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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Brasil247: Governador da Califórnia chama Trump de ditador e reage ao envio da Guarda Nacional

 

Gavin Newsom promete processar o presidente dos Estados Unidos e acusa a Casa Branca de violar a soberania estadual para conter protestos

Protestos se intensificam na Califórnia (Foto: Reuters)

247, com informações da Reuters – O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de enviar 2.000 soldados da Guarda Nacional ao condado de Los Angeles é “ilegal” e representa uma ameaça à democracia americana. A declaração foi dada neste domingo (8), durante entrevista à emissora MSNBC. A agência Reuters trouxe os principais detalhes da escalada de tensão entre o governo federal e o estado mais populoso do país, em meio a manifestações contra as políticas de imigração de Trump.

“Trump criou as condições para esses protestos. São atos de um ditador, não de um presidente”, escreveu Newsom em sua conta na rede social X (ex-Twitter). O governador anunciou que irá entrar com uma ação judicial contra a medida, que segundo ele infringe a soberania da Califórnia. De acordo com o Título 10 do Código dos Estados Unidos, ordens de mobilização da Guarda Nacional devem passar pelos governadores dos estados — o que não ocorreu neste caso.

Protestos se intensificam em Los Angeles

As manifestações contra as operações de deportação promovidas pelo governo federal chegaram ao terceiro dia consecutivo com confrontos violentos nas ruas de Los Angeles. A polícia local prendeu pelo menos 10 pessoas neste domingo, além de outras 29 no sábado. Vídeos divulgados pela imprensa mostram policiais montados em cavalos tentando conter multidões, carros autônomos da Waymo incendiados e manifestantes bloqueando a rodovia 101, importante via da cidade.

Os protestos ocorreram em diferentes pontos da cidade e reuniram manifestantes com bandeiras do México e cartazes criticando as políticas migratórias dos Estados Unidos. A polícia declarou várias manifestações como “reuniões ilegais”, acusando alguns participantes de atirarem pedras, garrafas e objetos de concreto contra os agentes.

Trump radicaliza e pressiona por repressão

O presidente Donald Trump, reeleito para um segundo mandato em 2025, reagiu com dureza nas redes sociais. Dirigindo-se ao chefe da polícia de Los Angeles, Jim McDonnell, exigiu repressão imediata: “Ele deveria fazer isso, agora! Não deixem esses bandidos escaparem. Make America great again!!!”.

Em outro momento, Trump ameaçou responder com violência a qualquer agressão a policiais ou soldados da Guarda Nacional. “Eles cospem, nós batemos”, disse a jornalistas em Nova Jersey. Apesar da retórica agressiva, o presidente ainda não invocou a Lei da Insurreição de 1807, que autorizaria formalmente o uso de tropas federais em solo americano para conter distúrbios civis.

Reações políticas e internacionais

A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, condenou tanto os excessos do governo federal quanto a violência de alguns manifestantes. “Não quero que as pessoas caiam no caos que acredito estar sendo criado pelo governo federal completamente de forma desnecessária”, afirmou.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que fuzileiros navais baseados em Camp Pendleton estão em “alerta máximo” e podem ser mobilizados. Segundo o Comando Norte dos EUA, 300 soldados da Guarda Nacional já foram enviados a três regiões da cidade com a missão de proteger prédios e agentes federais.

A diretora da ONG America’s Voice, Vanessa Cárdenas, criticou o governo Trump por “fabricar uma crise” para justificar abusos de poder. Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, também reagiu: “Não concordamos com essa forma de abordar a questão migratória. O fenômeno não será resolvido com operações e violência, mas com diálogo e reforma”.

Legalidade questionada

O memorando emitido por Trump determina que os soldados da Guarda Nacional apenas protejam propriedades e agentes federais. No entanto, especialistas em direito constitucional questionam a legalidade da ação. O Título 10 permite a mobilização em caso de “rebelião contra a autoridade do governo dos EUA”, mas impõe restrições ao envolvimento direto das tropas em atividades policiais.

Além disso, o FBI anunciou uma recompensa de 50 mil dólares por informações sobre um suspeito que teria ferido um agente federal ao lançar pedras em veículos da polícia na cidade de Paramount, ao sul de Los Angeles.

O conflito entre o presidente Trump e o governador Gavin Newsom evidencia a fragilidade institucional dos Estados Unidos diante de uma crise migratória e política que ameaça escalar. Com protestos nas ruas, discursos inflamados e o uso de forças militares sem coordenação legal clara, o país mergulha em um cenário de polarização extrema que muitos já comparam a uma “guerra civil institucional”. O desenrolar dessa crise poderá redefinir os limites entre autoridade federal e autonomia estadual nas próximas semanas.

Fonte:  https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-06/lula-diz-que-brasil-ratificara-tratado-do-alto-mar-ainda-este-ano

Agência Brasil: Lula diz que Brasil ratificará Tratado do Alto Mar ainda este ano

 

Acordo internacional prevê uso sustentável de mares internacionais
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 09/06/2025 - 07:43
Rio de Janeiro
Paris, 07/06/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva à imprensa. Foto: Ricardo Stuckert/PR
© Ricardo Stuckert/PR
Versão em áudio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (9), que o Brasil deve ratificar ainda este ano o acordo sobre conservação e uso sustentável da biodiversidade marinha em áreas além da jurisdição nacional (BBNJ), também conhecido como Tratado do Alto Mar. A afirmação foi feita na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, em Nice, na França.

