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quarta-feira, 18 de maio de 2022

Lula e Janja se casam nesta quarta-feira, em festa para 150 convidados


Os dois se conheceram quando ela o visitava em Curitiba, durante os 580 dias de prisão política

18 de maio de 2022, 05:29 h Atualizado em 18 de maio de 2022, 05:50

www.brasil247.com - Ex-presidente Lula e a socióloga Rosângela da Silva Ex-presidente Lula e a socióloga Rosângela da Silva (Foto: Reprodução/ Twitter)

247 – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a socióloga Rosângela Silva se casam nesta noite, numa festa para 150 convidados, em São Paulo.  Lula e Janja se conheceram em Curitiba, durante os 580 dias da prisão política de Lula – o ex-presidente foi preso ilegalmente pelo ex-juiz suspeito Sergio Moro para que não pudesse disputar as eleições presidenciais de 2018, abrindo caminho para a ascensão de Jair Bolsonaro, de quem Moro depois foi ministro.

Na festa, será proibido o uso de celulares e a segurança nos arredores do local será reforçada. Janja ganhou destaque no universo de Lula em 2019, quando o petista ainda estava preso na Polícia Federal de Curitiba. A namorada o visitava com frequência no período – oficialmente os dois estão juntos desde 2018.

Socióloga, Janja é militante do PT desde 1983, se formou na Universidade Federal do Paraná, entre 1990 e 1994, especializando-se em História e Gestão Social e Desenvolvimento Sustentável. “Eu agora estou com a Janja, que é muito politizada, tem uma cabeça política boa e é muito feminista”, disse Lula em entrevista ao podcast “Mano a Mano”, do cantor Mano Brown.

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/lula-e-janja-se-casam-nesta-quarta-feira-em-festa-para-150-convidados

sábado, 25 de dezembro de 2021

Como presente de natal para meus leitores eu doarei o tempo que dedico a escolher, produzir e divulgar a boa informação

por Jacinto Pereira de Souza

Quero abraçar a todos que me acompanham nas redes sociais e também aos leitores das postagens que divulgo nos meus blogs e sites. Meu trabalho de selecionar matérias já divulgadas em outros mecanismos de mídia e algumas que escrevo, é uma forma de fazer chegar até você as boas informações que encontro. Faço isso com muito prazer e sem ajuda financeira de ninguém até agora. Enquanto eu puder estarei fazendo isso como uma forma de disseminar conhecimentos que ajudarão a melhorar o mundo em que vivemos.

Segue alguns dos endereços da internet pelos quais eu levo até você todos os dias, as informações que considero importante que sejam socializadas:

 http://www.jacintopereira.com/

http://blogdafolha.blogspot.com/

http://programaradiodebate.blogspot.com/

http://cavalobravo.blogspot.com/

http://cspu.blogspot.com/

https://jacintomistico.blogspot.com/

Obrigado, que o futuro seja sempre melhor que o passado para todos.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Bolsonaro já defendeu tortura para quem pediu para se calar em CPI


Jair Bolsonaro já sugeriu pau de arara para forçar depoente a "abrir a boca" em comissão que investigava o governo FHC. Agora, é seu ex-ministro da Saúde que pede para ficar calado em depoimento à CPI da Covid

18 de maio de 2021, 05:03 h Atualizado em 18 de maio de 2021, 05:03

(Foto: Brasil 247/divulgação)

247 - Jair Bolsonaro já defendeu tortura para um depoente que invocou o direito de permanecer em silêncio em uma comissão parlamentar de inquérito negativa para Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"Dá porrada no Chico Lopes. Eu até sou favorável que a CPI, no caso do Chico Lopes, tivesse pau de arara lá. Ele merecia isso: pau de arara. Funciona! Eu sou favorável à tortura, tu sabe disso. E o povo é favorável a isso também", disse Bolsonaro em uma entrevista em 1999 - relembra reportagem da Folha de S.Paulo.

Na época, o ex-presidente do Banco Central, Chico Lopes se recusou a depor à CPI dos Bancos na condição de testemunha. Aconselhado por advogados, ele pediu que fosse ouvido como acusado, um salvo-conduto para ficar em silêncio ou dar respostas que não o incriminassem, direito previsto na Constituição.

"Como é que pode um ex-presidente de Banco Central falar que tem o direito de ficar calado? É um imoral, um sem-vergonha. Ele tinha que ir lá e contar a verdade. Por que o medo da verdade?", disse Bolsonaro na ocasião. Agora é seu ex-ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, que recorre ao direito de permanecer em silêncio no depoimento que farpa nesta quarta-feira (19), à CPI da Covid no Senado.

Fonte: https://www.brasil247.com/cpicovid/bolsonaro-ja-defendeu-tortura-para-quem-pediu-para-se-calar-em-cpi

quarta-feira, 31 de março de 2021

‘PT Solidário’ mobiliza militância por alimentos contra a fome


Lançada neste dia 31 de março, os alimentos serão arrecadados pelos diretórios e comitês Lula Livre e entregues às entidades solidárias que farão a distribuição às famílias carentes

31/03/2021 07h00 - atualizado às 08h52

Site do PT

Campanha PT Solidário contra a fome

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O Partido dos Trabalhadores lança nesta quarta-feira, 31 de março, uma campanha “ PT Solidário” de arrecadação de alimentos para se somar à mobilização nacional de enfrentamento à atual situação de dificuldades vividas pelas famílias brasileiras.

Além de seguir na luta em defesa do emprego e pelo  auxílio emergencial de R$ 600,00 para todos até o final da pandemia, o PT amplia a mobilização para que os trabalhadores e o povo possam contar com o apoio à sua sobrevivência, diante da carestia e da falta de alimentos na mesa.

Os alimentos serão arrecadados pelos Diretórios Municipais do Partido dos Trabalhadores, Comitês Lula Livre e entidades e entregues dia 17 de abril, no “Dia de Solidariedade Petista”, às entidades solidárias que farão a distribuição às famílias carentes em todas as regiões do país.

A ação é uma demonstração do compromisso histórico do Partido dos Trabalhadores que, por meio de programas sociais durante os governos os presidentes Lula e Dilma, tirou o Brasil do Mapa da Fome.


Da Redação

Fonte: https://pt.org.br/pt-solidario-mobiliza-militancia-por-alimentos-contra-a-fome/

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Dilma corrige fake news de Ciro Gomes sobre emprego


A ex-presidente Dilma Rousseff soltou uma nota sóbria, nesta terça-feira, para corrigir a mentira contada por Ciro Gomes, sobre a evolução do desemprego em seu governo

24 de novembro de 2020, 13:40 h Atualizado em 24 de novembro de 2020, 14:27

Dilma Rousseff e Ciro Gomes Dilma Rousseff e Ciro Gomes (Foto: Alessandro Dantas/PT | Reuters)

247 - Alvo de uma fake news disparada por Ciro Gomes, a ex-presidente Dilma Rousseff reagiu de maneira sóbria à mentira contada por ele durante uma entrevista em Pernambuco: a de que teria assumido o governo com desemprego em 4% e saído com uma taxa de 14%. Os dados oficiais, do próprio IBGE, revelam que Dilma, na realidade, reduziu o desemprego ao menor nível da história, até se tornar alvo de uma conspiração golpista, que destruiu o mercado de trabalho no Brasil.

“Ciro comete um equívoco ao afirmar, em Pernambuco, que quando assumi o governo havia uma taxa de desemprego de 4% e quando saí da presidência o índice estava em 14%. Os dados verdadeiros do IBGE são bem diferentes. Eu assumi, em janeiro de 2011, com a taxa de desemprego em 6%. Quando meu primeiro mandato acabou, em 2014, o desemprego médio foi de 4,8%. Naquele ano, inclusive, foi registrado o menor índice mensal da série histórica, 4,3% em dezembro”, registrou Dilma.

Na nota, ela fala sobre a expansão do desemprego após a sua reeleição, em 2014. “Em 2015, já em pleno processo de sabotagem do governo e crise produzida pelo processo de impeachment, o desemprego médio anual registrado foi de 8,8%. E em 2016, já sob o Governo Temer, pois fui afastada do cargo em maio, a taxa média de desemprego subiu para 11,5%”, anotou a ex-presidente.


Ela ainda apontou o balanço dos governos do PT em relação ao mercado de trabalho. “Durante o governo Lula e o meu governo, nós criamos 19,6 milhões de empregos formais, com carteira assinada. Um recorde histórico. A verdade é que o emprego foi destruído no Brasil pelo mesmo golpe que destruiu a democracia.”

Fonte: https://www.brasil247.com/poder/dilma-corrige-fake-news-de-ciro-gomes-sobre-emprego

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Por que os brasileiros deveriam ter medo do gabinete do ódio


O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados têm espalhado o ódio online contra as instituições que protegem a democracia. Agora, essa cólera está transbordando para as ruas.

Por Patrícia Campos Mello

Campos Mello é uma jornalista brasileira.

  • Aug. 4, 2020, 5:00 a.m. ET
  • Credit...Daniel Zender

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    SÃO PAULO — Em 13 de junho, integrantes do “300 do Brasil”, uma milícia de extrema direita formada por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, atiraram fogos de artifício em direção ao prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília, simulando um bombardeio. “Se preparem, Supremo dos bandidos…bando de bandidos, vocês estão levando o país para o caos, para o comunismo”, disse um dos líderes, que transmitiu o protesto ao vivo em um vídeo. “Acabou, porra”, disse um dos manifestantes, ecoando as palavras usadas por Bolsonaro ao condenar a investigação do Supremo contra alguns dos apoiadores do presidente, envolvidos em campanhas de desinformação e ameaças contra os ministros do STF.

