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sábado, 7 de setembro de 2019

Vox: 62% dos brasileiros acreditam que a vida era muito melhor com Lula


O governo Lula continua sendo o mais aprovado pelo povo brasileiro. De acordo com pesquisa Vox Populi, para 62% dos trabalhadores e trabalhadoras, na época dos governos dele havia “melhores condições de vida: emprego, maior renda, menor inflação e acesso a bens”. Até entre eleitores do Bolsonaro, Lula é considerado o melhor

7 de setembro de 2019, 11:09 h Atualizado em 7 de setembro de 2019, 11:4

247 - Mesmo tendo sofrido a maior caçada judicial do País e condenado sem provas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua tendo o governo melhor aprovado pelo povo brasileiro. De acordo com pesquisa Vox Populi, para 62% dos trabalhadores e trabalhadoras, na época dos governos dele havia “melhores condições de vida: emprego, maior renda, menor inflação e acesso a bens”.

Na comparação com a pesquisa anterior feita em abril, o percentual dos que gostam de Lula como pessoa aumentou de 48% para 53%, o dos que não gostam nem desgostam passou de 26% para 23%, e o dos que não gostam (não chegam a detestar + detestam) continuou em 23%.

Segundo o levantamento, os que detestam ou não gostam de Bolsonaro como pessoa saltaram de 28% para 44%, os neutros caíram de 33% para 24% e os que gostam muito ou um pouco passaram de 18% para 30%.

Até mesmo entre eleitores do Bolsonaro, Lula é considerado o melhor. Somente 5% consideram que o ocupante do Planalto proporciona melhores condições de vida para o povo. Lula é considerado o melhor, por esse critério, até entre eleitores do atual ocupante do Planalto, 32% dos pró-bolsonaristas sentem falta dos governos de Lula e dizem que a vida era melhor naqueles tempos.

Para 50%, Lula é o melhor presidente que o país já teve. Seu governo foi positivo para 62%, regular para 23% e negativo para apenas 13%.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/vox-62-dos-brasileiros-acreditam-que-a-vida-era-muito-melhor-com-lula

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Futuro do Brasil está ameaçado sob Bolsonaro, alerta manifesto da oposição em defesa da soberania


Postado em 4 de setembro de 2019

Foto: Lula Marques

Em manifesto divulgado hoje (4) em Brasília em defesa da soberania nacional e dos direitos do povo, seis partidos de oposição (PT, PCdoB, PDT, PSOL, PSB e Rede), a Liderança da Minoria na Câmara e diferentes entidades da sociedade civil alertaram a população brasileira para os graves riscos ao futuro do Brasil em consequência da política de submissão do governo de extrema direita Jair Bolsonaro aos interesses estrangeiros, em especial dos Estados Unidos.

“As nações também podem morrer, quando desconstroem sua democracia, quando se submetem, quando se curvam aos desígnios de outras potências e renunciam a construir de forma autônoma seu próprio futuro. Vivemos um momento de entrega de nosso patrimônio, com a venda de nossas riquezas: petróleo, minério, água, energia, Amazônia, empresas públicas e estatais, tudo está em risco”, diz um trecho do manifesto lido pelo ex-senador Roberto Requião, depois de ato em Defesa da Soberania Nacional e Popular e contra as privatizações, realizado na Câmara dos Deputados.

Do evento participaram, entre outros, a ex-presidenta Dilma Rousseff e os ex-candidatos à Presidência da República Fernando Haddad e Guilherme Boulos. O manifesto tem o objetivo de sensibilizar as forças democráticas do País e levantar a sociedade em defesa da soberania nacional. Depois do ato foi lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Soberania Nacional, presidida pela senadora Zenaide Maia (PROS-RN) e coordenada pelo deputado Patrus Ananias (PT-MG).

Brasil de joelhos para os gringos

No documento, alerta-se para o fato de “a nação brasileira estar de joelhos perante o capital estrangeiro” ao mesmo tempo em que ocorre a destruição de direitos históricos do povo, como a aposentadoria, saúde pública e a educação pública e gratuita.

Conforme o manifesto, o conceito de soberania nacional, gravado no artigo 1º da Constituição, significa afirmar que um país “decide sobre seu próprio destino, protege seu território e utiliza suas riquezas em benefício de seus cidadãos e cidadãs”.

Submissão de Bolsonaro aos EUA

É também criticada a subordinação do governo Bolsonaro aos interesses dos EUA, o que é explicitado no acordo firmado com Washington para a utilização da Base de Alcântara, no Maranhão, e no acordo Mercosul-União Europeia.

O manifesto também defende a presença de forças de defesa na Amazônia para combater o desmatamento e a biopirataria, ao mesmo tempo em que preconiza a atuação do Estado para a melhoria das condições de vida da população que vive na floresta e a defende.

O documento critica as privatizações de empresas públicas e estatais e cita o Banco do Brasil, CEF, BNDES, BNB e Basa como bancos estratégicos para o desenvolvimento nacional, para financiar com juros subsidiados a moradia, agricultura familiar, a infraestrutura e os investimentos de longo prazo.

“O Brasil que desejamos é muito maior do que este que está sendo destruído pelo governo ultraliberal e autoritário, submisso ao sistema financeiro nacional e internacional”, afirma o manifesto. “Neste momento da vida nacional é necessária a unidade de todas as forças democráticas, movimentos populares e organizações da sociedade civil para enfrentar os vendilhões da Pátria, os destruidores de direitos e os inimigos da democracia”, frisa o documento.

Leia mais:

Seminário e ato em defesa da soberania nacional reúnem Dilma, Haddad e Boulos na Câmara

Leia, abaixo, a íntegra do manifesto:

“Art. 1º – A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I – a soberania(…)” (Constituição da República Federativa do Brasil)

POR UM BRASIL SOBERANO!

Em defesa do emprego e de nosso futuro

A nação brasileira está de joelhos perante o capital estrangeiro. Em nenhum momento da história foi tão necessária a unidade das forças democráticas e progressistas para fazer frente à tentativa de destruir um país que, nas últimas décadas, registrou vários avanços, a exemplo da inclusão social, preservação do meio ambiente, respeito à democracia, convivência pacífica com outras nações e a defesa da soberania nacional e do princípio da autodeterminação dos povos.

As nações também podem morrer, quando desconstroem sua democracia, quando se submetem, quando se curvam aos desígnios de outras potências e renunciam a construir de forma autônoma seu próprio futuro. Vivemos um momento de entrega de nosso patrimônio, com a venda de nossas riquezas: petróleo, minério, água, energia, Amazônia, empresas públicas e estatais, tudo está em risco. Está em curso também a destruição de políticas públicas conquistadas pelo povo brasileiro com muita luta: previdência (aposentadoria), saúde (SUS), educação (pública e gratuita). Este manifesto cria um movimento que tem como objetivo sensibilizar as forças democráticas e levantar a sociedade em defesa da soberania nacional.