O Brasil assinou o tratado em setembro de 2023, junto com mais 115 países, mas ainda precisa ratificá-lo. Para que o tratado entre em vigor, é preciso que pelo menos 60 nações o ratifiquem, mas, de acordo com a organização internacional High Seas Alliance, apenas 32 já o fizeram.

“A adoção, há mais de quatro décadas, da Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, consagrou, pela primeira vez, o conceito de ‘patrimônio comum da humanidade’.

"A criação desse regime internacional para governar o espaço marítimo representou uma das maiores conquistas da história da diplomacia”, disse Lula.

“O Brasil está comprometido a ratificar o Tratado do Alto Mar ainda este ano, para assegurar a gestão transparente e compartilhada da biodiversidade além das fronteiras nacionais”.

Garantir a ratificação dos 60 países até o fim do ano é um dos principais objetivos da Conferência dos Oceanos, segundo o enviado da presidência francesa para o evento, Olivier Poivre D’Arvor. 

“É impossível falar de desenvolvimento sustentável sem incluir o oceano. Sem protegê-lo, não há como combater a mudança do clima. Três bilhões de pessoas dependem diretamente de recursos marinhos para sua sobrevivência. O oceano é o maior regulador climático do planeta, em função de toda a cadeia de vida que ele abriga”, disse o presidente brasileiro.

Em seu discurso, Lula ressaltou que paira sobre o oceano a ameaça do unilateralismo.

“Não podemos permitir que ocorra com o mar o que aconteceu no comércio internacional, cujas regras foram erodidas a ponto de deixar a OMC [Organização Mundial do Comércio] inoperante.

Evitar que os oceanos se tornem palco de disputas geopolíticas é uma tarefa urgente para a construção da paz. Canais, golfos e estreitos devem nos aproximar e não ser motivo de discórdia”, disse.

COP-30

O presidente brasileiro explicou que o Brasil dará ênfase à conservação e ao uso sustentável do oceano na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-30), que será realizada em novembro, em Belém.

“Nos últimos dez anos, o mundo produziu mais plásticos do que no século anterior.

Seus resíduos representam 80% de toda a poluição marinha. Salvar esse bioma requer empenho renovado na implementação do ODS 14 e do Acordo de Paris. "O Brasil dará ênfase à conservação e ao uso sustentável do oceano na COP-30, assim como fizemos em nossa Contribuição Nacionalmente Determinada”, acrescentou.

Lula afirmou ainda que o uso sustentável dos oceanos também será tema de outros eventos como a Cúpula Brasil-Caribe, a ser realizada sexta-feira (13), e a 9ª Reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, que o Brasil sediará em 2026.

No discurso, o presidente enfatizou que o Brasil apresentará, em Nice, sete compromissos voluntários, relacionados à proteção de áreas marinhas, ao planejamento espacial marítimo, à pesca sustentável, à ciência e à educação.

“Além de zerar o desmatamento até 2030, vamos ampliar de 26% para 30% a cobertura de nossas áreas marinhas protegidas, cumprindo a meta do Marco Global para a Biodiversidade. Também implementaremos programas dedicados à preservação dos manguezais e dos recifes de corais e estamos formulando uma estratégia nacional contra a poluição por plásticos no oceano”, disse.

O presidente citou ainda o esforço de realizar o planejamento espacial marinho, estimular a pesca sustentável, o fortalecimento da coleta de dados científicos por meio de um Sistema Integrado de Monitoramento, investimentos em pesquisa por meio da Estação Comandante Ferraz na Antártida e a inclusão da cultura oceânica nos programas escolares.

“Em 2025, teremos o maior número de Escolas Azuis no mundo, reunindo 515 estabelecimentos de ensino, 160 mil estudantes e 2.600 professores”.

“Há dez anos, Paris se tornou um marco para a governança climática. Hoje, Nice passa a integrar o caminho até Belém. Com a ONU, o Brasil vai lançar um ‘Balanço Ético Global’, para mobilizar pensadores, artistas, intelectuais e religiosos, juventudes, mulheres, povos indígenas, comunidades tradicionais e afrodescendentes rumo à COP30. Precisamos formar uma grande onda para construir um futuro mais justo e sustentável”.

Lula destacou que é necessário que os líderes globais entendam que “a questão climática não é invenção de cientistas nem é brincadeira de gente da ONU” e que é preciso investir no ensino da questão climática nas escolas de ensino fundamental.

“A questão climática é uma necessidade vital de preservação do nosso ambiente e que a gente vai ter de tomar uma decisão. Primeiro, se acredita ou não. Se acredita, nós vamos ter de decidir que não existe outro espaço para a gente viver, é no planeta Terra. Segundo: que a questão climática pode dizimar a humanidade”.