    De onde veio esse ódio contra o mais alto tribunal do Brasil?

    Durante os meses que antecederam o incidente com os fogos, milhares de contas nas redes sociais, muitas delas falsas, ligadas a apoiadores de Bolsonaro ou a blogueiros de extrema direita, vinham postando obscenidades e ameaças contra os ministros do Supremo. Alguns apoiadores do presidente até falaram em matar e esquartejar ministros e seus familiares. Era só uma questão de tempo até essa animosidade transbordar para as ruas.

    Esse ambiente tóxico tem sido estimulado pelo que os brasileiros chamam de “gabinete do ódio”. Trata-se de um gabinete de assessores de Bolsonaro, que apoiam uma rede de blogs bolsonaristas e perfis em redes sociais que espalham desinformação e ataques contra jornalistas, políticos, artistas e veículos de imprensa críticos ao presidente. O gabinete do ódio não é oficial, nem tem um orçamento específico, mas é bancado com dinheiro público. Não está claro quantas pessoas trabalham na operação, e nem se sabe quem são todos os envolvidos. Na realidade, Bolsonaro e seus aliados negam que exista um gabinete do ódio. Mas o fato é que as sementes do ódio e do sectarismo que vêm sendo espalhadas são uma ameaça à nossa democracia.

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    O governo Bolsonaro enfrenta atualmente três investigações diretamente ligadas a essa máquina do ódio. O Supremo Tribunal Federal está investigando ataques contra seus ministros, financiados por empresários e disseminado pela rede bolsonarista. Outro inquérito do Supremo examina o financiamento dos atos antidemocráticos, protestos pedindo o fechamento do Congresso e intervenção no Judiciário. Quatro ações correm no Tribunal Superior Eleitoral investigando o uso de disparos em massa de WhatsApp na tentativa de influenciar a campanha eleitoral de 2018, que teriam sido financiados por empresários.

    ImageUm protesto em Brasília

    Um protesto em BrasíliaCredit...Andressa Anholete/Getty Images

    Em 8 de julho, o Facebook removeu inúmeras contas, algumas usadas por um funcionário de Bolsonaro e por seus filhos. Algumas estavam registradas no nome de Tércio Arnaud Tomaz, assessor de Bolsonaro que é apontado como um dos líderes do chamado gabinete do ódio.

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    Infelizmente, eu conheço bem essa máquina do ódio. Nos últimos dois anos, venho cobrindo o uso da desinformação na política. E acabei me tornando um dos alvos dessas campanhas desde 2018, quando revelei no jornal Folha de S.Paulo que empresários estavam pagando pelo envio de milhões de mensagens por WhatsApp para influenciar a eleição presidencial daquele ano.

    Como resultado, tenho enfrentado uma campanha violenta de ameaças e ataques pessoais. Trolls e até políticos têm compartilhado memes onde meu rosto aparece em montagens pornográficas, e se referem a mim como prostituta. Recebi mensagens de pessoas dizendo que eu deveria ser estuprada. Estou processando o presidente Bolsonaro; seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, e um blogueiro bolsonarista por danos morais, por dizerem ou insinuarem que eu ofereço sexo em troca de reportagens exclusivas.

    Não sou a única. Muitas jornalistas têm sido vítimas de ataques misóginos no Brasil. A imprensa, ao lado do judiciário e do Congresso, é uma das últimas barreiras contendo medidas autoritárias do presidente. Mas não sei quanto tempo conseguiremos resistir às pressões de Bolsonaro e seus apoiadores. A retórica e as ações cada vez mais agressivas do presidente, seus filhos e aliados funcionam como um sinal verde para que milícias bolsonaristas partam das palavras para as vias de fato.

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    Em 25 de maio, jornalistas que cobrem as coletivas improvisadas de Bolsonaro no palácio do Alvorada mais uma vez foram submetidos a uma chuva de xingamentos dos apoiadores do presidente. Vídeo daquele dia mostra os repórteres sendo chamados de “cambada de safados” e “mídia comprada”. “Escória! Lixos! Ratos! Ratazanas! Bolsonaro até 2050! Imprensa podre! Comunistas!”.

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    Apoiadores do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília.

    Apoiadores do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em Brasília.Credit...Eraldo Peres/Associated Press

    Jornalistas estão longe de serem os únicos alvos. Ao longo do último ano, a máquina do ódio vem colocando os brasileiros uns contra os outros, e contra aqueles que têm funcionado como freios e contrapesos para os arroubos autoritários de Bolsonaro. Essa máquina vem corroendo a confiança das pessoas nas instituições concebidas justamente para protegê-las.

    Esse grupo disseminador de ódio está por trás de uma campanha de difamação que acusava o ex-juiz Sergio Moro, que liderou a LavaJato e foi ministro da justiça de Bolsonaro, de ser “traidor” e “comunista”. Moro pediu demissão em abril, acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, que investigava um dos filhos de Bolsonaro e alguns aliados. Logo depois de ele deixar o cargo, contas falsas inundaram as redes sociais com memes atacando Moro.

    Com a disseminação do coronavírus, fake news e curas supostamente milagrosas começaram a proliferar nas redes sociais, muitas vezes compartilhadas por legisladores com centenas de milhares de seguidores. Bolsonaro tem sabotado as medidas de distanciamento social implementadas por governadores, e contas ligadas a assessores como Tércio Arnaud divulgaram que a reação à Covid-19 era exagerada e que a cloroquina, alardeada por Bolsonaro como uma cura para o coronavírus, consegue matar o vírus.

    Em abril, o governo começou a divulgar no Twitter e Facebook o que chama de “Placar da Vida”, que enumera apenas o número de pacientes que se recuperaram da Covid-19. Depois, em junho, o Ministério da Saúde deixou de divulgar o número acumulado de casos e mortes, e mostrava apenas os registrados nas últimas 24 horas, além de mudar a maneira de contabilizar. O STF determinou que o governo tinha de voltar a publicar os dados de forma integral.

    Agendas políticas, no entanto, não conseguem demover o coronavírus. A “gripezinha” – termo que Bolsonaro usou para se referir à doença que foi contraída por ele e sua mulher em julho – já matou mais de 92 mil brasileiros. Trata-se do país com o segundo maior número de mortes pela doença.

    Com as campanhas de difamação e a manipulação de informações, o objetivo da máquina do ódio é muito mais nefasto – é enfraquecer as instituições democráticas do Brasil. Investigações da Procuradoria Geral da República apontam que alguns legisladores bolsonaristas usaram a cota parlamentar, dinheiro público, para promover pelas redes sociais protestos contra o Supremo Tribunal Federal e a favor de intervenção militar.

    Esse tipo de incitamento tem como objetivo convencer apoiadores de que os ministros do Supremo são ditadores, e que o Congresso e a mídia são golpistas e impedem o presidente de governar. Dessa maneira, o governo pode estar preparando o terreno para justificar uma intervenção militar. E em uma democracia jovem como a brasileira, as instituições podem ser mais frágeis do que aparentam.

    Apesar de ter sido eleito democraticamente, Bolsonaro já declarou repetidamente sua admiração pela ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Muito antes de se candidatar à presidência, Bolsonaro disse que só uma guerra civil faria o trabalho que o regime militar não havia feito e afirmou que fecharia o Congresso se fosse presidente. Durante a campanha eleitoral de 2018, seus filhos e apoiadores usaram camisetas estampadas com o rosto do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado pela Justiça como um dos maiores torturadores da ditadura — uma figura celebrada pelo presidente.

    Bolsonaro tem tentado implementar essa visão. Para contornar o Congresso, ele assinou um número recorde de medidas provisórias que reduziam a independência das universidades, que ele considera antros de comunistas, restringir acesso à informação, enfraquecer sindicatos e jornais. Ele também ameaçou desobedecer ordens judiciais.

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    Um manifestante em Rio de Janeiro.

    Um manifestante em Rio de Janeiro.Credit...Bruna Prado/Getty Images

    O presidente afirmou que seu objetivo era armar toda a população, para que as pessoas pudessem se defender da “ditadura” dos governadores e do Supremo. “Eu quero todo mundo armado! Que o povo armado jamais será escravizado”, disse o presidente em uma reunião ministerial em maio. Depois da reunião, ele assinou um decreto que facilitou a importação de armas e aumentou a quantidade de munição que as pessoas podem comprar por ano. Em qualquer democracia, isso seria considerado um chamado à insurreição.

    O presidente e seus aliados adorariam silenciar aqueles que tentam investigar as facetas obscuras de seu governo.

    No último ano, o objetivo do gabinete do ódio tem ficado cada vez mais claro: fazer os brasileiros se voltarem contra aqueles que têm servido de freios e contrapesos às medidas autoritárias de Bolsonaro.

    Ataques como o ocorrido contra o Supremo e como a recente agressão contra um fotojornalista em um protesto contra o Congresso são uma amostra de que a máquina do ódio tem sido, de certa maneira, bem sucedida em seu chamado à insurreição.

    Na última quarta-feira, dois homens acompanhados de um carro de som foram até a entrada do condomínio onde mora Felipe Neto e o acusaram de destruir “a instituição mais importante de todas, que é a família”, em uma tentativa de intimidação ao famoso youtuber. Um dos homens que ameaçou Felipe Neto havia participado do ataque com fogos de artifício contra o prédio do Supremo em Brasília. Alguns dias antes, esta seção havia veiculado um vídeo em que Felipe Neto chamava a Bolsonaro “o pior presidente da pandemia”. O ataque é mais um exemplo de que, cada vez mais, o fel propagado pela máquina do ódio está se espalhando para além da internet.

