o então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, caiu por se negar a revelar a identidade dos clientes; naquela época, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) cobrou os nomes; será que fará o mesmo em relação a Marina?

31 de Agosto de 2014 às 17:32

247 - Em 2011, primeiro ano do governo Dilma, uma reportagem da Folha de S. Paulo revelou ao País a existência de uma consultoria chamada Projeto. Ela pertencia ao então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, e havia sido criada por ele após sua queda do Ministério da Fazenda, ainda no governo Lula.

Quando estourou o caso, Palocci foi insistentemente cobrado a revelar quem eram seus clientes, para rechaçar qualquer suspeita de tráfico de influência. O ex-ministro, no entanto, decidiu preservar a identidade de seus clientes, alegando cláusulas de confidencialidade em seus contratos. Resultado: foi demitido do governo Dilma, depois que sua situação se tornou insustentável.

Àquela época, Palocci foi alvo de uma saraivada de críticas da oposição e de uma incessante cobrança dos meios de comunicação para que abrisse seus clientes. Até mesmo o senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu um discurso nessa direção. "É preciso, e eu acho que o próprio ministro tem interesse nisso, que se saiba quais os serviços foram prestados, quais empresas fizeram a contratação. Mas vamos aguardar com serenidade. Não é nosso interesse criar um movimento de desestabilização do governo", afirmou, em maio de 2011.

Neste domingo, a Folha de S. Paulo revelou a existência de outra empresa: a M. O. M. da S. V. de Lima, que tem as iniciais de Marina Silva e comercializa suas palestras. Em três anos, Marina ganhou R$ 1,6 milhão de clientes que pagaram para ouvi-la. No entanto, a ex-senadora, que concorre à presidência da República pelo Partido Socialista Brasileiro, decidiu usar o mesmo argumento de Antônio Palocci em 2011 e omitir a identidade de seus clientes, alegando que os contratos possuem cláusulas de confidencialidade.

É provável que, entre os apoiadores de Marina nos últimos três anos, estejam financiadores já públicos e notórios, como o Itaú e a Natura. Portanto, não seria surpresa alguma se os nomes dessas duas empresas aparecessem na lista de contratantes da M. O. M. da S. V. de Lima Ltda. No entanto, ao ocultar quem são seus clientes, Marina não contribui em nada para o princípio da transparência, tão valorizado na sua "nova política".

Será que Aécio, que cobrou Palocci, irá cobrar Marina? E o que esperar da presidente Dilma? Os próximos dias dirão se as campanhas dos candidatos de PT e PSDB estão, de fato, dispostos a desconstruir a candidata Marina.

Mais um detalhe: comparar a situação de Marina à dos ex-presidentes Lula e FHC, que também fazem palestras, não é apropriado. Lula e FHC se tornaram palestrantes depois de deixar o poder – e não antes. É uma diferença fundamental.

http://www.brasil247.com/pt/247/poder/151914/Sil%C3%AAncio-de-Marina-sobre-clientes-lembra-Palocci.htm

Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca – e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões

 

marina Antes de votar em Marina, você precisa conhecer Neca   e fazer a pergunta de R$ 18 bilhões

Você precisa conhecer Neca. Ela é a coordenadora do programa de governo de Marina Silva, pela Rede Sustentabilidade, ao lado de Mauricio Rands, do PSB. O documento será divulgado na semana que vem, 250 páginas consensadas por Marina e Eduardo Campos. Educadora, com longo histórico de obras sociais, Neca conheceu Marina em 2007. É uma das idealizadoras e principais captadoras de recursos da Rede Sustentabilidade.

Sua importância na campanha e no partido de Marina Silva já seria boa razão para o eleitor conhecê-la melhor. Ainda mais após a morte de Eduardo Campos. Mas há uma razão bem maior. Neca é o apelido que Maria Alice Setúbal carrega da infância. Ela é acionista da holding Itausa. Você pode conferir a participação dela neste documento do Bovespa. Ela tem 1,29% do capital total. Parece pouco, mas o valor de mercado da Itausa no dia de ontem era R$ 61,4 bilhões. A participação de Maria Alice vale algo perto de R$ 792 milhões.