XINHUA: Abertura da China ao multilateralismo fortalece Sul Global e combate protecionismo, dizem especialistas

 

2025-06-06 10:35:10丨portuguese.xinhuanet.com

O primeiro-ministro chinês Li Qiang participa da Cúpula ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático)-China-CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) em Kuala Lumpur, capital da Malásia, em 27 de maio de 2025. (Xinhua/Liu Bin)

Kuala Lumpur, 4 jun (Xinhua) -- O compromisso contínuo da China com o comércio livre e aberto, bem como com a cooperação multilateral equilibrada, não apenas impulsiona seu próprio crescimento econômico, mas também fornece uma base sólida para as economias em desenvolvimento em todo o Sul Global em meio à crescente incerteza global, de acordo com analistas.

POSTURA DE ABERTURA COMERCIAL FORTALECE O SUL GLOBAL

A participação da China na recente Cúpula ASEAN-China-CCG ressalta seu papel como âncora econômica, ajudando a contrabalançar os efeitos nocivos do crescente protecionismo e das políticas unilaterais de alguns países, disse Lee Pei May, especialista em política da Universidade Islâmica Internacional da Malásia, em recente entrevista à Xinhua.

"A cúpula permite que a ASEAN, o CCG e a China se alinhem mais estreitamente com os interesses e a agenda mais ampla do Sul Global", disse Lee.

"Tais plataformas oferecem oportunidades para amplificar suas vozes e também discutir novas maneiras de cooperar em meio à incerteza global", explicou ela, acrescentando que também é uma boa oportunidade para o Sul Global tentar remodelar a ordem mundial para que seja mais inclusiva e diversa.

"Como alguns países estão se tornando mais protecionistas e isolacionistas, a cúpula foi uma boa iniciativa e um esforço para combater essas tendências emergentes. A cúpula prova que as economias podem se complementar em vez de competir umas com as outras, aliviando as preocupações de que os países só podem se desenvolver se se voltarem para dentro", disse ela, acrescentando que tal modelo cooperativo poderia servir como um modelo de sucesso para outros grupos com a China.

Carregadores para exportação para o Vietnã passam pelo porto da Passagem da Amizade em Pingxiang, Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China, em 17 de março de 2025. (Xinhua/Cao Yiming)

AMPLIANDO COOPERAÇÃO PRÁTICA NO DESENVOLVIMENTO

Especialistas malaios também enfatizam a importância da cooperação prática e inclusiva entre as nações em desenvolvimento. A cúpula oferece uma plataforma promissora para a colaboração Sul-Sul em setores-chave, especialmente para países que buscam alternativas aos sistemas dominados pelo Ocidente.

Andrew Kam Jia Yi, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Malaios e Internacionais da Universidade Nacional da Malásia, destacou a natureza cada vez mais fragmentada do desenvolvimento tecnológico global e a necessidade de estruturas de cooperação mais inclusivas.

Ele ressaltou que o compartilhamento se beneficiaria de uma cooperação mais estreita entre países que correm o risco de pressão dos EUA sobre seu envolvimento com a China, permitindo-lhes continuar seu desenvolvimento e adoção de novas tecnologias.

"A cúpula abre novos caminhos para a colaboração Sul-Sul, onde as nações podem apoiar umas às outras por meio do comércio, projetos conjuntos de infraestrutura e compartilhamento de tecnologia", disse ele. "É particularmente complementar em áreas críticas como energia renovável, inovação digital e saúde pública."

"Essa cooperação poderá trilhar um caminho independente de comércio livre e aberto e multilateralismo. Elas podem trilhar seus próprios caminhos", disse Azmi Hassan, pesquisador sênior da Academia Nusantara de Pesquisa Estratégica, à Xinhua.

Foto tirada em 30 de abril de 2025 mostra caminhões em um cais de carga do Porto de Qingdao, em Qingdao, Província de Shandong, no leste da China. (Xinhua/Li Ziheng)

PROMOVENDO VISÃO MULTIPOLAR PARA UM MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO

Kam também observou uma mudança estratégica mais ampla, à medida que os países do Sul Global resistem cada vez mais à pressão ocidental, particularmente em áreas como a política monetária. Em vez disso, esses países buscam cooperação com parceiros que se baseiam no respeito à soberania, à não interferência e ao benefício mútuo.

"A cúpula apoia medidas práticas para reduzir a dependência do dólar americano, promovendo o comércio em moeda local e ferramentas financeiras regionais, ajudando essas economias a resistir melhor aos choques financeiros globais. Em última análise, a cúpula representa mais do que apenas acordos políticos", afirmou.

"(O engajamento multilateral) promove um diálogo multipolar que valoriza a diversidade nos modelos de desenvolvimento e incentiva a troca de ideias e recursos. Isso amplia o escopo do multilateralismo para incluir vozes que frequentemente têm sido sub-representadas nos processos de tomada de decisão globais, tornando o sistema internacional mais representativo e equitativo", acrescentou.

De acordo com Azmi Hassan, as políticas dos EUA "tiveram um efeito colateral espetacular", levando a um aumento do engajamento e da cooperação entre os parceiros do Sul Global. "Políticas agressivas do 'Norte Global' estão apenas impulsionando uma cooperação mais forte e fortalecendo os laços comerciais e econômicos", acrescentou.

