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domingo, 3 de dezembro de 2023

Depois de 7 anos, Mercosul volta a ter cúpula social presencial

Encontro começa nesta segunda-feira no Rio

(Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Por Bruno de Freitas Moura (Agência Brasil) - O Rio de Janeiro recebe nos próximos dias a Cúpula de Líderes do Mercosul, em que altas autoridades e chefes de Estado vão discutir iniciativas para a integração e desenvolvimento da região. Mas antes de os líderes dos países membros e associados assumirem o protagonismo na quarta (6) e na quinta-feira (7), os holofotes estarão voltados para representantes da sociedade civil, que participarão da Cúpula Social logo no começo da semana, segunda (4) e terça-feira (5).  

A Cúpula Social, em formato presencial, estava suspensa desde 2016. A retomada é um compromisso do Brasil, que assumiu a presidência pro tempore (rotatividade a cada seis meses) do Mercosul em julho de 2023. Os encontros serão no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio (MAR). Participarão cerca de 300 representantes de organizações e movimentos da sociedade civil, além de autoridades dos países membros e associados do bloco econômico.  

A realização de um evento com destaque para a participação social na agenda internacional dias antes de um encontro de autoridades é similar ao que ocorreu em agosto, em Belém, quando os Diálogos Amazônicos antecederam a Cúpula da Amazônia.

Abordagens

Mesas temáticas discutirão o papel da participação social para a democracia, desafios comuns e integração entre os povos. Cinco grupos de trabalho tratarão de assuntos como enfrentamento à fome e à pobreza, cidadania e direitos humanos, desenvolvimento e meio ambiente e fortalecimento da participação social.  

Um dos representantes da sociedade civil convidados para o evento é o secretário adjunto de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo. Ele representará a Coordenadoria de Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS).  

Segundo o sindicalista, o encontro internacional é uma oportunidade para defesa dos direitos trabalhistas. “É fundamental ter relações de trabalho que sejam dignas para todos os trabalhadores, de todos os países”, disse.

A programação cultural na Cúpula Social inclui uma exposição sobre o ritmo funk, como forma de expressão e liberdade, e uma roda de samba. O Museu do Amanhã e o MAR ficam a poucas quadras da região conhecida como Pequena África, que guarda a herança da chegada e da presença de negros africanos trazidos à força para a América do Sul.

Igualdade racial 

A secretária executiva do Ministério da Igualdade Racial, Roberta Eugênio, participará de um encontro com representantes de minorias afrodescendentes nos países vizinhos. “O debate sobre as desigualdades raciais não é restrito a um país que tenha a maioria da sua população negra”, afirma.  

“O Brasil tem contribuído com um debate sobre quais são as políticas que precisam ser desenvolvidas para enfrentamento desse problema. Temos população afrodescendente também na Argentina, no Uruguai, no Paraguai, e os países têm se demonstrado muito interessados em promover políticas que caminham na direção do enfrentamento do racismo e da promoção da igualdade racial nos seus territórios”, acrescenta.

Encaminhamento

Os encontros da Cúpula Social serão transmitidos ao vivo pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual faz parte a Agência Brasil. Os resultados das discussões serão encaminhados aos líderes dos países do bloco econômico no dia 7 deste mês. 

Para Roberta Eugênio, a Cúpula Social do Mercosul traz uma mensagem de fortalecimento da integração entre os povos por meio da participação social. “Fica nítida, quando realizamos eventos preparatórios envolvendo a sociedade civil, a importância da participação popular nos processos decisórios, mesmo nas macrodecisões que o Brasil vai tomar”, salienta. 

Sobre a retomada da Cúpula Social depois de tantos anos, Quintino Severo diz que é uma iniciativa muito importante. "Queremos ir aperfeiçoando a participação social. Não queremos que apenas as mercadorias, os mercados, tenham capacidade de se articular, mas que a sociedade, os trabalhadores, outras organizações da sociedade possam também contribuir na perspectiva de ter justiça social e aperfeiçoar as ferramentas de participação nas decisões futuras do Mercosul", ressalta.

O bloco

O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um processo de integração regional iniciado em 1991, formado inicialmente pela Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Nas décadas seguintes foi aprovada a entrada da Venezuela e da Bolívia.  

Desde 2017, a Venezuela está suspensa pelo não cumprimento de cláusulas democráticas do bloco. A Bolívia ainda não concluiu o processo de ingresso, mas já teve a chancela dos parlamentos dos demais países. São países associados Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname.  

