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quinta-feira, 2 de março de 2017

GLOBO COBRA DE TEMER QUE CONCLUA O SERVIÇO DO GOLPE

Valter Campanato/Agência Brasil - Em editoria nesta quinta-feira, o jornal O Globo reconhece o quão podre é o entorno de Michel temer, mas cobra que o peemedebista, mesmo assim, avance com sua agenda de reformas e arrocho à população. "Volte ou não Padilha para o ministério, a reforma da Previdência e as que se seguirão, como a trabalhista, têm de ser tratadas pelos políticos com a importância que merecem, acima dos interesses menores do baixo clero e similares."
Confira o texto:
O avanço das revelações vindas do petrolão torna cada vez mais instável o terreno sob o governo Michel Temer, no momento em que entra em pauta o segundo pilar do ajuste da economia, a reforma da Previdência. Sem a qual fica comprometido o primeiro pilar, o do teto para os gastos públicos.
Enquanto isso, no pano de fundo da crise política, surgem sinais na economia de que se movimentam forças para a retomada do crescimento do PIB.
Mas tudo vai depender de como evoluirá o front político-parlamentar. Neste sentido, é correto o presidente Temer assumir a condução das articulações para a viabilização da reforma previdenciária. Com o ministro Eliseu Padilha avariado por uma delação espontânea do amigo e ex-assessor do presidente José Yunes, e em recuperação de cirurgia em Porto Alegre, motivo formal da licença pedida da Casa Civil, só mesmo o presidente, dirigente do PMDB durante muito tempo e também da Câmara, pode preencher o vazio deixado pelo ministro nesta empreitada estratégica do ajuste fiscal.
Yunes prestou depoimento espontâneo à Procuradoria-Geral da República, para relatar que serviu de “mula involuntária” de Padilha, ao aceitar receber “documentos” de um emissário. Este, o doleiro Luís Funaro, tido como operador do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha — os dois se encontram fora de circulação, por decisão da Justiça.
Uma ponta dessa história é a delação premiada de Cláudio Melo Filho, executivo da Odebrecht, na qual é relatado jantar no Palácio do Jaburu em que o ainda vice-presidente Temer solicitou apoio financeiro para a campanha de 2014 a Marcelo Odebrecht.
Teriam sido pedidos R$ 10 milhões, dos quais R$ 4 milhões ficariam com Padilha, e que uma das remessas seria entregue a Yunes, no escritório de advocacia dele em São Paulo. Por inevitável, José Yunes deixou de ser assessor de Temer no Planalto. Ele diz ter recebido um pacote de Funaro, mas sem ter curiosidade de saber o que continha. Temer garante que pediu uma doação legal ao principal executivo, e acionista, da Odebrecht. Pode ser que no processo que tramita na Justiça eleitoral (TSE) sobre o financiamento da chapa Dilma-Temer surja algum esclarecimento.
Volte ou não Padilha para o ministério, a reforma da Previdência e as que se seguirão, como a trabalhista, têm de ser tratadas pelos políticos com a importância que merecem, acima dos interesses menores do baixo clero e similares. Só o déficit previdenciário, descontrolado, pode, em não muito tempo, tragar todos os recursos da Saúde e Educação. Não é fácil o Congresso de hoje fazer essas mudanças, mas não há alternativa. É isso ou a eternização da crise, com pequenos ensaios de recuperação do PIB que não se sustentarão. Enquanto se prepara o terreno para o risco da volta de correntes populistas ao poder em 2018. Com isso, virá o perigo de o Brasil ficar à margem por outra década perdida.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/282911/Globo-cobra-de-Temer-que-conclua-o-servi%C3%A7o-do-golpe.htm

COM O GOLPE, MONTADORAS RECUARAM 11 ANOS NO TEMPO

Aluísio Alves - Reuters
As vendas de veículos novos no Brasil caíram 7,6 por cento em fevereiro ante um ano antes, revelando um mercado ainda pressionado por fatores como desemprego e juros altos, mostraram dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) divulgados nesta quarta-feira.
Os emplacamentos de autos, comerciais leves, caminhões e ônibus somaram 135.663 unidades, mostrando também declínio de 7,84 por cento contra janeiro, um mês com mais dias úteis.
Nos primeiros dois meses do ano, os emplacamentos recuaram 6,36 por cento, para 282.871 veículos.
Em janeiro, a Fenabrave havia anunciado expectativa de crescimento de 2,3 por cento do setor em 2017, marcando uma interrupção na queda de vendas do setor, após quatro anos seguidos de forte retração.
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/282912/Com-o-golpe-montadoras-recuaram-11-anos-no-tempo.htm

