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terça-feira, 23 de abril de 2019

STJ reduz pena de Lula e ex-presidente poderá deixar prisão neste ano


Lula em missa em homenagem à sua esposa falecida, Marisa Letícia, na cidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

© AP Photo / Nelson Antoine

Brasil

17:23 23.04.2019(atualizado 18:04 23.04.2019) URL curta

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O Superior Tribunal de Justiça (STF) decidiu nesta terça-feira (23) reduzir a pena do ex-presidente Lula. Com a medida, o ex-presidente poderá deixar a prisão ainda neste ano.

A decisão foi em resposta a um pedido da defesa do ex-presidente no caso do triplex do Guarujá, em São Paulo.

O então juiz da Lava Jato Sergio Moro, em 2017, condenou Lula a prisão pelo caso e o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) confirmou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão.


O STJ nesta terça reduziu a pena para 8 anos, 10 meses e 20 dias. A decisão abre a possibilidade de Lula passar a cumprir o resto de sua pena em regime domiciliar ou semiaberto em setembro, quando já terá cumprido um sexto de sua pena.

A possível liberdade do petista está condicionada ao pagamento de uma multa de R$ 2,4 milhões.

Outros pedidos da defesa de Lula, contudo, foram negados. A defesa do petista havia pedido a nulidade do processo.

Lula também já foi condenado a 12 anos e 11 meses de prisão, na primeira instância, no caso do sítio de Atibaia. Caso o TRF-4 condene Lula neste caso, o ex-presidente poderá ser impedido de progredir de pena e deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Fonte: https://br.sputniknews.com/brasil/2019042313744821-stj-reduz-pena-de-lula-e-ex-presidente-podera-deixar-prisao-neste-ano/

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Trump se declara fudido


"Estou fudido": a reação inicial de Trump ao saber da investigação do conselho especial

"Este é o fim da minha presidência".

Paul Joseph Watson

PrisonPlanet.com
18 Abril, 2019

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A reação inicial do Presidente Trump ao saber que um Conselho Especial havia sido designado para investigá-lo era exclamar: “Este é o fim da minha Presidência. Estou fudido.

A versão editada do relatório Mueller foi agora divulgada ao público.

Em uma seção intitulada "A indicação do conselho especial e a reação do presidente", descobrimos como Trump respondeu imediatamente às notícias que estava sob investigação.

Depois que o procurador-geral Jeff Sessions retransmitiu a notícia, Trump disse; "Oh my God. Isso é terrível. Este é o fim da minha presidência. Estou fudido.

Trump então ficou bravo e culpou Sessions por se recusar a investigar, dizendo que Sessions tinha “decepcionado”.

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"Como você pôde deixar isso acontecer ... você deveria me proteger", disse Trump.

“Todos me dizem que, se você receber um desses conselhos independentes, isso arruinará sua presidência. Leva anos e anos e eu não posso fazer nada. Essa é a pior coisa que já aconteceu comigo ”, acrescentou Trump.

Dada a reação inicial de Trump, é irônico que a investigação de Mueller tenha acabado por justificá-lo e pudesse realmente ajudá-lo a ser reeleito.

O relatório concluiu que não havia provas de que qualquer membro ou substituto do governo Trump conspirasse com a Rússia para interferir na eleição.

Fonte: https://undhorizontenews2.blogspot.com/

Milícias revolucionárias bolivarianas da Venezuela serão partes das FANB


Milícia venezuelana se tornará parte das forças armadas nacionais da Bolívia - Maduro

Members of the Bolivarian militia deploy a 1200-metre-long Venezuelan flag in Caracas on April 13, 2015 during a rally to protest against US sanctions against Venezuelan officialsMOSCOU (Sputnik) - A Venezuela vai emendar sua legislação para tornar a milícia uma parte das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas de esquerda, disse o presidente socialista venezuelano Nicolas Maduro em um discurso no domingo.


"O comandante Chávez sonhava com uma poderosa e grande milícia armada[...] A milícia receberá um posto constitucional como uma parte completa das Forças Armadas do país", disse Maduro, acrescentando que a legislação será alterada para essa medida.


No início deste mês, Maduro disse que o número de oficiais da milícia venezuelana será aumentado de 2,1 milhões para 3 milhões até dezembro de 2019.


A decisão vem na esteira de uma profunda crise política na Venezuela, que entrou recentemente em seu terceiro mês.

Em janeiro, o líder da oposição Juan Guaido, apoiado pelos Estados Unidos, declarou-se ilegalmente presidente interino da Venezuela após contestar a vitória da reeleição do presidente venezuelano Nicolás Maduro em maio de 2018. Washington imediatamente endossou Guaido e pediu a Maduro que renunciasse.

Maduro, constitucionalmente eleito, acusou os Estados Unidos de tentarem organizar um golpe para instalar a força Guaido como uma marionete norte-americana. Rússia, China, Cuba, Bolívia, Turquia e vários outros países expressaram seu apoio a Maduro como o único presidente legítimo da Venezuela.


