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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Serra confessa ter sabotado projeto do trem-bala

 

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Senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), fez ontem uma confissão grave; ele afirmou para uma plateia de simpatizantes ao PSDB que inseriu Campinas no projeto do trem-bala, para atrasá-lo; Serra disse considerar "hilariante" a proposta do projeto do trem-bala, que ligaria São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas; para o tucano, o projeto é "falido"; Serra fez a alteração quando era governador de São Paulo

5 de Dezembro de 2014 às 19:40

247 - O senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), fez ontem uma confissão grave. Ele afirmou para uma plateia de simpatizantes ao PSDB que inseriu Campinas no projeto do trem-bala, para atrasá-lo. Ele disse considerar "hilariante" a proposta do projeto do trem-bala, que ligaria São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas. Para o tucano, o projeto é "falido". Serra fez a alteração quando era governador de São Paulo.

Ele disse ainda que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, de quem era próximo, concordou com sua análise e ajudou a atrasar o andamento da proposta. "Enfiei Campinas logo que veio o projeto. Para quê? Para complicar, verdade, para ganhar tempo. Peguei o Luciano Coutinho, que é o presidente do BNDES, foi meu colega, um sujeito informado, e falei 'você não vai entrar nessa loucura de trem bala, né?'. Então eu vou propor que o BNDES faça um estudo e você demora. E ele fez mesmo, demorou para burro, sabe? Para ganhar tempo", disse Serra.

Questionado pelo Broadcast Político, serviço da Agência Estado de notícias em tempo real, sobre o assunto após o evento, Serra disse que a sua fala ali não era "coisa para levar para jornalista", mas admitiu que usou estratégias para protelar o projeto do trem-bala, que, segundo ele, demonstrou depois não ter viabilidade econômica.

A assessoria de imprensa do BNDES afirmou que a informação não procede e disse que "a decisão de incluir Campinas no traçado do trem de alta velocidade foi tomada para atender a demandas da própria região e aproveitar o potencial do aeroporto de Viracopos."

http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/162850/Serra-confessa-ter-sabotado-projeto-do-trem-bala.htm

Jornalismo bandido quer PT fora da lei

 

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"Não demorou para um dos menestréis do neoconservadorismo, Reinaldo Azevedo, colocar as garras de fora e entregar as intenções de sua trupe. O sonho de consumo da cloaca vai além do impedimento de Dilma Rousseff. Não é à toa que o mais recente artigo do autor, publicado na Folha de S.Paulo dessa sexta-feira, ergue a bandeira da cassação do PT", diz o jornalista Breno Altman, em novo artigo, em que compara o blogueiro de Veja.com ao personagem Téo Pereira, da novela Império; ele diz ainda que "se as delações premiadas forem tomadas ao pé da letra, quase todos os partidos teriam de ser colocados na ilegalidade", uma vez que "as empresas envolvidas na Operação Lava Jato são financiadoras das principais campanhas eleitorais do país"

5 de Dezembro de 2014 às 21:07

247 - Em novo artigo, o jornalista Breno Altman, editor do Opera Mundi e colunista do 247, responde ao artigo em que Reinaldo Azevedo defende o banimento do PT (leia aqui).

"Não demorou para um dos menestréis do neoconservadorismo, Reinaldo Azevedo, colocar as garras de fora e entregar as intenções de sua trupe. O sonho de consumo da cloaca vai além do impedimento de Dilma Rousseff. Não é à toa que o mais recente artigo do autor, publicado na Folha de S.Paulo dessa sexta-feira, ergue a bandeira da cassação do PT", diz ele.

"O propósito de Azevedo, versão politizada de Téo Pereira, hilário personagem encarnado por Paulo Betti na novela “Império”, aparece disfarçada por um truque retórico, mas é nervo exposto: “Se o que dizem Costa, Youssef, Mendonça Neto e Camargo for verdade,… o Brasil já está sendo governado por uma organização criminosa. A oração subordinada vai definir o exato sentido da principal e se o PT tem ou não de ser posto na ilegalidade.” A artimanha do articulista remonta às manobras do deputado Barreto Pinto, do PTB fluminense, que levaram à eliminação institucional do Partido Comunista, em 1947. O petebista forjou uma peça acusatória contra os comunistas pinçando frases de entrevista concedida por Luiz Carlos Prestes, então líder máximo da agremiação, acerca de que lado ficariam seus pares no caso de guerra entre o Brasil e a União Soviética. Os comunistas foram banidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, que aceitou a alegação de ser o PCB uma organização antidemocrática e subordinada à potência estrangeira."

Altman questiona ainda as acusações de Azevedo. "Não há, até o momento, qualquer prova que envolva o PT nas tramoias de diretores da Petrobrás, salvo referências genéricas de quem deseja preservar o próprio pescoço. Aliás, se as delações premiadas forem tomadas ao pé da letra, quase todos os partidos teriam de ser colocados na ilegalidade. Afinal, as empresas envolvidas na Operação Lava Jato são financiadoras das principais campanhas eleitorais do país."

E aponta a desonestidade intelectual do blogueiro de Veja.com. "Quem tem a obrigação de estabelecer listas e normas proibitivas, bem como a de investigar companhias que agem de forma delituosa, é o poder judiciário. Abordar de outra forma seria o mesmo que considerar bandido o honorável Azevedo, assalariado da Editora Abril, caso viesse a ser provado, por exemplo, que a revista Veja recebe publicidade de empresas com práticas criminosas ou está envolvida com quadrilhas do jogo clandestino."