Fonte:  https://portuguese.news.cn/20250606/ce8d7ab6ff8a4366bf3a35f144bb0d00/c.html

XINHUA: Experiência da China ajuda na transformação energética do Nordeste do Brasil


2025-06-09 13:42:15丨portuguese.xinhuanet.com

Teresina, Brasil, 8 jun (Xinhua) -- A experiência em sustentabilidade urbana e cidades inteligentes trazida pela China por meio da cooperação Sul-Sul é um exemplo para o Brasil, afirmou na quarta-feira, Maria Fernanda Coelho, diretora Financeira e de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

Ela fez essa afirmação durante uma entrevista à Xinhua, no âmbito de sua participação na Conferência de Energia do Brasil 2025, em Teresina, capital do estado do Piauí, onde destacou o potencial da região Nordeste do Brasil como um dos pilares da transição energética que pode impulsionar a industrialização local.

Nesse contexto, ela considerou estratégicos os investimentos chineses no segmento, especialmente no Piauí e nos estados do Nordeste, que estão na vanguarda da inovação em energia eólica e solar e no desenvolvimento do hidrogênio verde.

Empresas chinesas como a State Grid, CGNPC e Three Gorges Group estão investindo ativamente na região para promover o rápido desenvolvimento da energia limpa local.

Coelho destacou a experiência chinesa em sustentabilidade urbana como inspiração para o Brasil, especialmente as chamadas cidades esponja, um modelo de planejamento urbano que busca gerenciar a água de forma mais sustentável, além do sistema de prevenção de desastres naturais.

No seu discurso, Coelho disse que no ano passado durante o aniversário do BNDES, conheceu a experiência das "cidades esponja", um modelo inovador de cidade sustentável que tem sido objeto de estudo dentro do próprio banco. Trata-se de um exemplo extraordinário de como enfrentar eventos climáticos extremos e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento urbano sustentável.

Segundo a funcionária, existem um enorme potencial para ampliar e diversificar os investimentos chineses no Piauí e na região Nordeste. Dentro do plano de industrialização do governo federal, o BNDES tem um papel fundamental para atrair investimentos e construir uma indústria nacional forte e sustentável.

Na Conferência de Energia do Brasil 2025, Coelho anunciou o lançamento de uma linha de crédito de 10 bilhões de reais (US$ 1,775 bilhão), destinada ao nordeste do Brasil para fomentar cinco setores prioritários: a transição energética e a descarbonização com ênfase especial no hidrogênio verde, como a bioeconomia (particularmente em bioprodutos farmacêuticos) e o fortalecimento do setor automotivo, incluindo máquinas e equipamentos agrícolas.

O objetivo é identificar grandes projetos na região que possam dinamizar a economia local, utilizando recursos reembolsáveis e não reembolsáveis, explicou ela.

Coelho lembrou que o Comitê Regional das Instituições Financeiras Federais (CORIFF), criado na Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), estava paralisado desde 2014 e foi reativado em setembro de 2024 como parte da estratégia de reindustrialização da região impulsionada pelo presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. 

Fonte:  https://portuguese.news.cn/20250609/0672565dcdba45a78824bfefab3ea704/c.html


Sputnik Brasil: Dados de estatística apontam países do G20 com a menor e maior taxa de desemprego

Manifestantes reunidos na avenida Paulista, em São Paulo (SP), durante ato pelo Dia do Trabalhador - Sputnik Brasil, 1920, 09.06.2025

O menor desemprego entre as principais economias do mundo no primeiro trimestre deste ano foi no México, com a Rússia em segundo lugar, de acordo com a análise feita pela Sputnik com base nos dados dos serviços de estatísticas nacionais.
"A parcela da população desempregada do México caiu para 2,2% em março dos 2,4% de dezembro passado. Este é o nível mais baixo entre todos os países do G20. Na Rússia, o desemprego permaneceu estável em 2,3%, na sequência disso o país tornou-se a segunda maior economia do mundo por este indicador. O terceiro lugar, tal como no trimestre anterior, foi ocupado pelo Japão, mas o desemprego lá subiu para 2,5% de 2,4% no final do ano passado.
Além dos países referidos, o desemprego foi inferior a 3% na Coreia do Sul, onde teve uma queda acentuada de 0,8% no trimestre. Trata-se do maior decréscimo nos países do G20.
Mahmoud Ali Youssouf discursa na 67ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York. EUA, 1º de outubro de 2012 - Sputnik Brasil, 1920, 25.05.2025
Panorama internacional
'A África não será refém da dor de seu passado', diz presidente da Comissão da União Africana
Além da África do Sul, a proporção de desempregados também aumentou no Brasil em 0,8 ponto percentual, para 7% e na França – por 0,2 ponto percentual, para 7,4%, além disso aumento de 0,1% houve na Austrália, Reino Unido, Alemanha, China e EUA.