O presidente dos EUA, Donald Trump, deu a entender que uma intervenção militar dos EUA na Venezuela era "uma opção".

https://sputniknews.com

Fonte: https://undhorizontenews2.blogspot.com/

FMI: Brasil tem pior participação na economia mundial em quase 4 décadas

Fábrica da Chery em Jacareí (SP), um dos muitos investimentos chineses feitos no Brasil

FMI: Brasil tem pior participação na economia mundial em quase 4 décadas

CheryBrasil/SD Press/Fotos Públicas

Economia

12:04 19.04.2019URL curta

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Estudo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mostra que o Brasil continua diminuindo sua participação na economia global e teve seu pior resultado em 38 anos.

Com o resultado de 2018, o dados apontam que há sete anos consecutivos o Brasil perde participação na economia global. O estudo lembra que a participação do Brasil na economia mundial chegou a ser de 4,4%, em 1980, e que desde então atingiu o ápice em 2011, quando após idas e vindas chegou a 3,1%.

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

© AFP 2019 / VANDERLEI ALMEIDA

PIB do Brasil cresce 1,1% em 2018 e mantém estagnação

Para mensurar os resultados, o FMI utiliza dados do Produto Interno Bruto (PIB) sob a régua da paridade do poder de compra (PPC), que ajusta o índice de acordo com o custo de vida dos países.

O Brasil é hoje a oitava maior economia do mundo, tendo perdido o sétimo posto para a Indonésia este ano e deve continuar perdendo participação na economia mundial pelo menos até 2024, segundo o FMI. Isso se dá não só pela diminuição da atividade econômica do Brasil, mas também pelo aumento da participação de outras nações no cálculo, como é o caso da China.

Desde 2014, o Brasil enfrenta desaceleração econômica, quando o PIB cresceu 0,5%. Em 2015 e 2016, o Brasil enfrentou fortes recessões, de —3,77% e —3,59%, respectivamente. Nos dois anos seguintes, os números foram positivos, mas ainda tímidos e em torno de 1% de crescimento.

Fonte: https://br.sputniknews.com/economia/2019041913717052-brasil-fmi-pib-economia-global/

Em manifesto, artistas e intelectuais pedem Lula Livre


Ricardo Stuckert

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"Prenderam Lula para aumentar a repressão ao povo, para fazer valer com mais força a lei da bala contra pobre, negro, trabalhador, enquanto os milionários ficam ainda mais milionários. Lutar pela liberdade de Lula é enfrentar o caos", diz o texto

19 de Abril de 2019 às 06:17

247 – Em manifesto, intelectuais e artistas pedem a libertação de Lula. Já são diversos signatários: Leonardo Boff, Marieta Severo, Raduan Nassar, Martinho da Vila, Arnaldo Antunes, Mia Couto,  Leci Brandão, Fernando Morais, Boaventura de Sousa Santos, José de Abreu, Frei Betto, José Celso Martinez Corrêa, Gilberto Gil, Flora Gil, Chico Buarque, Carol Proner, entre outros. Confira  o manifesto:

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MANIFESTO
O SOM PELA LIBERDADE

“Ninguém vai me acorrentar
Enquanto eu puder cantar
Enquanto eu puder sorrir”
Você já se imaginou, por um mísero minuto sequer, viver privado injustamente da sua liberdade?
Um ano.
Doze meses.
Cinquenta e duas semanas. Trezentos e sessenta e cinco dias.
Oito mil, setecentas e sessenta horas.
Quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos.
Este é o tempo em que Lula se encontra preso.
Hoje, um pouco mais que isso.
O que a prisão de Lula tem a ver com você?
Olhe em volta.
Sabe esse nó na garganta que você sente com o bombardeio diário de problemas, esse sentimento de andar em marcha à ré enquanto crescem ao seu redor os sem emprego, os sem teto, os sem comida?
A angústia de imaginar que, em breve, querem juntar ao bonde dos sem direitos, os sem aposentadoria, os sem universidade, os sem voz?
Não se engane.
Lula é vítima de um processo forjado, de um arranjo ilegal de interesses.
Uma farsa, tendo como pano de fundo um apartamento sem escritura, sem as chaves, que nunca lhe pertenceu e onde não passou uma única noite.
Uma condenação sem provas, feita sob encomenda para atender os desejos de quem quer arrancar os seus direitos na marra.
Um ano se passou e a injustiça continua.
Lula foi impedido de disputar eleições e silenciado.
Sua família foi perseguida.
Uma nova condenação forjada.
Na base da força bruta, insistem em bancar a farsa até as últimas consequências.
A prisão de Lula é um símbolo do nosso retrocesso.
Viramos o país onde o trabalho não tem mais regulação, o salário-mínimo virou lenda e a única liberdade que existe é o aumento da nossa exploração.
Um país que desrespeita os vizinhos latinos e lambe as botas dos Estados Unidos; onde o presidente celebra a ditadura militar e incentiva a perseguição de professores enquanto escolas e universidades não recebem investimento digno; onde um pai de família é assassinado com 80 tiros pelo exército e as autoridades nada dizem; onde ninguém sabe até hoje quem mandou matar Marielle Franco!
Lula foi preso para acabarem com o seu direito de se aposentar. Para garantir que o sonho de entrar na universidade não seja para todos. Para piorar os serviços públicos, diminuir o acesso aos medicamentos, acabar com o Mais Médicos, enterrar a cultura nacional, favorecer os fabricantes de armas e alimentar o medo.
Prenderam Lula para aumentar a repressão ao povo, para fazer valer com mais força a lei da bala contra pobre, negro, trabalhador, enquanto os milionários ficam ainda mais milionários.
Lutar pela liberdade de Lula é enfrentar o caos.
É desatar o nó na garganta que está nos sufocando.
É encarar os irresponsáveis que puseram o Brasil à deriva, exigir justiça e democracia, dignidade e direitos.
O nosso grito por Lula Livre é um imenso coro em defesa da verdade! Vamos, de mãos dadas, construir este imenso cordão por justiça para Lula e para o povo brasileiro!

