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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Janot diz que Cunha é alvo de mais seis inquéritos na PGR

: <p>janot cunha</p> André Richter, repórter da Agência Brasil- O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é alvo de mais seis inquéritos por fatos distintos, além das duas denúncias que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações da Operação Lava Jato.
A situação de Cunha foi tratada pelo procurador na manhã de hoje (22), durante palestra para alunos brasileiros do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, da Universidade de Cambridge, nos Estados Unidos.
De acordo com o procurador, dois dos seis inquéritos abertos para apurar fatos distintos em relação a Cunha estão em fase avançada e deverão "rapidamente" virar duas denúncias ao Supremo.
Perguntado por um aluno brasileiro sobre o papel da procuradoria para acelerar a ação na qual pediu ao STF afastamento de Cunha do cargo de presidente da Câmara, Janot respondeu que "o problema está com o Supremo".
Em dezembro do ano passado, Janot pediu ao STF o afastamento de Cunha. O relator é o ministro Teori Zavascki, que ainda não tem data para liberar o processo para julgamento.
Para justificar o pedido, o procurador citou 11 fatos que comprovam que Cunha usa o mandato de deputado e o cargo de presidente da Casa "para intimidar colegas, réus que assinaram acordos de delação premiada e advogados".
No mês passado, o Supremo abriu ação penal contra Eduardo Cunha. Seguindo o voto do relator, ministro Teori Zavascki, a Corte entendeu que há indícios de que Cunha recebeu US$ 5 milhões de propina por um contrato de navios-sondas da Petrobras.
Na defesa, o advogado Antonio Fernando Barros disse que a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal contra o deputado "não reúne condições para ser admitida".
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/227721/Janot-diz-que-Cunha-é-alvo-de-mais-seis-inquéritos-na-PGR.htm

“Discurso de Dilma na ONU é sinal para apoio internacional“

Ichiro Guerra: <p>Nova Iorque - EUA, 22/04/2016. Presidente Dilma Rousseff durante sessão de abertura da cerimônia de assinatura do acordo de Paris. Foto: Ichiro Guerra/PR</p> A professora de Direito Internacional da UFRJ, Carol Proner, avalia, em artigo, o discurso da presidente Dilma Rousseff na reunião da ONU nesta sexta-feira (22); "Apesar do cuidado com as palavras e de ter escolhido não utilizar, na ONU, a palavra “golpe”, é inequívoca a intenção de trazer luz ao que acontece no país e resistir a um novo tipo de quebra da legalidade que exigirá da Comunidade Internacional formas igualmente inovadoras para preservar a democracia e a segurança dos mandatos governamentais", afirma
22 de Abril de 2016 às 16:25
247 - A professora de Direito Internacional da UFRJ, Carol Proner, avalia, em artigo, o discurso da presidente Dilma Rousseff na reunião da ONU nesta sexta-feira (22).
