G20 NO BRASIL — Além de todas essas viagens
que nós já fizemos, estamos numa fase agora que é o mundo que vem ao
Brasil. O Brasil visitou o mundo, agora o mundo vai visitar o Brasil.
Nós, neste nosso G20, temos algumas novidades. A primeira novidade é que
temos 67 reuniões do G20 para fazer, dos vários campos. Nós criamos o
G20 social. E estamos trabalhando com o empoderamento das mulheres que
foi criado na Índia e que a gente quer fortalecer muito porque as
mulheres têm um papel extremamente importante na sociedade. E, cada vez
mais as mulheres, assumem papel político. Até o Brasil serve como
exemplo, porque aqui nós aprovamos uma lei no Congresso Nacional que
define o seguinte: trabalho igual, salário igual entre mulheres e
homens.
COP 30, EM BELÉM — Há muitas décadas, todo
mundo ouvia o mundo inteiro falar da Amazônia. Agora a Amazônia vai
falar para o mundo. É por isso que nós convocamos a COP na cidade de
Belém, que é um lugar muito especial da Amazônia. É um lugar em que a
gente pode ter problemas, porque não tem toda a estrutura que tem em uma
cidade grande como Paris, como São Paulo, como Londres, como Madrid,
como Nova York, não. Mas a gente vai fazer lá mesmo, que é para as
pessoas sentirem como é que vivem as pessoas que moram na Amazônia.
Então, para nós vai ser uma coisa extraordinária. Eu espero que a gente
saiba tirar proveito disso o máximo possível.
ECONOMIA NACIONAL — Eu encontrei com a
diretora-geral do FMI, em Hiroshima, em janeiro de 2023, e ela
taxativamente disse que a economia brasileira só ia crescer 0,8%, ou,
quem sabe, um pouco menos. E eu falei para ela: “a senhora está
enganada. A economia brasileira vai crescer mais de 0,8%”. Crescemos
2,9%. A inflação está controlada, o desemprego está caindo. Nós temos o
menor desemprego dos últimos dez anos. Uma demonstração de que as coisas
estão andando. No Brasil, as pessoas precisam aprender a utilizar a
macroeconomia, que o mercado tanto discute por meio da imprensa, mas
discute a microeconomia, que é o chamado pequeno crédito para milhões de
pessoas nesse país, que faz a economia funcionar. Eu digo sempre que um
mundo em que poucos têm muito dinheiro, o resultado da sociedade é
miséria, é analfabetismo, é prostituição, é fome, é desemprego. Mas num
mundo em que todos têm um pouco, é exatamente o contrário. A sociedade
vira uma sociedade de classe média, a sociedade pode consumir, a
sociedade pode almoçar fora, a sociedade pode viver dignamente.
COLHEITA — Eu já fiz quase 89 lançamentos de
políticas públicas dentro do Palácio do Planalto, mas até você lançar a
política pública e ela chegar, é como a água do chuveiro, sabe? Que você
liga e ela vem gelada primeiro, você fica esperando ela esquentar. A
economia é a mesma coisa. Na hora em que você planta, leva um tempo para
germinar e você começar a colher. Então, agora nós estamos em uma fase
de colheita. O que eu prometi? Eu prometi entregar 3,6 milhões de
crianças em escola de tempo integral. Eu prometi fazer 100 novos
institutos técnicos. Nós criamos um programa — Pé-de-Meia — para
assegurar que os meninos do ensino médio não desistam da educação por
conta do orçamento familiar. Nós estamos pagando uma poupança de R$ 9
mil em três anos. São parcelas de R$ 200 durante dez meses. Nós estamos
garantindo, num pacto com o governo dos estados e com as prefeituras,
alfabetizar as crianças na idade certa. Até o segundo ano do ensino
fundamental, as crianças estarem alfabetizadas nesse país. Porque se
você não conseguir alfabetizar até essa idade, depois vai ser um
retrocesso muito grande ao longo da vida toda. Então, eu estou ciente
que nós vamos entregar um Brasil mais produtivo, um Brasil mais feliz,
um Brasil com mais gente consumindo, com mais gente tendo carro, com
mais gente viajando, com mais gente sorrindo, com mais gente falando de
amor e com menos gente falando de ódio, e com menos fake news.