Assinam o Manifesto: Leonardo Boff, Marieta Severo, Raduan Nassar, Dilma Rousseff, Martinho da Vila, Arnaldo Antunes, Mia Couto, Leci Brandão, Celso Amorim, Mino Carta, Fernando Morais, Boaventura de Sousa Santos, José de Abreu, Maria Victoria de Mesquita Benevides, Frei Betto, José Celso Martinez Corrêa , Gilberto Gil, Flora Gil, Chico Buarque, Carol Proner, Patrícia Melo, John Neschiling, Franklin Martins, Aloizio Mercadante, Gustavo Fernandez, Juca Ferreira, Aderbal Freire Filho, Camila Pitanga, Anna Muylaert , Herson Capri, Celso Frateschi, Emir Sader, Inez Viana, Márcia Miranda, Eric Nepomuceno, Silvio Tendler, Ana de Holanda, Bemvindo Sequeira, Lan Lanh, Osmar Prado, Guta Stresser, Tuca Moraes, Luiz Fernando Lobo, Sérgio Santos, Tadeu di Pietro, Sidney Santiago, Tata Amaral, Yamandu Costa, Silvia Buarque, Malu Valle, Sérgio Mamberti, Débora Duboc , Toni Venturi Amir Haddad, Bete Mendes, Antônio Pitanga, Marina Person, Noca da Portela, Chico Diaz, Bruno Garcia, Luiz Carlos Barreto, Cristina Pereira, Carolina Ziskind, Marat Descartes, Renata Melo, Dora Castelar, Gorete Milagres, Viviane Ferreira, Eliane Café, Leusa Araújo, Ana Cecília Costa, Rodolfo Vaz, Orã Figueiredo, Alcides Nogueira, Duca Rachid, Tomaz Miranda, Augusto Madeira, Preta Ferreira, Rodrigo Lopes Siqueira, Roberta Mello, Anna Carolina Magalhães, Cida de Souza, João Raphael Alves, Leonardo Hinckel, Agnes de Freitas, Nady Oliveira, Tayara Maciel, Luiza Moraes, Idris Bahia, Natalia Gadiolli, Gilberto Miranda, Bernardo Cotrim, Claudia Troiano, Gabriella Gualberto, Camila Victor, Márcio Tavares, Ana Flávia Marx, Bruno Ramos, Warley Alves Barbosa, Laryssa Sampaio, Martha Romano, Wellington Alves, Luisa Gaspar, Manuel Victor, Lígia Miguel, Igor Felippe, Marina Piotto, Tião Carvalho, Sid Farney Lima de Araújo, Maria Jose Alves da Silva, Alfredo Farias da Rocha, Franco De Sa Aiezza, Lila Silva (Josefa Eliana Silva), Erika Vieira Lima Carvalho, Dorival Brandão, Valdir Castiglioni Filho, Redelson Tomaz da Silva, Darlucia Silva, Adnilsom da Silva Lara, Jorge Afonso Maia Mairink, Telma Saraiva dos Santos, Lúcio André de Figueiredo Rodrigues, Maria Teresa  Barbosa Huang, Leonardo Fialho Machado Nogueira, Pericles de Holleben Mello, Fernanda Camargo, Rodrigo Cesar Souza de Macedo, Berenice Perpetua Simão, Vitor Ortiz, Denílson Machado, Marcos Paulo Carvalho Lima, Sebastião Jose Soares, Cicero Belém Filho e EU.