Fonte:  https://noticiabrasil.net.br/20250609/dados-de-estatistica-apontam-paises-do-g20-com-a-menor-e-maior-taxa-de-desemprego-40156502.html

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Sputnik Brasil: Restrições da China às exportações de minerais essenciais deixarão o Ocidente sem fôlego, diz analista

 

Uma mulher caminha em direção a um carro da embaixada dos EUA em frente a um hotel em Xangai, 30 de julho de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 05.06.2025

Em meio à disputa comercial com os EUA, a China reforçou os controles de exportação de metais de terras raras, essenciais para tudo, desde smartphones e carros elétricos até equipamentos militares.
A repressão da China às exportações de terras raras, como retaliação às restrições tecnológicas dos EUA e de seus aliados, vai abalar as cadeias de suprimentos globais, especialmente para as montadoras, disse Peter Arkell, presidente da Associação Global de Mineração da China, à Sputnik.
Com a necessidade de novas licenças de exportação, as linhas de produção Just-in-Time (produção sob demanda) no Ocidente "ficarão sem fôlego", observou ele.
 
Arkell opiniou que as empresas europeias e norte-americanas que dependem desses componentes estarão "amaldiçoando as políticas tarifárias que deram início a esse confronto comercial retaliatório".

Por décadas, as gigantes automotivas ocidentais criaram raízes profundas na cadeia de suprimentos da China – incluindo os ímãs pesados e outros componentes derivados do processamento de minerais de terras raras.

Xi Jinping conversou por telefone com Donald Trump, informa mídia estatal Xinhua - Sputnik Brasil, 1920, 05.06.2025
Xi Jinping conversou por telefone com Donald Trump, informa mídia estatal Xinhua
 
"Portanto, se um dos objetivos das tarifas de Trump é proteger a indústria manufatureira americana, será uma estratégia vazia se os componentes essenciais produzidos na China não puderem ser produzidos internamente", resumiu.

Fonte:  https://noticiabrasil.net.br/20250605/restricoes-da-china-as-exportacoes-de-minerais-essenciais-deixarao-o-ocidente-sem-folego-40051324.html

Sputnik Brasil: Musk vs. Trump: a rivalidade que pode custar caro a ambos

 

O bilionário Elon Musk e o presidente dos EUA, Donald Trump - Sputnik Brasil, 1920, 06.06.2025

O jornal The New York Times considerou uma série de opções sobre os danos que Donald Trump e Elon Musk podem causar um ao outro durante o conflito público que está acontecendo entre eles.

Segundo o jornal, Musk poderia:

🔸 Usar seus bilhões contra o presidente, seus aliados e seu programa. Tendo gasto mais de US$ 250 milhões para ajudar a eleger o presidente, o empresário poderia muito bem financiar campanhas contra os republicanos;
🔸 Usar sua rede social X como ferramenta de provocação e influência sobre o público;
🔸Usar seus recursos empresariais para criar inconvenientes para o governo Trump. Ele já ameaçou desativar a espaçonave Crew Dragon, que transporta astronautas e carga da NASA para a Estação Espacial Internacional;
🔸 Após vários meses de relações próximas com o presidente, Musk poderia criar problemas para Trump ao insinuar o acesso a informações privilegiadas. Ele já afirmou que o governo atrasou deliberadamente a desclassificação de documentos sobre Jeffrey Epstein porque o nome de Trump é mencionado neles.
Musk sugere que Trump seja destituído do cargo e que J. D. Vance o substitua - Sputnik Brasil, 1920, 05.06.2025
Panorama internacional
Musk sugere que Trump seja destituído do cargo e que o vice assuma
🔸 Rescindir os contratos com as empresas de Musk. Em 2024, essas empresas obtiveram cerca de 100 contratos com 17 agências governamentais, no valor de US$ 3 bilhões;
🔸 Investigar o status imigratório de Musk e se o empresário faz uso de drogas;
🔸 Revogar a autorização de segurança de Musk, que ele recebeu como parte dos contratos governamentais da SpaceX com a NASA, o que complicaria seriamente sua cooperação futura com as autoridades;
🔸 Usar os poderes presidenciais contra Musk. Trump tem um enorme arsenal de influência à sua disposição: desde assinar decretos contra oponentes políticos até iniciar investigações criminais;
🔸 Segundo os cálculos do Axios, Donald Trump já teria perdido mais de US$ 1 bilhão em um dia devido à briga com Elon Musk.
 
Fonte:  https://noticiabrasil.net.br/20250606/musk-vs-trump-a-rivalidade-que-pode-custar-caro-a-ambos--40080678.html

Agência Brasil: Governo defende fortalecimento do Brics com “ambição renovada”

 

Em fórum parlamentar, Alckmin diz que ampliação do Brics exige coesão
Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 04/06/2025 - 14:53
Brasília
Brasília (DF), 04/06/2025  - 1ª Sessão de trabalho do 11º Fórum Parlamentar do BRICS no Congresso Nacional.  Foto: Lula Marques/Agência Brasil
© Lula Marques/Agência Brasil
Durante a abertura do 11º Fórum Parlamentar do Brics, em Brasília, o governo federal defendeu o fortalecimento institucional da organização multilateral. Além disso, manifestou a expectativa de que a cúpula do bloco, prevista para os dias 6 e 7 de julho, seja um ponto de “inflexão e ambição renovada” da coalizão de 11 países-membros e nove parceiros.

O presidente da República em exercício, o vice-presidente Geraldo Alckmin, defendeu no plenário do Senado, diante de representantes de parlamentos de 15 países do Brics, que a ampliação do grupo exige seu fortalecimento institucional.