Leia a íntegra no blog de Breno Altman.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/162859/Altman-Jornalismo-bandido-quer-PT-fora-da-lei.htm

Arruaceiro, Aécio faz convocação golpista

 

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Em vídeo postado nesta sexta-feira, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) decidiu convocar um protesto neste sábado em São Paulo e em outras capitais; "Nós já dizíamos que o escândalo da Petrobras é o maior caso de corrupção do Brasil, mas a coisa não para de crescer. E agora estamos sabendo que não era apenas na Petrobras", afirma Aécio; o tucano, no entanto, não menciona a Cemig, joia da cora de Minas, que está citada numa decisão de Sergio Moro por também ter alimentado o esquema do doleiro Alberto Yousseff; exacerbação de Aécio causa constrangimento no próprio PSDB, onde governadores, como Geraldo Alckmin e Marconi Perillo firmam parcerias com o governo Dilma para governar e resolver problemas concretos da população; Aécio parece ter perdido de vez o juízo, passando a agir como arruaceiro

5 de Dezembro de 2014 às 21:53

247 - O senador Aécio Neves (PSDB-MG), derrotado nas eleições presidenciais deste ano, parece ter perdido de vez o juízo.

Nesta sexta-feira, ele postou um vídeo nas redes sociais convocando a população para protestos em São Paulo e em outras capitais.

"Nós já dizíamos que o escândalo da Petrobras é o maior caso de corrupção do Brasil, mas a coisa não para de crescer. E agora estamos sabendo que não era apenas na Petrobras", afirma Aécio.

O político tucano poderia ter mencionado, por exemplo, a Cemig, joia da coroa de Minas Gerais, que também alimentou o esquema do doleiro Alberto Yousseff.

Quando prendeu diversos empreiteiros, o juiz Sergio Moro, do Paraná, mencionou o inquérito 5045104-39.2014.404.7000.

Eis o que escreveu Sergio Moro a respeito:

A Investminas Participações S/A confirmou, em petição de 21/10/2014 (evento 18) pagamento de 4.600.000,00 (R$ 4.317.100,00 líquidos) à MO Consultoria. Alegou que remunerou conta indicada por Alberto Youssef em decorrência de intermediação e serviços especializados deste na venda de suas ações na Guanhães Energia S/A para a Light Energia S/A, com intervenção a CEMIG Geração e Transmissão S/A. Juntou como prova os contratos e notas fiscais pertinentes, todos com suspeita de terem sido produzidos fraudulentamente. Alegou que Alberto Youssef seria 'empresário que, à época, detinha conhecimento do setor elétrico e reconhecida expertise na área de assessoria comercial'. Aparentemente, trata-se de negócio que, embora suspeito, não estaria relacionado aos desvios na Petrobras.

Os movimentos de Aécio já causam profundo constrangimento no próprio PSDB, onde governadores, como Marconi Perillo e Geraldo Alckmin, firmam parcerias com o governo federal, interessados em governar e melhorar as condições de vida da população. Nesta semana, por exemplo, Alckmin assinou convênios de R$ 3,2 bilhões com a União para combater a crise hídrica em São Paulo.

Aécio, por sua vez, apareceu na lista de políticos presenteados pela OAS (leia mais aqui). Com sua convocação de protestos, num momento em que o Brasil atravessa dificuldades políticas, econômicas e institucionais, ele age não como líder de uma oposição digna de respeito, mas como um arruaceiro, que não sabe perder.

http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/162864/Arruaceiro-Aécio-faz-convocação-golpista.htm

Gleisi: 'inapetência pode anular liderança de Aécio"

 

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Em artigo publicado nesta sexta-feira, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) questiona a conduta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) após as eleições; "A belíssima votação que o senador Aécio Neves teve na eleição deste ano o qualifica para liderar a oposição, mas a inapetência pode anular isso em poucos meses", diz ela. "Se considera que a presidenta está errando, que apresente alternativas sistemática e consistentemente, coisa que não vimos nos últimos anos. Não vai longe uma oposição que depende do que a mídia lhe apresenta para ter propostas para o país"

5 de Dezembro de 2014 às 06:31

Paraná 247 - Em artigo publicado nesta sexta-feira, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) questiona o estilo adotado pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) após a derrota nas eleições presidenciais. Segundo, ela, em vez de liderar uma oposição propositiva, ele tem apostado no 'quanto pior, melhor'.

No texto Quatro anos, ela afirma que "a belíssima votação que o senador Aécio Neves teve na eleição deste ano o qualifica para liderar a oposição, mas a inapetência pode anular isso em poucos meses. Se considera que a presidenta está errando, que apresente alternativas sistemática e consistentemente, coisa que não vimos nos últimos anos. Não vai longe uma oposição que depende do que a mídia lhe apresenta para ter propostas para o país."

Ela também questiona a conduta do senador tucano no caso Petrobras. "O ex-candidato debate as denúncias de corrupção da Petrobras, o que é correto, mas segue ignorando que as investigações apontam que os esquemas que estão sendo agora descobertos iniciaram-se ainda no governo Fernando Henrique", afirma, lembrando, ainda, o caso do chamado 'trensalão'. "Além disso, as mesmas empresas envolvidas são acusadas de cartel em obras e compras de equipamentos para o Metrô de São Paulo, Estado governado pelo PSDB há 20 anos."