A Itausa controla o banco Itaú Unibanco, o banco de investimentos Itaú BBA, e as empresas Duratex (de painéis de madeira e também metais sanitários, da marca Deca), a Itautec (hardware e software) e a Elekeiroz (gás). Neca herdou sua participação do pai, Olavo Setúbal, empresário e político. Foi prefeito de São Paulo, indicado por Paulo Egydio Martins, e ministro das relações exteriores do governo Sarney. Olavo morreu em 2008. O Itaú doou um milhão de reais para a campanha de Marina Silva em 2010 (leia mais aqui).

Em agosto de 2013 - portanto, no governo Dilma Rousseff - a Receita Federal autuou o Itaú Unibanco. Segundo a Receita, o Itaú deve uma fortuna em impostos. Seriam R$ 18,7 bilhões, relativos à fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008. O Itaú deveria ter recolhido R$ 11,8 bilhões em Imposto de Renda e R$ 6,8 bilhões em Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A Receita somou multa e juros.

R$ 18 bilhões é muito dinheiro. É difícil imaginar que a Receita tirou um valor desse tamanho do nada. É difícil imaginar uma empresa pagando uma multa que seja um terço disso. Mas embora o economista-chefe do Itaú esteja hoje no jornal dizendo que o Brasil viveu um primeiro semestre de "estagnação", o Itaú Unibanco lucrou R$ 4,9 bilhões no segundo trimestre de 2014, uma alta de 36,7%. No primeiro semestre, o lucro líquido atingiu R$ 9,318 bilhões, um aumento de 32,1% em relação ao primeiro semestre de 2013. O Unibanco vai muitíssimo bem. E gera, sim, lucro para pagar os impostos e multa devidos - ainda que em prestações.

A autuação da Receita foi confirmada em 30 de janeiro de 2014 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O Itaú informou que iria recorrer desta decisão junto ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais. Na época da autuação, e novamente em janeiro, o Itaú informou que considerava "remota" a hipótese de ter de pagar os impostos devidos e a multa. Mandei um email hoje para a área de comunicação do Itaú Unibanco perguntando se o banco está questionando legalmente a autuação, e pedindo detalhes da situação. A resposta foi: "Não vamos comentar."

O programa de governo de Marina Silva, que leva a assinatura de Maria Alice Setúbal, merece uma leitura muito atenta, à luz de sua participação acionária no Itaú. Um ano atrás, em entrevista ao Valor, Neca Setúbal foi perguntada se participaria de um eventual governo de Marina. Sua resposta: "Supondo que Marina ganhe, eu estarei junto, mas não sei como. Talvez eu preferisse não estar em um cargo formal, mas em algo que eu tivesse um pouco mais de flexibilidade."

Formal ou informal, é muito forte a relação entre Neca e Marina. Uma presidenta não tem poder para simplesmente anular uma autuação da Receita. Mas tem influência. E quem tem influência sobre a presidenta, tem muito poder também. Neca Setúbal já nasceu com muito poder econômico, que continua exercendo. Agora, pode ter muito poder político. É um caso de conflito de interesses? Essa é a pergunta que vale R$ 18,7 bilhões de reais.

http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2014/08/20/antes-de-votar-em-marina-voce-precisa-conhecer-neca-e-fazer-a-pergunta-de-r-18-bilhoes/

Professor desmonta conteúdo do site “Marina de Verdade”

 

Gustavo Castañon, filiado ao PSB, contesta informações sobre a Bláblárina.