"Apesar do cuidado com as palavras e de ter escolhido não utilizar, na ONU, a palavra “golpe”, é inequívoca a intenção de trazer luz ao que acontece no país e resistir a um novo tipo de quebra da legalidade que exigirá da Comunidade Internacional formas igualmente inovadoras para preservar a democracia e a segurança dos mandatos governamentais", afirma a especialista.
Para ela, o que ocorre no Brasil é "golpe branco". "Os “golpes brancos” são novidades, neogolpismos que não obedecem um único modelo, mas que possuem características semelhantes. São os chamados “golpes dentro da lei” feitos por setores do poder legislativo apoiados em outras instituições do Estado que dão consecução a uma série de atos de desgaste do poder constituído até o momento da ruptura da legalidade constitucional e a substituição por uma aparente legalidade", explica.
Neste contexto, Proner pontua que "a imprensa internacional vem denunciando cada dia com maior clareza o que reconhece como “golpe parlamentar” no Brasil, compreendendo que a consumação da quebra democrática se verifica na abreviação do mandato presidencial por um Congresso Nacional eivado de ilegitimidade com mais de 60% dos membros envolvidos em processos de corrupção".
"Apesar da complexidade dos atores e instituições que compõem a trama do processo de impeachment, incluindo o Supremo Tribunal Federal, não é difícil reconhecer que os mecanismos do “golpe branco” estão em curso pela inexistência de comprovação de tipicidade e autoria dolosa do cometimento de crime de responsabilidade por parte da presidência. E se ainda não está claro para alguns, a história, com o devido distanciamento, comprovará um novo tipo de golpismo, seus inúmeros responsáveis e as consequências trágicas dessa quebra democrática para a sociedade brasileira", afirma.
Ela frisa que o processo de impeachment no Brasil "se alimenta de um desgaste de governabilidade que acontece por diferentes motivos (índice de popularidade em torno dos 10%) mas que se agrava pelo incessante travamento das pautas no Congresso durante os últimos dois anos, afetando principalmente a implementação do plano de austeridade para a recuperação da economia".
No caso brasileiro, afirma ela, "o destaque acintoso decorre da inidoneidade de um Congresso engolfado em processos de corrupção, liderado pelo indecoroso e já célebre presidente da Câmara o deputado Eduardo Cunha (acusado historicamente em diversos processos de corrupção e com contas comprovadas em paraísos fiscais)".
Para a professora, "o discurso da presidente Dilma Rousseff nas ONU, ainda que pouco contundente se comparados a outros momentos nos quais denunciou abertamente sofrer um golpe, representa o sinal oficial que faltava para que o Brasil passe a receber apoios internacionais em decorrência da incidência de Cartas Democráticas e da principiologia basilar do direito internacional que reconhece a democracia representativa como indispensável para a estabilidade, a paz e o desenvolvimento internacional".
http://www.brasil247.com/pt/247/rio247/227716/“Discurso-de-Dilma-na-ONU-é-sinal-para-apoio-internacional“.htm