Por fim, Gleisi propõe uma agenda mais propositiva. "O governo vai trabalhar, procurar corrigir erros e potencializar acertos. Vamos apresentar mais propostas e soluções, em vez de enumerar adjetivos para taxar os adversários. Nossa meta é seguir melhorando a vida dos brasileiros, gerando mais empregos e aumentando a renda das famílias. Ganhar a eleição é consequência".

http://www.brasil247.com/pt/247/parana247/162746/Gleisi-'inapetência-pode-anular-liderança-de-Aécio.htm

Dilma se diz "satisfeita" com nova meta fiscal

 

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR: Quito - República do Equador. 04/12/2014. Presidenta Dilma Rousseff durante chegada a Quito/Equador. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Ao desembarcar no Equador para a cúpula da Unasul, a presidente Dilma Rousseff falou pela primeira vez sobre a votação do Congresso, de mais de 17 horas, que aprovou a nova meta fiscal. "Estou bastante satisfeita", disse ela; Nos próximos anos, as metas fiscais serão baseadas em projeções macroeconômicas de mercado; a de 2015 será de R$ 66,3 bilhões, dos quais R$ 55,3 bilhões virão do governo central e R$ 11 bilhões dos estados e municípios

5 de Dezembro de 2014 às 05:57

247 - Ao desembarcar no Equador para a cúpula da Unasul, a presidente Dilma Rousseff falou pela primeira vez sobre a votação do Congresso, de mais de 17 horas, que aprovou a nova meta fiscal. "Estou bastante satisfeita", disse ela, reconhecendo o esforço dos parlamentares e, em especial, do presidente da casa, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que conduziu a sessão.

Dilma chegou ao Equador com óculos escuros, porque "estava com olheiras". Na sessão, que terminou na madrugada de ontem, ele obteve aval do Congresso para o novo cálculo fiscal. Líderes do PDSB, que tentaram obstruir a votação, disseram que os parlamentares deram a Dilma uma "anistia para um crime de responsabilidade cometido".

No início do ano, a previsão de superávit primário era de R$ 116 bilhões. Agora, passou para R$ 10 bilhões. Líderes do governo, como o deputado Henrique Fontana defenderam a mudança como uma forma de preservar investimentos em infraestrutura e programas sociais.

Nos próximos anos, as metas fiscais serão baseadas em projeções macroeconômicas de mercado. Leia reportagem da Reuters a respeito:

Governo anuncia metas fiscais baseadas em projeções macroeconômicas do mercado

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal utilizou as projeções macroeconômicas do mercado para estabelecer as suas metas fiscais dos próximos anos e se comprometeu a compensar eventual não cumprimento da meta de superávit primário dos Estados e municípios, reforçando uma mudança para uma condução da política fiscal mais transparente.

As mudanças fazem parte da revisão da proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias para o próximo ano encaminhada nesta quinta-feira pelo Ministério do Planejamento ao Congresso Nacional.

A nova meta de superávit primário do setor público consolidado para o próximo ano foi fixada em 66,3 bilhões de reais, ou 1,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), já descontados 28,7 bilhões de reais dos investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Da meta global, o governo federal será responsável por 55,3 bilhões de reais e os Estados e municípios por 11 bilhões de reais.

"Caso os Estados e municípios não atinjam a meta estimada, o Governo Federal irá compensar a eventual diferença", informou o Ministério do Planejamento, em comunicado. Até 2012, o governo compensava eventual diferença na meta dos Estados e municípios, mas no ano passado conseguiu aprovar no Congresso lei o isentando desta responsabilidade.

Outra mudança foi a utilização de projeções macroeconômicas do mercado para balizar as estimativas para o orçamento.

"As estimativas para crescimento do PIB e inflação, e demais parâmetros para os próximos anos, utilizados para a atualização de proposta de meta baseiam-se nas projeções de mercado, apuradas pelo relatório Focus do Banco Central", disse o Ministério.

A atual equipe econômica vinha se utilizando de projeções próprias e bem mais otimistas do que as do mercado para o crescimento do PIB, o que obrigatoriamente levava a uma estimativa de receita maior.

Segundo uma fonte do governo, a mudança visa dar mais credibilidade às metas.

"Os números não são mágicos, tirados da cartola. Os números são do mercado, para mostrar que o governo está trabalhando com números que podem ser alcançados", disse a fonte do governo que pediu para não ser identificada. A mesma fonte indicou que se houver mudanças nos parâmetros macroeconômicos, as metas serão ajustadas para continuarem críveis.

As projeções do mercado para o PIB dos próximos anos utilizadas pelo governo são de crescimento de 0,8 por cento em 2015, de 2 por cento em 2016 e de 2,3 por cento em 2017. No projeto original da LDO, enviado ao Congresso em abril, o governo previa crescimento de 3 por cento do PIB em 2015 e de 4 por cento em 2006 e 2007, mas recentemente reduziu a previsão de crescimento do próximo ano para 2 por cento.

"É algo bastante positivo do ponto de vista da sinalização. É uma LDO muito mais transparente do que a de 2014”, disse o especialista em contas públicas da consultoria Tendências, Felipe Salto. "As premissas são mais realistas, é uma meta mais plausível. Agora, o governo precisa apresentar os instrumentos que vai utilizar para cumprir esse objetivo", acrescentou.

DÍVIDA MAIOR EM 2015

Com previsão de crescimento menor do PIB do próximo ano, de juros mais altos e de um superávit primário menor, o governo elevou as estimativas para as dívidas bruta e líquida no próximo ano, que devem começar a cair a partir de 2016, quando o superávit subirá para 2 por cento.