RESPONSABILIDADE FISCAL — A questão da
responsabilidade fiscal eu trago nas minhas entranhas. Porque eu conto
sempre o modelo econômico da minha mãe. E ela dizia: “meu filho, a gente
só pode gastar aquilo que a gente ganha. Se a gente gastar mais do que a
gente ganha, a gente vai quebrar”. A não ser que você faça uma dívida
para construir um ativo novo. Mas se você fizer dívida para gastar, você
vai quebrar. Isso é o que me baseia. A minha grande lição de economia é
essa. Não aprendi na USP, não aprendi na Unicamp, não aprendi em
Harvard. Aprendi com uma mulher analfabeta chamada Dona Lindu.
INFLAÇÃO — O importante é fazer a economia
brasileira crescer, o importante é fazer a distribuição da riqueza, o
importante é controlar a inflação. E eu sei a importância do controle da
inflação. Eu sei porque eu vivi dentro de fábrica 27 anos e vivi dentro
de fábrica quando a inflação era 80% ao mês. Eu sei porque eu senti na
carne e na mesa. Então, a minha responsabilidade com a inflação é maior
do que a de qualquer cidadão que você possa imaginar.
GESTÃO — Se eu disser para vocês como é que
nós encontramos esse país, vocês não têm noção. Vários ministérios
desmontados, vários ministérios sem funcionário. O Ibama tinha 700
funcionários a menos do que quando eu o deixei em 2010. Gente, eu dou um
número para vocês que é o número mais marcante. Quando eu deixei a
presidência, dia 31 de dezembro de 2010, era vendido nesse país 3,8
milhões de carros. Quando eu voltei, 15 anos depois, esse país só vendia
1,8 milhão de carros. Ou seja, metade. E agora eu estou fazendo um
esforço muito grande, sabe? E as coisas estão acontecendo, porque a
indústria automobilística já anunciou investimentos de R$ 130 bilhões
até 2028. A indústria chinesa vindo para cá foi muito importante porque
alavancou a vontade dos outros competir. É isso o que o Brasil precisa.
Então, a gente não vai brincar com a estabilidade fiscal, estabilidade
econômica e estabilidade social. São três valores fundamentais na minha
vida e eu quero fazer deles um novo jeito desse país voltar a crescer e
distribuir um pouco daquilo que ele produz.
CHINA — É importante dizer para vocês que este
ano nós completamos 50 anos de relações diplomáticas e comerciais com a
China. E nós queremos fazer uma grande festa aqui no Brasil, porque o
presidente Xi Jinping vai vir em uma visita oficial e nós pretendemos
discutir com os chineses uma nova parceria estratégica entre Brasil e
China. Uma parceria estratégica que envolva não apenas exportação de
commodities, mas que envolva, no fundo, a gente fazer uma discussão
envolvendo ciência, tecnologia, envolvendo a produção de chips, de
software. Ou seja, o que nós queremos, na verdade, é ter uma parceria
estratégica que faça com que a relação Brasil-China seja infinitamente
maior, mais próspera e que possa gerar emprego na China e emprego no
Brasil. Eu estou muito otimista com essa visita do presidente Xi Jinping
e estou muito otimista com a reunião do G20. A China é um grande
parceiro do Brasil. O Brasil pode aprender com a China. Como é que a
China conseguiu em tão pouco tempo dar o salto de qualidade que deu na
questão comercial? Nós não queremos brigar com os Estados Unidos para
estar junto com a China. Nós não queremos brigar com a China para estar
junto com os Estados Unidos. Nós queremos ter relação com a China, com
os Estados Unidos. Com a Alemanha, queremos ter aliança na América do
Sul. Porque esse é o papel de um país do tamanho do Brasil. Esse é o
papel de um país importante, que tem muita, muita perspectiva de um
futuro muito promissor para o seu povo.
ELEIÇÕES NOS EUA — Na medida que o presidente
Biden resolveu tomar uma posição, o meu papel é torcer para que eles
escolham um candidato ou uma candidata que dispute as eleições e que
vença aquele que for o melhor, aquele que o povo americano votar. Porque
o meu papel não é escolher o presidente dos Estados Unidos, o meu papel
é conviver com quem é o presidente dos Estados Unidos. Então, seja um
candidato democrático, seja o Biden, seja o Trump, a nossa relação vai
ser uma relação civilizada de dois países importantes que têm uma
relação diplomática de séculos que a gente quer manter. Temos parcerias
estratégicas importantes com os Estados Unidos e nós queremos manter.
PAZ — O Brasil não tem divergência e é bom.