TEMER E SUA TURMA JÁ MUDARAM VÁRIAS VEZES VERSÃO SOBRE PROPINA DA ODEBRECHT

- O colunista José Roberto de Toledo aponta as muitas inconsistências das várias versões apresentadas por Temer, Padilha e companhia a respeito da propina da Odebrecht. "A princípio, nem Michel Temer nem Eliseu Padilha admitiram terem se encontrado com Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho no Palácio do Jaburu, onde morava o então vice, para falar de doação para o PMDB durante a campanha eleitoral de 2014. Ambos repudiaram em notas as “falsas acusações” e “mentiras”. (...) Dias depois de suas notas indignadas, tanto Temer quanto Padilha passaram a admitir ter havido o encontro dos quatro homens no Jaburu. Insistiam, porém, que era tudo dinheiro declarado."
Confira alguns trechos do texto:
"Essa versão começou a furar quando o Estado noticiou que quem entregara o dinheiro no escritório de Yunes havia sido Lúcio Funaro, um operador preso pela Lava Jato sob acusação de extorquir dinheiro de empresas junto com Eduardo Cunha. Segundo a notícia, Funaro entregara R$ 1 milhão em espécie ao amigo de Temer.
(...)
O que se deduz – pelas questões de Cunha e, principalmente, pela delação do empreiteiro confirmada por Yunes – é que nem toda doação da Odebrecht para o PMDB de Temer e Padilha foi pela declarada via bancária. Parte usou mulas. Por qual motivo?
Se a Justiça eleitoral descobrir, vai demorar. Padilha está hospitalizado. Temer pode alegar ignorância, arrolar testemunhas, postergar o julgamento. Enquanto isso, o governo tenta aprovar as reformas, aquecer a economia e ficar popular."
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/282915/Toledo-Temer-e-sua-turma-j%C3%A1-mudaram-v%C3%A1rias-vezes-vers%C3%A3o-sobre-propina-da-Odebrecht.htm

O fantasma Lula


A direita colocou em prática todo o seu plano para tirar o PT do governo. Tem o seu governo em Brasília, sua bancada no Congresso, conta com a blindagem da mídia, tem o grande empresariado a seu favor. Sua política econômica comanda a destruição do país e dos direitos das pessoas, liquida com o prestígio externo do Brasil, reduz o Estado brasileiro à sua mínima expressão, torna o país intranscendente no mundo.
Tudo está armado, as delações premiadas feitas, os processos sem provas constituídos, as acusações sem fundamento reiteradas na mídia, para consumar o golpe, mediante a blindagem do sistema político para tornar inviável que de novo um presidente possa voltar a governar o país. Já basta o pesadelo de mais de 12 anos.
Mas um fantasma segue rondando e tirando o sono de todos os que compõem a direita brasileira: o fantasma do Lula.
Porque pode-se fazer tudo com uma acusações feita só com convicções, com manchetes mentirosas, com capas de revistas falsas, com processos baseados em convicções, menos sentar-se em cima, governar sem nenhum apoio popular, contra o povo e contra a democracia. Nenhum governo pode resistir à força do apoio popular que o Lula tem.
Os editoriais especulam se ele será ou não condenado, quando seria, se poderia ainda assim ser candidato. Uns dizem que seria entre junho e outubro do ano que vem, em plena campanha eleitoral, ainda a tempo de ser excluído da disputa, eliminando o fantasma que tira o sono da direita brasileira.
Lula seria condenado em primeira instância, mesmo sem nenhuma prova, o que se repetiria em segunda instancia e pronto. Assim se daria a mágica de eliminar o Lula das eleições, como se fosse um ato administrativo, banal, mágico. E o governo seria definitivamente deles, para que dirigissem o Brasil como bem lhes interesses, como um prolongamento do pior governo que o país já teve, o que surgiu do golpe.
Lula se tornou assim a variável mais importante da história brasileira e do futuro do país. Se ele é candidato, ganha, e desfaz grande parte do que está sendo destruído pelo governo do golpe. Se o eliminam da disputa eleitoral, consumam o golpe. Nos dois casos se está decidindo a fisionomia que o Brasil terá em toda a primeira metade do século. Se consolidará como o país mais desigual do continente mais desigual, voltará ao Mapa da Fome e ao FMI. Ou retomará o caminho do desenvolvimento econômico com distribuição de renda, voltará a diminuir as desigualdades e a exclusão social, será de novo referência para o mundo no combate à fome e à miséria.
Daí o nervosismo da mídia, da direita no seu conjunto, espelhada nos editoriais, nas especulações. Todos depositam nas "hands" do Moro suas esperanças, as últimas que lhes resta. Porque quando o Lula fala, quando recorda o que fez, o que eles estão fazendo, quando retoma o potencial que o Brasil tem e o que deveria ser feito, a direita treme, pelas verdades inquestionáveis das palavras do Lula. Só resta então o apelo ao tapetão.
Lula já foi enterrado tantas vezes pelos colunistas da direita, mas a jararaca segue cada vez mais viva. O governo do golpe – como vozes da direita constatam – trabalha para o retorno do Lula, é seu melhor cabo eleitoral. Quanto mais sobe o índice dos que reconhecem que sua vida tinha melhorado a partir de 2003 e agora piora radicalmente, mais sobe o apoio ao Lula.
O futuro da variável Lula e do Brasil se decidem neste e no próximo ano. Quanto mais se avança no tempo, mais ressurge a esperança na figura do Lula. Não serão fáceis as noites da direita até lá. O Fora Temer tem seu corolário imediato no Volta Lula!
http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/282722/O-fantasma-Lula.htm