A previsão é que a dívida bruta fique em 2015 em 64,1 por cento do PIB em 2015 e recuando para 63,3 por cento em 2016 e para 62,5 por cento em 2017, quando a meta de superávit também será de 2 por cento do PIB.

Em outubro deste ano, a dívida bruta estava em 62 por cento do PIB. O futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já anunciou que a política fiscal irá buscar redução da dívida bruta, e não mais focará na dívida líquida, como vinha ocorrendo até agora.

Para a dívida líquida, a previsão também é de alta. O Planejamento espera que a "dívida líquida com o reconhecimento de passivos" suba para 37,4 por cento em 2015, mantendo-se neste patamar em 2016, e recuando para 37,1 por cento em 2017. O Ministério não explicou quais passivos devem serão reconhecidos.

Em outubro, a dívida líquida do setor público estava em 36,1 por cento. A previsão anterior do Ministério do Planejamento era que dívida líquida fechasse 2015 em 32,9 por cento do PIB.

Em abril, o governo havia anunciado a meta de superávit de 2015 de 143,3 bilhões, ou 2,5 por cento do PIB, mas com a possibilidade de abatimentos dos investimentos do PAC limitados a 28,7 bilhões de reais, o que daria uma meta mínima de 114,7 bilhões de reais, ou 2 por cento do PIB.

(Por Raquel Stenzel e Bruno Federovisky; Reportagem adicional de Alonso Soto e Jeferson Ribeiro)

http://www.brasil247.com/pt/247/economia/162742/Dilma-se-diz-satisfeita-com-nova-meta-fiscal.htm

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Após maratona, Congresso aprova nova meta fiscal

 

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Mariana Jungmann - Repórter da Agência Brasil

Em uma sessão que durou mais de 18 horas, o Congresso Nacional aprovou no fim da madrugada de hoje (4) o projeto de lei que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, permitindo a revisão da meta de resultado fiscal deste ano. Apesar da longa obstrução dos oposicionistas, o governo conseguiu manter o quórum e aprovar o projeto por votação nominal. Foram 240 votos a favor, na Câmara, e 39 no Senado.

Após a aprovação do texto principal, os parlamentares rejeitaram, por votação simbólica, três destaques que propunham mudanças ao projeto. O último destaque, por falta de quórum, não foi votado. Em função disso, o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) marcou nova sessão para terça-feira (9) da próxima semana, às 12 horas, a fim de apreciar e votar o último destaque. Em seguida, às 5h, Renan encerrou a sessão.

Na prática, a matéria aprovada permite ao Executivo descontar da meta fiscal os investimentos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as perdas de receita geradas por incentivos fiscais concedidos no último ano.

A oposição considera que a revisão da meta fiscal compromete a credibilidade da economia brasileira com investidores internacionais e entende como uma manobra para evitar que a presidenta Dilma responda por descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os governistas, no entanto, alegam que o projeto visa a evitar que o governo tenha que fazer cortes radicais em todas as áreas e programas para alcançar a poupança prevista inicialmente.

Antes de apreciar o projeto que revê a meta de resultado fiscal, o Congresso aprovou o Projeto de Lei (PLN) 31/14, que abre crédito especial no valor de R$ 248 milhões para o pagamento de dívida do Instituto Aerus de Seguridade Social. O Aerus reúne aposentados e pensionistas das extintas empresas aéreas Varig, Transbrasil e Cruzeiro. Os recursos são para o cumprimento de execução provisória de ação movida contra a União pelo Sindicato Nacional dos Aeronautas e pela Associação dos Funcionários Aposentados e Pensionistas da Transbrasil. O projeto segue agora à sanção presidencial.

Os parlamentares também limparam a pauta em relação aos vetos presidenciais que ainda estavam pendentes de apreciação. Com isso, será possível analisar em breve o projeto da LDO e o Orçamento Geral da União para 2015. Ambos, contudo, ainda precisam ser aprovados na Comissão Mista de Orçamento.

http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/162610/Após-maratona-Congresso-aprova-nova-meta-fiscal.htm

Derrotado, Aécio sugere "governo ilegítimo"

 

Foto: Orlando Brito: Senador Aécio Neves discursa na tribuna de honra do Senado Federal. Brasília, 05/11/2014 – Foto Orlando Brito

Senador tucano, derrotado nas eleições presidenciais, tenta liderar o PSDB na tentativa de um impeachment, tendo como pretexto a delação premiada de Augusto Mendonça, da Toyo Setal; “Se comprovadas essas denúncias, é algo extremamente grave. Estamos frente a um governo ilegítimo. Isso é a demonstração clara de aquilo que disse recentemente e a comprovação da verdade. Essa organização criminosa, que segundo a Polícia Federal se instalou no seio da Petrobras, participou da campanha eleitoral contra nós”, diz ele

4 de Dezembro de 2014 às 05:55

247 - Derrotado nas eleições presidenciais deste ano, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) quer o impeachment da presidente Dilma Rousseff. É o que fica claro em suas declarações de ontem à noite, após o vazamento, pelo juiz Sergio Moro, da delação premiada de Augusto Mendonça, da Toyo Setal.

Aécio falou em "governo ilegítimo" e voltou a tratar o PT como "organização criminosa". Leia, abaixo, texto publicado no site oficial do PSDB:

Denúncia de dinheiro do petrolão em conta oficial do PT é gravíssima, afirma Aécio

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), considerou gravíssima a denúncia, feita por um empresário no acordo de delação premiada da operação Lava-Jato da Polícia Federal, de que dinheiro da corrupção na Petrobras abasteceu a conta oficial do PT na campanha de 2010.