Fonte: Leia matéria completa em: https://www.brasil247.com/pt/247/cultura/390725/Em-manifesto-artistas-e-intelectuais-pedem-Lula-Livre.htm

Os generais precisam de Lula para evitar a recolonização do Brasil

Ricardo Stuckert

A três anos do bicentenário da Independência, o Brasil nunca teve sua soberania tão ameaçada quanto agora. E só é possível compreender o Brasil de hoje quando se estende a visão também para o quadro global. Nesta semana, John Bolton, assessor especial de Donald Trump, afirmou que a "Doutrina Monroe", que preconiza a América para os americanos, "está mais viva do que nunca". O que significa que, na visão de Washington, todo o continente, da Terra do Fogo ao Alaska, pertence aos Estados Unidos.

Anunciada em 1823, um ano depois do nosso 7 de setembro, pelo então presidente John Monroe, a doutrina era um grito de independência da América contra o colonialismo europeu. Mas ali já se elaborava, no 'planejamento estratégico' do futuro Império, que a influência sobre a região seria deveria ser exercida pelos Estados Unidos – e não por outras potências. No século 20, sucederam-se golpes na América Latina fomentados pela Casa Branca. Todos, sem exceção, impuseram governos-fantoche na região, alinhados com os interesses de Washington. Tudo isso já é História, está devidamente documentado por fontes oficiais e também disponível nas próprias universidades norte-americanas.

Após a Segunda Guerra Mundial, que deu origem à Guerra Fria, a oposição entre os blocos capitalista e soviético serviu como pretexto para novas intervenções estadunidenses na América Latina para combater o "comunismo" – fantasma sempre usado para que os Estados Unidos impusessem sua hegemonia na região. Por isso mesmo, João Goulart, um fazendeiro que pretendia ampliar a classe média brasileira e alavancar um modelo de desenvolvimento muito mais parecido com o 'sonho americano' do que com o regime soviético, foi derrubado.

Em 1989, com a queda do Muro de Berlim e o colapso do bloco soviético, analistas internacionais passaram a falar em "fim da História" e na era da hiperpotência americana. No entanto, o desfecho da globalização não foi exatamente aquele traçado nos think tanks de Washington. Não foram as multinacionais norte-americanas que conquistaram a China, a Ásia e todas as regiões do planeta. Ao contrário, foi a China que se converteu na planta industrial do mundo – e também na fronteira do desenvolvimento tecnológico, ao lado de países como a Coréia do Sul. Tanto os Estados Unidos quanto a Europa assistiram ao enfraquecimento de suas bases industriais.

No começo do século 21, imaginava-se que a humanidade poderia ingressar na era do mundo "pós-americano", marcada pela paz e pela prosperidade global, em que várias potências poderiam coexistir harmonicamente. No Brasil, o ex-presidente Lula governou exatamente neste período. E teve liberdade para ampliar as fronteiras do comércio e das relações geopolíticas do Brasil. Assim nasceram parcerias estratégicas com a China, com a Rússia, com a África, com os países árabes e com os vizinhos sul-americanos, sem que houvesse qualquer ruptura com os Estados Unidos ou com as antigas potências coloniais.

Com a descoberta do pré-sal e a futura aplicação de seus recursos na educação, o Brasil apontava para ser uma das grandes potências do século 21. No entanto, veio a reação. Em 2013, a ex-presidente Dilma Rouseff começou a ser derrubada não apenas para que o petróleo brasileiro fosse subtraído, mas também para que o Brasil fosse enquadrado nessa nova ordem mundial. Não mais a da globalização harmônica, ainda que com seus percalços, mas sim à da hegemonia imperial – o fenômeno que explica a queda de Dilma, a prisão de Lula e a ascensão de Jair Bolsonaro, um presidente que diz "Brasil acima de tudo", mas bate continência para a bandeira dos Estados Unidos.

A visão dos militares

Nos dias de hoje, o que ocorre no Brasil é apenas parte de uma guerra muito mais ampla entre Estados Unidos e o resto do mundo. Para a América do Sul, obviamente, vale a Doutrina Monroe – ou seja, todo o continente "pertence" ao grande irmão do norte. Mas também partem de Washington a disputa comercial com a China, o caso Brexit para fragilizar a União Europeia, o estímulo a novos movimentos separatistas e as provocações rotineiras à Rússia, que é a segunda maior potência militar do planeta. Na prática, os Estados Unidos hoje confrontam o "globalismo" porque a palavra representa um obstáculo ao imperialismo. O mundo se move em direção à Ásia, mas o velho Império reage com as armas que têm à mão.

Entre os militares, prevalece a visão de que um confronto entre Estados Unidos e China é praticamente inevitável. E que o Brasil, até por razões geográficas, fatalmente terá que estar mais alinhado a Washington. O que não se imaginava, porém, era o grau de rapidez e violência desse processo, com a tomada do Itamaraty, que hoje tem um chanceler totalmente alinhado ao Departamento de Estado, a entrega da Embraer e até mesmo da Amazônia, que será aberta para exploração "em parceria" com os Estados Unidos, como anunciou Bolsonaro.