    Video

    transcript

    0:00/6:25

    Trump Isn’t the Worst Pandemic President

    Just ask Brazilians.

    I’m a Brazilian YouTuber and I create goofy videos and generate entertainment options for families all over the world. who speak Portuguese, which outside Brazil, Portugal and Angola are like, five families. But I’m not here today to goof around in front of a brand new audience. to speak seriously, you know the circus is probably on fire. Americans like to boast about being the world leader at everything. “That America is the greatest place on earth.” And since the Covid outbreak, you are leading in Covid deaths. That is partly, of course, thanks to your president, Donald Trump, who many of you claim to be the absolute worst head of state in the democratic world today. Well, I’m about to show you that the 200 million people here in Brazil have you beat. OK, for the moment, we’re only second in deaths, but I’m certain that our leader, Jair Bolsonaro, is the worst Covid president in the world. [MUSIC PLAYING] Bolsonaro is a military man who has defended the use of torture under Brazil’s dictatorship. He then rose to presidentship using statements like this. [CHEERING] Do I need to say anything else or do you get the picture? Brazil is the fastest-rising Covid country in the world. And the W.H.O. has considered us the new epicenter of the pandemic. Still he shows no sign of taking the crisis seriously. In short, he makes Donald Trump seem like Patch Adams. Since the very beginning of the crisis, he has not stopped going out, thereby encouraging others to do the same. You guys got pissed off because of a measly Trump rally in Tulsa, three months after the outbreak in the U.S. But Bolsonaro does that all the time. He goes to demonstrations against the Congress. He goes to demonstrations calling for military intervention. He goes to packed city markets. He goes to military ceremonies. He goes barbecue hopping on a jet ski. He goes to protests against the Supreme Court. That’d be disgusting even with no pandemic. Much like Trump, Bolsonaro justifies his actions by professing to believe in miracle cures. For starters, they’re both obsessed with the hydr— hydrocloq— hydroxyclq— shut up, I’m Brazilian. They are both obsessed with a drug with no evidence of working against the disease. But there’s a big difference between Trump talking about this in press conferences and what our guy is doing. Bolsonaro has asked the health authorities to forcibly change the official medicine leaflet of hydro [INAUDIBLE] to include coronavirus as a prescribed use case. He’s also using the army’s industrial capacity to produce the medication while public hospitals face shortages of other drugs, like sedatives and painkillers. Bolsonaro also actively retaliates against any public authority who promotes safety. He fired a health minister after he insisted quarantine was a good thing. He fired the next health minister after he refused to prescribe chloroquine to all Covid patients. He then put a military man in charge of the health ministry and fired most of the technical staff who had been there for years. He’s also trying to incite violence. In April, he held a cabinet meeting in which he said: And he didn’t stop at words. He also took actions a few days later, upping the limits on how much ammunition we can buy and eliminating all gun-tracing regulations. Finally, as the crisis worsened, Bolsonaro began mocking the deceased and their families. When Brazil reached 2,500 dead, a reporter asked him for a statement on it and his answer was this. When we reached 5,000 dead. When the death toll got to 30,000. When we reached 50,000 dead, he got musical. And when we reached 60,000 he said nothing, which was probably for the best. It’s so ugly that even Donald Trump admits we’re not in good shape. “Ask them how are they doing in Brazil? He’s a great friend of mine. Not good.” But there’s something else that Trump says that I’d like to leave you with. Trump calls Bolsonaro a good friend, and that friendship is crucial to Bolsonaro retaining his popularity. It legitimizes Bolsonaro. You’re the world leader in Covid deaths, and right now, you’re leading us into the abyss. Your president has little proxies operating all over the globe. We are their casualties. So if you’re wondering what you can do to help Brazil deal with our lunatic, please do not re-elect yours. This November, vote to keep Trump out of the White House.

    6:25Trump Isn’t the Worst Pandemic President

    Just ask Brazilians.

    Bolsonaro e seus aliados adorariam nos intimidar e silenciar. Mas para que haja esperança de que nossa democracia vai resistir, precisamos nos manter vigilantes e garantir que o governo seja responsabilizado por suas ações. Não apenas as vidas de brasileiros estão em jogo, mas as próprias instituições – Congresso, Judiciário, mundo acadêmico e a imprensa – que, por enquanto, têm conseguido brecar a ascensão do autoritarismo.

    Patrícia Campos Mello é jornalista do jornal brasileiro Folha de S.Paulo e autora da “Máquina do Ódio”, sobre campanhas de desinformação e Bolsonaro.

  • Fonte: https://www.nytimes.com/pt/2020/08/04/opinion/international-world/bolsonaro-gabinete-do-odio.html?smid=wa-share

  • sábado, 4 de julho de 2020

    julho às 14:21 · NOTA DE ESCLARESCIMENTO


    Facebook © 2020

    Antonio Dos Santos Lima

    1 de
    Diante de tanta polémica, referente a cobrança das contas de água dos consumidores do Preá, a Federação esclarece o seguinte:
    a) A isenção das contas de água dos consumidores de baixa renda dos sistemas comunitários, é assegurada por Lei do Governador;
    b) A Associação Comunitária do Preá, não obedeceu a Lei e continua fazendo cobranças indevidas sem dar nenhuma explicação aos consumidores nem informar sobre a situação legal da associação sem a qual não haverá ressarcimento das contas;
    c) Para agravar, ainda mais a situação dos usuários de água, as contas estão sendo cobradas com aumentos absurdos, não justificados;
    d) Só para exemplificar, citamos alguns casos que me foram reclamados pelos consumidores: Contas de R$ 15,00, passaram para R$ 100,00, R$ 150,00. Outros consumidores tiveram aumentos sucessivos de R$ 15,00 para algo em torno de R$ 40,00, depois R$ 70,00 e finalmente para R$ 400,00. Lava jato que passou de R$ 19,00 (funcionando) para R$ 70, (fechado), etc.
    e) Este aumento obedece a um sistema de rodízio que a Federação vem observado a algum tempo, junto aos consumidores;
    f) Todo mês, uma certa quantidade de consumidores, recebem contas com aumentos astronômicos e no, mês seguinte, volta aos valores anteriores e o problema surge nas contas de outros consumidores;
    g) Outra reclamação é sobre os valores cobrados em relação ao consumo: Maior consumo paga menos e menor consumo paga mais;
    h) Em conversa com os consumidores, eles alegam que tem certeza de que não usaram a quantidade de água que está sendo cobrada;
    i) Casas fechadas, recebem contas acusando alto valor de consumo;
    j) Muitos consumidores reclamam, mas, de nada adianta;
    k) Eu mesmo, passei dez anos pagando a taxa mínima. Em casa, tinha plantações de hortas no quintal, pequeno restaurante e só pagava a taxa mínima. Agora, foi tudo acabado e as contas que me chegam é de R$ 30,00 R$ 40,00 e até R$ 80,00;
    l) Quando se compara os valores cobrados com os sistemas de outras comunidades é que se percebe os absurdos: Recebi uma cobrança de 36m3 no valor de R$ 79,00. Nas comunidades vizinhas, teria sido cobrado R$ 28,80, conforme tabela;
    m) Diante desta situação, a Federação tem posição clara e bem definida: Qualquer consumidor que estiver se sento lesado, faça valer os seus diretos. Reclame e exija que seja feita correção e cobrado o que é de direito, já que muitos usuários tem poço e compram água mineral;
    n) A situação é tão absurda, que o presidente da associação, assim se identificou, me entregou uma cópia do Decreto de isenção da CAGECE, me fazendo advertência no sentido de que o Presidente da Federação estava mal informado e que observasse o Decreto para não propagar inverdades, inclusive, com tom de ameaça. Solicitei que me entregasse a cópia da Lei referente aos sistemas comunitários, mas, logo retirou-se sem dar explicações:
    o) Os consumidores estão indignados com a situação, mas, asseguro a todos que a Federação, está acompanhando o caso e tomando as devidas providências;
    p) Conversem com os seus vizinhos que terão maiores esclarecimentos e perceba que o seu caso é o mesmo de muitos outros consumidores;
    q) A Federação está disposição dos usuários para estes e outros esclarecimentos que se fizerem necessários, inclusive fazendo visitas aos usuários de água.
    r) Compartilhem, conversem com outros consumidores, deixem suas opiniões e podem publicar as contas que estão em desacordo com valores consumidos e exijam explicações.
    Praia do Preá, Cruz, 1º de julho de 2020.
    Antonio dos Santos de Oliveira Lima
    Presidente da FAC

    sábado, 28 de março de 2020

    No Brasil, o presidente, os militares e o astrólogo


    "Grandes ministérios, serviços de saúde, pesquisa espacial ... após elegerem Jair Bolsonaro em 2018, os militares ocupam as posições estratégicas do país. Mas desde então, o Presidente, sob a influência de um "guru", vem se libertando de sua tutela", escreve o jornalista Bruno Meyerfeld no Le Monde

    28 de março de 2020, 13:25 h Atualizado em 28 de março de 2020, 13:39

    Entre Trump e Olavo, a imagem síntese do governo Bolsonaro Entre Trump e Olavo, a imagem síntese do governo Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

    Publicado originalmente no Le Monde com tradução de Sylvie Giraud - Grandes ministérios, serviços de saúde, pesquisa espacial ... após elegerem Jair Bolsonaro em 2018, os militares ocupam as posições estratégicas do país. Mas desde então, o Presidente, sob a influência de um "guru", vem se libertando de sua tutela.