LOBISTA REAFIRMA: AÉCIO LEVOU PROPINA EM FURNAS

- O lobista Fernando Horneaux Moura, condenado a 16 anos e dois meses de prisão no âmbito da Lava Jato, participou de acareação com o ex-diretor da Engenharia de Furnas Dimas Fabiano Toledo no inquérito que apura o suposto envolvimento do senador Aécio Neves (PSDB) em um esquema de corrupção na estatal de energia.
Na acareação, Fernando Moura manteve sua versão de que, em 2003, o então dirigente de Furnas teria garantido que um terço da propina arrecadada na estatal iria para o PT nacional, um terço para o PT de São Paulo e um terço para o presidente nacional do PSDB.
Por sua vez, Dimas Toledo não negou o encontro com Fernando Moura após ser reconduzido ao cargo. Mas afirmou que "não teria discutido nenhum assunto acerca de redistribuição de valores de Furnas para o PT nacional, para o PT paulista e para Aécio Neves".
O ex-diretor, que deixou a estatal em 2005, reafirmou que a versão do lobista seria "mentirosa". Diante do confronto de versões, o procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu ao ministro do Supremo Gilmar Mendes a prorrogação do inquérito por mais 60 dias.
Rodrigo Janot pediu ao ministro do STF Gilmar Mendes que Aécio preste depoimento sobre o esquema de corrupção e propina em Furnas. O pedido da PGR é foi aberto com base na delação de Delcídio do Amaral, que afirmou que “sem dúvida” o tucano teria recebido propina em Furnas.
O doleiro Alberto Yousseff mencionou em sua delação premiada que Aécio dividia a diretoria de Furnas com o PP e teria recebido cerca de R$ 4 milhões, numa espécie de mensalão.
Caso o ministro Gilmar Mendes, relator do inquérito, acate a decisão, será a primeira vez em que Aécio falará sobre a corrupção na estatal federal de energia, em que ele é citado como beneficiário desde 2005 (leia mais).
http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/282848/Lobista-reafirma-A%C3%A9cio-levou-propina-em-Furnas.htm

GLEISI HOFFMANN PODE SER A NOVA PRESIDENTE DO PT

Waldemir Barreto - Com a resistência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em assumir a presidência do Partido dos Trabalhadores, o nome que está sendo discutido nos bastidores é o da senadora Gleisi Hoffmann (PR).
Integrante da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), Gleisi dialoga bem com todas as alas do partido e poderá representar a unidade que o PT procura, além de representar a eleição da primeira mulher na presidência do partido.
Seu nome já foi sugerido por várias lideranças e cresce a aceitação.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/282902/Gleisi-Hoffmann-pode-ser-a-nova-presidente-do-PT.htm