A ocupação do Brasil pelas forças dessa nova ordem também produz diversos efeitos colaterais negativos para burguesia nacional. Basta notar os prejuízos já causados ao agronegócio nacional e também a decadência contínua da indústria nacional. Com 13 milhões de desempregados, o Brasil de 2019 é um caldeirão prestes a explodir.

De onde poderia vir a reação a esse processo acelerado de destruição nacional? Eventualmente dos militares. Mas é exatamente contra esta reação que atuam personagens como o "guru" Olavo de Carvalho e o "chanceler informal" Eduardo Bolsonaro. De um lado, o guru avisa que os militares devem se contentar com os empregos que ganharam na máquina pública. De outro, Eduardo viaja a países como Hungria e Polônia, que também estão ocupados por governos de extrema-direita alinhados com a nova ordem imperialista. E, não por acaso, Bolsonaro estimula o deputado Marco Feliciano a pedir o impeachment de seu vice Hamilton Mourão.

O fator Lula

Hoje, a maior ameaça à soberania nacional se chama Jair Bolsonaro e os generais brasileiros, que imaginavam ser capazes de cavalgá-lo, sabem disso. Se Bolsonaro foi um instrumento para a conquista do poder, ele também representa um risco real de que, após sua passagem, não exista mais um Brasil como nação independente. Sobrará apenas um território habitado por pessoas.

Os militares brasileiros hoje se veem diante de um impasse histórico. Caso se rendam de vez ao bolsonarismo, que os humilha diariamente, serão cúmplices desse processo de recolonização do país por um Império que tenta evitar sua decadência. É também importante lembrar que os Estados Unidos não oferecem nenhum plano Marshall para reconstruir o Brasil. Ao contrário, o que se oferece é apenas mais destruição e a instauração de um bangue-bangue, com a liberação das armas de fogo.

O Brasil, no entanto, possui um ativo único no mundo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é, na definição do intelectual Noam Chomsky, o preso político mais importante do mundo. Com essa força simbólica, Lula poderá fazer sua voz ser ouvida no mundo inteiro, na defesa de uma ordem internacional mais justa e mais equilibrada.

A liberdade de Lula, portanto, pode vir a ser a alavanca para a libertação do Brasil, em sentido amplo. O povo brasileiro poderá recuperar seus direitos, os militares poderão se libertar de Bolsonaro e o país poderá voltar a tentar se afirmar como nação soberana e independente. Um bom sinal, nesta semana, foi a autorização para que Lula, silenciado pelo imperialismo, possa conceder entrevistas. Mas é preciso ir além e reincorporá-lo à cena política para evitar que o Brasil seja destruído de forma definitiva e talvez irreversível.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/blog/leonardoattuch/390740/Os-generais-precisam-de-Lula-para-evitar-a-recoloniza%C3%A7%C3%A3o-do-Brasil.htm

quinta-feira, 18 de abril de 2019

PT em manifesto: crise institucional é o resultado do golpismo


247 - Em manifesto assinado pelo ex-presidente Lula, a presidente nacional do partido, a deputada Gleisi Hoffmann, e pelos líderes da sigla no Congresso Nacional deputado Paulo Pimenta e senador Humberto Costa, o PT lançou manifesto em que aponta que a crise política e institucional que o país enfrenta é resultado do golpe que desrespeitou a Constituição e o Estado Democrático de direito.

"A anarquia institucional em que vive o país não é obra exclusiva de Jair Bolsonaro, embora ele tenha muito contribuído para isso por seu desapreço à democracia. A situação que vivemos é a consequência inevitável dos pequenos e grandes atentados à lei e à democracia que foram tolerados ou incentivados em nome de um combate à corrupção que, na verdade, era uma fracassada campanha de extinção do PT", diz um trecho do documento.

Confira a íntegra do manifesto:

"Seis meses depois de um processo eleitoral absolutamente fora da normalidade, no qual foi arbitrariamente excluído o candidato a presidente da maioria da população e foi interditado o debate de propostas, o Brasil vive hoje uma gravíssima crise política e institucional.

A relação harmônica entre os Poderes, estabelecida pela Constituição, cede espaço a golpes de força e à anarquia institucional, em meio a uma escalada de autoritarismo, reafirmada na quarta-feira (17) pela convocação da Força de Segurança Nacional a Brasília para reprimir legítimas manifestações dos povos indígenas em defesa de seus direitos ameaçados.

O Brasil está regredindo a um passado de repressão, censura e intolerância; aos tempos em que o Estado, a serviço das classes dominantes, negava as liberdades ao invés de garanti-las. As divergências políticas, corporativas e até pessoais em que se envolvem os chefes do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e do Ministério Público ocorrem sob a interferência e até sob a tutela de chefes reacionários das Forças Armadas, o que é inadmissível na democracia.

