Após
o Congresso Nacional derrubar o decreto presidencial que visava
atualizar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), setores do
Centrão e da extrema-direita, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), voltaram a se posicionar e defender o desembarque dos partidos do centro do governo federal.
Ciro
Nogueira expressou suas ideias em um artigo publicado na Folha de S.
Paulo e, posteriormente, em uma entrevista para a Globo News. Nogueira
defendeu que os Republicanos, Partido Progressista e União Brasil deixem
o governo federal, que ele classificou como "analógico".
No entanto, as declarações de Ciro Nogueira receberam resposta da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que afirmou que Nogueira, o Centrão e os bolsonaristas têm, no fundo, medo de polarizar com o presidente Lula.
"Impossível
enxergar 'bom senso' no campo da extrema-direita que Ciro Nogueira
defende em artigo na Folha. Que bom senso há em pessoas que destruíram a
economia do país, que negaram a ciência na pandemia, que tentaram dar
um golpe de Estado e ainda por cima falam em anistia para golpistas? A
polarização que eles temem é a da vida real, entre o governo deles e o
do presidente Lula, que retomou o crescimento do país, criou 3,8 milhões
de empregos, aumentou o salário e a renda das famílias. Entre quem tem
um projeto para o país e quem tem contas a prestar à Justiça", escreveu
Gleisi Hoffmann.
Gleisi alerta Motta: "R$ 9,8 bilhões de emendas serão congeladas"
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou as redes sociais para explicar ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
(Republicanos-PB), e ao Centrão, como um todo, que a derrubada o
decreto do IOF resultará no congelamento de quase R$ 10 bilhões em
emendas parlamentares.
Para Gleisi, "O Decreto do IOF reflete o
esforço do governo de construir entendimento com o Congresso Nacional,
atenuando os impactos do decreto editado anteriormente;"
"O
Decreto tem natureza regulatória, apesar das consequências fiscais. Não
há qualquer base jurídica para o PDL; A arrecadação prevista para 2025,
que era de R$ 20 bilhões no decreto anterior, caiu para R$ 12 bilhões
com o novo Decreto; A proposta não interfere sobre fluxos de capital
estrangeiro", afirmou a ministra.
Gleisi continua: "A proposta
padroniza a tributação de operações de crédito com pessoas físicas e
pessoas jurídicas. A derrubada do decreto levaria pessoas físicas a
pagarem alíquota diária de IOF duas vezes maior do que a aplicável a
pessoas jurídicas; O Decreto contribui para reduzir elisão fiscal e
eliminar distorções no funcionamento do mercado de crédito para grandes
empresas; Padroniza distintas alíquotas que eram aplicadas sobre
operações cambiais com meios de pagamento similares e prejudicavam a
escolha dos instrumentos mais eficientes, adotando carga tributária
(3,5%) inferior à vigente até 2022 (6,38%)."
Em outro momento,
Gleisi explica que "A derrubada do decreto reduzirá a receita de 2025 em
R$ 10 bilhões, colocando em risco o cumprimento da meta de resultado
primário em 2025; Para 2026, a derrubada do decreto pode dificultar a
meta de resultado primário em R$ 30 bilhões; Para compensar essa perda
de receita, o bloqueio e contingenciamento, que já são de R$ 31 bilhões,
tudo o mais constante, terá que ser elevado para R$ 41 bilhões,
resultando em risco de paralisação de programas como Auxílio Gás,
Assistência Social, Minha Casa Minha Vida, Pé de Meia, entre outros."
A ministra conclui afirmando que "as
emendas parlamentares também serão afetadas pela derrubada do Decreto.
Em 2025, o contingenciamento adicional de emendas será de R$ 2,7
bilhões, somando-se aos R$ 7,1 bilhões já contidos, resultando no total
de R$ 9,8 bilhões. Em 2026, considerado apenas o efeito dessa medida, a
derrubada do decreto resulta em perda de R$ 7,1 bilhões para as emendas
parlamentares."
Haddad reage à traição de Hugo Motta: "Decreto do IOF corrige injustiça"
Os
líderes do governo Lula (PT) foram surpreendidos pelo presidente da
Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que, às 23h de
terça-feira (24), usou as redes sociais para informar que pautaria o PDL
que susta o decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF).