Ilustração originária do Marineitor

O Conversa Afiada reproduz artigo do professor Gustavo Castañon, extraído do Viomundo:

Filiado ao PSB contesta conteúdo do “Marina de Verdade”

por Gustavo Castañon
Candidata Marina Silva, meu nome é Gustavo Castañon. Sou, entre outras coisas, filiado há mais de dez anos ao PSB, partido que hoje a senhora usa para se candidatar, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora e um cristão convicto, como acredito que a Senhora também seja, do seu jeito.
Investida de seu eterno papel de vítima, sua campanha lançou um site na internet chamado “Marina de Verdade” (com V maiúsculo mesmo) para combater supostas “mentiras” espalhadas contra a senhora na internet. Vou aqui responder uma a uma as afirmações de seus marqueteiros no site citado, oferecendo os links de fontes das minhas afirmações.

1 – Não Marina, você não sofre preconceito por ser evangélica.
Você é que acredita que todos aqueles que não compartilham de suas crenças queimarão eternamente no fogo do inferno. É o que está claramente descrito no credo (credo 14) de sua agremiação religiosa. Que nome podemos dar a isso? Certamente é um nome mais assustador do que intolerância ou preconceito. Talvez essa seja a origem de seu maniqueísmo, já que separa o mundo entre os bons, que apoiarão seu possível governo, e os maus, que lhe fariam oposição, como eu. O seu problema não é ser protestante. É ser da Assembleia de Deus, associação pentecostal de vários ramos que interpreta literalmente o Antigo Testamento, e que tem entre seus pastores Marcos Feliciano, que vende curas a paraplégicos, e Silas Malafaia, este homem que hoje defende da “cura gay” à teologia da prosperidade e vende bênçãos de Deus. Eu me pergunto: o que alguém que faz parte de uma organização que faz comércio com a palavra de Cristo é capaz de fazer na vida política? Qual o nível de inteligência que pode possuir alguém que faz interpretações tão rasteiras do significado da Bíblia? Essas são perguntas legítimas que as pessoas se fazem, e não por preconceito, mas por conceito.
2 – Não Marina, o Estado Laico deve intervir nas práticas religiosas quando são fora da lei.
Se uma religião resolve reinstituir o sacrifício de virgens dos Astecas ou a amputação de clitóris comum em alguns países muçulmanos hoje, o estado tem que observar inerte essas práticas em nome da liberdade religiosa e do laicismo? Não, candidata. Nenhuma organização está acima da lei num Estado Laico.

3 – Não Marina, você não é moderna, você é uma fundamentalista mesmo.
O fundamentalismo religioso não é a negação do Estado Laico, essa é só uma espécie de fundamentalismo, o teocrático. O fundamentalismo se caracteriza pela crença de que algum texto ou preceito religioso seja infalível, e deva ser interpretado literalmente, tanto em suas afirmações históricas como comportamentais ou doutrinárias. E o ataque ao Estado Laico pode vir também pela incorporação de leis, que desrespeitem as minorias religiosas ou não religiosas, impondo um valor comportamental de determinada religião a todos os cidadãos. Isso faz da senhora uma fundamentalista (Assembleista) que compartilha das crenças de Feliciano e Malafaia, e uma adversária, se não do Estado Laico, do laicismo que deveria orientar todas as nossas leis, pois defende plebiscitos sobre esses temas para impor a vontade das maiorias religiosas sobre as minorias em questões comportamentais.

4 – Não Marina, você é, sim, contra o casamento gay.
Você agora diz que está sofrendo ataques mentirosos na internet sobre o tema, mas sempre se colocou abertamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defendendo somente a união civil nesse caso. E não adianta simular que o que o movimento gay está reivindicando casamento religioso. O casamento é também uma instituição civil. Você só defende união de bens, sem todos os outros direitos que o casamento confere às pessoas. O vídeo acima e mais esse vídeo aqui provam esse fato de conhecimento público.
PS: Hoje, dia 29/08/2014, ao lançar seu programa de governo, a candidata mudou uma posição defendida por toda vida, faltando um mês para a eleição. Por que?