Em carta aberta, Nassif pede que STF fique contra o golpe

: 247 - O jornalista Luís Nassif, por meio de uma carta aberta, cobrou dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que se posicionem contra o golpe que visa tirar a presidente Dilma Rousseff do cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de brasileiros. Segundo Nassif, "permitir o golpe será entregar à selvageria décadas de construção democrática, de avanços morais, de direitos das minorias, de construção de uma pátria mais justa e solidária".
Mais à frente, o jornalista pede que os ministros do STF "entendam a verdadeira voz das ruas, não a do ódio alimentado diuturnamente por uma imprensa que virou o fio, mas os apelos para a concórdia, para a paz, para o primado das leis. E, na base de tudo, a defesa da democracia".
Confira aqui ou abaixo íntegra do texto de Luís Nassif.
Como é que faz, Teori, Carmen Lúcia, Rosa Weber, Celso de Mello, Luís Barroso, Luiz Fachin? Como é que faz? Não mencionei Lewandowski e Marco Aurélio por desnecessidade; nem Gilmar, Toffoli e Fux por descrença.
Antes, vocês estavam sendo levados por uma onda única de ódio preconceituoso, virulento, uma aparente unanimidade no obscurantismo, que os fez deixar de lado princípios, valores e se escudar ou no endosso ou na procrastinação, iludindo-se - mais do que aos outros - que definindo o rito do impeachment, poderiam lavar as mãos para o golpe.
Seus nomes, reputações, são ativos públicos. Deveriam ser utilizados em defesa do país e da democracia; mas, em muitos casos, foram recolhidos a fim de não os expor à vilania.
Afinal, se tornaram Ministros da mais alta corte para quê?
Os senhores estarão desertando da linha de frente da grande luta civilizatória e deixando a nação exposta a esse exército de zumbis, querendo puxar de novo o país para as profundezas.
Não dá mais para disfarçar que não existe essa luta. Permitir o golpe será entregar à selvageria décadas de construção democrática, de avanços morais, de direitos das minorias, de construção de uma pátria mais justa e solidária.
A imprensa mundial já constatou que é golpe. A opinião interna está dividida entre os que sabem que é golpe, e defendem o impeachment; e os que sabem que é golpe e reagem.
Desde os episódios dantescos de domingo passado, acelerou-se uma mudança inédita na opinião pública. Reparem nisso. Todo o trabalho sistemático de destruição da imagem de Dilma Rousseff de repente começou a se dissolver no ar.
Uma presidente fechada, falsamente fria, infensa a gestos de populismo ou de demagogia, distante até, de repente passou a ser cercada por demonstrações emocionadas de carinho, como se senhoras, jovens, populares, impotentes ante o avanço dos poderosos, a quisessem proteger com mantos de afeto. Abraçaram Dilma como quem simbolicamente abraça a democracia. E os senhores, que deveriam ser os verdadeiros guardiões da democracia, escondem-se?
Antes que seja tarde, entendam a verdadeira voz das ruas, não a do ódio alimentado diuturnamente por uma imprensa que virou o fio, mas os apelos para a concórdia, para a paz, para o primado das leis. E, na base de tudo, a defesa da democracia.
A vez dos jovens
Aproveitei os feriados para vir para minha Poços de Caldas. Minha caçula de 16 anos não veio. O motivo: ir à Paulista hipotecar apoio à presidente. A manifestação surgiu espontaneamente pelas redes sociais, a rapaziada conversando entre si, acertando as pontas, sem a intermediação de partidos ou movimentos. Mas unida pelos valores da generosidade, da solidariedade, pelas bandeiras das minorias e pelo verdadeiro sentimento de Brasil.
São esses jovens que irão levar pelas próximas décadas as lições deste momento e – tenham certeza - a reputação de cada um dos senhores através dos tempos. Não terá o sentido transitório das transmissões de TV, com seus motes bajulatórios e seu padrão BBB. Na memória desses rapazes e moças está sendo registrada a história viva, tal e qual será contada daqui a dez, vinte, trinta anos, pois deles nascerá a nova elite política e intelectual do país, da mesma maneira que nasceu a geração das diretas.
Devido à censura, foram necessárias muitas décadas para que a mancha da infâmia se abatesse sobre os que recuaram no AI5, os Ministros que tergiversaram, os acadêmicos que delataram, os jornalistas que celebraram a ditadura. Hoje em dia, esse julgamento se faz em tempo real.
Nas últimas semanas está florescendo uma mobilização inédita, que não se via desde a campanha das diretas.
De um lado, o país moderno, institucional; do outro, o exército de zumbis que emergiu dos grotões. De um lado, poetas, cantores, intelectuais e jovens, jovens, jovens, resgatando a dignidade nacional e a proposta de pacificação. Do outro, o ódio rocambolesco aliado ao golpismo.
Não permitam que o golpe seja consumado. Não humilhem o país perante a opinião pública mundial. Principalmente, deixem na memória dessa rapaziada exemplos de dignidade. Não será por pedagogia, não: eles conhecem muito melhor o significado da palavra dignidade. Mas para não criar mais dificuldades para a retomada da grande caminhada civilizatória, quando a rapaziada receber o bastão de nossa geração.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/227730/Em-carta-aberta-Nassif-pede-que-STF-fique-contra-o-golpe.htm