Segundo o executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal, em depoimento à Polícia Federal, parte da propina paga ao ex-diretor da Petrobras Renato Duque foi destinada para doações oficiais feitas ao PT. O empresário afirma que doou R$ 4 milhões ao PT entre 2008 e 2011.

“Essa é a denúncia mais grave que surgiu até aqui. O dirigente de uma das empresas que pagou suborno, segundo ele, ao diretor da Petrobras, recém solto pelo ministro Teori, diz que parte dessa propina foi depositada na campanha do PT em 2010”, disse Aécio Neves em entrevista à imprensa no Congresso Nacional.

De acordo com reportagens publicadas pela imprensa nesta quarta-feira (3), além das doações oficiais, o dinheiro da propina da Petrobras chegava ao PT por meio de parcelas em dinheiro e em contas indicadas no exterior.

Para Aécio, as denúncias devem ser apuradas a fundo e reforçam as suspeitas de que o PT foi beneficiado por parte dos recursos desviados na Petrobras, pagos pelas empresas como propina.

“Se comprovadas essas denúncias, é algo extremamente grave. Estamos frente a um governo ilegítimo. Isso é a demonstração clara de aquilo que disse recentemente e a comprovação da verdade. Essa organização criminosa, que segundo a Polícia Federal se instalou no seio da Petrobras, participou da campanha eleitoral contra nós”, afirmou.

Brasil 247

Manipulação descarada de delação busca o golpe

 

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"O esforço dos meios de comunicação para encontrar — de qualquer maneira — uma ligação da campanha de Dilma Rousseff com os recursos da operação Lava Jato superou um novo limite na fronteira que separa a boa fé da manipulação mais descarada", diz o jornalista Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; em novo artigo, ele aborda a delação de Augusto Mendonça Neto, da Toyo Setal; "É verdade que o executivo admitiu ter mantido em 2008 uma reunião com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, na sede do diretório estadual do PT em São Paulo, quando disse que 'gostaria de fazer contribuições' ao partido. Mas Mendonça Neto também disse no depoimento que 'não mencionou a Vaccari que as doações seriam feitas a pedido de Renato Duque' e que seriam fruto de propina. Vaccari então orientou o executivo como doar de forma legal. Ou seja, o PT aceitou a doação na forma da lei. Está lá, entre aspas, na página 8 do depoimento de Mendonça Neto"

4 de Dezembro de 2014 às 05:34

Por Paulo Moreira Leite

O esforço dos meios de comunicação para encontrar — de qualquer maneira — uma ligação da campanha de Dilma Rousseff com os recursos da operação Lava Jato superou um novo limite na fronteira que separa a boa fé da manipulação mais descarada.

Tenta-se, agora, aproximar a delação premiada do executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, da Toyo Setal, da campanha presidencial de Dilma em 2010. Todos os jornais destacaram que parte da propina paga para o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras Renato Duque eram “doações oficiais ao Partido dos Trabalhadores”.

O que se esconde é um aspecto essencial. Mendonça Neto esclareceu no depoimento que não havia informado ao PT do motivo das doações.

É verdade que o executivo admitiu ter mantido em 2008 uma reunião com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, na sede do diretório estadual do PT em São Paulo, quando disse que “gostaria de fazer contribuições” ao partido. Mas Mendonça Neto também disse no depoimento que “não mencionou a Vaccari que as doações seriam feitas a pedido de Renato Duque” e que seriam fruto de propina.

Vaccari então orientou o executivo como doar de forma legal. Ou seja, o PT aceitou a doação na forma da lei. Está lá, entre aspas, na página 8 do depoimento de Mendonça Neto.

Este é o ponto espantoso. A divulgação seletiva de informações, de modo a atingir adversários e proteger aliados é uma tradição de nossos jornais e revistas. Mas raras vezes se fez isso de forma tão descarada, sem o cuidado sequer de manter as aparências. Vamos combinar que quem é capaz de vazar informações prestadas de caráter confidencial, como consta do documento, deveria, pelo menos, cumprir o dever de prestar um relato fiel daquilo que se disse a Justiça. Afinal, o que se quer é elevar o padrão ético de nossas práticas políticas e econômicas, correto? Ou não?

Outro aspecto é que os jornais preferiram confundir seus leitores ao repercutir a acusação de Aécio Neves que a doação legal ao PT em 2010 poderia tornar “ilegítima” o governo de Dilma Rousseff. No depoimento à Justiça do Paraná, Mendonça disse que as empresas Setec Tecnologia, PEM Engenharia e a SOG Óleo e Gás doaram legalmente R$ 4 milhões ao PT. Não existe nenhuma prova de que esse dinheiro tenha sido usado pela campanha de Dilma porque a legislação eleitoral da época não exigia a identificação da origem dos recursos transferidos entre partido e campanha, a chamada “doação oculta”. Isso só passou a ser obrigatório em 2014.

Com essa obrigatoriedade, sabe-se hoje que seis construtoras ligadas à Lava-Jato e com obras nos governos tucanos de Minas (Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão) doaram R$ 34,17 milhões à campanha de Aécio Neves.