Não é por acaso que a palavra soberania está gravada no artigo 1º da nossa Constituição, encabeçando os princípios fundamentais. Está ali para afirmar que o Brasil é um país que decide sobre seu próprio destino, protege seu território e utiliza suas riquezas em benefício de todos seus cidadãos e cidadãs. O Estado e o governo devem utilizar todos os recursos possíveis para cuidar bem da população e do seu futuro. E cuidar bem significa garantir saúde, educação, segurança, cultura e proteção social; direito ao trabalho e à aposentadoria; salário digno e crédito para produção e consumo; acesso à terra e à assistência no campo; acesso à alimentação; acesso à justiça; liberdade e democracia.

O atual governo, ultraliberal e autoritário, transformou nossa política externa em instrumento de total subordinação a outros interesses estrangeiros, como ficou patente no acordo firmado com os Estados Unidos para utilização da Base de Alcântara e no acordo Mercosul-União Europeia.

A proteção da Amazônia exige a presença do Estado brasileiro com forças de defesa nas fronteiras, no combate ao desmatamento e à biopirataria, na promoção das condições de vida digna para a população da região, mas também com cientistas e pesquisadores para estudar a fauna e a flora e empregar esse conhecimento na medicina, na farmacologia, na segurança alimentar e nos mais diversos campos da ciência em sintonia com os povos que vivem na floresta e a defendem.

O governo atual se propõe a acabar com o crédito e os bancos públicos. O Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES, BNB e o BASA estão ameaçados. Ao longo da história do Brasil, os bancos públicos têm sido indispensáveis ao desenvolvimento sustentável e ao progresso do país. Fazem o que nenhum banco privado quer fazer: financiar com juros acessíveis a moradia, a agricultura familiar, a infraestrutura e os investimentos de longo prazo.

A “PEC da Morte”, que há três anos estabeleceu o teto dos gastos públicos, sequestrou parte da nossa soberania, dada pela capacidade do Estado de alocar recursos públicos conforme as necessidades da nação. O resultado é o desmonte da saúde pública, a volta de doenças que estavam controladas, a falta de medicamentos para os pobres, a volta da fome e a grave crise na educação que, neste momento, ameaça de fechamento de institutos federais, universidades públicas e centros de pesquisa, entre outros prejuízos para a população que mais precisa.

Um Brasil soberano exige a garantia de proteção social à população. É o contrário do que assistimos hoje com a revogação dos direitos trabalhistas, a redução sistemática do salário real e a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que vai destruir o regime público de aposentadoria. Seremos verdadeiramente soberanos com a implementação de políticas públicas que gerem renda e emprego, combatam as desigualdades sociais e regionais e permitam um futuro melhor para toda a nação.

O Brasil que desejamos é muito maior do que este que está sendo destruído pelo governo ultraliberal e autoritário, submisso ao sistema financeiro nacional e internacional. Convocamos todos os brasileiros e brasileiras, quaisquer que sejam suas preferências políticas e partidárias, a se unir em defesa da soberania nacional ameaçada. Neste momento dramático da vida nacional é necessária a unidade de todas as forças democráticas, movimentos populares e organizações da sociedade civil para enfrentar os vendilhões da Pátria, os destruidores de direitos e os inimigos da democracia.

Mais uma vez, serão as forças sociais comprometidas com a democracia que mobilizarão a energia cívica necessária para retirar nossa pátria da humilhação e da vergonha e por novamente o Brasil de pé para construirmos nosso destino como nação!

Brasília, 4 de setembro de 2019.

PT na Câmara

Foto: Lula Marques

Fonte: https://ptnacamara.org.br/portal/2019/09/04/futuro-do-brasil-esta-ameacado-sob-bolsonaro-alerta-manifesto-da-oposicao-em-defesa-da-soberania/

Olha como age um presidente que foi eleito prometendo combater a corrupção

Bolsonaro cria 'situação dramática' ao tentar proteger Flávio, diz ex-procurador da Lava Jato

André Shalders - @andreshalders Da BBC Brasil em Brasília

Direito de imagem Ascom MPF PR Image caption Carlos Fernando dos Santos Lima diz que Bolsonaro causou 'decepção' ao não apoiar projeto anticrime de Sergio Moro

Para Carlos Fernando dos Santos Lima, Jair Bolsonaro (PSL) é hoje uma "fonte de preocupação". Para ele, atitudes recentes do presidente – como mandar o antigo Coaf para o Banco Central e trocar nomes-chave da Receita Federal – podem ter sido motivadas pelo desejo de proteger seu filho, o hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

O senador é investigado na operação Furna da Onça, que apura se políticos de vários partidos teriam se apropriado dos salários de assessores na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

"Infelizmente, uma questão menor, um crime dos mais banais envolvendo políticos – a 'rachadinha' dos salários no gabinete – está inviabilizando o combate à corrupção no Brasil", disse Carlos Fernando em entrevista exclusiva à BBC News Brasil, por telefone.

"Com este Coaf no Banco Central e sem liberdade de se comunicar com o Ministério Público; e com a Receita também ameaçada de diminuição da sua independência, nós temos realmente uma situação dramática."

Carlos Fernando, que teve uma suposta mensagem hackeada de seu telefone entre as publicadas em reportagens do site The Intercept Brasil, relativiza a importância da conversa. No trecho, ele teria dito que seus "vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração".

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    À BBC News Brasil, ele diz que tudo o que fez foi antecipar informações não protegidas por sigilo, com o único objetivo de criar uma "corrida pela delação" entre os investigados.

    Ele também classifica as supostas conversas de procuradores acerca da morte da ex-primeira dama Marisa Letícia (1950-2017), mulher do ex-presidente Lula (PT), de "conversa de botequim" dos procuradores.

    "Poucas pessoas suportariam a revelação de cinco anos de mensagens trocadas em grupos de WhatsApp. Sejam jornalistas, sejam funcionários públicos, sejam membros do Vaticano. Nem mesmo o Papa não resistiria", diz.

    'Entre o diabo e o coisa ruim'

    No 2º turno das eleições de 2018, diz Carlos Fernando, o país ficou "entre o diabo e o coisa ruim", referindo-se aos então candidatos Fernando Haddad (PT) e Bolsonaro. Muitos procuradores tinham a percepção de que um governo petista "acabaria sendo mais agressivo com a Lava Jato", segundo ele. Por outro lado, não havia muito entusiasmo com o candidato eleito.

    Bolsonaro acabou frustrando expectativas quando não deu o devido apoio, na opinião de Carlos Fernando, ao pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, que hoje tramita a passos lentos no Congresso. Neste caso, o presidente "acabou realmente se revelando uma decepção", diz o procurador aposentado.