NA RECESSÃO DE TEMER, VENDAS DE VEÍCULOS CAEM 15,7% EM FEVEREIRO

- Dados divulgados nesta quarta-feira, 1º, pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que a recessão provocada com a ascensão de Michel Temer está longe de fato longe de chegar ao fim, como tenta fazer crer ao mercado o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
As vendas de veículos novos no Brasil tiveram queda de 15,7% em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2016. Em fevereiro, foram emplacados 204.938 carros, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e outros veículos no país, queda de 8,6% em relação a janeiro, mês que teve quatro dias úteis a mais. No acumulado do ano, a queda das vendas de veículos chega a 14,9% na comparação com os dois primeiros meses de 2016.
Segundo a Fenabrave, se se considerar apenas automóveis e comerciais leves, a queda nas vendas é de 6,8% em relação a fevereiro de 2016 e de 7,8% ante janeiro. No acumulado do ano, a queda nesses dois segmentos é de 5,4%.
"Dificuldades como essas, agregadas ao baixo índice de confiança, fizeram com que as famílias e as empresas se retraíssem em relação ao consumo, retardando a tomada de decisão para a compra de veículos novos", disse o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/282901/Na-recess%C3%A3o-de-Temer-vendas-de-ve%C3%ADculos-caem-157-em-fevereiro.htm

MARCELO ODEBRECHT DISSE TUDO, REVELA ADVOGADO

O empreiteiro Marcelo Odebrecht pode ter decretado, nesta tarde, a morte do governo de Michel Temer, que chegou ao poder há dez meses, por meio de um golpe parlamentar, que mancha a história do Brasil.
"Ele falou tudo o que deveria e o que poderia falar", disse no início da noite do advogado Luciano Feldens sobre o depoimento de seu cliente ao ministro Hermann Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral, que deve propor a cassação de Temer.
Como se sabe, em 2014, num jantar no Palácio do Jaburu, Temer pediu a Marcelo R$ 10 milhões, que saíram do departamento de propinas da empreiteira.
Parte do dinheiro foi paga em dinheiro vivo no escritório de José Yunes, melhor amigo de Temer, que disse ter sido "mula" de Eliseu Padilha.
Temer agora só não cai se conseguir empurrar ao máximo o julgamento no TSE e seus advogados já decidiriam que ele irá catimbar (saiba mais aqui).
Neste ano, o Fora Temer foi o grito de guerra do Carnaval e até a Globo já deu sinais de que irá abandonar o personagem que ajudou a colocar na presidência da República.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/282887/Marcelo-Odebrecht-disse-tudo-revela-advogado.htm

LAVA JATO PERMITIU ESBÓRNIA DA CORRUPÇÃO EM NOME DO COMBATE À CORRUPÇÃO

Por Luis Nassif, do Jornal GGN
Peça 1 – a dupla conspiração
O leitor Marcos Antônio trouxe uma das melhores narrativas para explicar o quadro político atual (https://goo.gl/4PESgu). Tomo emprestado a tese principal.
A fragilidade política de Dilma Rousseff, o avanço da crise econômica e o pré-ensaio bem-sucedido da AP 470 despertaram dois movimentos simultâneos de desestabilização política do governo Dilma.
O primeiro, uma frente composta pelo PSDB, Lava Jato, Poder Judiciário e mídia, visando o impeachment da chapa Dilma-Temer, o terceiro turno inaugurado no mesmo dia da divulgação dos resultados das eleições de 2014. Os personagens centrais dessa estratégia foram Gilmar Mendes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a Lava Jato acelerando as delações.
A tentativa de Gilmar acabou frustrada pela reação despertada e pelo fato do governador de São Paulo Geraldo Alckmin ter incorrido na mesma situação de Dilma: impugnar sua chapa significaria impugnar também a vitória de Alckmin.
Com isso, a primeira frente acabou sendo atropelada pela segunda, planejada antecipadamente por Eduardo Cunha e pela camarilha de Temer. A ideia do grupo foi montar uma superbancada na Câmara, valendo-se da influência que passou a exercer sobre a Petrobras, depois que a AP470 quase derrubou o governo Lula.
O grupo de Temer sempre se valeu da estratégia da chantagem. No episódio da compra de votos, por exemplo, chantageou Fernando Henrique Cardoso para conseguir cargos-chaves no governo tucano.
Quando a AP 470 colocou o governo Lula na berlinda, nova rodada de chantagem conferiu ao PMDB cargos-chaves no governo e, em especial, na Petrobras.
Com a explosão de obras do período, montou uma supercaixinha que lhe deu condição de ambicionar agora não mais Ministérios, mas o centro do poder, tornando o governo refém da Câmara.
A expectativa de perda de mandato de Eduardo Cunha, o desgaste de Dilma, com uma sucessão inédita de erros, fez Cunha avançar o sinal, paralisar o governo com pautas-bombas e abrir o processo do impeachment.
Montou-se um acordo meia boca com o PSDB, em torno da tal Ponte para o Futuro, a promessa de revogação da Constituição de 1988. Temer faria o trabalho sujo do desmonte da Constituição e abriria espaço para o PSDB em alguns ministérios.
A partir daí a camarilha saiu do segundo plano e passou a controlar o país, sem nenhuma
estratégia anticíclica para enfrentar a crise, nenhuma ideia criativa, nenhum conceito de Nação. Assumiram com apenas dois mandatos: o desmonte do Estado nacional e, como prêmio, o maior assalto da história aos cofres públicos.
Com a estrada pavimentada, o PT destruído, sua obra anterior reduzida a pó, o PSDB poderia se aventurar em 2018, mesmo sem dispor de programas e de projetos de país, confiando em uma economia em recuperação.
Os principais passos desse balé da conspiração:
1. A maior parte da corrupção da Petrobras estava sob o comando do PMDB. A Lava Jato tratou de esconder o lobista-mor, ligado ao PMDB, restringir as investigações ao período do PT e investir pesadamente sobre Lula, a fim de não atrapalhar a tomada do poder pelo PMDB.
2. Já o Procurador Geral da República (PGR) Rodrigo Janot simulou jogar com o governo Dilma até fins de 2014. Quando sentiu que os ventos mudaram, pulou de mala e cuia para o barco da conspiração.
3. O Supremo Tribunal Federal convalidou o golpe, especialmente após Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin terem abdicado de seu papel de defensores da Constituição.
4. O chega prá-la no PMDB consistiu na derrubada de Eduardo Cunha e, gradativamente, de cada membro da camarilha de Temer. Trabalho facilitado, aliás, pela extensa capivara de cada um. O próximo a cair será Moreira Franco.
Peça 2 – o assalto generalizado à República
O quadro que veio a seguir é dantesco.
No mais alto cargo, um presidente impopular, sem o menor carisma, negocista, com uma carreira política pavimentada pelo fisiologismo e por suspeitas reiteradas de corrupção.
No Congresso e nas estatais, tem-se o maior assalto à luz do dia da história da República:
1. A privatização do satélite brasileiro.
2. A entrega das concessões públicas às empresas de telecomunicações e radiodifusão.
3. A anulação das reservas indígenas.
4. A autorização para a venda de terras a estrangeiros que, se consumada, sancionará o maior processo de lavagem de dinheiro da história.
5. A legalização do jogo.
6. A entrega do pré-sal às operadoras estrangeiras, sem nenhuma exigência de contrapartida.
7. As sucessivas tentativas de importação de alimentos, reeditando alguns golpes históricos da Nova República.
8. A venda de ativos da Petrobras na bacia das almas.
9. O fim do conteúdo nacional nos projetos de construção das plataformas marítimas.
Essa esbórnia foi entregue de bandeja pela Lava Jato para a pior organização política da República, em nome do combate à corrupção.
Peça 3 – o desmonte do país
O desmonte está se dando nas seguintes frentes:
O projeto geopolítico
No dia 22 de fevereiro último, o Washington Post – jornal com estreitas ligações com fontes da CIA – produziu um artigo revelador (https://goo.gl/K2Hsov): “Como um escândalo que começou no Brasil está perturbando outros países da América Latina”.
A reportagem lembra o Brasil como estrela em ascensão quando conseguiu o direito e
sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. E que a Odebrecht se tornou um símbolo do
crescimento da importância brasileira no mundo, da mesma forma que a Coca-Cola para os Estados Unidos e a Toyota para o Japão.
Constata o jornal que a Odebrecht se tornou peça central do soft power brasileiro. E – aí não é o jornal afirmando - valendo-se dos mesmos expedientes da Siemens alemã, da IBM norte-americana, da Dassault francesa. Em todos os casos, puniram-se dirigentes, mas preservaram-se as empresas, vistas como ativos nacionais.
A reportagem admite que a corrupção não surgiu no governo Lula, nem com a Odebrecht, mas que ela foi a única a ser pega. E mostra como a Lava Jato, com a ajuda do Poder Judiciário desses países, está ajudando a limpar a área de todos os governos de esquerda no continente.
No Brasil, o desmonte atinge todos os segmentos, dos estaleiros à indústria de defesa e toda rede de fornecedores, com a redução da obrigatoriedade do conteúdo nacional nas plataformas.
Agora, se prepara o golpe final contra as empreiteiras brasileiras, com a cooperação firmada com os Ministérios Públicos de mercados conquistados por elas e a tentativa do TCU (Tribunal de Contas da União) de proibir novos contratos com elas. Um órgão assessor do Congresso se tornou peça-chave na destruição de ativos nacionais.
Não apenas isso.
O desmanche social
E aqui se entra nos desdobramentos não previstos pelo golpe.
A estratégia de desmonte do Estado aprofundou brutalmente a crise fiscal e a crise social.
A cada dia aumenta o desemprego, as tensões sociais, a insegurança nas grandes metrópoles, a crise fiscal da União e dos estados.
Há um brutal endividamento nas empresas. As que mais cresceram no período anterior são as mais endividadas. O sistema bancário montou operações de resgate estendendo os prazos dos financiamentos. Mas sem perspectivas de melhora da economia, caminha-se para uma crise sistêmica.
Por qualquer ângulo que se analise, será impossível a manutenção da política econômica atual e do próprio governo Temer.
A ideologização primária
Hoje em dia uma ideologização pesada domina os debates, tanto à direita quanto à esquerda, dificultando enormemente a busca de consensos. A ideia de construção nacional, pactos de produção, de inovação, afirmação de políticas sociais, equilíbrio entre o papel do Estado e do setor privado, todos os meios tons que deveriam servir de base para políticas de desenvolvimento cederam lugar a uma radicalização profundamente simplificadora.
Rapidamente, o pacote Meirelles torna-se inviável. E não aparece uma alternativa no lugar. Não levará muito tempo para que a agenda neoliberal seja substituída por uma liderança forte – de esquerda ou direita, civil ou militar – repetindo o roteiro norte-americano e britânico. Não mais um centro-esquerda relativamente racional.
Ou seja, o pêndulo com movimentos próximos do centro, mais à direita com o PSDB, mais à esquerda com o PT, mas sem abrir mão dos princípios democráticos, em breve será substituído por alguma saída autocrática.
Aí entram em cena as delações da Odebrecht, como um dos momentos de corte.
Peça 4 – as delações da Odebrecht e o MPF
Considere-se inicialmente o papel do Ministério Público Federal no golpe. Sabia-se desde o início da extensa capivara dos líderes do PMDB no Congresso; sabia-se de Temer, Cunha, Geddel, Padilha, Moreira Franco, como se sabia de Aécio, Serra, Alckmin, tanto quanto de Dirceu, Pallocci. Se sabia que o impeachment jogaria o país nas mãos do pior agrupamento que a política brasileira gestou desde a redemocratização.
O álibi mais generoso para a ação golpista e antinacional do MPF é o da ignorância, um grupo de procuradores desinformados, sem conhecimento mínimo sobre economia, geopolítica, interesse nacional, acreditando que a Lava Jato tinha chegado ao cerne da corrupção brasileira, com os tríplex, pedalinhos e quetais. Ou acreditando que comeria os políticos pelas bordas, primeiro o PT, depois o PMDB. Mas poupando sempre o PSDB.
Aliás, não dá para esperar essa visão política mais sofisticada do MPF quando nem a presidência da República nem o seu Ministro da Justiça demonstravam a menor sensibilidade para esses temas.
O Brasil está sendo literalmente destruído por um processo amplo de ignorância coletiva.
Era tão hipócrita o discurso anti-corrupção que, para apear do poder uma presidente honesta – jogando no lixo os votos majoritariamente dos mais pobres – tiveram que apelar para a história das pedaladas.
No final do governo Dilma, firmou-se um pacto tácito entre os conspiradores. Para manter as aparência de luta contra a corrupção e de isenção das investigações, seria sacrificado pelo menos um cacique de cada partido. Do PMDB, preferencialmente Cunha e Renan Calheiros; do PSDB, Aécio.
O fator Rodrigo Janot embolou um pouco o meio campo.
Fator Rodrigo Janot
Para investigar o conterrâneo Aécio, a estratégia adotada por Janot tem sido a da postergação das investigações.
A informação de que Janot solicitou ao Ministro Gilmar Mendes prorrogação do inquérito aberto para investigar as ligações de Aécio com a Lista de Furnas, é a comprovação cabal de sua estratégia de postergação permanente dos inquéritos.
Tome-se o caso da Lista de Furnas.
Nas primeiras delações de Alberto Yousseff, apareceram as menções às propinas recebidas por Aécio através do diretor Dimas Toledo. Desde 2010, dormiam na gaveta da PGR as peças do inquérito aberto para investigar as contas de Aécio em Liechtenstein.
Em 29 de fevereiro de 2016 – um ano atrás! – foi homologada a delação do ex-senador Delcídio do Amaral.
O que disse Delcídio sobre Dimas:
DELCIDIO DO AMARAL teve conhecimento de um grande esquema de corrupção que ocorria em Furnas, operado por DIMAS TOLEDO. Tai esquema já foi mencionado, "en passant", anteriormente por ALBERTO YOUSSEF, tendo se referido à participação de AÉCIO NEVES no esquema.
DELCIDIO DO AMARAL confirma que esta referencia ao Sena dor Mineiro tem fundamento. A corroboração de que YOUSSEF tinha conhecimento do esquema, e o fato de que ele mencionou a pessoa de DIMAS TOLEDO, experiente e competente profissional do setor elétrico.
DIMAS TOLEDO era o operador do esquema de corrupção em Furnas pela PSDB. O esquema de Furnas atendia vários interesses espúrios do PP, do PSDB e depois de 2002, do próprio PT.
DELCIDIO DO AMARAL, em viagem a Campinas com o presidente LULA, foi perguntado pela Ex-Presidente sobre a atuação de DIMAS: "DELCÍDIO, quem e esse cara?" DELCIDIO respondeu: "E um profissional do setor elétrico. Por que o senhor me pergunta isso?" LULA respondeu: "E porque o Janene veio me pedir pela permanência dele, depois o AÉCIO e até o PT, que era contra, já virou a favor da permanência dele. Deve estar roubando muito!"
DELCIDIO sabe que DIMAS TOLEDO sempre teve informa<;6es relevantes de vários governos estaduais e federais, vez que era Diretor de Engenharia de FURNAS, tanto que o então Ministro JOSE DIRCEU afirmou: "Se colocarem o Dimas como ascensorista de Fumas, ele manda no presidente".
Dimas não era mais um operador: era o centro de uma extensa rede de corrupção, como se fosse a soma de Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff. Qualquer investigação minimamente profissional e isenta daria prioridade total a investiga-lo pois, a partir dele, se mapearia toda a estrutura de corrupção em torno de Furnas.
Hoje em dia, são decretadas prisões preventivas às pencas, sob o argumento de que, solto, o suspeito poderia esconder provas. Dimas está solto há anos, tendo sido incomodado pouquíssimas vezes.
Pelo arrazoado de Janot, fica-se sabendo que:
1. Assim como o inquérito da helicoca, o da Lista de Furnas parou no TRF2 – o Tribunal Regional Federal da 2a Região, com sede em Belo Horizonte.
2. O inquérito quebrou o sigilo de Dimas Toledo, mas o TRF2 manteve os dados em sigilo.
3. O máximo que se avançou foi em uma acareação entre um delator, Fernando Antônio Horneaux de Mora e Dimas, na qual o delator acusou e Dimas se defendeu. E nada mais foi apurado.
Um ano após a homologação da delação de Delcídio, Janot solicita mais 60 dias de prorrogação do inquérito para que a PF traga os seguintes documentos:
· Juntada de cópia do relatório final elaborado pelo TCU sobre o "Mensalão de Furnas", sobre possíveis irregularidades em contratos celebrados por DIMAS FABIANO TOLEDO, enquanto Diretor de Engenharia de FURNAS, conforme solicitado pela autoridade policial no Ofício 0200/217 de fl. 481);
· Juntada de cópia do relatório final elaborado pela Controladoria Geral da União sobre o "Mensalào de Furnas", conforme solicitado pela autoridade policial no Ofício 0201/2017 de fl. 482;
· Juntada de autos que tramitaram perante a 3? Vara Criminal da Comarca do Rio de Janeiro, no qual houve quebra de sigilo bancário de DIMAS FABIANO TOLESO, conforme solicitado no Ofício 0202/2017 de fl. 487;
· Oitiva de SILVIO PEREIRA (fl. 456); Oitiva de JOSÉ DIRCEU (fl. 455); Oitiva do colaborador DELCIDIO DO AMARAL GOMEZ; g) Oitiva do investigado.
Daqui a 60 dias, tudo pode ocorrer: uma nova solicitação de prorrogação de prazo, alguma medida de Gilmar visando paralisar o inquérito, a alegação de que nada foi encontrado capaz de corroborar as acusações.
Peça 6 – o barril de pólvora
Com a divulgação da delação da Odebrecht monta-se o quadro, com a mais completa desmoralização do poder civil brasileiro desde os idos de 1964.
A delação é o estopim em cima do seguinte barril de pólvora:
1. Economia sem sinais de reativação. A necessidade de criar fatos faz a mídia comemorar possibilidade de crescimento do PIB de 1% no próximo ano, depois de queda de 8%. Ou saudar a entrada de investimentos externos, que estão vindo exclusivamente atrás de empresas em dificuldades, sendo vendidas na bacia das almas, como se fosse sinal de recuperação. Quem opera no mundo real, como a Fnac, está tirando o time do país.
2. Desmoralização do discurso da austeridade, a ideia de que com mais arrocho se terá a volta do crescimento.
3. A corrupção do grupo de Temer eliminando qualquer tentativa de legitimidade do Executivo, ao mesmo tempo em que se tenta colocar goela abaixo do país a reforma da Previdência. Os papéis distribuídos pelo Anonymous mostram estreitas relações de negócio entre Temer, José Yunes e Sandro Mabel (https://goo.gl/95WjSw). Tanto Mabel quanto Yunes foram nomeados assessores especiais por Temer, na sua cota pessoal. Yunes foi acusado de intermediar propinas para o PMDB, com o conhecimento de Temer (https://goo.gl/yjf8PF). Mabel é conhecido por intenso trabalho de lobby no Congresso (https://goo.gl/4aCwz2).
4. Avanço avassalador do crime organizado nas principais regiões do país, movimento ampliado pelo fato da economia formal ser incapaz de gerar empregos.
5. Aumento da criminalidade e da insegurança, devido à crise fiscal dos estados, desaparelhando as polícias, e ao aumento do desemprego. Em grande parte dos estados, as PMs abriram mão de suas responsabilidades em relação ao crime organizado para se tornarem polícias políticas. O caos do Espírito Santo expôs as vísceras de um modelo fiscal inviável.
6. Desmanche da imagem do Brasil internacionalmente, como futura média potência. O arranjo político legado pela Lava Jato tornou o Brasil, aos olhos da opinião pública mundial esclarecida, uma republiqueta similar às piores republiquetas africanas (https://goo.gl/I1Y40t). Obviamente, em nome da grande causa de combate à corrupção. O artigo do Le Monde analisa o significado da indicação de Alexandre de Morais para o Supremo.