5 – Realmente Marina, você não é petista.
Você abandonou o partido que ajudou inestimavelmente a construir sua vida política, ao qual você deve todos os mandatos e o único cargo que ocupou até hoje, porque não tinha espaço para sua candidatura à presidência. Hoje, você busca se associar, sem qualquer pudor ou remorso, a inimigos ideológicos históricos do partido, repetindo as práticas que supostamente condena no PT e chama de “velha política”. Só que faz isso somente para chegar ao poder e construindo um projeto oposto àquilo a que defendeu toda a vida.

6 – Realmente Marina, você não é tucana. Mas sua equipe econômica é.
Sua equipe econômica conta com André Lara Resende e Eduardo Giannetti, ex-integrantes da equipe econômica do governo FHC, além de seu coordenador Walter Feldman, que fez toda sua história no PSDB. Suas propostas econômicas são as mesmas do PSDB. Agora, de fato, o que nem o PSDB jamais teve coragem de ter é uma banqueira como porta voz de sua política econômica… Você não quer alianças com governos atuais de nenhuma agremiação, como o de Alckmin, exatamente para manter sua imagem de anti-tudo-o-que-está-aí. Mas não se sente constrangida em ter o vice de Alckmin na coordenação financeira de sua campanha, nem de convidar o “bom” representante de sua “nova política” José Serra para seu governo…

7 – Não Marina. Você defendeu, sim, Marcos Feliciano.
Você afirmou que ele era perseguido na CDH não por causa de suas posições políticas, mas por ser evangélico. Disse que isso era insuflar o preconceito religioso. Não, candidata. Você está falando de seu companheiro de Assembleia de Deus, um homem processado por estelionato, que pede senha de cartão de crédito de seus fiéis, que defende que os gays são doentes e os descendentes de africanos amaldiçoados. Recentemente, esse homem que você afirma ser vítima do mesmo preconceito que você sofreria, afirmou à revista Veja: “Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande demais. Não tem só negros. A África do Sul tem brancos”. Ao usar essa estratégia de defesa pra ele e para você, você reforça os preconceitos da sociedade e o comportamento de grande parte dos pentecostais de blindar qualquer satanás que clame “Senhor, Senhor” em suas Igrejas.

8 – Não Marina. Você não é só financiada por banqueiros. Eles coordenam seu programa!
Neca Setúbal, herdeira do Itaú, não é só sua doadora como pessoa física. Ela é a coordenadora de seu programa de governo e sua porta-voz, e já declarou que você se comprometeu a dar “independência” (do povo e do governo) ao Banco Central, que fixa os juros que remuneram os rendimentos dela. Da mesma forma, o banqueiro André Lara Resende, um dos responsáveis pelo confisco da poupança na era Collor e assessor especial de FHC, é o formulador de sua política econômica.

9 – Não Marina, você é desagregadora e vilipendia a classe política. Seu governo será o caos.
Você é divisionista e maniqueísta e implodiu meu partido em uma semana de candidatura. Vai deixar seus escombros para trás quando chegar ao poder, como sabemos e já anunciou, para delírio daqueles que criminalizam a política. Seu partido é nanico, e se não o criar com distribuição de cargos, continuará nanico. Com a oposição certa do PT, terá que governar com a mídia e os bancos, que cobrarão o apoio com juros. Precisará do PMDB, que você acusa de fisiologismo, e do PSDB e o DEM, que lhe exigirão não só cargos, empresas públicas e ministérios, mas também a volta das privatizações. A única base congressual que lhe será fiel é a bancada evangélica, que cobrará seu preço com sua pauta de controle dos costumes e seu fisiologismo extremo. Resultado, você vai entregar a alguém o trabalho sujo do fisiologismo ou mergulhará o país no caos.

10 – Não Marina, seu marido foi sim acusado de contrabando de madeira.
E não só isso, foi acusado pelo TCU de doação de madeira clandestina. A senhora usou sua força política de Ministra para impedir que o caso fosse investigado, como sempre fazem na “velha política”. Mais tarde o MP arquivou, como fazem com todas as denúncias contra membros da oposição. Mais uma vez, fato bem comum na “velha política”. Nada é investigado.