    Ele ressalta ainda que a decisão de Moro de integrar o governo é uma escolha pessoal e não da Lava Jato. Mas avalia que a permanência dele no ministério ainda é "uma garantia" para o país.

    O procurador também diz que Bolsonaro erra ao retardar a escolha do próximo procurador-geral da República. O mandato da atual PGR, Raquel Dodge, acaba no dia 17 deste mês, mas uma eventual indicação de um procurador "alinhado" não teria os efeitos desejados pelo presidente, segundo Carlos Fernando.

    "Querer um procurador alinhado com a visão do Bolsonaro em questões de meio ambiente, ou indígenas, é pouco produtivo, porque os procuradores dessas áreas são independentes da opinião do PGR. No final das contas, acabará possivelmente acirrando mais os ânimos dentro da categoria", afirma ele.

    Aos 55 anos, Carlos Fernando deixou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba em setembro de 2018. Em 18 de março deste ano, aposentou-se no Ministério Público.

    Hoje atua como advogado, palestrante e professor na área de compliance corporativo – uma área do direito que busca implementar boas práticas e prevenir casos de corrupção em empresas. Quando falou com a reportagem, ainda buscava um espaço para montar seu escritório, em Curitiba (PR).

    Direito de imagem Reuters Image caption Para Carlos Fernando, Bolsonaro pode estar tentando blindar seu filho Flávio

    Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

    BBC News Brasil O senhor disse recentemente que a Lava Jato vive o seu pior momento. A que atribui as adversidades recentes da operação?

    Carlos Fernando dos Santos Lima – Neste momento, nós estamos com uma situação em que o poder político, o sistema político que a Lava Jato acabou revelando o método de fazer dinheiro, de se financiar, ele se uniu contra a Lava Jato. Anteriormente a isso, nós tínhamos os políticos agindo isoladamente contra a Lava Jato, mas não em grupo, o sistema agindo coletivamente. Hoje não: nós vemos o Congresso Nacional, nós vemos parte do Supremo Tribunal Federal, nós vemos instituições diversas agindo contra a força-tarefa.

    Infelizmente isso se revela bastante difícil de lidar. Então, esse é o momento mais difícil que a Lava Jato tem passado nestes cinco anos.

    BBC News Brasil Segundo o senhor, esses reveses se deram em várias frentes: no Congresso, com a aprovação do projeto de lei contra o abuso de autoridade; no STF, com a decisão da 2ª Turma relativa ao Bendine; e no Executivo…

    Carlos Fernando – O próprio presidente da República (Jair Bolsonaro, do PSL) com algumas decisões, como a transferência do Coaf para o Banco Central. Nós temos também questões relativas à Receita Federal. Não sei se por conta das investigações sobre o filho (o senador Flávio Bolsonaro, do PSL-RJ), o presidente tem tentado essas medidas. Que na verdade tiram um dos pilares básicos da operação Lava Jato, a relação entre instituições e agentes se auxiliando mutuamente.

    Agora, com este Coaf no Banco Central (o órgão mudou de nome para Unidade de Inteligência Financeira) e sem liberdade de se comunicar com o Ministério Público; e com a Receita também ameaçada de diminuição da sua independência, nós temos realmente uma situação dramática. Eu tenho que o próprio presidente da República é fonte de preocupação hoje.

    BBC News Brasil Acredita então que as mudanças no Coaf e as propostas de alteração na Receita podem ter por objetivo blindar Flávio Bolsonaro?

    Carlos Fernando – Para tentar dificultar as investigações em relação ao Flávio Bolsonaro. Infelizmente, uma questão menor, um crime dos mais banais envolvendo políticos, a "rachadinha" dos salários no gabinete, está inviabilizando o combate à corrupção no Brasil.

    BBC News Brasil O senhor disse, em entrevista recente à GloboNews, que parte dos apoiadores e pessoas que trabalharam na Lava Jato apoiaram Bolsonaro no 2º turno das eleições de 2018.

    Carlos Fernando – Sim, é uma escolha que todo cidadão tem que fazer na hora do 2º turno (das eleições). Infelizmente o Brasil fica sempre entre o diabo e o coisa ruim no 2º turno. E cada um de nós teve que fazer essa escolha. Mas houve votos para os dois candidatos, dentro da operação Lava Jato. Entre os diversos procuradores.

    BBC News Brasil Mas de qualquer forma havia a percepção de que o Fernando Haddad seria pior para a operação.

    Carlos Fernando – É. Isso é uma decisão individual, como eu falei. Nunca houve uma decisão nem uma orientação (coletivas), mesmo porque nós somos dezenas de funcionários públicos, de todos os níveis, e centenas de servidores em várias instituições (...). Mas nas conversas, é claro, a impressão que se tinha é de que o Partido dos Trabalhadores, até mesmo porque, obviamente, foi o mais atingido pelas investigações, acabaria sendo mais agressivo com a Lava Jato. Mas isso, repito, é a avaliação individual que nós, cada um dos membros da Lava Jato, fez.

    BBC News Brasil Agora, o presidente da República toma atitudes que, segundo o senhor mesmo disse, enfraquecem o poder de investigação. Há frustração com Bolsonaro?

    Carlos Fernando – Como eu mesmo disse, a opção por um ou outro candidato não era, em nenhum momento, me parece, entusiástica. A maior parte de nós tinha restrições a ambos os candidatos.

    Existe aquela velha do Barão de Itararé (o jornalista e escritor gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, 1895-1971). "De onde menos se espera é que não sai nada mesmo". Conhece? Então, não se esperava muita coisa do Bolsonaro. Mas quando ele montou o ministério, chamou o (ex-juiz Sergio) Moro (Justiça), chamou alguns militares, chamou o (ministro da Economia, Paulo) Guedes, se esperava que, com esse time, se ele deixasse realmente este time fazer o que se propunha, nós tínhamos alguma esperança.

    O Moro, com o projeto de lei anticorrupção, que é até tímido, na minha opinião; muito menor que as Dez Medidas contra a Corrupção, muito menor que as Novas Medidas contra a Corrupção, mas pelo menos era uma tentativa de mudança. Mas infelizmente o presidente (Bolsonaro) não apoiou o Moro efetivamente nesse projeto, e acabou realmente se revelando uma decepção.

    BBC News Brasil Durante a campanha eleitoral, Bolsonaro prometeu o "fortalecimento da Lava Jato". O senhor acha que essa promessa está sendo cumprida?

    Carlos Fernando – Veja bem: eu não espero do presidente um "fortalecimento da Lava Jato", porque isso não é tarefa do Presidente da República. Não esperava isso. Eu esperava que ele não tomasse medidas que atrapalhassem a Lava Jato.