Diante
dessa situação, parlamentares ligados ao governo federal acusam Hugo
Motta de quebrar uma série de acordos estabelecidos durante um jantar
realizado há uma semana. Especificamente sobre a pauta do PDL, afirmam
que havia sido combinado um prazo de duas semanas, o que também não foi
cumprido por Motta.
Ao tomar conhecimento de mais uma traição de
Hugo Motta, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender o
aumento do imposto sobre o IOF e afirmou que ele traz "justiça".
"O
decreto do IOF corrige uma injustiça: combate a evasão de impostos dos
mais ricos para equilibrar as contas públicas e garantir os direitos
sociais dos trabalhadores", disparou Fernando Haddad.
"Provocação infantil": Lindbergh reage ao conchavo de Motta e bolsonaristas sobre IOF
O
governo Lula e o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias
(PT-RJ), reagiram ao conchavo entre o presidente da casa legislativa,
Hugo Motta (Republicanos-PB) e bancada comandada por Jair Bolsonaro
(PL), que tenta derrubar a proposta de mudança nas alíquotas do Imposto
sobre Operações Financeiras (IOF).
ENTENDA:
Motta e Alcolumbre pautam Congresso para dar início ao "sangramento" de Lula em prol de Tarcísio
Emendas Pix: deputado "evangelizador" mandou R$ 2 mi para asfalto de "Beverly Hills", onde mora
Nas
redes sociais, a ministra Gleisi Hoffmann, de Relações Institucionais,
lembrou o diálogo do governo com o parlamento sobre o tema, que "traz
ajustes necessários para a execução do Orçamento de acordo com o
arcabouço fiscal aprovado pelo Congresso".
"Quando falam em
aumento de imposto, é preciso lembrar que o IOF para cartões
internacionais era de 6,38% em 2022 e está sendo fixado em 3,5% pelo
decreto, depois de duas quedas consecutivas na alíquota. No diálogo com o
Congresso, o governo retirou ajustes que incidiriam sobre outras
operações. A derrubada dessa medida exigiria novos bloqueios e
contingenciamentos no Orçamento, prejudicando programas sociais e
investimentos importantes para o país, afetando inclusive a execução das
emendas parlamentares", afirmou, focando no principal foco de chantagem
dos deputados com o governo: a liberação das emendas parlamentares.
Já
o líder do PT deu uma entrevista coletiva em que classifica como
"provocação infantil" o acordo feito com o líder do Pl, Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ) - braço político de Silas Malafaia -, de colocar o
bolsonarista Coronel Chrisóstomo (PL-RO) como relator do Projeto de Lei
para sustar a mudança no IOF, que foi colocado por Motta na pauta de
votação da Câmara nesta quarta-feira (25).
"Colocar o coronel
Crisóstomo como relator parece uma provocação infantil", disse
Lindbergh. "Eu falei de provocação infantil a nomeação do coronel
Crisóstomo, significa dizer que não há negociação, que não há nenhum
tipo de intermediação. Nós vamos votar o mérito já de forma muito clara,
ele com a posição que todo mundo sabe aqui, que é pela derrubada
integral do mérito", emendou mais adiante.
O líder do PT revelou
ainda que a reunião para pautar o projeto aconteceu às 23h35 desta
terça-feira (24) e o tema será votado em sessão virtual, sem o debate em
plenário.
"Eu acho que é uma temeridade do presidente Hugo Mota
pautar um tema de tamanha importância sem deputados aqui em Brasília",
afirmou.
Lindbergh ainda falou que o conchavo entre Centrão e
bolsonaristas para pressionar por mais cortes em projetos sociais é uma
"marcação de posição contra o governo" e antecipa 2026.
"Essa
marcação de posição contra o governo nesse momento, dessa forma, eu acho
muito ruim. Como eu acho ruim a gente antecipar o debate de 2026. 2026
tem que ser tratado em 2026. Eu vejo que há alguns setores tentando
atrapalhar, inviabilizar o governo do presidente Lula, porque os cortes
vão ser grandes, em programas importantes", disse.
"Você acha que
o presidente Lula fica feliz em cortar o Minha Casa Minha Vida, de
cortar recursos da educação, da saúde num momento como esse? Então eu
acho o seguinte, que não é correto tentar antecipar o calendário
eleitoral, como impondo uma derrota ao governo e prejudicando todo o
país, nós não vamos aceitar que tentem paralisar o governo do presidente
Lula", emendou.