11 – Não Marina, Chico Mendes não era da elite. A elite é que o matou.
Em mais uma tergiversação semântica demagógica, num vilipêndio à memória de seu companheiro, a senhora tomou o termo “elite” pelo sentido de elite moral, para acusar de “divisionismo” os que lutam contra a elite econômica brasileira. Essa mesma elite que mantém o Brasil como um dos dez países mais desiguais do mundo e que hoje está acastelada no seu programa de governo e campanha. Seu discurso despolitizante busca mascarar a terrível e perversa divisão de classes no Brasil e é um insulto aos seus ex companheiros de luta. Seu uso demonstra bem à qual elite você serve hoje, e nós dois sabemos que não é à elite moral. A elite moral desse país está lutando contra a elite econômica para diminuir nossa terrível e cruel desigualdade social. E você, Marina, não é mais parte dela.

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/08/30/professor-desmonta-conteudo-do-site-%E2%80%9Cmarina-de-verdade%E2%80%9D/

Sindicato dos Bancários: Itaú é líder em demissões

 

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Em entrevista a Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, Juvandia Moreira, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, afirma que o banco Itaú, que tem Neca Setúbal, coordenadora do programa de governo de Marina Silva, como acionista, é o que tem a pior relação com os trabalhadores; "Se você olhar os últimos anos, o Itaú foi o banco mais agressivo em termos de demissões. Repito: é o banco com o qual o sindicato mais teve problemas", diz ela; de acordo com Guimarães, "não é Neca Setubal que está na campanha de Marina, mas o banco dela"

31 de Agosto de 2014 às 14:05

Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania

A estreita relação da candidata Marina Silva com o banco Itaú tem chamado até mais atenção do que suas polêmicas propostas, como a de interromper a exploração do pré-sal ou reduzir drasticamente o papel do Estado na economia. Vale, pois, saber mais sobre o comportamento desse banco.

Para se ter ideia do papel do Itaú na campanha de Marina Silva, no dia 26 de agosto a equipe dela participou de reunião com um grupo de investidores brasileiros e estrangeiros e o evento foi bancado pelo Itau BBA, braço de investimentos do banco Itaú.

O Itaú, como se sabe, tem entre seus proprietários Maria Alice Setubal, a Neca, que produziu o programa de governo de Marina.

Questionado pela imprensa por ter feito o evento para promover Marina, o Itaú declarou que promoveu eventos parecidos com Eduardo Campos e Aécio Neves, mas não para Dilma Rousseff, o que mostra que não é Neca Setubal que está na campanha de Marina, mas o banco dela.

Diante disso, o Blog resolveu saber mais sobre o Itaú. Para tanto, foi ouvir a presidente do Sindicato dos bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, baiana de Nova Soure. Juvandia chegou a São Paulo em 1990, cursou e se formou em direito e é pós-graduada em política e relações internacionais.

Recentemente, Juvandia foi reeleita presidente do sindicato com 82,11% dos votos válidos. Esse apoio expressivo a credencia a expressar o sentimento da categoria sobre a eleição presidencial.

Confira, abaixo, trechos da entrevista:

Blog da Cidadania – Os bancários já têm uma preferência eleitoral majoritária e coesa ou esse é um assunto que ainda está sendo discutido pela categoria?

Juvandia Moreira – Os bancários de SP e os do Brasil inteiro mantêm a conferência nacional dos bancários e obviamente nós discutimos a eleição porque se trata do futuro do Brasil. Uma categoria como a dos bancários não pode se omitir, mas estou lhe dizendo da posição das pessoas e não uma posição oficial do sindicato, que não se pronuncia oficialmente sobre eleições.