    Agora, por exemplo, o que nos preocupa é a escolha de um PGR (Procurador-Geral da República) contrário à Lava Jato. Nós tivemos dias atrás um candidato, um nome que voltou da aposentadoria irregular que lhe tinha sido deferida, dizendo já de cara sobre a ilegalidade da operação Lava Jato (refere-se ao subprocurador-geral Antônio Carlos Simões Martins Soares).

    A Lava Jato não precisa de ninguém para ajudar, mas se não atrapalhar já seria muito bom. Então, escolher um PGR que seja reconhecido pela classe (dos procuradores) dentro da Lista Tríplice (elaborada pela Associação Nacional dos Procuradores da República, a ANPR) já seria um fortalecimento da Lava Jato, porque ela se baseia na independência do Ministério Público. Não mexendo com a independência do MP, já estaria muito bom.

    BBC News Brasil Que balanço o senhor faz da atuação de Sergio Moro até o momento, como ministro da Justiça? O fato de Moro estar no governo significa o apoio da Lava Jato a Bolsonaro?

    Carlos Fernando – Bom, primeiro que o Moro, ou eu, ou o Deltan, ou qualquer pessoa individualmente não é "a Lava Jato", obviamente. Então, a decisão do Sergio Moro de sair da magistratura e ir para o ministério é uma decisão individual dele. É claro que ele tem uma representatividade muito grande, mas não é uma decisão da Lava Jato. De qualquer maneira, dentro da realidade política, ele está fazendo, acho, um bom trabalho. Montou uma equipe muito boa.

    Direito de imagem Reuters Image caption Flávio Bolsonaro é investigado na operação Furna da Onça, que apura se políticos teriam se apropriado dos salários de assessores na Alerj

    Infelizmente nós vimos o sacrifício de uma pessoa excepcional, o dr. Roberto Leonel (ex-presidente do Coaf), sacrificado por conta de ter dito o óbvio. Que a decisão do (presidente do STF, ministro Dias) Toffoli (relativa a um pedido de Flávio Bolsonaro, em 16 de julho) atrapalha todo o combate à corrupção. Por isso, e por ter o Coaf sido a origem das informações relativas a Flávio Bolsonaro, acabaram tirando o Coaf do Ministério da Economia, e indo para o Banco Central.

    Apesar de tudo, apesar do pacote (anticrime) que o Moro ofereceu ser tímido, nas medidas administrativas que ele vêm tomando, o MJ têm mostrado uma eficiência muito grande. Mas essa eficiência vai acabar sendo perdida se não for aprovada nenhuma medida contra a corrupção. Pelo contrário: o que nós temos visto agora é um pacote a favor da corrupção, que está tramitando no Congresso. E uma delas (das medidas do pacote) já foi até aprovada, que é a lei do abuso (de autoridade).

    BBC News Brasil O que o presidente deve fazer se quiser fortalecer as investigações contra a corrupção?

    Carlos Fernando – Neste momento, as duas medidas mais importantes que ele vai ter que tomar são em relação à escolha da PGR; e o veto, parcial ou não, da lei de abuso (de autoridade). Isso aí, eu acho imprescindível que sejam tomadas nessa primeira ou segunda semanas de setembro. Então, eu creio que essas são as duas decisões mais importantes.

    BBC News Brasil Bolsonaro tem dado sinais de que pode não indicar o próximo PGR antes do dia 17 de setembro, quando termina o mandato de Raquel Dodge. Nesse caso, assumiria o subprocurador Alcides Martins. Que tipo de impacto isto poderia ter sobre a Lava Jato e o futuro do MP? O que o senhor acha dessa demora?

    Carlos Fernando – Se você já tem problemas para fazer alguma coisa, não vejo porque criar mais um. Porque, na verdade, ultrapassar o prazo, em nada ajuda a resolver o problema da escolha do nome. E acrescenta mais uma questão de indefinição, ou até mesmo um desrespeito pela instituição.

    Não acredito que haja qualquer utilidade para o presidente em deixar de apresentar um nome dentro do prazo.

    BBC News Brasil Ainda sobre a PGR, o presidente tem dado mostras de que quer alguém alinhado com ele. Porém, os procuradores da República têm autonomia funcional para trabalhar. O que significa essa autonomia e o que poderia acontecer se tivermos um PGR "alinhado"?

    Carlos Fernando – O MP é uma instituição muito interessante, porque ela não é uma instituição hierarquizada, no sentido de que haja ordens vindas de cima para baixo. Cada procurador é titular de uma atribuição na sua área. Então, naqueles processos, naqueles assuntos: índios, meio ambiente, consumidor, seja qual for, o procurador é titular da sua área e decide independente de qualquer outra pessoa. Então, o procurador-geral da República ele tem uma função muito importante, mas ele realmente tem pouco poder para influenciar, por exemplo, decisões dos procuradores da Lava Jato.

    É claro que um PGR pode acabar atrapalhando na montagem de equipes, na manutenção da própria operação, porque ele tem o poder da caneta e do orçamento do MP. Fora isso, tem muito pouco poder nas investigações individuais.

    Querer um procurador alinhado com a visão do Bolsonaro em questões de meio ambiente, ou indígenas, é pouco produtivo, porque os procuradores dessas áreas são independentes da opinião do PGR.

    No final das contas, acabará possivelmente acirrando mais os ânimos dentro da categoria.

    A classe dos procuradores é muito ciosa dessa independência. Então, é melhor um procurador que consiga conversar com a classe do que um imposto de cima para baixo, que acabe não tendo diálogo nenhum.

    Direito de imagem Reuters Image caption Ex-procurador diz que permanência de Moro no ministério ainda é 'uma garantia' para o país

    BBC News Brasil A procuradora Jerusa Viecili pediu desculpas publicamente ao ex-presidente Lula na semana passada, no Twitter, por causa de supostas mensagens que foram divulgadas na série jornalística iniciada pelo site The Intercept. Numa das mensagens, ela teria feito comentários depreciativos sobre a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, em 2017. Não houve excessos nesse caso?

    Carlos Fernando – Eu não vou ser hipócrita em relação a esses fatos. Poucas pessoas suportariam a revelação de cinco anos de mensagens trocadas em grupos de WhatsApp. Sejam jornalistas, sejam funcionários públicos, sejam membros do Vaticano. Nem mesmo o Papa não resistiria a cinco anos de mensagens trocadas no WhatsApp, creio eu.

    Muitas dessas coisas decorrem de uma liberdade de grupos privados, de conversa de botequim, vamos dizer assim, do que realmente uma opinião que a pessoa falaria se estivesse numa situação pública, ou que ela pudesse refletir um pouco mais. Não dou tanta importância para essas fofoquinhas ou esses comentários maldosos.