    Somos os cadetes do Brasil, de peito forte varonil!”, gritam em altos brados centenas de futuros oficiais brasileiros, empertigados em seus uniformes azulões e barretina alta de pluma vermelha. Neste sábado, 17 de agosto de 2019, é um dia de comemoração na Academia Militar das Agulhas Negras, a tradicional cerimônia de “entrega de espadim” acontece na presença do Chefe de Estado, Jair Bolsonaro.
    No pátio do marechal Mascarenhas de Moraes (conhecido como pátio “P3M”), ao pé da Serra da Mantiqueira, a 170 quilômetros a noroeste do Rio de Janeiro, cada cadete recebe uma réplica da arma carregada, há mais de um século, pelo duque de Caxias, fundador e padroeiro do exército brasileiro. “Não há emoção ou honra maior como chefe das forças armadas do que presidir esta cerimônia”, lança Bolsonaro aos jovens que prestam continência. “Como vocês, em 1974, eu também recebi meu espadim neste P3M sagrado.
    A maior parte dos presidentes assistem a essa cerimônia, mas, com Bolsonaro, é claro, foi emocionante. Ele se formou aqui e tem uma relação especial com esta escola. Nós o recebemos como amigo”, rememora o Major Dutra, diretor da Academia de Agulhas Negras, um vasto “Saint-Cyr” brasileiro de 67 km2 que, desde 1944, treina cerca de 400 oficiais por ano.

    O presidente não veio sozinho. No palco, há meia dúzia de seus ministros: todos militares, generais e capitães, todos "ex" Agulhas Negras. Diante dos cadetes, o presidente nomeia cada um deles, exalta suas qualidades. É como a apresentação dos membros de uma grande família, finalmente reunida no topo do Estado.

    Desde o final da ditadura em 1985, os militares nunca estiveram tão presentes no governo. Ao ponto da mídia do país caracterizar o eixo monumental de Brasília, onde estão localizados o Palácio Presidencial do Planalto e os vários ministérios como "esplanada verde-oliva", a cor das Forças Armadas brasileiras.

    Ministérios nas mãos dos militares

    Além do capitão Bolsonaro e do Vice-presidente, general Hamilton Mourão, os militares dirigem vários ministérios: os da Defesa, das Minas e da Energia, da Infraestrutura, Ciência e Comunicação e do Controle Geral das Contas da União (CGU). Eles também exercem as funções de chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI, encarregado de assuntos de segurança e inteligência) e da Casa Civil, diretamente subordinados ao presidente e que têm o cargo de ministro.

    O Exército, também reforçou sua presença em todos os níveis do governo. Segundo relatos da imprensa, pelo menos 2.500 militares estariam trabalhando em seções ministeriais, como conselheiros ou secretários. O Ministério do Meio Ambiente, que empregava um militar antes da chegada da extrema direita, conta hoje com doze. Oficiais também foram nomeados para presidir vários órgãos públicos, tais como os Correios, serviços hospitalares ou o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE, responsável pelo monitoramento do desmatamento na Amazônia).

    A grande âncora do meu governo são as forças armadas”, assumiu Jair Bolsonaro, cercado por oficiais, durante discurso no Clube Naval de Brasília, em dezembro de 2019. Nesses tempos de cortes no orçamento, o Ministério da Defesa foi privilegiado: suas despesas aumentaram em 10,9% no ano de 2019. O exército é chamado para todas as circunstâncias: para apagar os incêndios na Amazônia durante a Operação Verde Brasil, no verão de 2019; restaurar a ordem no  Estado do Ceará, onde a criminalidade explodiu em fevereiro; para apoiar os funcionários da Previdência Social, sobrecarregados pelo afluxo de dossiês no início do ano. E, claro, hoje, para combater a pandemia do coronavírus.
    "Estamos assistindo à militarização do Estado brasileiro", resume sob anonimato   um ex-oficial do Estado-Maior preocupado, relembrando que "isso começou antes de Bolsonaro". O Presidente Michel Temer (2016-2018) já havia apoiado seu poder nas forças armadas, confiando pela primeira vez o Ministério da Defesa a um general e aumentando o orçamento deste ministério em 21%. No final de seu mandato, ele também havia oferecido o comando da segurança do Rio de Janeiro aos militares.

    "Barrar o socialismo"

    Quem são esses militares chamados à frente por Jair Bolsonaro, encarregados, nas palavras do presidente, de “barrar o socialismo”? Esses ministros-soldados, reúnem todas as forças (terra, ar, mar), todas as fileiras do exército (generais, tenentes, capitães, almirantes etc.), todas as situações (ativos, reservistas, aposentados), oriundos de todas as regiões (cariocas, paulistas, gaúchos do sul, mineiros do interior ...). Um verdadeiro “exército mexicano”.

    Na realidade, o núcleo duro é formado por alguns generais quatro estrelas do exército, na faixa dos 60, graduados pelas Agulhas Negras entre 1975 e 1978, à imagem de Jair Bolsonaro (promoção de 1977). Nesse muito seleto "quartel", encontram-se, entre outros, o Vice-presidente Hamilton Mourão, o Ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, o Chefe da Casa Civil (equivalente ao primeiro-ministro), Walter Souza Braga Netto, ou mesmo o discretíssimo Edson Leal Pujol, atualmente Comandante das Forças Armadas.

    "Esta é uma geração muito especial", insiste Maud Chirio, historiadora e autora de “La Politique en Uniforme” e de “L´expérience brésilienne, 1960-1980”. Ela foi treinada na Academia durante o período mais duro da ditadura para combater os "vermelhos", para levar à frente a guerra contra o comunismo. Seus instrutores eram os oficiais que participaram da repressão e da tortura nos anos de chumbo. Mas, fora das Agulhas Negras, o país se democratiza. Não há mais guerra, mais ninguém para reprimir. Eles têm o sentimento de terem perdido o trem da história, de terem deixado passar “sua” grande guerra”.

    "Os oficiais que partiram ao Haiti em missão da ONU, se vêm como uma elite muito superior aos políticos corruptos e ineficazes"

    Frustrados, esses oficiais foram buscar a glória longe do Brasil. No Haiti, precisamente. De 2004 a 2017, o Brasil comandou a missão das Nações Unidas para a estabilização do país (Minustah), da qual participaram 35.000 de seus soldados. "Esses oficiais que foram ao exterior se consideram uma elite pacificadora, muito superior aos" políticos "corruptos e ineficazes. Então, quando o Brasil afundou na crise, alguns disseram a si mesmos: "Se eu ajudei o Haiti, por que não meu país?"”, analisa Christoph Harig, pesquisador da Universidade Helmut Schmidt, Hamburgo. De fato, cinco dos onze comandantes da “turma” presente no Haiti ocupam - ou ocuparam - uma posição dentro do regime bolsonarista.
    Por que esses generais orgulhosos se juntaram ao "pequeno" capitão Bolsonaro? De fato, este último foi durante muito tempo desprezado por seus superiores. Designado para vários postos de artilharia, depois integrando os paraquedistas do Rio, Bolsonaro seguiu uma carreira militar medíocre. Apelidado de Cavalão por seus pares, o cadete 531 tornou-se capitão, distinguindo-se mais pelas suas performances no pentatlo ou no mergulho (3'42 em apnéia), do que por seu gênio militar.
    Em setembro de 1986, ele se torna até mesmo “a encarnação do mau exemplo”, lembra um oficial. Frustrado com a democratização e a perda de privilégios militares, o capitão se distingue ao publicar um artigo na revista Veja. Sob o título “Os salários são baixos” e uma foto em que ele posa, boina vermelha e aparência severa, Bolsonaro protesta contra a magreza dos salários, provocando a fúria dos generais. O “amotinado” é punido com uma sanção disciplinar de quinze dias de prisão.
    A ruptura é consumida um ano depois. Ainda a Veja alega, em outubro de 1987, que Bolsonaro teria sido o coautor de um plano chamado “Beco sem saída”, que planejaria detonar bombas em vários quartéis e academias. O interessado nega, mas é condenado por um tribunal militar. Absolvido um ano depois, ele deixa a ativa e passa para a reserva, evitando assim a desonra da exclusão.

    Bolsonaro, o "capitão da bomba"

    Seu caminho é a política”, aconselha um coronel, que acerta na mosca. Eleito como vereador em 1988, depois deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1990, o “capitão da bomba” pouco a pouco se impõe como a voz do “baixo clero” militar: soldados, sargentos e cabos. Ele ganha popularidade nas barracas dos quartéis, mas sofre aborrecimentos e humilhações no andar de cima, o dos oficiais. Durante anos, ele foi banido de academias, quartéis e até das praias reservadas aos oficiais. “Os generais nunca gostaram de meu pai”, repete frequentemente Carlos, um dos seus filhos.
    Sua reconciliação com o Estado-Maior deverá esperar até 2011 e a criação, sob a presidência de Dilma Rousseff (Partido dos Trabalhadores, PT, à esquerda), da Comissão Nacional da Verdade, responsável pela investigação dos crimes da ditadura. “Para nós, foi uma ruptura, um golpe sério e simbólico. Essa comissão era como uma caça às bruxas, uma "bolivarização" dos exércitos. Isso destruiu nosso relacionamento com o PT", relembra o general Sergio Westphalen Etchegoyen, 68, um sólido gaúcho do sul e ex-Comandante do Estado-Maior do Exército. "Então, sim, quando a essência da nossa profissão é atingida, reagimos", continua ele.
    Bolsonaro, sentindo os ânimos dos quatro estrelas se exaltarem, torna-se o campeão do campo “anti-Comissão”. Em uma profusão de intervenções sobre o assunto, ele evoca os "vinte anos de glória" da ditadura, durante os quais o povo "gozava de plena liberdade e dos direitos humanos" e não hesita em prestar homenagem ao "herói nacional” da época, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais torturadores do regime.