Nós, bancários, fizemos, enquanto categoria profissional, reflexão do que estava em jogo, quais são os projetos que estão colocados e qual seria a nossa posição, e ela é a de apoiar a reeleição da presidenta Dilma. Por que? Porque antes dela e do presidente Lula o país estava submetido a um projeto neoliberal que estava piorando a vida do trabalhador, com desemprego, privatizações, inflação mais alta…

Nós tivemos, nos últimos 12 anos, um governo que promoveu uma política de aumento do nível de emprego, do valor dos salários e de inclusão social. Uma Política que consideramos benéfica ao trabalhador brasileiro porque, ao longo desse período, nossa categoria teve aumentos reais de salário e recuperação do nível de emprego.

Na década de 1990, nós não podíamos nem fazer greve por conta do desemprego alto. Com Lula e Dilma, tudo mudou.

Blog da Cidadania – Recentemente, você se reelegeu presidente do Sindicato dos Bancários de SP. Na sua campanha à reeleição, o tema sucessão presidencial constou de sua plataforma? Ou seja: quando você fala na sua posição política pessoal, o apoio à sua reeleição significa que a categoria bancária concorda com ela?

Juvandia Moreira – Nossa chapa foi reeleita com 82% dos votos. Então, a categoria bancária nos conhece, sabe das nossas posições políticas.

Blog da Cidadania – Qual é o contingente de bancários paulistas sindicalizados?

Juvandia Moreira – Nós temos 130 mil bancários, em São Paulo. Sindicalizados, incluindo aposentados etc., são mais de 60 mil. E se não fossem as demissões no setor nós teríamos muito mais associados ao sindicato. A rotatividade no setor impede que cresça mais o contingente de trabalhadores sindicalizados.

Blog da Cidadania – Você já me respondeu qual é a sua posição política e disse que tal posição é compartilhada ao menos pelos 82% da categoria que votaram em sua candidatura. Agora, estamos vendo uma ascensão muito forte da candidatura Marina Silva. Como os bancários enxergam a possibilidade de ela se eleger presidente?

Juvandia Moreira – Entendemos que o projeto de Marina não tem nem os mesmos compromissos do projeto de Dilma e tampouco condições políticas de implementar suas propostas, ainda que nós discordemos de grande parte dessas propostas.

Qual é a nossa crítica às outras candidaturas com chances na eleição? É o que essas candidaturas representam. No caso de Marina, inclusive, falta força política para realizar tanto o que apoiamos quanto o que não apoiamos em suas propostas.

Blog da Cidadania – Que medidas a Marina poderia tomar que você considera que seriam danosas? Por exemplo, a anunciada independência do Banco Central. Como é que os bancários veem uma medida dessas, que teria tanto impacto no setor de vocês?

Juvandia Moreira – Historicamente (desde 1992), os bancários têm uma posição contrária à autonomia do Banco Central. O governo tem que fazer política econômica e a autonomia retira dele essa possibilidade.

A independência do BC interfere no emprego ao interferir na política industrial, na política de câmbio. Aliás, nem nos Estados Unidos você tem um Banco Central independente.

Blog da Cidadania – O que você acha de Marina ter o banco Itaú dentro de sua campanha?

Juvandia Moreira – Acho que é o Itau que está na campanha de Marina, não só a sua dona. Todos têm lido as críticas públicas que o Itaú, enquanto instituição, faz ao governo e à política econômica da presidente Dilma.

Já faz mais de um ano que o economista-chefe do Itaú tem feito críticas à política econômica e tem oferecido “soluções” que propõem desemprego e recessão para combater a inflação, por exemplo.

Os bancos ganham com políticas de combate a inflação nos moldes que o itaú propõe porque essas políticas se baseiam quase exclusivamente em aumentar os juros que esses bancos cobram.

Blog da Cidadania – O Itaú foi multado pesadamente por sonegação de impostos e com a anuência do governo Dilma. Você acha que essa multa tem alguma relação com a posição política que o banco adotou?

Juvandia Moreira – Não sei foi só por isso, mas é claro que a multa pesou. Mas é, também, porque o banco não gosta da política econômica de Dilma. Sobretudo a forte redução da taxa Selic até o ano passado, mesmo que depois tenha subido.

Blog da Cidadania – Por que o governo multou o Itaú em 18 bilhões de reais?

Juvandia Moreira – Por causa da fusão com o Unibanco. Nesse processo de fusão, em resumo, tem sonegação, tem cálculo errado dos impostos a pagar, mas cabe recurso da multa.

Blog da Cidadania – Um banco como o Itaú, que está tendo tanta influência na campanha eleitoral, que está bancando Marina Silva, como é que essa instituição se relaciona com os trabalhadores que contrata?

Juvandia Moreira – O banco que mais tem dado problema ao sindicato dos bancários nos últimos anos tem sido o Itaú por conta do grande número de demissões que fez. Se a gente olhar os últimos três anos, o Itaú eliminou 17 mil postos de trabalho. Em 2004, tinha 104 mil trabalhadores e tem hoje 87 mil. Isso apesar de o lucro que teve no primeiro semestre ter crescido 33% em relação ao mesmo período do ano passado. Foi o banco que mais demitiu.

Blog da Cidadania – Essa conduta do Itaú de demitir tanto é só dele ou é do sistema bancário?

Juvandia Moreira – Se você olhar os últimos anos, o Itaú foi o banco mais agressivo em termos de demissões. Repito: é o banco com o qual o sindicato mais teve problemas. E, depois do Itaú, o banco que mais demitiu foi o Santander.

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/151905/Sindicato-dos-Banc%C3%A1rios-Ita%C3%BA-%C3%A9-l%C3%ADder-em-demiss%C3%B5es.htm

O Povo pensa

Erika Kokay

Ao ver as declarações de Marina Silva, negando o seu próprio programa apresentado largamente para toda a sociedade, me lembrei da frase do barão de Itararé que diz "de onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Não poderíamos esperar o combate a homofobia de quem tem a sua construção e a sua linha política pautada no fundamentalismo.

A declaração de Marina Silva representa a consolidação de uma lógica homofóbica. Significa a ausência do Estado no desenvolvimento de uma função em que todo o ser humano possa viver a sua humanidade. São brasileiras e brasileiros que têm no seu recuo, no retrocesso ao seu próprio programa, a constatação de que não terão uma construção que permita que todas as pessoas tenham o direito de ser o que são, tenham o direito de amar, e tenham o direito de viver a sua humanidade.

É lamentável, extremamente perigoso e ameaçador para este País que nós tenhamos uma candidatura que lança propostas e que, em função da fala de um líder religioso, de um pastor que ameaça contestá-la, recua. Esta é uma candidatura que não representa uma postura de um governo de Estado, e que está absolutamente dominada, envergada por lógicas fundamentalistas religiosas, pautada pelas falas de líderes religiosos, na desconstrução da laicidade do Estado. Acredito que muitos outros temas também estão ameaçados, como o direito de amar, de ser, a democracia, e ao mesmo tempo a liberdade e a autonomia de Estado, adquirida a partir da sua própria laicidade.

O recuo no discurso se deu, e todos sabem disso, a partir das ameaças de um líder fundamentalista. Ao ameaçar Marina Silva de fazer oposição, houve um retrocesso imediato. O Brasil não pode sofrer a ameaça de ter uma presidenta da República que mude toda a construção do seu programa e as suas ações a partir da fala de um líder religioso.

Por isto não tenham dúvida: para avançar na construção da luta em defesa do direito de ser, da comunidade LGBT, do combate a homofobia, a candidatura que se apresenta e tem a real possibilidade de fazer esses enfrentamentos é a de Dilma Rousseff. Temos que avançar na construção da democracia e de direitos, para que possamos entender que este País é um País de todas cores e que um beijo tem que ser encarado apenas como um beijo.