Temer não resistirá. O PSDB não resistirá. O PT está fora do jogo.
O que sobrará após as delações da Odebrecht? O que a Globo, o Supremo, o mercado, o PGR terão a oferecer para evitar o caos, como contrapartida à sua responsabilidade nesse desmanche do país?
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/282846/Nassif-Lava-Jato-permitiu-esb%C3%B3rnia-da-corrup%C3%A7%C3%A3o-em-nome-do-combate-%C3%A0-corrup%C3%A7%C3%A3o.htm

LÉO DE BRITO: GOVERNO PROPAGA “MITO” DE ROMBO PARA BENEFICIAR PREVIDÊNCIA PRIVADA

Zeca Ribeiro 247 - O deputado Leo de Brito (PT-AC), presidente da comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, criticou nesta quarta-feira, 1º, o projeto de reforma da Previdência enviado por Michel Temer ao Congresso Nacional.
"Está comprovado que, em se cumprindo a Constituição brasileira, no que diz respeito às receitas do regime geral da Previdência, não existe 'rombo da Previdência'. É mais um mito que está sendo disseminado com essa propaganda mentirosa nas redes sociais e televisões", afirmou o parlamentar.
No Senado, a bancada da oposição já conseguiu assinaturas necessárias para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o suposto rombo na Previdência (leia mais).
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/282898/L%C3%A9o-de-Brito-Governo-propaga-%E2%80%9Cmito%E2%80%9D-de-rombo-para-beneficiar-previd%C3%AAncia-privada.htm