    Em sua ascensão política, o capitão recebe o apoio discreto de oficiais de alta patente do Estado-Maior, mas também do Clube Militar do Rio - uma associação muito conservadora de oficiais. O general Eduardo Villas Bôas, Comandante do Exército, se opôs no Twitter, em abril de 2018, a uma possível libertação do Ex-Presidente Lula, então preso, principal oponente de Bolsonaro na eleição presidencial que estava por vir. Uma incursão sem precedentes na política para um oficial de alto escalão, conhecido, até então, por sua moderação.

    Grande reconciliação com os oficiais de alta patente

    Os grandes generais do Haiti viram em Bolsonaro uma oportunidade de expulsar o PT do poder e salvaguardar seus interesses”, resume um oficial da ativa, profundo conhecedor das elites militares. Nesta grande reconciliação, um homem desempenha papel essencial: o general Augusto Heleno, agora braço direito de Bolsonaro e chefe influente do Gabinete de Segurança Institucional, responsável principalmente pela coordenação das atividades de inteligência.

    Aos 72 anos de idade, cabelos brancos perfeitamente penteados, este homem é uma lenda nas forças armadas brasileiras. Esportista emérito, sempre primeiro da turma em três escolas emblemáticas do exército, esse general também foi o primeiro comandante da missão da ONU no Haiti. Mais velho e mais radical do que seus colegas do governo, esse defensor da "linha dura" repressiva sob a ditadura, nunca escondeu suas convicções de extrema direita. Seu encontro com Bolsonaro vem da década de 70, nas Agulhas Negras, onde ele era instrutor. Por serem ambos irritadiços, esportistas e anticomunistas primários, se dão maravilhosamente bem e mantêm um forte vínculo.

    O general Heleno é um dos primeiros a quem Bolsonaro confia seus sonhos de chegar ao poder em um almoço em 2016. "Você acha que sou louco?” Teria ele perguntado ao general, diante de um prato de camarão. Muito pelo contrário! O quatro estrelas se torna seu principal apoio e monta um "comando" de três generais para apoiá-lo em sua campanha. "A ideia era estar com pessoas em quem você confiasse", disse o general Alessio Ribeiro Souto, 71 anos, ativista de uma escola "antissocialista" e membro do "comando" que, todas as quartas-feiras de janeiro de 2018 , reúne-se no último andar de um triplex ao norte de Brasília. “Era muito informal. Conversávamos até o meio dia, apresentávamos ao candidato assuntos de infraestrutura, educação, de desenvolvimento e às vezes de economia”, relembra.

    Em outubro de 2018, quando Bolsonaro ganha a eleição, os generais se apropriam dos quinhões da vitória, colocam seus homens, impõem seu ritmo. Nacionalistas altivos e ciosos da imagem de seu país, os militares também se esforçam para moderar seu presidente, obrigado, por exemplo, a desistir de intervir militarmente na Venezuela ou a receber uma base americana em solo brasileiro.

    Olavo de Carvalho, ex-astrólogo que mora nos Estados Unidos e alega que a Terra seja plana, é o guru da ala ideológica do governo Bolsonaro

    Eles, no entanto, encontrarão um forte adversário na pessoa de Olavo de Carvalho. Este ex-astrólogo de 72 anos, residente nos Estados Unidos, que suspeita que a Terra seja plana e julga o cigarro bom para a saúde, é o guru da ala ideológica do governo Bolsonaro, representada, entre outros, pelos filhos do Presidente e pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araujo. Olavo abomina os militares.

    Entre os "Oliva" e os "olavistas", a guerra é declarada. Em 2019, no Twitter, o guru zomba do Vice-presidente geral Mourão por ter "cabelos tingidos e uma voz hipócrita", além de uma "mentalidade golpista" e uma "vaidade monstruosa". Os oficiais não hesitam em contratacar esse "Trotsky de direita". "Os olavistas são um grupo fanático que pensa apenas em criar tumulto: o oposto do pragmatismo militar. São inúteis, meros fantoches", vitupera Paulo Chagas, um general de 70 anos com um bigode elegante, francófilo e apaixonado por cavalaria (ele estudou na escola Saumur), que apoia o presidente.
    Bolsonaro faz mea-culpa, recusando-se a arbitrar, mas acaba se irritando com a tutela dos generais. Até o confronto na primavera de 2019: o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, então poderoso secretário geral do governo, provocou a ira de Olavo de Carvalho, que o chamou de "merda" e "bosta engomada". No calor de uma intensa campanha de difamação online lançada pelos filhos do presidente e abandonado por Jair Bolsonaro, o general deixa o governo.

    O evento é mal digerido pelos "Oliva", porque Santos Cruz não é qualquer um. Ele comandou a Minustah do Haiti, mas também a Missão das Nações Unidas no Congo (Monusco), com 23.000 soldados da paz, onde quase deixou a vida. Na esteira de sua partida, outros seis militares renunciam ao governo ou são demitidos, como os generais Franklimberg de Freitas, presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) e Maynard Marques de Santa Rosa, secretário de assuntos estratégicos.

    "Esses oficiais esperavam subjugar Bolsonaro e fracassaram. Ele escapa ao seu controle e lhes mostra não ser seu subalterno."

    O medo mudou de lado e a hierarquia se inverteu. Bolsonaro, presidente e chefe dos exércitos, “não aceitava mais ser um capitão no meio de generais”, explica a jornalista Thais Oyama em seu livro Tormenta, história do poder brasileiro em 2019. Batendo de frente com a posição dos generais, Bolsonaro aprovou, por exemplo, o assassinato, pelo exército americano, do general iraniano Qassem Soleimani e apoiou o plano de paz de Donald Trump para o conflito israelo-palestino, sem contar que continua negando a gravidade do coronavírus. “Esses oficiais esperavam subjugar Bolsonaro e fracassaram. Ele escapa ao seu controle. Bolsonaro mostrou a eles que não era subalterno e que mesmo os mais brilhantes generais brasileiros poderiam ser demitidos”, acrescenta João Roberto Martins Filho, especialista em assuntos do exército.
    É certo que desde então os militares obtiveram novos cargos no governo, como a Casa Civil, em fevereiro, e Bolsonaro continua muito popular entre a base da instituição. Mas na elite, algo se quebrou. "Entre amigos generais, achamos que ele deveria se controlar, morder a língua antes de falar", diz o general Paulo Chagas. "Bolsonaro não é mais um militar há muito tempo. Ele já passou dois terços da sua vida na política. O que ele busca é poder", confessa seu companheiro quatro estrelas, Sergio Etchegoyen.
    O exército poderia abandonar Bolsonaro? Existiria para ele uma "linha vermelha"? “Os militares começaram a retornar ao poder antes de Bolsonaro. Eles não fizeram tudo isso para sair tão rápido. Se Bolsonaro for longe demais, é ele quem terá que sair”, afirma um oficial, ex-membro do Estado-Maior, hostil à politização do exército. “Corre o risco de impactar nosso relacionamento com a população. Perderemos nossa credibilidade, nossa imparcialidade, seremos responsáveis ​​pelo desastre deste governo. A política não é o nosso campo de batalha”.

    Fonte: https://www.brasil247.com/mundo/no-brasil-o-presidente-os-militares-e-o-astrologo

    segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

    Damares desrespeita a Constituição e diz que PMs têm direito de fazer greve


    Participando em evento da ONU em Genebra (Suíça), a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos declarou que os policiais militares têm o direito de fazer greve, o que é expressamente proibido pela Constituição

    24 de fevereiro de 2020, 10:52 h Atualizado em 24 de fevereiro de 2020, 16:19

    (Foto: ABr | Reprodução)


    247 - Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, depois de discursar no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta segunda-feira (24), em Genebra, a ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) disse que os policiais militares têm direito a fazer greve.

    "Todo mundo tem direito à greve. As categorias têm direito à greve", insistiu. "O que eu percebi é que os policiais no Ceará estão no limite", afirmou Damares ao jornalista.

    Mas a Constituição proíbe greve de policiais militares e o STF  (Supremo Tribunal Federal), em decisão de 2017, estendeu o veto a agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e Corpo de Bombeiros.

    "Só que o direito à greve também respeite o direito à vida, o direito à proteção, o direito de ir e vir. Só isso que estou querendo que eles [PMs amotinados no Ceará] observem", acrescentou Damares.

    Ao ser questionada novamente sobre o direito de policiais fazerem greve, a ministra respondeu: "Nós temos leis que regulam a greve no Brasil. Agora, as pessoas questionam, mas as forças de segurança têm direito à greve? Direito à greve é direito à greve", insistiu.

    Mais tarde, ela respondeu à reportagem pelo Twitter, postando frases genéricas e reforçando o que já havia dito a Jamil Chade. "Defendendo motim? Eu? Quanta mentira. Defendo o direito de ir e vir da população. O direito à segurança. A não violência contra policiais. E o direito de trabalhadores de reivindicar em melhores salários. Frases soltas não resumem meus posicionamentos", postou.

    Damares Alves

    @DamaresAlves

    Defendendo motim? Eu? Quanta mentira.
    Defendo o direito de ir e vir da população. O direito à segurança.
    A não violência contra policiais.
    E o direito de trabalhadores de reivindicar em melhores salários.
    Frases soltas não resumem meus posicionamentos.

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    14:16 - 24 de fev de 2020 · Geneva, Switzerland

    sábado, 22 de fevereiro de 2020

    Por que as elites brasileiras odeiam Lula?