Vice-líderes do governo declaram voto contra Dilma no Senado

: Brasília 247 - Um dia após pregar fracasso do possível governo do vice-presidente Michel Temer, seu correligionário, o vice-líder do governo no Senado Hélio José (PMDB) anunciou nesta sexta-feira (22) que votará pela admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
"Eu já deixei claro que a questão da admissibilidade do processo e, consequentemente, a questão do nosso presidente Temer, presidente nacional do nosso Partido, assumir por 180 dias é, praticamente, na minha visão, normal nessa circunstância. Na comissão de admissibilidade, serei pela admissão do processo", disse Hélio José, suplente na comissão especial que analisa o relatório do deputado Jovair Arantes (PT-GO) favorável ao impedimento de Dilma.
Outro vice-líder do governo, Wellington Fagundes (PR-MT) também adianta seu voto na comissão.
"Vamos votar sim pela admissibilidade, porque politicamente o país já está maduro para isso. A população se manifestou e, felizmente, não tivemos nenhum incidente. Não tivermos morte, ou seja, a democracia está funcionando plenamente no país. Os poderes estão funcionando plenamente", disse Fagundes, que é titular na comissão que analisará o processo.
Já são 15 os senadores que se declararam a favor e apenas cinco contrários ao processo. O senador Raimundo Lira (PMDB-PB) tinha se declarado a favor, mas como foi indicado para presidir o colegiado pediu para que seu status fosse alterado para "indeciso".
Os dois vice-líderes do governo que discursaram nesta sexta-feira ressaltaram que o voto deles não antecipa o posicionamento deles quanto à condenação de Dilma ao final do processo
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/227715/Vice-líderes-do-governo-declaram-voto-contra-Dilma-no-Senado.htm

O que mancha o País: o golpe ou sua denúncia?

: 247 – Está nos jornais desta sexta-feira que o vice-presidente Michel Temer deflagrou uma ofensiva de comunicação para tentar demonstrar ao mundo que não houve um golpe no Brasil.
Trata-se de uma missão quase impossível, uma vez que o golpe já foi assimilado por veículos como New York Times, Le Monde, El Pais, The Economist, Der Spiegel e Washington Post, entre tantos outros.
Segundo Temer, quando fala em golpe, a presidente Dilma Rousseff mancha a imagem do Brasil no exterior. Segundo a colunista Miriam Leitão, essa "tese" pode afugentar investidores externos, quando, na verdade, o que mais espanta investidores é justamente a ausência de regras estáveis.
Pela lógica arautos da tomada de poder, não é o fato de a democracia brasileira ter sido golpeada por políticos corruptos, que se somaram aos derrotados na última eleição presidencial, que mancha a imagem do Brasil no exterior, mas sim o fato de se pretender denunciar este golpe ao mundo.
Essa é a lógica dos que tentam censurar a presidente Dilma Rousseff e impedi-la de dizer ao mundo o que as principais publicações do mundo já afirmam abertamente: a trama que culminou no vergonhoso 17 de abril nada mais é do que uma conspiração golpista
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/227605/O-que-mancha-o-País-o-golpe-ou-sua-denúncia.htm

“Problema de Temer vai ser com os bandidos de Cunha”

: Brasília 247 - Apesar do pouco tempo de malas arriadas no PMDB, o senador Hélio José, do Distrito Federal (DF), aborrece de uma só vez a cúpula do partido, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), e o vice-presidente Michel Temer.
Circulou na quinta-feira (21) entre peemedebistas o áudio de uma entrevista que ele concedeu a blogueiros de Brasília em que elogiou o ex-presidente Lula, disse que o PMDB ainda não tem definição sobre o impeachment no Senado, e avaliou como injusta a votação da continuidade do processo na Câmara.
"Cuspiram no prato que comeram, feito Judas", disse Hélio José. O senador, que suplente de Rodrigo Rollemberg, já foi do PT, do PSD, e do PMB.
"Temer e os bandidos do Cunha"
Na entrevista, Hélio José ataca até mesmo um possível governo de Temer. "Nenhuma das soluções vai salvar o Brasil". O senador ainda criticou acordo do vice-presidente da República com Cunha: "Se o Temer assumir, o problema que ele vai assumir é o compromisso que ele teve de assinar com os bandidos do Cunha e com o grande empresariado".
Hélio José afirmou ainda acreditar que o governo petista vai deixar saudades: "Acho que vão chorar lágrimas de sangue para que o PT volte daqui a dois anos. Vão ver a desgraceira que vai acontecer nesse país com arrocho, onde servidor público vai ser tratado na pinhola, onde o servidor público vai perder os seus direitos".
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/227686/“Problema-de-Temer-vai-ser-com-os-bandidos-de-Cunha”.htm

Por que o STF ainda não afastou Cunha?