Vocês podem ter certeza de uma coisa: todos os países do mundo gostam do
Brasil. Todos. E a recíproca é verdadeira. O Brasil tem que gostar de
todos os países do mundo. O Brasil não tem que ficar analisando “Ah, tal
presidente é de direita, tal presidente é de esquerda, tal presidente é
isso”. Não é esse o papel de um presidente da República. O Estado
brasileiro se relaciona com o Estado chinês. O Estado brasileiro se
relaciona com o Estado americano, com o Estado alemão. E se a gente
colocar isso na cabeça como coisa definitiva, o mundo vai viver muito
melhor. O mundo não pode ser vítima de provocações. Provocações baratas
muitas vezes acontecem. O mundo não pode depender disso. A política não
pode depender disso. Por isso que eu sou um cidadão da paz.
PETRÓLEO — Eu sou amplamente favorável a que o
mundo tenha uma transição energética muito poderosa que faça com que a
gente possa abdicar da utilização de combustível fóssil. Agora, a
realidade é que o mundo ainda não pode prescindir do petróleo. O que nós
precisamos é o que nós estamos fazendo no Brasil. Nós estamos
utilizando a nossa querida Petrobras para que ela seja um dos
instrumentos de fomentação da produção e do crescimento da transição
energética. Mas nós não vamos deixar de explorar a riqueza que nós temos
porque o mundo ainda precisa de petróleo e o Brasil precisa de
dinheiro. Nós somos um país em que nós temos 90% da nossa energia
elétrica limpa. Nós somos um país que utiliza 30% de etanol na gasolina
há muito tempo. Nós somos um país que utiliza 15% de biodiesel no óleo
diesel. Ou seja, na verdade, o que o mundo deveria fazer, com um pouco
de humildade, era aprender. Eu lembro que em 2008 eu era presidente da
República, eu recebi aqui mais de 98 dirigentes do mundo inteiro, a
União Europeia iria adicionar 10% de etanol na gasolina até 2020. Já
estamos em 2020 e não adicionou um litro. O Japão iria adicionar 3%, não
adicionou nada.
REFERÊNCIA – Ou seja, então é o
seguinte, o Brasil tem a fórmula, tem conhecimento científico e
tecnológico e tem empresa para fazer isso. E nós vamos fazer. E se as
pessoas querem produzir aço verde, devem produzir no Brasil. Se as
pessoas querem produzir carro verde, devem produzir no Brasil. É isso
que nós vamos fazer. E é por isso que a gente não pode prescindir do
petróleo. Porque o petróleo é uma das fontes em que a gente pode
utilizar para tentar favorecer a transição energética. E ao mesmo tempo,
aumentando a participação de biodiesel no óleo diesel e de etanol na
gasolina. É assim que nós vamos fazer. Mas eu sou, como princípio,
favorável que a gente daqui a alguns anos não tenha mais combustível
fóssil. Agora o mundo tem que estar preparado para isso.
MEIO AMBIENTE — Nós assumimos o compromisso de
desmatamento zero na Amazônia até 2030. Não foi ninguém que pediu para
nós. Fomos nós que assumimos a responsabilidade de que a gente vai
diminuir o desmatamento até 2030. Nós agora tivemos esses incêndios no
Pantanal. Vocês já publicaram e eu acompanhei que 85% do foco de
incêndio era em propriedade privada. Mas nós já colocamos lá quase 850
pessoas. Já colocamos 14 aeronaves e 27 embarcações para que a gente
possa combater. O que é importante? A gente ter em conta que é a
primeira vez na história do Pantanal que o rio está seco no primeiro
semestre. Nunca antes na história do Pantanal tinha acontecido uma seca
como essa. Então, isso é apenas um aviso. De 14 de janeiro até julho
foram 3.900 focos de calor no Pantanal. E nós agimos com muita rapidez, a
Marina [Silva, ministra do Meio Ambiente e de Mudança do Clima] faz
disso uma dedicação quase que exclusiva. E nós vamos tentar cumprir
aquilo, porque não é só Amazônia. É Amazônia, Pantanal, Cerrado, Mata
Atlântica, Caatinga e, ainda, os Pampas. São seis biomas que nós temos
que cuidar no Brasil e vamos cuidar.
PT Nacional
Fonte: https://ptnacamara.org.br/lula-alianca-global-contra-a-fome-e-a-razao-principal-do-g20/