“A ampliação do grupo exige mais coesão e efetividade. Os desafios que enfrentamos, da saúde global à transição verde, do avanço tecnológico à segurança internacional, são complexos e interconectados. Nenhum país pode enfrentá-los sozinho. Por isso, o papel dos nossos parlamentos é decisivo”, destacou.

A presidência do Brasil no Brics neste ano de 2025 ocorre em meio à expansão do bloco e ao início do novo mandato de Donald Trump, nos Estados Unidos (EUA), que tem rejeitado o multilateralismo em favor de construir soluções unilaterais ou bilaterais

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Brasília (DF), 04/06/2025  - 1ª Sessão de trabalho do 11º Fórum Parlamentar do BRICS no Congresso Nacional.  Foto: Lula Marques/Agência Brasil
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre; o presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin; e o presidente da Câmara, Hugo Motta, no 11º Fórum Parlamentar do Brics - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Para o vice-presidente, o Brics é diverso em cultura, história e modelos de desenvolvimento. “Isso é uma riqueza e não um obstáculo. É fundamental lembrar que o verdadeiro progresso nasce da nossa capacidade de construir sobre o que nos une e não do que nos separa”, acrescentou Alckmin.

Representando o Ministério das Relações Exteriores, a secretária-geral do Itamaraty, a embaixadora Maria Laura da Rocha, destacou o empenho do governo à frente da presidência do Brics em 2025, lembrando que, até o final de maio, foram realizadas 160 reuniões oficiais.

“Esse volume expressivo de atividades demonstra o grau de comprometimento do Brasil com uma presidência que seja substantiva, representativa e propositiva. Estamos agora a apenas quatro semanas da Cúpula de Líderes, que ocorrerá no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de julho. E seguimos trabalhando com dedicação e diligência para garantir que essa cúpula represente um momento de inflexão e ambição renovada”, completou a embaixadora.

Entre as propostas do Brics, está a reforma das organizações internacionais para maior peso dos países da África, Ásia e América Latina e o fortalecimento do multilateralismo nas relações internacionais com nova ordem global. Ao contrário do bilateralismo ou unilateralismo, o multilateralismo busca construir soluções em conjunto com os países para os problemas comuns do planeta.

Além disso, o Brics defende o aumento do comércio entre os países do Sul Global com uso de moedas locais e acordos para desenvolvimento econômico compartilhado e sustentável.

Brics

Inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo incluiu, no ano passado, como membros permanente, o Irã, a Arábia Saudita, o Egito, a Etiópia e os Emirados Árabes Unidos.

Neste ano, foi a vez de a Indonésia ser incluída como membro permanente. Além disso, em 2025, foi inaugurada a modalidade de membros parceiros, com a inclusão de nove países: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.

Agência Brasil: Lula é o 20º chefe de Estado homenageado pela Academia Francesa

 

Presidente diz que deferência é uma homenagem ao Brasil
Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 05/06/2025 - 17:06
Brasília
Paris, 05/06/2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sessão privada da Academia Francesa em homenagem ao Presidente da República. Foto: Ricardo Stuckert/PR
© Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado, nesta quinta-feira (5), pela Academia Francesa, em Paris. 

“Considero essa deferência um reconhecimento ao Brasil e ao povo brasileiro, que recebemos com muita gratidão e orgulho”, escreveu Lula em publicação nas redes sociais.

A academia foi criada em 1635 e, em seus quase 400 anos de história, apenas outros 19 chefes de Estado foram homenageados em sessão oficial. Antes de Lula, o único brasileiro reconhecido pela honraria havia sido Dom Pedro II, em 1872. A instituição tem uma influência significativa na cultura francesa e, além de regulamentar a língua francesa, concede prêmios em diversas áreas.

Os membros da Academia Francesa examinaram a palavra "multilateralismo" - que pressupõe igualdade soberana entre as nações - em homenagem ao presidente brasileiro. O termo ainda não figura no dicionário da instituição.

“A grande inovação introduzida após 1945 está sintetizada no sufixo ‘ismo’, acrescentado à palavra multilateral. Essa terminação traduz a intenção não apenas de descrever uma realidade, mas de incidir sobre ela”, disse Lula em discurso na academia. 

O presidente brasileiro é insistente na defesa do multilateralismo, ou seja, a interação na qual os países se reúnem para encontrar soluções coletivas para problemas comuns, em diversas áreas, como a urgência climática, o comércio global ou as guerras.

“O multilateralismo foi decisivo no processo de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na afirmação de direitos humanos, na promoção do livre comércio, na proteção do meio ambiente e na solução de diversos conflitos mundo afora. Infelizmente, estamos nos esquecendo dessas lições”, afirmou o presidente. 

“É insustentável manter ilhas de paz e prosperidade cercadas de violência e miséria”, destacou Lula, ao citar os conflitos do mundo atual.

Para o presidente, é preciso aperfeiçoar as democracias no âmbito interno dos países e o multilateralismo no plano externo. 

“São as duas faces de uma mesma visão de mundo, baseada no diálogo e no respeito à pluralidade”, disse.

Comunidade brasileira

Após a cerimônia, Lula se encontrou com membros da comunidade brasileira na França, na Prefeitura de Paris, a convite da prefeita Anne Hidalgo. Lá, ele também comentou sobre a homenagem na Academia Francesa.