: 22 de Abril de 2016 às 17:52
247 - O jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, questiona o fato do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo fato de ainda não ter apreciado o afastamento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após vários meses das denúncias de corrupção contra ele virem à tona.
O jornalista relembra que o pedido de afastamento de Cunha foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em 15 de dezembro do ano passado e que "a reivindivação foi entregue ao ministro Teori Zavascki. Quatro meses depois, uma eternidade para os padrões de turbulência destes dias, Teori ousou dizer que não há prazo ainda para a avaliação do caso Cunha". "Não há explicação possível para tamanha agressão à lógica e para tamanho dano ao Brasil", completa.
Para Nogueira, diante desta procrastinação "reformar a Justiça é tão imperioso quanto reformar o sistema político, como demonstra a lentidão criminosa como foi tratado o pedido de afastamento de Eduardo Cunha".
Leia aqui ou abaixo a íntegra do texto.
Uma pergunta para a posteridade responder: por que o STF não julgou o pedido de afastamento de Cunha?
Algumas perguntas só a posteridade poderá – talvez – responder.
Uma é já clássica: como, sob provas esmagadoras de achaques e roubalheiras, Eduardo Cunha comandou – e manipulou – todo o processo de impeachment na Câmara dos Deputados?
O resultado dessa aberração foi a histórica sessão da Câmara que desmoralizou os deputados federais não apenas perante os brasileiros, mas diante do mundo.
Uma segunda pergunta, não menos vital, é esta: o que o STF tinha de tão importante para fazer, nestes meses todos, para não encontrar tempo para apreciar o pedido de afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara?
A saída de Cunha foi pedida ao STF em 15 de dezembro passado pelo procurador geral Janot. A reivindivação foi entregue ao ministro Teori Zavascki. Quatro meses depois, uma eternidade para os padrões de turbulência destes dias, Teori ousou dizer que não há prazo ainda para a avaliação do caso Cunha.
É uma loucura, é uma insanidade, é uma estupidez, é uma irracionalidade. E é uma bofetada na sociedade. Os eminentes ministros têm, por acaso, alguma coisa de maior relevância para avaliar do que um assunto que não apenas paralisou o país como dividiu em duas a sociedade?
Não há explicação possível para tamanha agressão à lógica e para tamanho dano ao Brasil.
Observe a agenda do STF. Tente achar qualquer coisa mais preciosa e urgente do que o caso Cunha.
Não poderia haver propaganda pior contra o STF e contra o Judiciário do que a morosidade indefensável com que ela tratou o pedido de afastamento de Cunha.
É como uma equipe médica que espera o paciente morrer para tomar alguma atitude que poderia salvá-lo.
Ver Eduardo Cunha julgado está e estava faz tempo longe de ser um anseio petista e da esquerda. Mesmo os analfabetos políticos que saem às ruas de camisa amarela não suportam mais ver Cunha em gozo de extrema tranquilidade depois de ter feito tudo o que fez e faz.
Uma absoluta falta de transparência na montagem da agenda contribuiu para que o STF arrastasse à exaustão uma decisão sobre um assunto tão premente para o país.
Num mundo menos imperfeito que o nosso, o presidente do STF viria a público dar satisfações sobre o caso Cunha.
Sobretudo, diria quando os juízes iriam julgar o pedido de afastamento, e explicaria a razão da data. Não no português ridículo e pomposo em que se expressam os eminentes juízes, mas em linguagem acessível a todos.
Num livro que li sobre a Suprema Corte Americana, uma autoridade diz que não existe decisão mais importante para um presidente do que a escolha de um juiz para compô-la.
Fica brutalmente exposta a inépcia dos presidentes que escolheram os juízes que formam nossa Suprema Corte, descontadas as raras exceções.
Não é apenas o poder político que se mostrou putrefato nesta crise. Também o Judiciário provou não estar à altura de um país que aspira a ser civilizado.
Reformar a Justiça é tão imperioso quanto reformar o sistema político, como demonstra a lentidão criminosa como foi tratado o pedido de afastamento de Eduardo Cunha.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/227731/DCM-por-que-o-STF-ainda-não-afastou-Cunha.htm