Fonte: Brasil 247

Paulo Roberto Costa confirma que denunciou 'dezenas de políticos'

 

Anderson Vieira e Larissa Bortoni

    Jefferson Rudy/Agência Senado
    Saiba mais

    Em sessão da CPI Mista da Petrobras nesta terça-feira (2), na qual participou de acareação com o também ex-diretor da empresa Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa confirmou tudo o que contou nos depoimentos prestados à Justiça, ao Ministério Público e à Polícia Federal, acrescentando que apresentou as provas do que disse. Quando não as tinha, prosseguiu, indicou onde buscá-las. Paulo Roberto admitiu que nos depoimentos citou nomes de "algumas dezenas de políticos".

    — Provas estão existindo, estão sendo colocadas. Falei de fatos, falei de dados, falei de pessoas. Na época oportuna, essas pessoas todas virão a conhecimento público. Não é neste momento. Um dia virão. Eu não sei quando, não está na minha mão isso, mas tudo o que eu falei eu confirmo — afirmou.

    Paulo Roberto Costa disse que casos de corrupção como os registrados na estatal de petróleo, e sob investigação na CPI Mista da Petrobras, se repetem em outras áreas do setor público. Segundo ele, se houver uma investigação, tudo será descoberto.

    Ele admitiu ainda à CPI que assumiu a Diretoria de Abastecimento por indicação política, enfatizando que essa é uma prática seguida na Petrobras desde o governo Sarney, passando pelas gestões Collor, Itamar, Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma.

    — Infelizmente aceitei uma indicação política para assumir a Diretoria de Abastecimento. Estou profundamente arrependido de ter feito isso. Resolvi fazer a delação de tudo o que acontecia na Petrobras, e não só na Petrobras. O que acontecia na Petrobras acontece no Brasil inteiro. Nas rodovias, nas ferrovias, nos portos, aeroportos, nas hidrelétricas. Isso acontece no Brasil inteiro. É só pesquisar, porque acontece — declarou.

    O e-mail para Dilma

    Paulo Roberto se recusou, porém, a repetir na CPI o que revelou no processo de delação premiada, cujo teor ele é legalmente obrigado a manter sob confidencialidade. O ex-diretor também deu a versão dele para o e-mail que mandou à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em setembro de 2009. Disse que, ao contrário do publicado pela revista Veja, não houve quebra de hierarquia, uma vez que o então presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, sabia que a mensagem seria enviada. Acrescentou que a determinação de enviar o e-mal partiu da própria própria Casa Civil.

    Na mensagem, Costa alerta Dilma Rousseff que o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendara ao Congresso Nacional a interrupção de três obras da estatal por ter encontrado irregularidades. O ex-diretor não foi claro ao explicar o que o levou a mandar a mensagem.

    — Eu externei uma preocupação minha muito grande de um processo que não estava me deixando nada satisfeito. Estava me deixando enojado. Mostrando que algumas coisas não estavam bem dentro da companhia.

    O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) avaliou que o depoimento de Paulo Roberto foi elucidativo à comissão de inquérito por dois motivos. O primeiro foi ter ele confirmado o que contou no processo de delação premiada. O outro foi a denúncia de existência de corrupção em outros setores da administração pública.

    — O segundo ponto importantíssimo da fala dele foi quando ele confirmou que esse esquema de corrupção existe no transporte, na Eletrobras e em todos os meios — afirmou Carlos Sampaio.

    Cerveró defende Pasadena

    O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró repetiu que a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um bom negócio para a empresa. Reafirmou também desconhecer a existência de “esquema de propina” na Petrobras.

    — A avaliação que foi feita pelos auditores do TCU contém alguns equívocos que levaram a essa divulgação fartamente explorada pela mídia de um prejuízo que inexiste. Inexiste esse prejuízo.

    Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

    http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/12/02/paulo-roberto-costa-confirma-que-denunciou-dezenas-de-politicos?utm_source=midias-sociais&utm_medium=midias-sociais&utm_campaign=midias-sociais

    A planilha de Youssef

     

    Os 750 projetos Brasil afora sob a influência do doleiro preso na operação Lava Jato

    por Fabio Serapião — publicado 03/12/2014 06:24

    Arte: CartaCapital

    Youssef

    Obras presentes na lista de Yousseff

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    Reportagem de capa da edição 828 de CartaCapital

    Na busca e apreensão realizada na casa de Alberto Youssef durante a primeira fase da Operação Lava Jato, em 17 de março, a Polícia Federal encontrou um documento cujo conteúdo demonstra que a atuação do doleiro extrapola os limites da Petrobras e estende seus tentáculos sobre outras estatais federais, órgãos públicos estaduais, prefeituras e empresas privadas. Apreendida em meio a relógios e canetas importados, a planilha de 34 páginas, à qual CartaCapital teve acesso, traz um relatório de 747 projetos vinculados a clientes diretos, no caso as construtoras, e relacionados a um cliente final, na maioria empresas públicas e algumas privadas.

    “Assim, é claro o envolvimento de Youssef e seu grupo com grandes empreiteiras, e, através da planilha apreendida, pode-se deduzir que o doleiro tinha interesse especial nos contratos dessas empresas, onde de alguma forma atuava na intermediação”, observam os policiais federais. Somadas, as obras datadas do período entre 2008 e 2012, alcançam a cifra de 11,5 bilhões de reais e sugerem uma explicação para o fato de a força-tarefa envolvida nas investigações afirmar que a organização criminosa “abrange uma estrutura criminosa que assola o País de Norte a Sul”. Chama atenção a disciplina e organização do doleiro ao produzir o relatório. Nele, cada obra é seguida do telefone fixo e celular do contato na empresa, informações detalhadas sobre o projeto, como espessura e tipo de materiais a serem utilizados, data e valor.