    A Lava Jato tem sido objeto de comentários bastante maldosos feitos, por exemplo, em sessão, acusando a Lava Jato de ser uma organização criminosa, pelo ministro Gilmar Mendes (do STF). Eu não vejo, por boa parte da imprensa, por exemplo, a mesma indignação.

    Eu não gosto de falar sobre pessoas que faleceram porque eu sei o que é isto, pessoalmente, de você ter uma pessoa querida que falece.

    Entendo a dor da pessoa, mas também não vou ficar com uma hipocrisia de fazer crítica às pessoas que falam. Acho que naquele momento foi um pequeno deslize, feito absolutamente num ambiente privado (...).

    BBC News Brasil Uma outra reportagem do Intercept atribui ao senhor a seguinte frase: 'Meus vazamentos objetivam sempre fazer com que pensem que as investigações são inevitáveis e incentivar a colaboração'. O que tem a dizer sobre isto? Há bons motivos para algumas informações serem sigilosas.

    Carlos Fernando – Tem duas coisas que tem que deixar claro. Primeiro, o que é proibido é passar informações que estão sob sigilo. Então, o que me parece que há uma confusão é quando se usa informações que não estão sob sigilo, passadas para a imprensa, conforme uma estratégia de investigação. É isto que, eventualmente, pode ter sido dito. Jamais a operação Lava Jato, ou pelo que eu tenha tido conhecimento, passou uma informação sigilosa, uma informação que está coberta por sigilo.

    Agora, tanto a colaboração premiada (de pessoas físicas) quanto a leniência (de empresas) partem de uma teoria chamada 'Teoria dos Jogos'. Dentro dessa teoria, e eu dou aula disso inclusive, é necessário criar expectativas nas pessoas que estão envolvidas. Essas expectativas são sempre no sentido de atraí-las para o acordo. É fazer crer que as investigações estão se aproximando delas.

    BBC News Brasil É preciso criar uma corrida pela delação.

    Carlos Fernando – Exatamente. Criar uma corrida pelas delações. É esta a técnica. Esta técnica exige então uma estratégia de comunicação muito ativa, muito clara, no sentido de fazer crer que as investigações estão chegando e têm sucesso, inclusive. Porque se uma investigação, como era no Brasil no passado, não tem risco de ter sucesso, não tem porque os colaboradores aparecerem.

    A operação Lava Jato só teve sucesso porque as pessoas passaram a acreditar que ela era um sucesso efetivamente. É aquela profecia que se autocumpre. Então, neste caso a estratégia de comunicação passava também por essa forma de comunicar o sucesso (das apurações), e o risco de continuar combatendo a operação pelos métodos tradicionais. Oferecendo uma alternativa para eventuais colaboradores. O máximo que a frase pode significar é isto.

    BBC News Brasil Mas o senhor usou, ou teria usado, a palavra "vazamentos", especificamente.

    Carlos Fernando – A palavra vazamento não significa vazamento de material sigiloso. Em nenhum momento me é imputado nenhum vazamento de material sigiloso. Esse é o equívoco.

    Agora, não existe nada de errado, como eu estou fazendo com você agora, inclusive, uma conversa com jornalistas. Para repassar uma informação que não está coberta por sigilo. Desde que isto me interesse, e não interesse só ao jornalista. Interesse também ao objetivo de alcançar o resultado público, que é atrair os colaboradores.

    BBC News Brasil Lava Jato: cinco anos depois, que saldo o senhor faz dela? Por um lado, mostrou que a política no Brasil foi financiada com base na corrupção. Por outro, muitos corruptores estão hoje livres; muitos políticos envolvidos, também. E milhares de empregos nas empresas atingidas foram perdidos.

    Carlos Fernando – A Lava Jato descobriu, reiterou para o país, um sentimento que já havia no país, de que havia alguma coisa errada na política, que gastava milhões em campanhas caríssimas, e não se sabia de onde vinha o dinheiro. Ela revelou um sistema político viciado em dinheiro ilícito. De corrupção, ou no mínimo caixa dois (dinheiro que não é ilícito, mas não é declarado à Justiça Eleitoral). Esse sistema ele vem se fortalecendo durante toda a Nova República (de 1988 até hoje).

    Eu não gosto da palavra "mecanismo" ou "sistema", mas ele é realmente isso quando nós pensamos que ele vem, nos últimos 40 anos (...) com nomes sendo substituídos, mas o sistema funcionando igualmente (...).

    E dentro disso, parte importante são as empreiteiras. Estar envolvido nesse sistema trouxe a elas muito lucro nesses últimos 40 anos. Agora, estamos vendo elas pagarem o preço da verdade, da revelação dos fatos. Os fatos são estes. Muitas delas tiveram que admitir, inclusive através de acordos (de leniência). Envolver-se em crimes tem o seu preço, e esse é o preço que elas estão pagando hoje.

    Elas não chegaram a ser totalmente desmanteladas, porque a própria Lava Jato, ao fazer os acordos, procurou preservá-las da melhor forma possível.

    BBC News Brasil E no entanto a Odebrecht, por exemplo, pediu recuperação judicial, aceita em junho deste ano.

    Carlos Fernando – Mas infelizmente essa é a realidade do mercado. Não tenho como tentar salvar as empresas. O objetivo do Ministério Público é fazer investigações e revelar a verdade. E aliás não me é dado esse poder de salvar ninguém. Nós fazemos acordos onde haja o interesse público da revelação dos fatos. Uma vez revelados os fatos, é óbvio que se paga o preço por estar envolvidos em crimes.

    Todos pagam, fazendo acordo ou não fazendo. Todos vão pagar um preço reputacional. Todos vão ter, por exemplo, dificuldade em acessar o mercado financeiro. Qual seria a opção? Não existe outra opção. Revelado o crime, sempre vai acontecer esse tipo de problema (...).

    Quem tem que buscar uma solução são os legisladores. Eu acho que é possível salvar as empresas, só que não podemos é salvar o capital da família Odebrecht. Eu tenho que pensar numa alternativa, como desapropriar as cotas, ou as ações das empresas; transferir esse valor para um depósito judicial para que sejam ressarcidas as vítimas dos crimes. Depois, se sobrar, devolve para a família. E coloca-se essa empresa no mercado acionário, com uma abertura de capital, para torná-la pública efetivamente. Mas a solução não está na mão da Lava Jato. A Lava Jato só releva o fato criminoso (...).

    O Ministério Público só tem uma função: descobrir a verdade numa investigação e fazer as acusações. Não é dado a eles fazer essas considerações do tipo: "vou salvar esta empresa", "vou salvar essa pessoa".

  • Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-49562267?ocid=socialflow_twitter

  • Por decreto, Bolsonaro esvazia conselho de proteção à criança e ao adolescente


    Decreto de Jair Bolsonaro eliminou, de uma só vez, a participação de todos os membros da sociedade civil que integravam o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e reduziu o poder decisório do órgão referente a questões sobre o assunto. Criado em 1991 com o objetivo de estabelecer diretrizes visando a proteção de crianças e adolescentes, o Conanda já vinha sendo esvaziado desde que foi vinculado ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, pasta que é de responsabilidade da ministra Damares Alves

    5 de setembro de 2019, 12:03 h


    (Foto: Marcos Corrêa/PR)

    247 - Um decreto de Jair Bolsonaro eliminou, de uma só vez, a participação de todos os membros da sociedade civil que integravam o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e reduziu o poder decisório do órgão referente a questões sobre o assunto.

    Segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o Conanda, criado em 1991 com o objetivo de estabelecer diretrizes visando a proteção de crianças e adolescentes, já vinha sendo esvaziado e enfraquecido desde que foi vinculado ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, pasta que é de responsabilidade da ministra Damares Alves.

    O decreto, publicado nesta quinta-feira (5), dispensa todos os integrantes atuais do Conanda e prevê que os novos membros sejam escolhidos por meio de processo seletivo e não mais por eleição em assembleia. “É o que o governo quer: desmontar os conselhos e não deixar que funcionem”, afirma Antônio Lacerda Souto, que ocupava o cargo de vice-presidente do Conanda.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/por-decreto-bolsonaro-esvazia-conselho-de-protecao-a-crianca-e-ao-adolescente

    Imprensa de todo o mundo registra repúdio à agressão de Bolsonaro a Bachelet


    O ataque de Jair Bolsonaro à ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet repercute fortemente no exterior. O jornal inglês The Guardian destaca que ocupante do Planalto insulta a chefe de direitos humanos da ONU ao lembrar da tortura do pai dela. Declaração de Bolsonaro pegou mal em países como Argentina, Chile, México, Alemanha, Espanha e Colômbia. Foi reproduzida nas principais agências de notícias internacionais

    5 de setembro de 2019, 12:35 h Atualizado em 5 de setembro de 2019, 12:44


    247 - O ataque de Jair Bolsonaro à ex-presidenta do Chile Michelle Bachelet repercute fortemente na imprensa internacional. O jornal inglês The Guardian destaca em manchete que ocupante do Planalto insulta a chefe de direitos humanos da ONU ao lembrar da tortura do pai dela pelo regime de Pinochet. Michelle, Alta Comissária da ONU para direitos humanos, havia apontado 'encolhimento da democracia' no Brasil, em referência aos assassinatos cometidos pela polícia.

    Na publicação inglesa, o correspondente Dom Phillips reporta as declarações de Bolsonaro, para quem, sem o ditador, “o Chile hoje seria uma Cuba”.

    Os argentinos Clarín, La Nación e Página 12 também dão destaque às críticas de Bolsonaro, à nota de solidariedade de Lula a Bachelet e ao rechaço do presidente Sebastian Piñera.

    Na imprensa chilena, jornal La Tercera reproduziu despachos das agências internacionais de notícias e estampou na edição de hoje a posição do Itamaraty, que reafirmou as críticas, mas sem mencionar o ataque de Bolsonaro.

    Bolsonaro criticou Michelle Bachelet, após ela apontar "encolhimento do espaço democrático no Brasil". No Facebook, o ocupante do Planalto postou: “Diz [referindo-se a Bachelet} ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à época”.

    Agências

    Material da agência espanhola EFE destaca a frase de Bolsonaro a Bachelet: “Se não fosse por Pinochet, Chile hoje seria uma Cuba”.  A matéria destaca que o brasileiro a acusou de defender “vagabundos” e a atacou pessoalmente ao mencionar a morte do pai. O texto é replicado em 38 mil veículos estrangeiros de língua hispânica, incluindo Clarin (Argentina), El Mostrador (Chile), La Vanguardia e El Universal (México), El Espectador (Colômbia), ABC (Espanha), e o serviço em espanhol da BBC.

    Em outra matéria, a EFE diz que o ex-secretário-geral da OEA José Miguel Insulza criticou Bolsonaro e chamou o brasileiro de “vergonha”. “(Bolsonaro) é uma vergonha para o Brasil e para a região, mas acredito que não há muito o que fazer, senão protestar”, disse Insulza.

    Despacho da Reuters fala em “atrito” do Chile com o Brasil. Reproduzido em mais de 2,2 mil sites noticiosos em todo o mundo, incluindo veículos influentes como Huffington Global e o Daily Mail, o texto diz que Bolsonaro reagiu “furiosamente” aos comentários de Bachelet, provocando irritação no Chile, que se assustou com o tom e ataque pessoal à ex-presidenta. Despacho da France Presse também reporta que Bolsonaro atacou Bachelet e pediu desculpas por Pinochet. Segundo a agência francesa, ele a acusou de defender “bandidos”.

    Fonte: https://www.brasil247.com/midia/imprensa-de-todo-o-mundo-registra-repudio-a-agressao-de-bolsonaro-a-bachelet

    terça-feira, 3 de setembro de 2019

    Deltan usou igreja para instituto que captou dinheiro de empresária investigada e blindada na Lava Jato


    O capítulo mais recente da Vaza Jato revela que o Instituto Mude, usado pelo procurador Deltan Dallagnol para captar recursos de empresários, inclusive de Patrícia Coelho, que foi blindada pela Lava Jato, teve como primeira sede a igreja Batista de Bacacheri, ou seja, o mesmo templo frequentado pelo chefe da operação. A conta da igreja Batista de Bacacheri também foi usada para custear o site do Insituto Mude

    3 de setembro de 2019, 02:01 h


    (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

    Do Conjur – Diálogos em poder do The Intercept Brasil e analisados pela Agência Pública revelam que o procurador Deltan Dallagnol captou recursos de uma empresária citada na "lava jato", que foram destinados a financiar o Instituto Mude – Chega de Corrupção.

    Como o nome sugere, a organização foi criada para promover a pauta de combate a corrupção e exaltar os feitos da da força-tarefa. As mensagens analisadas pela agência apontam que Deltan se reuniu com empresários, em muitas ocasiões a portas fechadas, para buscar recursos para a entidade.

    Uma das financiadoras da organização foi a advogada Patrícia Tendrich Pires Coelho. Ela seria depois investigada pela “lava jato”, mas não foi denunciada pelo Ministério Público Federal.

    Deltan sabia da proximidade da empresa de Patrícia, a Asgaard Navegação S.A., com o empresário Eike Batista e com o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) —dois dos alvos da “lava jato”—e mesmo assim aceitou ajuda financeira da empresária para o Mude. A Asgaard Navegação S.A. fornecia navios para a Petrobras.