STF quebra sigilos de presidente do DEM e familiares

: 22 de Abril de 2016 às 13:21
247 - O Supremo Tribunal Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), do deputado Felipe Maia (DEM-RN), seu filho, e de mais 14 pessoas em inquérito que investiga um "complexo" esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão é do ministro Luís Roberto Barroso, que atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da República.
Agripino é alvo de um inquérito que apura se o parlamentar negociou o pagamento de propina da empreiteira OAS durante a construção da Arena das Dunas, estádio em Natal usado na Copa do Mundo de 2014.
Para a procuradoria, há indícios de pagamento de propina ao senador, uma vez foram identificadas operações suspeitas de lavagem de dinheiro na época de campanhas eleitorais, em 2010 e 2014. "Isso, igualmente, indica que os pedidos de doações eleitorais feitos pelo parlamentar à OAS, prontamente atendidos, podem constituir, na verdade, solicitações e repasses de propina, de forma dissimulada", completa a procuradoria.
Em nota, o senador José Agripino afirmou que a quebra vai agilizar os esclarecimentos dos fatos. "As providências requeridas vão acelerar o processo de esclarecimento dos fatos investigados. Tenho certeza que tornarão clara a improcedência da acusação que me é feita, de conduta irregular na construção da Arena das Dunas", afirmou.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/227674/STF-quebra-sigilos-de-presidente-do-DEM-e-familiares.htm

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O que querem os que querem o golpe?

A resposta a esta pergunta está no documento antinacional e antipopular do golpe, 'Ponte para o futuro', apresentado por Michel Temer.


Miguel Rossetto
Fiesp
Nestas semanas em que o país acompanha eletrizado o andamento do pedido de afastamento da presidenta Dilma, devemos, com sinceridade, perguntar: afinal, o querem os que querem o golpe?
Uma resposta possível seria a de que querem mais democracia. Uma versão radicalizada de soberania popular na qual a vontade do povo fale mais alto que qualquer mandato eleito. Seria uma resposta bela, não fossem os fatos.
Como falar em democracia quando pessoas são espancadas pela cor roupa que usam ou pela opinião política que expressam? Como falar em democracia quando entre seus líderes, está Bolsonaro que abertamente pede a intervenção dos militares numa reedição farsesca de 64. Quando manifestantes lamentam em cartazes que a presidenta não tenha morrido na tortura? Quando artistas são atacados por sua opinião, como Chico Buarque, Leticia Sabatella, Porta dos Fundos e tantos outros?
Não, democracia, diversidade ou pluralidade não são conceitos que se articulem no discurso golpista.

Outra resposta, também generosa, seria a de querem mais ética e menos corrupção. Mas de novo os fatos insistem em desmenti-la. Não há vírgula deste tema no pedido que agora está no Congresso Nacional, ele versa exclusivamente sobre registros fiscais. Não há nada no pedido porque não há nada contra a presidenta. Nenhuma delação, nenhum dos vazamentos do Panamá Papers, HSBC ou qualquer outro, nenhum inquérito, nenhuma ação.
Pode-se dizer o mesmo de quem quer o golpe? A resposta é não.
Tem interesse sincero no combate à corrupção, o presidente da Câmara e condutor do golpe, Eduardo Cunha, flagrado com contas na Suíça e presente em 9 de cada 10 delações? Tem este interesse Aécio, octa-citado nas delações premiadas como beneficiário das propinas? Tem este interesse Serra, também multiacusado e presente também no escândalo do trensalão? Ou o PP gaúcho, acusado maciçamente de recebedor de verbas ilegais?
Não. Não há sinceridade neste discurso, como não havia quando acusavam Vargas, Jango ou JK, de forma semelhante.
A pergunta permanece. O que querem os que querem o golpe? A forma mais clara de responder a isto é olhar o próprio documento programático do golpe, "Ponte para o futuro" apresentado pelo vice-presidente Michel Temer.
Ali, com uma clareza cristalina, estão propostas para desindexar o salário-mínimo do piso previdenciário, desindexar o próprio salário-mínimo da inflação, retirar verbas garantidas de saúde e educação, acabar com o regime de partilha do pré-sal, retomar as privatizações, rasgar a CLT e suas garantias trabalhistas e o fim de uma política externa independente com Mercosul, Unasul e Brics.
Pode-se acusar o documento de muitas coisas, menos de não ser sincero.
A questão é que um programa tão agressivamente antipopular e antinacional jamais teria viabilidade se submetido à população. A fraude jurídica (impeachment sem crime de responsabilidade, é golpe) finalmente se encontra à fraude política (a imposição de um programa que retira direitos e igualdade sem voto e sem legitimidade é golpe). O cavalo de Tróia com aparência moralista tem, finalmente, um conteúdo selvagemente neoliberal.
É isto o que eles querem.
De nossa parte podemos dizer o que não queremos.
Não queremos que o Brasil de amanhã seja o desastre argentino de hoje, que em apenas três meses mandou para a pobreza 1,3 milhão de pessoas. Não queremos que a riqueza do Pré-Sal seja entregue às mesmas petroleiras internacionais que tanto dano causaram a democracia em várias regiões do planeta, não queremos, uma Constituiçã e direitos sociais apenas no papel, queremos que eles façam parte da vida dos brasileiros,não quremos um regime democrático apenas no nome, em que a soberania popular seja subjugada pela opinião publicada de meia dúzia de famílias ou por decisões arbitrárias de meia dúzia de tecnocratas.
Acreditamos no Brasil e nos brasileiros.
O que queremos?
Podemos resumir numa frase: Mais democracia e mais direitos!
http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FO-que-querem-os-que-querem-o-golpe-%2F4%2F35906#.VwgTboUf7-x.facebook

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Governo Temer pode acabar antes de começar

: 247 - Manchado pela percepção internacional de que se trata de um golpe contra a democracia brasileira, o "governo Temer" também enfrenta problemas internos
Como conta reportagem do jornal Valor desta quarta-feira, 20, Temer não estaria conseguindo montar sua equipe econômica. Do senador Aécio Neves (PSDB), o vice ouviu que Armínio Fraga não deve participar do provável novo governo. Outros nomes foram mencionados para ocupar o comando da equipe econômica, como o de Murilo Portugal, atual presidente da Febraban, e Marcos Lisboa, que comanda o Insper, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Lisboa, entretanto, que trabalhou na assessoria de Antônio Palocci no Ministério da Fazenda, também já avisou que não aceitaria. Disse que só governo eleito pelo voto teria legitimidade para fazer reformas necessárias para a retomada do crescimento.
Portugal foi secretário do Tesouro Nacional no governo de Fernando Henrique Cardoso, secretário-executivo da Fazenda nos primeiros anos de Lula e vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), além de diretor do Banco Mundial. Seu nome tem o aval de Armínio e o apoio do ex-ministro da Fazenda Delfim Netto.
Outro nome sondado é o do senador José Serra (PSDB-SP), que já foi desautorizado pelo próprio vice, por ter praticamente "montado" o governo Temer, em entrevista ao Estadão (leia aqui). Serra tem o inconveniente de ser candidato natural à presidência em 2008 e Meirelles é muito identificado com o ex-presidente Lula, dizem políticos próximos ao vice-presidente.
Além da dificuldade em escalar um time considerado sem legitimidade no cenário internacional, com o passar do tempo, com os acordos feitos para salvar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da cassação e da prisão, consolida-se na opinião pública a percepção de que a sociedade foi enganada com o impeachment feito em nome do combate à corrupção.
Temer pode ter uma vitória de Pirro.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/227351/Governo-Temer-pode-acabar-antes-de-começar.htm