Hoje não restam dúvidas de que na raiz dessa grande crise está o movimento golpista que levou ao impeachment sem crime de responsabilidade da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e à condenação, igualmente sem crime, do ex-presidente Lula, para impedir que ele fosse eleito mais uma vez pela maioria da população em 2018. Derrotados nas urnas, pela quarta vez consecutiva, golpistas atacaram a democracia, reconstruída em anos de luta, com sacrifício de muitas vidas.

Os mesmos setores que hoje se dizem afrontados, seja pela Lava Jato, seja pelo STF, seja por coerções do Ministério Público ou da Polícia Federal, foram cúmplices, coniventes, omissos ou pusilânimes quando agentes do estado afrontaram o mandato legítimo da presidenta Dilma, os direitos e a liberdade do presidente Lula, praticando agressões e vazamentos na imprensa de mentiras contra o PT, seus dirigentes e até familiares de Lula.

Para tirar o PT do governo, a Constituição foi rasgada à luz do dia, rompendo o pacto nacional de 1988 que deu fim à ditadura e restaurou a democracia. Para condenar Lula, a imprensa e as instituições sustentaram uma farsa judicial que não convence mais ninguém e é rejeitada pelos mais renomados juristas do Brasil e do mundo. Para impedir sua candidatura, ignoraram a lei, a jurisprudência eleitoral e uma decisão da ONU que reconhecia seus direitos políticos.

Quem paga o preço por esta sucessão de golpes é o Brasil, desordenado internamente e desmoralizado internacionalmente; e o nosso povo, que sustentou no processo democrático a conquista de direitos e oportunidades negados ao longo de séculos.

Para atingir o PT, o mecanismo da Lava Jato foi movimentado a toque de arbitrariedades – como os grampos ilegais e a condução coercitiva de Lula – e negociações tenebrosas com bandidos que mentiram em troca de dinheiro e redução de penas. Isso foi escancarado pela recente revelação de que executivos da OAS receberam milhões para mentir contra Lula e o PT.

A parcialidade de Sérgio Moro tornou-se indisfarçável quando o ex-juiz virou ministro do governo que ajudou a eleger por ter condenado Lula sem provas. A promiscuidade da Lava Jato com interesses econômicos e geopolíticos dos Estados Unidos ficou provada no acordo, até outro dia secreto, em que entregaram delações e falsas provas contra nossa estatal à Justiça de lá, em troca de R$ 2,5 bilhões para proveito pessoal e político dos procuradores.

A anarquia institucional em que vive o país não é obra exclusiva de Jair Bolsonaro, embora ele tenha muito contribuído para isso por seu desapreço à democracia. A situação que vivemos é a consequência inevitável dos pequenos e grandes atentados à lei e à democracia que foram tolerados ou incentivados em nome de um combate à corrupção que, na verdade, era uma fracassada campanha de extinção do PT.

A história tem muitos exemplos da tragédia em que vivemos, no Brasil em outros países em que, em determinados momentos, o estado de direito foi subjugado pela perseguição política sob qualquer pretexto. Foi assim com o Terror na França, com a ascensão do fascismo na Itália, do nazismo na Alemanha, do macarthismo nos Estados Unidos, das ditaduras na América Latina. Muitos dos que hoje lamentam a crise institucional são responsáveis por tê-la criado. Chocaram o ovo desta serpente.

O PT nasceu há quase 40 anos para defender os direitos do povo e a plenitude da democracia, atuando sempre dentro da lei, seja nas instituições políticas, nos movimentos sociais, nas fábricas, nas escolas ou nas ruas. Não há partido político no Brasil com uma trajetória – na oposição ou no governo – que lhe confira mais autoridade para reivindicar a defesa da democracia e da normalidade institucional.

Nosso partido entende, claramente, que as instituições devem investigar, julgar e punir, estritamente dentro da lei, aqueles que espalham falsas notícias, os agentes do Estado que vazam ilegalmente informações sigilosas, falsas ou não confirmadas, para destruir reputações e praticar chantagens.

Ao longo da campanha de desmoralização de Lula e do PT por meio da mídia, que foi sistemática nos últimos cinco anos, apelamos à Justiça pelo direito de resposta e pela punição dos responsáveis. Jamais fomos atendidos. Nem mesmo quando o vazamento do grampo ilegal de conversa entre os ex-presidentes Lula e Dilma tinha o timbre oficial do então juiz Sergio Moro, que até hoje não respondeu por este crime cometido há mais de três anos.

Neste momento em que tantas vozes se levantam contra a censura a uma revista eletrônica que nunca primou pela credibilidade nem pela isenção editorial, é de se lembrar que, também por decisão monocrática de ministro do STF, o presidente Lula encontra-se proibido de dar entrevistas desde setembro do ano passado. Onde estavam essas vozes quando o maior líder político do país foi violentamente censurado?