    Em conversa com Patrícia Fehrmann, do Instituto Mude, Deltan comenta que conheceu a empresária Patrícia Coelho. “Caramba. Essa viagem de ontem foi de Deus. Além dela, estava um deputado federal que se comprometeu a apoiar rs”, escreveu.

    Enquanto discutia com a formalização do Mude no chat #mude Delta,Fáb,Pat,Had,Mar, (composto por membros da entidade e o procurador), um dos fundadores do instituto, Hadler Martines, comenta que realizou uma pesquisa sobre a investidora.

    “Talvez vocês já tenham feito isso mas sobre nossa investidora anjo, dei uma boa pesquisada sobre seu histórico e realmente ela parece ser uma grande empresária multimilionária e com grande trânsito com grandes empresários nacionais. Hoje ela é sócia de empresa de frotas de navios (Aasgard) e de mineração e portos (Mlog). Algumas coisas que me chamaram atenção: sua empresa fornece navios para a Petrobras; ela é ex-banco Opportunity (famoso Daniel Dantas); ela foi ou é muito próxima do Eike Batista e também do André Esteves (BTG)”, escreveu.

    No dia 11 de setembro de 2016, Hadler voltou a compartilhar suspeitas com integrantes do instituto e Deltan. “Sobre nossa reunião com o Anjo, ainda estou com uma pulga atrás da orelha, tentando entender a razão do apoio financeiro tão generoso (sendo cético no momento)”, escreveu. “Me pergunto se ela quer ‘ficar bem’ com o MPF por alguma razão… Ela já foi conselheira do Eike e pelo que li dela, ela o representava em algumas negociações. Sugestão: fiquemos atentos. Desculpem o provérbio católico, mas quando a esmola é demais, o santo desconfia…”.

    Diante das novas informações sobre a investidora, Deltan comenta que “mais cedo ou mais tarde descobriremos isso”. Posteriormente, Deltan pergunta ao procurador Roberson Pozzobon se o nome de Patrícia havia aparecido nas investigações.

    A investidora Patrícia Coelho apareceu nas investigações e foi Deltan quem informou as pessoas do instituto. “Caros, uma notícia ruim agora, mas que não quero que desanime Vcs. A Patricia Coelho apareceu numa petição nossa e me ligou. Ela disse que tinha sociedade com o grego Kotronakis (um grego que apareceu num esquema de afretamentos da petrobras e que foi alvo de operação nossa), mas ele tinha só 1% e ela alega que jamais teria transferido valores pra ele… Falei que somos 13, cada um cuida de certos casos, que desconheço o caso e que a orientação geral que damos para todos que procuram é: se não tem nada de errado, não tem com o que se preocupar; se tem, melhor procurar um advogado rs. Ouvindo sobre o caso superficialmente, não posso afirmar que ela esteve envolvida ou que será alvo, mas há sinais ruins. É possível que ela não tenha feito nada de errado, mas talvez seja melhor evitar novas relações com ela ou a empresa dela, por cautela”, escreveu.

    Deltan ainda cita um trecho da Bíblia: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”.

    Procurador de recursos
    As mensagens analisadas pela Pública entre Deltan e os membros do Instituto Mude revelam também que Patrícia Coelho não foi a única empresária procurada pelo procurador para angariar recursos. “Caros, acho que vou conseguir uma reunião do Flavio bilionário evangélico do WizeUp com o MUDE”, escreveu no dia 3 de março de 2017.

    No dia 30 de abril, ele disse que estava agendando um café da manhã com o empresário para 18 de maio: “Caros, estou agendando café da manhã com o Flávio do wise-up para o dia 18/5. Ele vai mudar a data da volta dele para estar conosco. Quem pode ir? Têm sugestão de lugar? Impoertante *(sic) preparar algo bacana pra apresentar a ele”, escreveu Deltan.

    Fonte: https://www.brasil247.com/regionais/sul/deltan-usou-igreja-para-instituto-que-captou-dinheiro-de-empresaria-investigada-e-blindada-na-lava-jato

    Além de convescotes matinais, Deltan também aproveitava encontros casuais para identificar possíveis doadores. “hoje um mega empresário veio falar comigo no aeroporto, um cara de SC com nome diferente. Passei meu e teu tel Pati. Falei pra ele te contatar. Ele tinha uma empresa que acabou de vender com sede em múltiplos Estados, uns 250 funcionários….”.

    Deltan ainda revela que poderia pedir recursos a um empresário da Opus Dei em uma reunião na sede da Procuradoria. A conduta é vedada pelo Código de Ética e de Conduta do Ministério Público da União que proíbe “utilizar bens do patrimônio institucional para atendimento de atividades de interesse”.

    Instituto com DNA gospel
    As conversas revelam também que o Instituto Mude e a igreja Batista de Bacacheri são organizações intimamente ligadas. A primeira sede do Mude foi o templo frequentado por Deltan em Curitiba.

    A conta da igreja Batista de Bacacheri teria sido usada para custear o site do Insituto Mude. “Marcos e Deltan. Como o valor de oferta entrou na conta da igreja. A nota tem que ser pra igreja também. A igreja será o pj no caso do site. Calculo 8 mil mas brifei 3 fornecedores e estou esperando o orçamento”, afirmou Patrícia Fehrmann em chat do Telegram.

    Outro lado
    Em nota pública, a força-tarefa de Curitiba afirmou que “é lícito aos procuradores da República interagir com entidades e movimentos da sociedade civil e estimular a causa de combate à corrupção, inclusive no ambiente da procuradoria”.

    O Instituto Mude se pronunciou alegando que, “apesar de não haver nenhum empecilho legal para tal, o procurador Deltan Dallagnol nunca foi integrante ou associado” da entidade. Já a igreja Batista de Bacacheri avisou que não irá se pronunciar sobre o assunto.

    Villas Boas e generais decidiram brigar com a Igreja Católica


    O general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), criticou o posicionamento dos bispos da Igreja Católica sobre as questões ambientais brasileiras e disse que a igreja adquiriu “viés político”

    2 de setembro de 2019, 21:33 h Atualizado em 3 de setembro de 2019, 09:1

  • Intimidação do general Villas Bôas é uma ameaça ao país Intimidação do general Villas Bôas é uma ameaça ao país (Foto: Isac Nóbrega/PR)

    247 - Ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Eduardo Villas Bôas, criticou o posicionamento dos bispos da Igreja Católica em carta aberta sobre as questões ambientais. Segundo ele, a igreja adquiriu “viés político”.