    No caso dos projetos listados na planilha, segundo a PF, o doleiro utilizava a empresa Sanko-Sider para fechar contratos com centenas de construtoras e abocanhar obras em órgãos públicos em todas as regiões do Brasil. Sobre a relação encontrada com Youssef, suas empresas de fachada, incluídas a MO Consultoria e a GDF Investimentos, e a Sanko, os investigadores da força-tarefa da Lava Jato observam que foram “construídas” centenas de contratos fictícios para justificar a saída de recursos das grandes empreiteiras em direção ao sistema financeiro paralelo mantido pela organização criminosa. No entendimento das autoridades, essa não era a única forma de operação do grupo liderado pelo doleiro. Os outros dois seriam a “entrega física de numerário” direto pelas construtoras para posterior “distribuição” de Youssef e o pagamento no exterior em offshore como a Santa Tereza Services. Agora, o desafio dos investigadores é descobrir se, no caso dos projetos citados na planilha, assim como ocorreu na Petrobras, houve pagamento de propina a agentes públicos. Essa busca tende a resultar em uma avalanche de inquéritos capazes de desnudar o maior esquema de desvio de dinheiro público da história.

    Das obras citadas na lista, nem todas foram conquistadas pela clientela de Youssef. A planilha indica, no entanto, a abrangência de seus negócios. Ao menos 59% dos projetos citados envolvem como cliente final a Petrobras. Aparecem no documento o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), seis refinarias, uma fábrica de amônia em Uberaba (MG), uma plataforma de petróleo, a Petrobras Netherlands, a sede administrativa em Santos, a Transpetro. Consta no documento até a obra para remoção de dutos no terreno em Itaquera, na capital paulista, onde foi construído o estádio do Corinthians, palco da abertura da Copa do Mundo.

    Além da petroquímica, os projetos listados têm como clientes diretos companhias paulistas como Sabesp e o Metrô e estatais de saneamento de Minas Gerais (Copasa), Maranhão (Caema), Alagoas (Casal), Ceará (Cagece), Rio de Janeiro (Cedae), Goiás (Saneago), Diadema (Saned). Do Nordeste, aparecem o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), ligado ao Ministério da Integração Nacional, e o Porto de Suape, empreendimento do governo de Pernambuco. Entre as empresas privadas, destacam-se a Vale, a Fiat e empresas do Grupo X de Eike Batista. Surgem ainda no documento projetos em países como Angola, Uruguai e Argentina.

    Além das construtoras citadas na fase Juízo Final da operação, integram a coluna da planilha destinada aos clientes diretos cerca de cem empresas. Entre elas, a Delta Engenharia, o Grupo Schahin, a IHS Engenharia, a Potencial Engenharia e a CR Almeida. Empresas públicas que figuram como clientes diretos, a exemplo das companhias de gás de Bahia (Bahiagás), Ceará (Cegás), Mato Grosso do Sul (MSGás), Paraíba (PBGás) e Sergipe (Sergas), têm negócios detalhadamente organizados no documento.

    Um dos alvos do doleiro eram as obras contra a seca no Nordeste, em especial as administradas pelo Dnocs. O órgão é ligado ao Ministério da Integração Nacional, que durante o período abarcado na planilha era comandado pelo ministro Fernando Bezerra Coelho. Nas interceptações telefônica da Lava Jato, o irmão do ex-ministro e ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e do Parnaíba, a Codevasf, Clementino de Souza Coelho, surge a pedir dinheiro ao doleiro. Ao menos duas obras envolvem contratos com a Galvão Engenharia e a Camargo Corrêa, ambas investigadas por formação de cartel na Petrobras. A obra da Camargo Corrêa, de 9,4 milhões de reais, traz a anotação “adutora Guadalupe”. É uma referência ao Perímetro Irrigado Platôs de Guadalupe, realizado pelo Dnocs com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento. O projeto da Galvão tem o valor de 42,9 milhões de reais e é acompanhado da citação “sistema adutor do agreste”, referência a um projeto inaugurado pelo governo alagoano em agosto e que beneficia 400 mil habitantes de dez municípios. Nos dois casos, as construtoras citadas de fato participaram de parte das obras. Uma proposta de contrato ainda maior, de 141 milhões de reais, está ao lado da citação da Construtora Passarelli como cliente direto para a “implantação da 1ª e 2ª etapas do Sistema Adutora Gavião Pecém”. O sistema é, na realidade, a interligação do sistema de reservatórios de água da região metropolitana de Fortaleza ao Complexo Portuário e Industrial Gavião Pecém.

    Como na Petrobras, cujas obras com participação do doleiro apresentaram problemas de superfaturamento e atraso na entrega, alguns dos projetos relacionados ao relatório encontrado na casa do doleiro deixaram rastros da falta de zelo com o dinheiro público. No Maranhão, onde o doleiro foi preso em março, uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou irregularidades na obra realizada pela companhia de saneamento estadual para remanejamento da adutora de água tratada, no trecho do Campo de Perizes. Segundo os fiscais, o maior dos desvios ocorreu na licitação vencida pelo consórcio formado pela EIT Construções e Edeconsil. Na planilha apreendida, o consórcio aparece em dois momentos como cliente de Youssef e atrelado a um contrato de 58 milhões de reais.