“Eu fiquei orgulhoso porque eu sou um cidadão que não sou acadêmico, não tenho diploma universitário, eu tenho um curso primário e um curso técnico feito no Senai, no Brasil. Sou torneiro mecânico de profissão e fico orgulhoso de ter trazido uma palavra para enriquecer o dicionário francês, que é a palavra multilateralismo. Multilateral todo mundo sabia o que era, mas multilateralismo não, o ‘ismo’ foi nós que colocamos nessa palavra”, disse Lula em discurso no encontro.

O presidente destacou as realizações de seus governos, como ampliar o acesso ao ensino superior e tirar o Brasil do Mapa da Fome, e defendeu a democracia brasileira. 

“Tem muita gente que fala que o parlamentarismo é melhor no Brasil, mas eu jamais seria escolhido primeiro-ministro dentro do Congresso Nacional. Então, a única chance que eu tenho é exatamente o povo votar”, disse.

“Por isso, eu sou o único brasileiro que tenho três mandatos na Presidência da República eleito diretamente pelo povo. Isso me traz muito orgulho para andar o mundo brigando contra a desigualdade”.

Para o presidente Lula, é preciso “dotar o mundo de políticos responsáveis”, pois apenas o Estado pode garantir oportunidades a todos.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ressaltou que Lula é uma “lenda viva de um país lendário”, que encontrou sua “força excepcional” na indignação perante a miséria. 

“Neste sentimento, ainda intacto, sempre vivo, sempre animado de recusa da injustiça, aquela que flagela os anônimos, os mais humildes, aqueles que mais merecem, os sem-terra, os explorados de uma sociedade de desigualdades”, afirmou.

“A eles, o senhor dedicou a sua vida, a sua vida de combate, de luta, de compaixão, de lutas políticas e sindicais e de escuta atenta. Eles não tinham voz e o senhor decidiu falar em nome deles para que finalmente eles fossem ouvidos”, completou.

Entre os presentes no encontro estavam as brasileiras Lélia Salgado, viúva do fotógrafo Sebastião Salgado, e Ana Lúcia Paiva, filha de Eunice Paiva e do ex-deputado Rubens Paiva, morto pela ditadura militar no Brasil. As duas vivem na França.

Lula está em visita de Estado ao país europeu e até a próxima terça-feira (10) tem diversas atividades agendadas. 

Nesta quinta-feira, pela manhã, o presidente foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, quando assinaram 20 acordos bilaterais nas áreas de saúde, segurança pública, educação e ciência e tecnologia.

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Agência Brasil: Parlamentares do Brics criticam guerra tarifária promovida pelos EUA

 Internacional

Reunião em Brasília defendeu aumento do comércio entre os membros
Lucas Pordeus León - repórter da Agência Brasil
Publicado em 03/06/2025 - 14:04
Brasília
Brasília (DF), 03/06/2025  - 11º Fórum Parlamentar do BRICS  no Congresso Nacional. Reunião de presidentes de comissões de Relações Exteriores. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
© Lula Marques/Agência Brasil

Sem citar explicitamente o governo do presidente Donald Trump, parlamentares de países do Brics criticaram, nesta terça-feira (3), em Brasília, a guerra comercial promovida por meio de tarifas adotadas de forma unilateral pelos Estados Unidos (EUA), que impactam os mercados mundiais desde abril deste ano. 

Na condição de presidente do Brics em 2025, o Brasil sedia, nesta semana, o 11º Fórum Parlamentar do bloco, no qual se deu a reunião dos presidentes das comissões de relações exteriores de 15 países. O grupo inclui membros permanentes e parceiros do principal bloco de economias emergentes do planeta. 

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidiu a reunião, destacando a necessidade de aumentar o comércio entre os países do Brics e criticando medidas tarifárias unilaterais como as tomadas por Trump.

“É grande nossa preocupação com o aumento de medidas protecionistas unilaterais injustificadas, inconsistentes com as regras da OMC [Organização Mundial do Comércio], incluindo o incremento indiscriminado de medidas tarifárias e não tarifárias e o uso abusivo de políticas verdes para fins protecionistas”, destacou o parlamentar.

O representante brasileiro acrescentou que, apesar de um mundo cada vez menos cooperativo, o Brics continua firme “no seu compromisso de lutar pelo multilateralismo”. Ao contrário do bilateralismo ou unilateralismo, o multilateralismo busca construir soluções em conjunto com os países para os problemas comuns do planeta.

A presidência do Brasil no Brics ocorre em meio à expansão do bloco e ao início do novo mandato de Donald Trump, que tem rejeitado o multilateralismo em favor de construir soluções unilaterais ou bilaterais, sendo as bilaterais aquelas acordadas apenas entre dois países. 

Guerra Fria

O vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Parlamento da China, deputado Wang Ke, destacou que a mentalidade da Guerra Fria está voltando ao mundo e que “alguns países” estão usando a intimidação unilateral para impor seus interesses.

“Alguns países estão aplicando tarifas em todos os lugares. Eles colocam abertamente seus próprios interesses acima do interesse da comunidade internacional e ignoram o sistema multilateral de comércio e as regras estabelecidas. Infringem gravemente os direitos e interesses legítimos de todos os países”, comentou o parlamentar chinês.