    Enquanto líderes da igrejas evangélicas usam as redes sociais para se posiconar em favor de políticas adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro e atacar a oposição, Villas Bôas manifestou incômodo quanto às críticas feitas pelos bispos em documento elaborado pelo cardeal Dom Cláudio Hummes, relator e porta-voz do papa Francisco sobre o assunto.

    Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o general admitiu que o governo não gostou dos temas do Sínodo, a ser realizado no mês que vem, em Roma. "Estamos preocupados, sim, com o que pode sair de lá, no relatório final, com as suas deliberações. E, depois, como tudo isso vai chegar à opinião pública internacional porque, certamente, vai ser explorado pelos ambientalistas. Agora, que fique claro: não vamos admitir interferência em questões internas do nosso País. Lá, nas discussões, as coisas se misturam e o Sínodo escapou para questões ambientais e também tem o viés político", disse.

    Ainda sobre carta escrita por bispos, que na semana passada se queixaram de serem tratados como “inimigos da Pátria”, Villa Bôas disse que “eles não são inimigos, mas estão pautados por uma série de dados distorcidos, que não correspondem à realidade do que acontece na Amazônia”.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/generais-decidiram-brigar-com-a-igreja

    segunda-feira, 2 de setembro de 2019

    Militares já aceitam com naturalidade libertação de Lula


    Segundo a jornalista Mônica Bergamo, em nota publicada nesta segunda-feira (2) em sua coluna na Folha de S.Paulo, a eventual libertação do ex-presidente Lula, preso político desde abril do ano passado, já é admitida com naturalidade por militares

    2 de setembro de 2019, 05:30 h

    (Foto: Felipe L. Gonçalves/247)

    247 - Segundo a jornalista Mônica Bergamo, em nota publicada nesta segunda-feira (2) em sua coluna na Folha de S.Paulo, a eventual libertação do ex-presidente Lula, preso político desde abril do ano passado, já é admitida com naturalidade por militares. 

    Magistrados de cortes superiores que têm bom relacionamento com os militares já capturaram sinais de que eventual libertação do petista não seria mais - como no ano passado - motivo de turbulência na caserna. 

    Cresce a expectativa em torno do julgamento sobre a prisão depois de condenação em segunda instância no STF (Supremo Tribunal Federal), decisivo para a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso político em Curitiba desde abril do ano passado.   

    Caso a prisão após julgamento em segunda instância seja considerada inconstitucional, Lula pode ser beneficiado e sair da prisão. 

    O julgamento é aguardado para depois da indicação do novo procurador-geral da República.  

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/militares-ja-aceitam-com-naturalidade-libertacao-de-lula

    Brasileiros já sentem vergonha do ogro que ocupa a presidência da República


    "A essência de Jair Bolsonaro é a do ogro, do agressor profissional que distribui insultos aos negros, aos pobres, aos nordestinos, às mulheres e a líderes internacionais não totalmente subordinados a seu chefe Donald Trump. É tanta estupidez que o sentimento predominante dos brasileiros em relação a seu presidente é a vergonha", aponta Leonardo Attuch, editor do 247

    2 de setembro de 2019, 08:30

    As pesquisas Vox Populi e Datafolha que apontam que 40% dos brasileiros (na primeira) e 38% (na segunda) já veem Jair Bolsonaro como "ruim ou péssimo", recordes para qualquer governante em início de mandato, começam a captar o sentimento predominante da população brasileira em relação a seu presidente. Vergonha. Não há outra palavra.

    No Datafolha, isso fica claro diante da informação de que apenas 15% avaliam que Bolsonaro tem postura presidencial, ou seja, que ele respeita a liturgia do cargo que ocupa. A grande maioria, ao contrário, o vê como indivíduo desclassificado para a função. Mesmo entre os mais ricos, a avaliação desabou, caindo de 52% a 37% entre julho e agosto apenas.

    Quem viaja pelo mundo sabe hoje do grande peso que representa ser brasileiro. Se, nos governos democráticos de Lula e Dilma, o Brasil era motivo de admiração e respeito, por ter eleito um operário e uma mulher que reduziriam a pobreza e dignificaram o cargo, hoje é alvo de chacota internacional por ter um líder que se limita a distribuir insultos nas redes sociais.

    É possível que Bolsonaro reverta essa avaliação negativa? A meu ver, é praticamente impossível. "Ninguém pode ser o que não é", disse recentemente o próprio Bolsonaro em relação a João Doria. E qual é a essência de Bolsonaro? A do ogro, a do presidente 'golden shower', a do Johnny Bravo que insulta todas as mulheres como fez no insulto à primeira-dama francesa Brigitte Macron. E não há surpresa alguma nisso, pois Bolsonaro continua a ser o que sempre foi: um insulto ambulante, como já era claro desde o caso Maria do Rosário.

    Esse aspecto da pesquisa – o que a vergonha é o sentimento principal dos brasileiros – evidencia que os meios de comunicação progressistas e independentes não devem se furtar a debater as agressões cotidianas de Bolsonaro. Sua avaliação só não é pior porque ele vem sendo blindado pela mídia corporativa, ainda interessada em sua agenda econômica – uma agenda, diga-se de passagem, que não fará o Brasil o crescer. Se a mídia nacional dedicasse atenção devida a todas as grosserias de Bolsonaro, ele já estaria abaixo do chão.

    Fonte: https://www.brasil247.com/blog/brasileiros-ja-sentem-vergonha-do-ogro-que-ocupa-a-presidencia-da-republica

    Brasil arrependido: Haddad venceria Bolsonaro se eleição fosse hoje


    Se o segundo turno da eleição para presidente da República fosse hoje, Fernando Haddad (PT) seria eleito com 42% dos votos, contra 36% de Jair Bolsonaro (PSL). É o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (2)

    2 de setembro de 2019, 10:30 h Atualizado em 2 de setembro de 2019, 10:36

    247 - Se o segundo turno da eleição para presidente da República fosse hoje, Fernando Haddad (PT) seria eleito com 42% dos votos, contra 36% de Jair Bolsonaro (PSL). É o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (2). Outros 18% votariam branco ou nulo e 4% não souberam responder.

    No segundo turno da disputa presidencial do ano passado, em 28 de outubro do ano passado, Bolsonaro conseguiu 55,13% dos votos válidos (excluídos brancos, nulos e indecisos). Haddad obteve 44,87%.

    Atualmente, a reprovação de Bolsonaro supera a sua aprovação. Passados oito meses de governo, o percentual dos que não aprovam a sua gestão aumentou de 33%, na pesquisa Datafolha feita em julho, para 38%. Foram ouvidas 2.878 pessoas com mais de 16 anos em 175 municípios.

    A aprovação de Bolsonaro caiu de e 33% em julho para 29% agora.

    Fonte: https://www.brasil247.com/poder/brasil-arrependido-haddad-venceria-bolsonaro-se-eleicao-fosse-hoje