    Para elas o mais importante não é, exatamente, o dinheiro. O mais importante é a distinção

    por Jornalistas Livres 1 abril, 2018

    Artigo de Rodrigo Perez Oliveira, professor de Teoria da História da UFBA, com foto de Guilherme Santos/Sul21

    Nada diz mais sobre o Brasil, sobre o que somos há muito tempo, que a caravana de Lula pelo sul do país. Em terras sulistas, por onde Lula passou foi hostilizado pela classe proprietária, pela elite da terra.

    Não!
    Chamar de “hostilidade” é pouco.

    O que aconteceu na etapa sulista da caravana “Lula pelo Brasil” foi uma sucessão de atentados contra a vida de Lula e de seus correligionários políticos. Começou com chicotadas, agressões e pedradas e chegou, no último dia 27 de março, a tiros de arma de fogo.

    Não foi ovo, não foi cocô. Foi tiro. Tiro de arma de fogo.

    Como entender essa escalada de violência na política Brasileira?

    Muitos falam em “fascismo”, termo que tem notória força política e que por isso seu uso no debate público talvez tenha lá alguma importância.

    Mas estou convencido de que se quisermos fazer uma interpretação mais rigorosa da realidade, o termo é equivocado, pois mais confunde do que esclarece. Definir como “fascista” a escalada da violência na política brasileira demandaria tantos reparos e observações para mostrar como o “fascismo brasileiro” é diferente daquele “fascismo clássico” europeu de meados do século XX que o próprio conceito perderia força explicativa.

    Por isso, prefiro seguir uma via interpretativa doméstica, tomando as manifestações de violência contra a caravana de Lula no sul do Brasil como representativas daquilo que o Brasil é, do que sempre foi.

    É este o meu esforço neste ensaio: tomo a violência contra a caravana de Lula como ponto de partida para uma interpretação do Brasil.

    Começo, então, com a pergunta que não quer calar, com a pergunta que, talvez, seja a mais importante de ser feita no atual momento da história do Brasil:

    Por que as elites brasileiras odeiam Lula?

    Nem de longe Lula foi um Presidente revolucionário, nem de longe relou no “sagrado” direito de propriedade privava. As elites brasileiras não perderam dinheiro nos governos de Lula. Muito pelo contrário, nunca ganharam tanto.

    De onde vem todo esse ódio?

    Não penso que seja necessária a importação de um conceito específico da história europeia para a compreensão de uma realidade que é tão brasileira quanto a jabuticaba. Não é fascismo não, não tem nada a ver com fascismo.

    O fascismo é moderno, é o desdobramento mais grotesco da modernidade.

    O ódio a Lula é arcaico, deita suas raízes nos velhos valores aristocráticos, pré-modernos, na lógica da Casa Grande, em uma racionalidade de tipo antigo.

    Não é fascismo não. É o Brasil mesmo.

    Sei que é difícil reconhecer, mas no fundo, bem no fundinho, é só o velho Brasil de sempre. Em pouco mais de uma década de bonança, nos enganamos, fomos ingênuos, achando que o Brasil estava mudando, melhorando. Mudou não. Melhorou não. Tá igualzinho ao que sempre foi.

    Não há como falar nessa atualização do “Brasil de sempre” sem dedicar alguma atenção à “instituição Lula”.

    Pois sim, o “homem Lula” já morreu e deu lugar a uma instituição.

    Lula é a maior instituição política da história do Brasil. É tolo quem acha que uma instituição pode ser morta com uma bala ou com uma facada. Todos os brasileiros e brasileiras terão que conviver com a “instituição Lula” daqui para frente. Ninguém mais faz política no Brasil sem passar por Lula, seja para negá-lo ou para reivindicar o seu legado.

    Mas o que significa essa instituição?

    Há pouco tempo, escrevi um ensaio sugerindo que no final da década de 1990 aconteceu dentro do PT a “guinada lulista”, que teve efeitos contraditórios para o maior partido político da história da esquerda latino-americana: o lulismo, ao mesmo tempo em que catapultou o PT à chefia do Poder Executivo, representou o seu colapso ideológico.

    É que o lulismo aposta na conciliação de classes e ao fazê-lo acaba negando o princípio da luta de classes, que é o núcleo da identidade ideológica de qualquer partido que pretenda estar à esquerda.

    O lulismo achou que era possível “ajudar os pobres sem incomodar os de cima’, na certeira formulação de Marcelo Odebrecht.

    No frigir dos ovos, essa conciliação seria mesmo possível.
    Com algum sacrifício da classe média e com uma situação econômica relativamente favorável, seria possível distribuir renda para os mais pobres sem contrariar os interesses dos grandes capitalistas.

    Dinheiro no bolso do povão, expansão do crédito, incentivo ao consumo, bancarização das relações comerciais, investimento na exportação de commodities. Todo mundo saiu ganhando, ainda que uns tenham ganhado mais que outros.

    Com o boom do consumo, ganhou o capital produtivo.

    Com a bancarização das relações comerciais, ganhou o rentismo.

    Com o micro-crédito, ganhou o pobre, que comprou geladeira, TV de plasma e viajou de avião pra lá e pra cá.

    A fórmula funcionou durante dez anos. O fator “Dilma Rousseff” foi o principal elemento de desestabilização do sistema. Não foi o único elemento, é claro que não. Mas foi o principal.

    É que Dilma tensionou demais.

    Dilma tensionou com o rentismo na batalha dos spreads, tensionou com a classe política, quando acreditou que a “Operação Lava Jato” seria de fato republicana.

    O golpe de 2016 não foi exatamente contra o lulismo. Foi contra o dilmismo.

    Duvido que Lula cairia, duvido muito. Mas não é disso que quero falar, não aqui, não agora.

    O que estou querendo dizer é que pela lógica racional do mercado, do capitalismo, não há nenhum motivo para as elites brasileiras odiarem Lula.

    Os donos de terra do sul do Brasil receberam muito dinheiro do governo federal durante a Era Lula, pois a exportação das commodities era o grande combustível econômico da conciliação lulista. Era importante para o governo que os proprietários produzissem, vendessem, ganhassem dinheiro.
    Lula tratou o agronegócio com muito carinho, com muito carinho mesmo.

    De onde vem esse ódio? Por que os proprietários sulistas tentaram matar Lula? É por causa da corrupção?

    Não, não tem nada a ver com corrupção. Há outros políticos notoriamente corruptos que não despertam o mesmo ódio. Nunca é demais lembrar que os mesmos que hoje odeiam Lula aplaudiram Eduardo Cunha e votaram em Aécio Neves. O problema dessas pessoas nunca foi a corrupção.

    O ódio é arcaico, é de tipo antigo.

    Lula é o nordestino, trabalhador manual, homem de berço plebeu que ousou governar.

    Num país em que a política formal sempre foi assunto a ser tratado entre iguais, entre oligarcas, Lula representa o radicalismo, ainda que na posição de mandatário maior da República tenha sido bem tímido, talvez até um tanto conservador.

    É que o radicalismo de Lula independe de suas ações. Lula é o próprio radicalismo, é o radicalismo em pessoa, não importa o que faça, não importa o que deixe de fazer, não importa o quanto tente conciliar.

    Com aquela “alma de pobre”, com aquelas escorregadelas nas concordâncias e nos plurais, Lula jamais conseguirá conciliar por muito tempo, pois para conciliar carece antes de ser aceito como mediador. Precisa sentar à mesa.

    O aristocrata não aceita sentar à mesa com o plebeu.

    As elites brasileiras têm nojo de Lula, sempre tiveram. Mesmo ganhando dinheiro durante o governo Lula, elas continuaram sentindo nojo, odiando. É que para as elites brasileiras o mais importante não é, exatamente, o dinheiro. O mais importante é a distinção.

    Não importa se o aquecimento do consumo é positivo para a cadeia produtiva. Quando a empregada usa o mesmo perfume que a patroa, quando o filho do porteiro começa a estudar na universidade, é o regime da distinção que está sendo abalado.

    Patroa e empregada, sinhá e mucama, não podem ter o mesmo cheiro. Não importa se a empregada “tirou” o tal perfume no cartão de crédito, pra pagar em 12 suaves prestações. Não importa se a empregada, depois da jornada de trabalho, vai sacolejar duas horas no trem e no ônibus para chegar em casa, no outro lado da cidade.
    O que importa é o cheiro, é o signo de distinção.

    Não importa se o morador do 10° andar vai passear em Paris nas férias, enquanto o porteiro vai visitar “mainha” em Santo Amaro. O que importa mesmo é que quando começar o semestre, o filho do porteiro estará lá, na mesma sala que filho do morador do 10° andar. Olhando de longe, bem de longe, eles são iguais, são estudantes. O absurdo está aqui. O ódio vem daqui.

    É isso: não tem nada a ver com fascismo. O que explica a escalada de violência na política brasileira é o ódio de uma elite arcaica que goza com a distinção.

    Não é fascismo. O fascismo é a tragédia da Europa moderna. Nossa tragédia é outra.

    É a tragédia de uma sociedade de modernização incompleta, forjada no escravismo e controlada por uma elite historicamente comprometida com o atraso.

    Fonte: https://jornalistaslivres.org/por-que-as-elites-brasileiras-odeiam-lula/

    quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

    Misoginia de Bolsonaro leva parlamentares à PGR pelo crime de quebra de decoro


    Foto: Carlos Roberto-Secom-PGR

    O Brasil assiste estupefato a mais um espetáculo de horrores protagonizado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Insulto, agressão, calunia e difamação contra a jornalista Patrícia de Campos Mello estão cunhados na fala proferida por Bolsonaro na terça-feira (18), e que levaram parlamentares da Câmara e do Senado a ingressarem na tarde desta quarta-feira (19), com uma representação junto à Procuradoria-Geral da República pelo crime de quebra de decoro por parte do presidente Bolsonaro.

    “Olha a jornalista da Folha de S.Paulo… Tem mais um vídeo dela aí. Não vou falar aqui porque tem senhoras aqui do lado. Ela falando: ‘Eu sou (…) do PT’, certo? O depoimento do Hans River foi final de 2018 para o Ministério Público, ele diz do assédio da jornalista em cima dele. (…) Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim [risos dele e dos demais]”, consta na representação, essa fala de Jair Bolsonaro que caracteriza a quebra de decoro do presidente.

    A manifestação machista e misógina causou indignação e preocupação do Congresso Nacional representados nas 74 assinaturas que consignam a representação na PGR.

    A deputada Natália Bonavides (PT-RN), uma das signatárias da ação, disse que assinou a representação por considerar dois fatos “gravíssimos” na fala do presidente. Um deles é o ataque às mulheres. “Quando a autoridade máxima da República trata com desprezo uma mulher, essa autoridade está legitimando uma violência que acontece a cada dia dentro de casa, no transporte público, no ambiente de trabalho, enfim, em tantos ambientes nos quais nós mulheres passamos por violência”, disse indignada a deputada.

    Liberdade de imprensa

    Outro ponto grave considerado pela parlamentar é o ataque contra a liberdade de imprensa, contra a democracia. “Gostaria de reforçar o símbolo negativo que isso representou no ataque à imprensa. A democracia não avisa quando está morrendo. Está acontecendo hoje no Brasil uma escalada autoritária e uma das faces dessa escalada autoritária é forma desrespeitosa e violenta com a qual o presidente Bolsonaro trata os jornalistas. Diante de tudo isso, não podíamos nos omitir”, afirmou.

    Esse encaminhamento institucional, continuou Natália, vai além da denúncia política, ela exige uma resposta da PGR “para que tome providências, para que apure se essa fala do presidente vai ser normalizada, se as instituições vão assistir omissas e caladas a essa escalada do autoritarismo no Brasil”.

    Fonte: https://ptnacamara.org.br/portal/2020/02/19/misoginia-de-bolsonaro-leva-parlamentares-a-pgr-pelo-crime-de-quebra-de-decoro-contra-jornalista-da-folha/

    quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

    Lula: ataques ao PT foram parte de uma guerra contra os mais pobres


    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a diminuição do número de beneficiários do programa Bolsa Família. Em julho de 2017, 12,7 milhões de famílias foram atendidas pelo programa. Foi o menor índice dos últimos oito anos. "Os ataques contra o PT tinham esse objetivo: tirar os direitos dos trabalhadores e acabar com a proteção aos mais pobres", afirmou o ex-presidente no Twitter

    19 de fevereiro de 2020, 11:29 h

    (Foto: Ricardo Stuckert | PR | ABr)

    247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a diminuição do número de beneficiários do programa Bolsa Família. Em julho de 2017, 12,7 milhões de famílias foram atendidas pelo programa. Foi o menor índice dos últimos oito anos. O ano de 2019 teve a segunda menor quantidade de beneficiários em 8 anos: 13,1 milhões de famílias em novembro, de acordo com o Ministério da Cidadania. Em dezembro, o número foi o mesmo. Em janeiro subiu para 13,2 milhões de famílias atendidas, com benefício médio de R$ 191.

    "Os ataques contra o PT tinham esse objetivo: tirar os direitos dos trabalhadores e acabar com a proteção aos mais pobres", afirmou o ex-presidente no Twitter.

    Criado em 2003, o programa atende famílias com filhos de até 17 anos em condições de pobreza - renda entre R$ 89,01 e R$ 178, e extrema pobreza, com renda de até R$ 89.

    No governo Jair Bolsonaro, a fila de brasileiros que esperam para receber dinheiro do programa Bolsa Família chega a 3,5 milhões de pessoas, o que representa 1,5 milhão de famílias de baixa renda, de acordo com matéria de Vinícius Valfré e Adriana Fernandes, do jornal O Estado de S.Paulo.

    Lula

    @LulaOficial

    Os ataques contra o PT tinham esse objetivo: tirar os direitos dos trabalhadores e acabar com a proteção aos mais pobres. https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/02/19/cortes-no-bolsa-familia-impulsionam-aumento-da-extrema-pobreza-no-brasil.htm …

    Cortes no Bolsa Família impulsionam aumento da extrema pobreza no Brasil

    Em cinco anos, o Bolsa Família —programa de transferência de renda criado em 2003 e ...

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    10:29 - 19 de fev de 2020

    terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

    "Educação e o respeito não chegaram à cabeça do Bolsonaro”, afirma Lula


    “É um comportamento cotidiano dele ofender as pessoas, achincalhar as pessoas, lamentavelmente, me parece que a democracia não chegou à cabeça das pessoas. Me parece que a educação e o respeito não chegaram à cabeça do presidente Bolsonaro”, afirmou Lula, sobre o ataque desferido contra a jornalista Patrícia Campos Mello

    18 de fevereiro de 2020, 18:36 h Atualizado em 18 de fevereiro de 2020, 18:43

    (Foto: Felipe Gonçalves/247 | ABr)

     

    247 - O ex-presidente Lula classificou como "lamentável" os ataques de Jair Bolsonaro contra a jornalista Patrícia Campos Mello. Lula disse que 'a democracia não chegou à cabeça' de Bolsonaro e que ele deveria ter “bons modos” e parar de ofender cotidianamente as pessoas.

    “É um comportamento cotidiano dele ofender as pessoas, achincalhar as pessoas, lamentavelmente, me parece que a democracia não chegou à cabeça das pessoas. Me parece que a educação e o respeito não chegaram à cabeça do presidente Bolsonaro”, afirmou o ex-presidente, após reunião com parlamentares do PT em Brasília.

    “Eu penso que está na hora de ele aprender bons modos. Educação é uma coisa que faz bem para todo mundo”, completou.

    Assista:

    Esse comportamento do Bolsonaro já virou cotidiano dele. Ofender e achincalhar as pessoas. Lamentavelmente me parece que a educação e o respeito não chegaram à cabeça do presidente. Já deu a hora dele aprender bons modos. Educação faz bem pra todo mundo. pic.twitter.com/F7JIFJwjxk

    — Lula (@LulaOficial) February 18, 2020

    Fonte: https://www.brasil247.com/poder/educacao-e-o-respeito-nao-chegaram-a-cabeca-do-bolsonaro-afirma-lula

    domingo, 16 de fevereiro de 2020

    Sob gritos de “Fora”, Bolsonaro sai escoltado por seguranças de jogo Flamengo x Athletico-PR


    Um vídeo circula nas redes sociais mostra Jair Bolsonaro saindo sob escolta de seguranças aos gritos de “Fora Bolsonaro!”. Informações não confirmadas dão conta de que se trata da saída de Bolsonaro do estádio Mané Garrincha, onde foi assistir o jogo entre Flamengo e Atlhetico-PR

    16 de fevereiro de 2020, 18:28 h

    (Foto: Carolina Antunes/PR)

    247 - Um vídeo que circula nas redes sociais mostra Jair Bolsonaro sendo hostilizado por populares. De acordo com informações não confirmadas, o vídeo teria sido gravado neste domingo (16), na saída de Bolsonaro do estádio Mané Garrincha, em Brasília, onde foi assistir o jogo entre Flamengo e Atlhetico-PR, partida da Supercopa do Brasil.

    Aos gritos de “Fora Bolsonaro!”, o presidente precisou ser escoltado por seguranças e saiu rapidamente do estádio. O ex-capitão estava acompanhado dos ministros Sergio Moro, Augusto Heleno, Damares Alves e Tarcísio de Freitas.

    Na torcida do Flamengo, foi erguida uma faixa com o rosto da vereadora assassinada do Rio de Janeiro, Marielle Franco, e os dizeres “Flamengo Antifascista”, em protesto contra a presença do presidente no estádio.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/sob-gritos-de-fora-bolsonaro-sai-escoltado-por-segurancas-de-jogo-flamengo-x-athletico-pr

    quinta-feira, 21 de novembro de 2019

    Emocionado, Lula conta como lutou para dominar o ódio dentro da prisão


    “Todos nós temos um segredo. E quando você está preso e tem que dominar o seu ódio, pra mim tudo se resumia em dizer: o povo está mais fodido que eu”, disse Lula, chorando em seguida, durante reunião do Diretório Nacional do PT em São Paulo, onde foi lançado o livro Lula e a Espiritualidade, da Editora 247

    21 de novembro de 2019, 15:59 h Atualizado em 21 de novembro de 2019, 16:06


  • 247 - O ex-presidente Lula se emocionou nesta quinta-feira 21 ao discursar durante reunião do Diretório Nacional do PT em São Paulo, onde também aconteceu o Seminário das Mulheres do PT e o lançamento do livro Lula e a Espiritualidade, uma parceria da Editora 247 com a Editora Kotter.

    “Todos nós temos um segredo. E quando você está preso e tem que dominar o seu ódio, pra mim tudo se resumia em dizer: o povo está mais fodido que eu”, disse Lula, chorando em seguida.