Onde estavam quando jornalistas independentes, como Luís Nassif, Marcelo Auler, Renato Rovai e outros, foram perseguidos e condenados por divulgar denúncias sérias contra agentes do estado? Onde estavam quando a Veja publicou uma capa falsa, acusando Lula e Dilma a três dias da eleição de 2014? Quando a Folha de S. Paulo revelou a indústria de mentiras de Bolsonaro paga por caixa 2 até de estrangeiros às vésperas da eleição?

O PT nunca defendeu, nunca praticou e jamais defenderá a censura, nem mesmo contra nossos mais mentirosos detratores. Mas temos claro que, para restabelecer o estado de direito e a democracia, é fundamental a investigação, julgamento e punição, rigorosamente dentro da lei, dos agentes do estado que a estupram sob qualquer pretexto – a suposta intenção de fazer justiça ou a criminosa chantagem.

Se nos últimos anos as instituições tivessem defendido a lei simplesmente, sem temores pessoais nem condicionamentos políticos, as forças do arbítrio e da violência não teriam chegado onde chegaram. Ninguém duvida que seus crimes serão cobrados pela História, mas os seus erros já estão sendo cobrados no presente, pelo caos em que lançaram o país e pelo sofrimento do nosso povo.

Os donos da fortuna, os rentistas, latifundiários, representantes de interesses estrangeiros; os reacionários, preconceituosos e fundamentalistas que disseminam o ódio, a intolerância e o autoritarismo são os responsáveis por mais essa tragédia nacional.

O objetivo deles sempre foi claro: entregar a soberania nacional, nossas riquezas e potencialidades; destruir nossa capacidade de desenvolvimento autônomo; revogar as conquistas do povo, dos trabalhadores e da cidadania; acabar com a aposentadoria e os direitos dos idosos, trabalhadores do campo e das cidades; devolver o controle absoluto do Estado às classes dominantes, formadas em três séculos de escravagismo que fizeram do Brasil uma das sociedades mais injustas e desiguais do mundo.

O PT está pronto para reconstruir, junto com o povo e com todas as forças democráticas, um Brasil melhor e mais justo, como vínhamos fazendo desde a redemocratização e especialmente a partir do governo Lula em 2003. Nossa gente já mostrou que é capaz de superar grandes crises. E a história comprova que isso só é possível quando há liberdade política e democracia plena.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT
Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT
Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados
Humberto Costa, líder do PT no Senado Federal/'

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/390667/PT-em-manifesto-crise-institucional-%C3%A9-o-resultado-do-golpismo.htm

STF libera entrevistas de Lula na prisão


247 - O STF (Supremo Tribunal Federal) vai liberar o ex-presidente Lula para dar entrevistas aos veículos que pediram autorização para falar com ele na prisão, como Florestan Fernandes Júnior, do El País, que faz parte da rede Jornalistas pela Democracia, e Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. A decisão foi noticiada por Mônica Bergamo em sua coluna.

As entrevistas de Lula foram barradas em caráter liminar em setembro do ano passado pelo ministro Luiz Fux, que suspendeu uma autorização que havia sido concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski. O presidente do Supremo, Dias Toffoli, também proibiu a entrevista.

Ainda nesta quinta-feira 18, o El País publicou artigo dos jornalistas Florestan Fernandes Júnior e Carla Jiménez em que cobravam a liberação do STF para a entrevista. Os jornalistas lembram que em meio a este consenso em torno da liberdade jornalística, por conta da decisão do ministro Alexandre de Moraes, em parceria com Toffoli, de mandar tirar do ar reportagem da revista Crusoé, do site O Antagonista.

"Por duas vezes, em setembro e outubro do ano passado, esse direito foi conferido em despacho do ministro do STF Ricardo Lewandowski. E, por duas vezes, foi negado pelos também ministros do STF Luiz Fux e Antonio Dias Toffoli. Os dois alegaram, na época, que a entrevista de Lula poderia confundir o processo eleitoral, levando eleitores pouco atentos a acreditar que Lula seria candidato", dizem.

A decisão é tomada pouco tempo depois do recuo do ministro Alexandre de Moraes sobre a censura ao Antagonista. "Comprovou-se que o documento sigiloso citado realmente existe, apesar de não corresponder à verdade o fato que teria sido enviado anteriormente à PGR para investigação", anotou o ministro ao revogar sua decisão.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/390703/STF-libera-entrevistas-de-Lula-na-pris%C3%A3o.htm

Gleisi encara Bolsonaro: chega de ameaças


Ricardo Stuckert/Agência Brasil

247 - A presidente do nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), repudiou o que chamou 'ameaças' feitas pelo governo Jair Bolsonaro em sua campanha para aprovar a reforma da Previdência.