    Outro caso parecido é o trecho do monotrilho entre a estação Oratório e Vila Prudente, na capital paulista, integrante da linha 15-Prata do Metrô. No documento apreendido, a Construtora OAS, consorciada com a Queiroz Galvão e a canadense Bombardier, seria o cliente do doleiro em um contrato de cerca de 8 milhões de reais. Prometida pelo governador Geraldo Alckmin para janeiro deste ano, o monotrilho ainda não entrou em operação. O presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, o vice-presidente do setor Internacional, Agenor Medeiros, e mais três dirigentes foram presos pela PF. Na planilha aparecem ainda outros projetos de estatais paulistas, a começar por duas adutoras da Sabesp e obras no trecho Sul do Rodoanel. No caso da construção do anel rodoviário, em 2009, o TCU havia apontado ao menos 79 irregularidades graves, inclusive sobrepreço. Na planilha do doleiro, a menção ao Rodoanel precede a inscrição do valor de 1,5 milhão de reais. No caso da construção do estádio do Corinthians, o cliente de Youssef seria a Sacs Construção e Comércio, responsável por remanejar a tubulação da Petrobras sob o terreno. A retirada dos tubos foi um dos motivos do atraso na entrega do estádio-sede da Copa do Mundo. Na página 19, o projeto está orçado em 1,3 milhão de reais e tem como cliente final a estatal, mas no site da Sacs, a empresa informa que o clube arcaria com as despesas.

    Além do estádio, a Petrobras e suas subsidiárias aparecem como cliente final em cerca de 400 projetos exibidos na planilha. Os investimentos vão muito além da Refinaria Abreu e Lima, alvo de inquéritos e processos da Lava Jato. Destacam-se os apontamentos sobre projetos da empresa Iesa Óleo & Gás, cujo diretor Otto Garrido Sparenberg foi preso na Juízo Final. A citação à Iesa está relacionada a um contrato de 10,5 milhões de reais para obras na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados V, localizada na cidade mineira de Uberaba. Aparece também na listagem do doleiro a citação a um contrato com a empreiteira Construcap referente à construção da sede da Petrobras na cidade de Santos. A construtora confirma ter mantido contratos com a Sanko, embora afirme processar a empresa por problemas na entrega de tubulações adquiridas no passado. Sobre o engenheiro apontado citado na planilha, a empresa diz não empregá-lo atualmente.

    Outra companhia a aparecer na lista é a Logum Logística. Resultado de composição acionária entre a Petrobras, Odebrecht, Camargo Corrêa e outras três empresas, a Logum foi criada, em 2011, para construir e operar o Sistema Logístico do Etanol. Embora acionistas, a Camargo Corrêa e a Odebrecht formam o Consórcio Etanol que venceu uma licitação de 900 milhões da própria Logum para as obras do primeiro trecho do etanolduto, entre as cidades de Paulínia e Ribeirão Preto, em São Paulo. Na planilha, o consórcio é citado como cliente direto de Youssef em ao menos dois contratos que chegam a 140 milhões de reais. Além dos dutos para o escoamento da produção de etanol, a Logum é responsável pela construção dos terminais para carregamento das barcaças de transporte do combustível pela hidrovia Tietê-Paraná. Como revelou CartaCapital na edição 819, de 1º de outubro, por conta de possível direcionamento na licitação de 239 milhões de dólares, o Ministério Público pediu o afastamento do presidente da Transpetro, Sergio Machado. O executivo foi citado na delação de Paulo Roberto Costa por ter entregado a ele 500 mil reais. Atualmente está afastado do cargo.

    Em depoimento à CPI da Petrobras na quinta-feira 27, o dono da Sanko, Marcio Andrade Bonilho, confirmou ter repassado ao menos 33 milhões de reais ao doleiro pelos serviços de intermediação de grandes contratos com construtoras. Segundo o empresário, os repasses eram comissões de 3% a 15% pagas por serviços que foram prestados integralmente. “Era dito no setor que ele tinha tráfego bom junto às construtoras.” As empresas citadas na reportagem negam qualquer tipo de relação com Youssef e afirmam estar à disposição da Justiça para qualquer esclarecimento sobre as citações na lista apreendida na casa do doleiro. O Metrô de São Paulo e a Secretaria de Transportes do Estado, responsáveis pelo Monotrilho e o Rodoanel, respectivamente, enviaram nota na qual afirmam que a reportagem tira conclusões precipitadas baseadas em um documento do inquérito da Lava Jaro. Segundo as empresas, nenhuma das obras citadas contratou ou subcontratou os serviços da Sanko Sider.

    O relatório de projetos apreendido pela PF demonstra como o doleiro era capaz de negociar com estatais comandadas por políticos das mais diversas cores partidárias. Apadrinhado do ex-deputado José Janene, falecido em 2010 e a quem deve a abertura das portas em Brasília e nos partidos políticos, conseguiu aliar sua capacidade de arquitetar engrenagens financeiras paralelas para dificultar o rastreamento do dinheiro pelas autoridades à astúcia na tarefa de corromper agentes públicos. A expertise nascida dessas qualidades transformou o antigo operador de câmbio preso no caso Banestado em um dos maiores lobistas do Brasil, capaz de complicar a vida de grande parte da República. Caso estejam dispostas a mapear a ação do doleiro, o primeiro passo sugerido às autoridades da Lava Jato é instaurar um inquérito para cada obra citada na planilha. Quem sabe assim o País terá pela primeira vez um panorama da corrupção e suas engrenagens em todas as esferas de poder.

    http://www.cartacapital.com.br/revista/828/a-planilha-de-youssef-7774.html