    “Toda vez que eu ficava pensando que ia ter um desespero, eu lembrava que mesmo estando preso, eu vivia melhor que uns 70% do povo brasileiro. Eu comia, almoçava, jantava. Tomava um café de boa qualidade. O meu alívio era esse: eu estou melhor que o povo. O povo tá fodido e esse governo tá acabando com o povo. Eu tô numa cama apertada, mas é melhor do que a que o povo tá dormindo, como uma marmitinha melhor do que a que o povo tá comendo. E isso me alimentava. E eu acho que eu saí um homem melhor”, completou.

    Ele discursou ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-prefeito Fernando Haddad, entre outras lideranças do partido. O jornalista Mauro Lopes, editor do 247, também participou da mesa.

    O livro Lula e a Espiritualidade reúne uma antologia de artigos de líderes religiosos, como Frei Betto, Leonardo Boff, Monja Cohen, entre outros - alguns que chegaram a visitar Lula na prisão - sobre a relação do ex-presidente com a meditação, a oração e a militância. Leia mais sobre os lançamentos.

    Fonte: https://www.brasil247.com/poder/emocionado-lula-conta-como-lutou-para-dominar-o-odio-dentro-da-prisao

    segunda-feira, 29 de julho de 2019

    Bolsonaro agride presidente da OAB e diz saber como seu pai foi assassinado na ditadura


    Jair Bolsonaro fez um ataque inimaginável ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, que teve seu pai assassinado pela ditadura militar. Bolsonaro disse saber como ele foi assassinado e praticamente defendeu sua execução, fazendo apologia de um crime cometido pelo estado brasileiro; com sua declaração, ele sinalizou, mais uma vez, que está disposto a implantar uma ditadura fascista no Brasil

    29 de julho de 2019, 11:50 h Atualizado em 29 de julho de 2019, 12:0 (Foto: PR | ABr | Divulgação)

    247 - O presidente Jair Bolsonaro atacou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, pela atuação na investigação do caso de Adélio Bispo, autor do ferimento a faca que sofreu no período eleitoral, e disse que, “se a OAB quiser”, pode explicar como “o pai dele desapareceu no período militar”.

    "Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB? Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro", afirmou Bolsonaro.

    O presidente da OAB é filho de Felipe é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido após ter sido preso no Rio de Janeiro por agentes da ditadura, em fevereiro de 1974. Segundo documentos da Comissão da Verdade, que investiga os crimes da ditadura, não há registros de que Fernando tenha participado de luta armada contra o regime, ao contrário do afirmado por Bolsonaro.

    Sobre o caso de Adélio, Bolsonaro disse que “ele se deu mal. Eu não recorri porque se recorresse ele seria julgado não por homicídio, mas tentativa de homicídio, em um ano e meio ou dois estaria na rua. Como não recorri, agora é maluco o resto da vida. Vai ficar num manicômio judicial, é uma prisão perpétua. Já fiquei sabendo que está aloprando por lá. Abre a boca, pô", disse.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/bolsonaro-ataca-presidente-da-oab-e-diz-saber-como-seu-pai-foi-assassinado-na-ditadura

    quinta-feira, 25 de julho de 2019

    Bolsonaro volta a atacar o Nordeste e os nordestinos: “Massa de manobra da esquerda”


    Bolsonaro não se emenda. Disse ele ao Broadcast Político:

    “Alguém acha que eu falei mal do povo nordestino quando eu cochichei no ouvido do deputado uma questão do Maranhão e da Paraíba? Agora está uma briga, estive na Bahia e fui muito questionado pelo povo dizendo que não é verdade que o pior governador do Nordeste é o do Maranhão. Uns dizem que é da Bahia, do Ceará, Paraíba, do Piauí. Está uma briga terrível. Queremos libertar o Nordeste desse julgo. Parece que são massa de manobra da esquerda. Tem de deixar de existir”.

    Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/bolsonaro-volta-a-atacar-o-nordeste-e-os-nordestinos-massa-de-manobra-da-esquerda/

    sexta-feira, 19 de julho de 2019

    Preso político, Lula corre nove quilômetros por dia


    Emir Sader, que o visitou, usou as suas redes sociais para comentar sobre a disposição física de Lula. Segundo ele, é impressionante o número de exercícios que faz o petista. “O Lula está muito bem fisicamente, correndo 9 quilômetros por dia na esteira”

    19 de julho de 2019, 04:47 h Atualizado em 19 de julho de 2019, 08:45 (Foto: Guilherme Santos/Sul21)

    Da revista Fórum – O escritor e cientista político Emir Sader visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (18) na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Sader esteve acompanhado do ex-presidente argentino Eduardo Duhalde.

    Emir Sader usou as suas redes sociais para comentar sobre a disposição física de Lula. Segundo ele, é impressionante o número de exercícios que faz o petista. “O Lula está muito bem fisicamente, correndo 9 quilômetros por dia na esteira”.

    O ex-presidente do Brasil aproveitou a visita para mandar um recado para a população. “Lula vê como necessidade urgente uma resposta mais aguda sistemática dos movimentos populares. Para ele, este governo nos dá todo dia uma razão nova para nos mobilizar. Lula nos fez um convite para aumentar a mobilização popular”, disse Sader.

    Leia a íntegra na Fórum

    Fonte: https://www.brasil247.com/poder/preso-politico-lula-corre-nove-quilometros-por-dia

    terça-feira, 9 de julho de 2019

    Moro cometeu "erro infantil" ao pedir afastamento, diz cientista político


    Brasília: Ministro da Justiça Sergio Moro durante depoimento na CCJ dp senado. Brasília: Ministro da Justiça Sergio Moro durante depoimento na CCJ dp senado. (Foto: Lula Marques)

    Igor Carvalho, Brasil de Fato - Inadequado”. Assim, o cientista político Rudá Ricci qualifica o pedido de afastamento de Sérgio Moro do cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública entre os dias 15 e 19 de julho – confirmado pela edição desta segunda-feira (8) do Diário Oficial.

    Para Ricci, doutor em Ciências Políticas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), não fará bem ao governo Bolsonaro (PSL) a “folga” do ministro, ainda mais em meio à série de reportagens do The Intercept Brasil, em parceria com outros veículos de comunicação, que escancara a interferência do ex-juiz sobre procuradores da Lava Jato em Curitiba (PR). Fora do cargo, Moro lava as mãos para a crise que envolve seu nome, abre margem para especulações sobre sua agenda pessoal e perde a chance de prestar esclarecimentos à população.

    “É inadequado porque coincide com o estreitamento dos vazamentos das conversas pelo The Intercept. Os últimos vazamentos deram um passo à frente nos ataques, porque agora demonstram que o que eles vazaram leva à possibilidade de discussão do crime de ‘lesa pátria’ [Moro e Dallagnol teriam tentado intervir na política venezuelana]. Isso já entra num campo muito mais grave, que é de traição à pátria. Politicamente, é um equívoco [o afastamento]”, afirma Ricci.

    A assessoria do Ministério da Justiça divulgou nota em que afirma que o chefe da pasta estará de férias na próxima semana para “tratar assuntos particulares”. Segundo Ricci, esse episódio reforça a lista contínua de equívocos cometidos por Moro. “Não é possível que, após se expor tanto, o ministro cometa um erro tão infantil. Então, deve ter algo que não estamos entendendo muito bem está em curso”, acrescenta. Com os elementos que vieram a público até o momento, não há, na opinião do especialista, uma estratégia que justifique essa tomada de decisão. Afinal, no cargo de ministro, o ex-juiz poderia continuar se defendendo das acusações; afastado, abre mão de rebatê-las.

    Se o Intercept mantiver o fôlego para as denúncias, Ricci tem dúvidas sobre as condições políticas para permanência de Moro no cargo. “Ele era o político mais popular naquela época [do anúncio no ministério], mais do que o [ex-presidente] Lula, por incrível que pareça. A falta de experiência política dele é que fez ele cometer essa precipitação, porque ele não entende muito bem, hoje dá para perceber, como se opera a política brasileira. Em primeiro lugar, ela se opera a partir do Congresso Nacional e não do Executivo, e ele não tinha ideia disso”, analisa.

    O Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou uma nota em que explica que o afastamento de Moro se trata de uma licença não remunerada, prevista em lei. “Por ter começado a trabalhar em janeiro, o ministro não tem ainda direito a gozar férias. Então, está tirando uma licença não remunerada, com base na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990”, informou a assessoria.

    Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/moro-cometeu-erro-infantil-ao-pedir-afastamento-diz-cientista-politico

    quarta-feira, 12 de junho de 2019

    Por estradas, Bolsonaro quer reduzir 60 florestas e reservas


     José Cruz/Agência Brasil

    247 - A gestão Jair Bolsonaro pretende reduzir mais de 60 unidades de conservação ambiental do País que têm estradas federais, ferrovias, portos e aeroportos dentro de seus limites, segundo avaliação do próprio governo. A redução, conforme a administração federal, tem o propósito de eliminar "interferências" com estruturas existentes e dar "segurança jurídica" para os empreendimentos - sejam estes públicos ou concedidos à iniciativa privada. A informação é do Jornal Estado de S.Paulo.

    A reportagem apurou que o governo trabalha em um projeto de lei para tratar do assunto. O texto, que está sendo escrito pelo Ministério de Infraestrutura, com apoio da pasta do Meio Ambiente, deve ser enviado nas próximas semanas ao Congresso com a lista das florestas a recortar.

    O plano original do presidente era fazer essas alterações de perímetros e categorias de unidades de conservação por meio de decreto presidencial. Bolsonaro ficou publicamente contrariado, porém, após ser informado que essas mudanças só são possíveis por meio de projeto de lei. Ou seja: o governo tem que enviar uma proposta ao Congresso Nacional.

    Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/396463/Por-estradas-Bolsonaro-quer-reduzir-60-florestas-e-reservas.htm