"Discurso do governo Bolsonaro nas redes é o mesmo feito por Temer para aprovar a Reforma Trabalhista: desemprego vai explodir. Na previdência o Brasil vai quebrar! Desemprego explodiu depois da Trabalhista e o Brasil está na lona por culpa dessa turma. Chega de ameaças, não convencem", escreveu a deputada em sua página no Twitter.

A reforma da Previdência tramita na Câmara dos Deputados com dificuldade para o governo aprovar. A Comissão de Constituição e Justiça adiou a votação do relatório, empurrando para semana que vem o que representou uma derrota para os planos do governo que queria acelerar a aprovação.

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/390651/Gleisi-encara-Bolsonaro-chega-de-amea%C3%A7as.htm

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Pinheiro: face ao horror da conjuntura, precisamos de Lula


247 | Reuters

247 - O Secretário de Estado de Direitos Humanos do governo Fernando Henrique Cardoso e atual relator da ONU, Paulo Sérgio Pinheiro, enviou uma carta a Lula, seu amigo de longa data. Na mensagem, conta: “Não há um dia em que eu não me lembre da dor, do constrangimento, do escândalo no Brasil e no mundo de você estar trancafiado numa sala de 15 metros quadrados em Curitiba, enquanto todo o Brasil e nós precisamos tanto de você para fazer face aos horrores da conjuntura do dia-a-dia”. A informação está no site dedicado ao ex-presidente Lula.

Pinheiro lembra que sua condenação, prisão e interdição não foi “apenas um golpe” contra o ex-presidente ou seu partido político. Foi, segundo ele, um golpe contra os avanços conquistados durante os governos Lula: “Esses benefícios assegurados para os milhões pobres e em pobreza extrema foram percebidos como ameaças à hierarquia, à desigualdade, ao racismo, que asseguram a continuidade autoritária na democracia”.

Leia a íntegra da carta:

Senhor Presidente, Caro Amigo Lula,

Desde quando nos conhecemos? Faz 40 anos, em 1978, com Mino Carta e sua mulher, Angélica. Nos convidaram para comer com a Marisa e você um macarronada al pesto, especialidade do Mino, no apartamento em Higienópolis. Depois fomos visitar você em sua casa, em São Bernardo.

Posso dizer que desde aí nos tornamos amigos, sem nenhuma interrupção , e muitas memórias tenho de você. No Palácio dos Bandeirantes, quando você foi conversar com Franco Montoro, me perguntando como conseguia trabalhar com todas aquelas paredes revestidas de madeira. Em Oxford, num seminário que organizamos com Leslie Bethell em que estava Eric Hobsbawm, que tinha uma enorme admiração por você, visitando com o saudoso alfred Stepan o escritório dele no prédio de All Souls.

Chegando com Marisa ao prédio onde morava nosso querido amigo Marco Aurélio, para comemorar os 60 anos dele. No lançamento do relatório mundial de violência com a criança, cuja tradução foi promovida por Paulo Vannuchi, num encontro de umas cinco mil pessoas. No seu discurso emocionante ao subscrever o projeto de lei contra o castigo corporal de crianças e adolescentes. Tantas memórias.

Não há um dia em que eu não me lembre da dor, do constrangimento, do escândalo no Brasil e no mundo de você estar trancafiado numa sala de 15 metros quadrados em Curitiba, enquanto todo o Brasil e nós precisamos tanto de você para fazer face aos horrores da conjuntura do dia a dia.

Sua condenação injusta, sua prisão inconstitucional, o impeachment preventivo da anulação de sua candidatura, fecham o processo de neutralização de um segmento importante da política brasileira, a esquerda. Temos consciência que não foi apenas um golpe, com a participação dissimulada do seu principal algoz em entendimento e em plena campanha com o futuro candidato presidencial, que o premia com um ministério. Não foi um golpe contra um partido ou um programa ideológico, mas visou reverter os ganhos pela maioria mais pobre da população que você tanto promoveu em seus governos. Esses benefícios assegurados para os milhões pobres e em pobreza extrema foram percebidos como ameaças à hierarquia, à desigualdade, ao racismo, que asseguram a continuidade autoritária na democracia.

Tenho certeza que a injustiça perpetrada contra você virá a ser reparada. Mas por mais dolorosa que seja para você essa prisão, a grande dignidade que todo dia você demonstra, especialmente nos momentos de grande dor como foi recentemente, é uma referência para o Brasil. Por mais indigno que seja o comportamento dos juízes que o atormentam, sua conduta irrepreensível serve como grande exemplo e inspiração para a sociedade brasileira para a defesa da democracia e da constitucionalidade.

Aceite um abraço do meu filho André, o corintiano, e outro muito afetuoso, da Ana Luiza e meu.

Paulo Sérgio Pinheiro

Fonte: https://www.brasil247.com/pt/247/brasil/390512/Pinheiro-face-ao-horror-da-conjuntura-precisamos-de-Lula.htm