Wang Ke defendeu a unidade do Brics para enfrentar essa situação. “O Brics está se tornando cada vez mais a espinha dorsal da cooperação no Sul Global e o motor do crescimento. Devemos fortalecer a unidade e a cooperação e trabalhar juntos para salvaguardar nossos direitos e interesses legítimos”, concluiu.

O representante do parlamento do Emirados Árabes Unidos, Ali AlNuaimi, destacou que a ordem mundial que surgiu após a 2ª Guerra Mundial não existe mais e defendeu o uso da organização para construção de pontes entre os povos.

“Infelizmente, muitas vezes, existe a ideia de, se eu ganho, você perde. E o princípio do Brics é o princípio de que todos possamos ganhar”, explicou.

 

Brasília (DF), 03/06/2025  - 11º Fórum Parlamentar do BRICS  no Congresso Nacional. Reunião de presidentes de comissões de Relações Exteriores. Foto: Lula Marques/Agência Brasil
11º Fórum Parlamentar do BRICS no Congresso Nacional. Reunião de presidentes de comissões de Relações Exteriores.Lula Marques/Agência Brasil

Moedas locais

A Indonésia, que ingressou no Brics como membro permanente neste ano, foi representada pelo deputado Mardani Ali Sera, que defendeu a expansão do comércio entre os países do Brics usando meios de pagamento com moedas locais. “Essas opções de pagamento reforçam nossa resiliência econômica para lidar com os desafios econômicos recentes”, destacou Ali Sera.

O uso de moedas locais para o comércio entre países do Brics, em substituição ao dólar, é uma das principais propostas do bloco. A ideia é alvo de duras críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, que promete taxar países que substituam o dólar, como forma de preservar a hegemonia da moeda estadunidense no mercado global. 

África

O representante da África do Sul, o deputado Supra Mahumapelo, destacou que seu país tem tidos grandes benefícios como membro do Brics. Ele elogiou o trabalho do banco da instituição, hoje presidido pela ex-presidenta Dilma Rousseff, e defendeu a reforma das instituições multilaterais da ONU. 

“A arquitetura do sistema internacional promove um desequilíbrio pela influência desproporcional dos países desenvolvidos e das grandes corporações. Embora esse desequilíbrio continue no sistema de comércio global, essa arquitetura financeira está enraizada em arranjos unilaterais”, disse o representante sul-africano.

A reforma dos organismos internacionais, como Organização Mundial do Comércio (OMC), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Conselho de Segurança da ONU, está entre as principais demandas do Brics. 

Representando a Nigéria, que ingressou no Brics como membro parceiro neste ano, o deputado Busayo Oluwole Oke também criticou medidas protecionistas e sanções econômicas unilaterais.

“Vemos o início de uma nova ordem mundial com novos desafios. O comércio do Brics não é apenas uma meta, é uma necessidade. E isso se torna ainda mais crucial com as rupturas atuais ainda avançando na arena global do comércio ocidental. Que nós possamos diversificar nossos canais de comércio, menos dependentes de mercados internacionais”, afirmou o nigeriano.

América Latina

Além do Brasil, que é membro permanente do Brics, a América Latina conta com outros dois integrantes: Cuba e Bolívia, que são membros parceiros. A Argentina chegou a ser membro permanente do bloco, mas o presidente de ultradireita Javier Milei decidiu tirar o país da organização após assumir a Casa Rosada. 

O representante boliviano, o parlamentar Felix Ajpi Ajpi, lembrou que seu país oferece muitas oportunidades para investimentos por possuir as maiores reservas de lítio do planeta, um dos principais minerais usados pela indústria na transição energética.

“Defendemos adicionar mais países para esse sistema moderno [do Brics]. Por isso, a gente agradece ao Brasil por apoiar a gente, para que possamos virar parceiros nesse mundo multipolar, que é uma solução pacífica para o desenvolvimento, já que sofremos muito tempo com o unilateralismo”, disse.

Cuba é outro país que ingressou neste ano como membro parceiro. O vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores de Cuba, Alberto Nuñez Betancourt, destacou que o Brics é um desafio para hegemonia ocidental.

“O desafio dos Brics é promover o Novo Banco de Desenvolvimento [NBD] com uso de moedas locais e criando projetos com apoio financeiro que permitam a países da África e da América Latina explorar planos de tecnologia com melhores condições se comparados àqueles que são impostos pelo FMI”, destacou o parlamentar cubano.

O NDB – banco do Brics - tem atualmente cerca de 100 projetos financiados que somam aproximadamente US$ 33 bilhões. O banco tem um papel central na estratégia do bloco de ampliar os investimentos nos países do bloco e do Sul Global.

Brics

Inicialmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a coalização de países incluiu, no ano passado, como membros permanentes: o Irã, a Arábia Saudita, o Egito, a Etiópia e o Emirados Árabes Unidos.

Neste ano, foi a vez da Indonésia ser incluída como membro permanente. Além disso, em 2025, foi inaugurada a modalidade de membros parceiros, com a inclusão de nove países: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão.