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terça-feira, 30 de março de 2010

Ampliação de estrada Alcântaras - Coreaú motiva preocupação


A construção de uma rodovia que possa oferecer melhores condições para o tráfego pode trazer muitos benefícios, mas também preocupação, principalmente, para a população que mora em comunidades que margeiam essas estradas. É o caso dos moradores da comunidade de Macaco, Espírito Santo e Belém, que ficam entre as cidades de Alcântaras e Coreaú. O trecho de uma rodovia, que interliga as duas cidades de 15 quilômetros, já se encontra na fase de licitação devendo as propostas serem encaminhadas até o dia 9 de abril. Técnicos de uma empresa de avaliação de imóveis já estiveram visitando proprietários de casas, terrenos, sítios e fazendas, para iniciar o processo de desapropriação.

A visita trouxe preocupação para esses moradores que temem deixar suas moradias e não ter para onde ir. "Sou viúva, moro com meus três filhos e estou preocupada com a situação. Acredito que o dinheiro da indenização não será o bastante para adquirir outra casa pra eu morar. Acho que vou terminar morando de aluguel", essa é a preocupação da dona-de-casa Maria do Espírito Santo.

A estrada que deverá receber malha rodoviária é a CE-241. A rodovia faz a ligação das cidades de Alcântaras aos municípios vizinhos de Coreaú e Moraújo. Também é caminho ao litoral de Camocim. Com a construção, o Governo do Estado pretende transformar o perfil da estrada cearense contribuindo para o desenvolvimento sustentável e possibilitando redução de distâncias e de custos de transportes de cargas e também passageiros.

"Para receber melhorias, devemos ocupar uma faixa de 20 metros de cada lado, o que ocasionará desapropriação desde seu início na cidade de Alcântaras até próximo a Coreaú", disse o representante da Geosolos - Consultoria, projetos e Serviços Ltda, Antônio Roberto, acrescentando que a previsão para conclusão da obra é de 300 dias.

Ele está orientando o dono dos imóveis visitados que não faça nenhuma modificação na arquitetura para não dificultar a avaliação. "Tudo aqui será calculado por metro. Tanto em termo de edificação como em terreno livre. O preço será avaliado de acordo com o praticado no mercado local", disse.

A dona-de-casa Maria Vanúzia Moreira de Sousa mora na localidade de Macaco, em uma casa cedida pelo irmão. Apesar de receber os técnicos, não abre mão em resistir para permanecer morando no local. "Eles chegam logo ameaçando. Se não aceitar a proposta, dizem que a casa vai ser derrubada assim mesmo. Acho que não é por aí", reclama a moradora.

"A indenização que o governo costuma dar para as pessoas que vivem numa situação dessa é sempre inferior ao valor do imóvel. O que acaba trazendo descontentamento", comentou o morador Gerardo Vicente do Nascimento. Ele adiantou que o asfaltamento da estrada é uma novela antiga e que se arrasta "há anos" na região.

A estrada que ligará as duas cidades por pavimentação asfáltica é um trecho bastante sinuoso com ladeiras altas e perigosas. Liga a Serra da Meruoca ao Vale do Coreaú e é rota de transportes de mercadorias para o comércio das cidades.

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