"Sangrar" Lula
Os
presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), deram início ao projeto do Centrão, aliado à
chamada Terceira Via - que une ainda Faria Lima e mídia liberal -, para
iniciar o "sangramento" de Lula para favorecer Tarcísio Gomes de Freitas
(Republicanos) na disputa presidencial em 2026.
A antecipação da
disputa presidencial com pautas-bomba no Congresso é articulado pelo
ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro (PL), o senador Ciro
Nogueira, presidente nacional do PP, e por Antônio Rueda, que comanda o
União Brasil.
As duas siglas se uniram em abril em uma federação
em abril, que hoje conta com a maior bancada na Câmara, com 104
deputados, além de 14 senadores.
Nogueira e Rueda iniciaram um
levante para cooptar quadros do centrão e a direita para antecipar as
eleições e implodir a base do governo, que conta com partidos de centro,
a partir do segundo semestre de 2026, antecipando em mais de um ano a
disputa eleitoral.
Nesta terça-feira (24), os dois se reuniram
com os presidentes do Republicanos, Marcos Pereira, e do MDB, Baleia
Rossi, para articular a adesão das duas siglas, que têm cargos no
governo Lula - o PP também comanda uma pasta, de Esportes, com André
Fufuca (PP-MA).
“Em primeiro lugar, queremos alinhar os palanques
estaduais para as eleições do próximo ano; em segundo, ter uma atuação
conjunta no Congresso. Isso é importante para fazer uma frente desses
quatro partidos", disse Nogueira à jornalista Vera Rosa, do Estadão,
confirmando a articulação com o Congresso.
“O governador Tarcísio
só vai ser candidato à sucessão de Lula se tiver o apoio do presidente
Bolsonaro lá na frente. Agora, eu defendo que os nossos partidos
escolham o mesmo nome para podermos estar juntos na campanha”, emendou
Nogueira, ciente que Bolsonaro já desistiu da disputa em razão da
inelegibilidade e iminente prisão.
Bolsonaro já tem procurado
postulantes da direita como o próprio Tarcísio e Ronaldo Caiado
(União-GO) para trocar o apoio da bancada e de sua base de votos pelo
indulto a quem vença Lula e chegue ao Planalto. O ex-presidente também
tem interesse em montar uma base forte no Senado para levar adiante o
impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) considerados
inimigos pelo clã, como Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar
Mendes.
Pautas-bomba
Após a reunião, já no fim da noite,
às 23h35, Hugo Motta foi às redes anunciar a pauta-bomba da sessão da
Câmara nesta quarta-feira (25), que dá início ao "sangramento" de Lula.
Motta
surpreendeu até deputados oposicionistas ao pautar, entre outros, o
Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que enterra definitivamente a
proposta do governo de elevar o Imposto de Operações Financeiras, o IOF,
para fazer o ajuste das contas públicas - como ele próprio e a
terceira-via cobram na frente das câmeras.
A pauta ainda inclui o
PL 2692/25, que isenta do Imposto de Renda quem ganha até dois salários
mínimos - na prática adiando a proposta do governo de isentar àqueles
que ganham até R$ 5 mil, que está sendo relatada por Arthur Lira (PP-AL)
em Comissão Especial.
Além disso, Motta sinaliza à indústria do
petróleo com a "MP 1291 que autoriza uso de até R$ 15 bi/ano do Fundo
Social para habitação popular e permite ao governo leiloar óleo e gás
excedente, com potencial de arrecadar até R$ 20 bi" e a Faria Lima, com a
"MP 1292 que permite a contratação de crédito consignado por
trabalhadores do setor privado".
O início da pressão sobre o
governo Lula foi comemorado pelo Líder do PP na Câmara, sinalizando o
conchavo do Centrão. "O Presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta
tem a prerrogativa de estabelecer a pauta da Câmara e o Plenário
soberano e democrático de votar as matérias conforme o sentimento da
população Brasileira. Vamos ao voto", publicou no X já na madrugada
desta quarta-feira, às 1h05.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/2025/6/26/gleisi-hoffmann-humilha-ciro-nogueira-tem-medo-de-polarizar-com-presidente-lula-182273.html