O bloco abrange uma área de 14.869.775 quilômetros quadrados (o Brasil detém 57%) e uma população de 295 milhões, sendo mais de 200 milhões de brasileiros.

Fonte:  https://www.brasil247.com/brasil/depois-de-7-anos-mercosul-volta-a-ter-cupula-social-presencial

 

Políticos, ministros e banqueiros lideram ranking da desconfiança dos brasileiros, diz Ipsos

Por outro lado, professores, cientistas e médicos são considerados os mais confiáveis

Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - Pesquisa do instituto intitulada "Confiabilidade Global" revela que as categorias profissionais que os brasileiros menos confiam são os políticos, ministros e funcionários de gabinetes, além de banqueiros. Segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o estudo aponta que a desconfiança em relação aos políticos atingiu um índice de 66%, superando a média global de 60%.

Ministros e funcionários de gabinetes também foram alvo de descrença, registrando 55% no Brasil, ante 53% em nível mundial. Os banqueiros, por sua vez, foram desaprovados por 49% dos brasileiros, enquanto a média internacional foi de 38%.

“Padres, pastores e líderes religiosos vieram em seguida, com 39% de descrença entre os brasileiros (abaixo da média global, de 40%). O ‘top cinco’ ficou completo com os juízes, cujo índice de desconfiança da população foi de 38% (lá fora, o patamar foi de 31%)”, destaca a reportagem.

A pesquisa revela, ainda, que os profissionais mais confiáveis aos olhos dos brasileiros são os professores, com um índice de confiança de 64%. Cientistas também desfrutam de uma boa reputação, com 59% de aprovação, seguidos pelos médicos, que conquistaram a confiança de 56% da população.

A Ipsos destaca que o Brasil se destaca globalmente como o terceiro país que mais confia em seus professores, ficando atrás apenas da Indonésia (74%) e Chile (64%). Em contraste, países como Japão (20%), Coreia do Sul (34%) e Polônia (38%) demonstram uma confiança menos expressiva em seus docentes.

A pesquisa foi realizada entre os dias 26 de maio e 9 de junho, com mil entrevistados no Brasil.

Fonte:  https://www.brasil247.com/brasil/politicos-ministros-e-banqueiros-lideram-ranking-da-desconfianca-dos-brasileiros-diz-ipsos

 

Lula cobra participação da sociedade civil para evitar a volta da extrema direita

"Ou a gente participa ou a extrema direita vai voltar com muita força, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países", disse o presidente

Lula concede entrevista na COP28
Lula concede entrevista na COP28 (Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Agência Gov – "Ou a gente participa ou a extrema direita vai voltar com muita força, não apenas no Brasil, mas em muitos outros países. Significa que vocês, além de agentes reivindicadores, têm que ser agentes formuladores e agentes participativos. É mais que reivindicar. É participar. É mais que reivindicar. É ajudar a fazer".

Foi esse o tom das mensagens que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva passou neste sábado (02/12), a representantes de 135 entidades da sociedade civil brasileira durante um dos eventos mais marcantes de sua agenda na Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas – a COP 28, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Dinaman Tuxá, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib); Kátia Penha, ativista ambiental quilombola; Marcele Oliveira, que representou a juventude brasileira; e Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, foram os porta-vozes das diversas entidades.

Deles, Lula ouviu os anseios e preocupações referentes à proteção dos territórios indígenas e quilombolas, conheceu uma proposta do Conselho de Juventudes pela Ação Climática e Meio Ambiente (Conjuclima) para a criação do Conselho Nacional pela Ação Climática e Meio Ambiente, e foi alertado pelo representante do Observatório do Clima de que o agravamento das mudanças climáticas resultará na perda de milhares de vidas, principalmente das comunidades mais vulneráveis em todo o planeta.

A atividade foi organizada pela Secretaria-Geral da Presidência da República, com a participação dos ministros Márcio Macêdo (SG PR), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Sonia Guajajara (Povos Indígenas) e Mauro Vieira (Relações Exteriores). "É um momento histórico. Eu já participo da minha quinta COP e não tive nenhum momento parecido como esse, de sentar com um chefe de Estado do Brasil para dialogar e construir uma política ambiental de forma conjunta", afirmou Dinaman Tuxá.

"Sabemos do desafio que o Brasil está tendo, não só do compromisso ambiental que foi firmado em nível internacional, mas principalmente de cumprir com esse compromisso dentro do cenário nacional. Saímos daqui com mais um comprometimento do presidente Lula em fazer essa agenda verde e principalmente em garantir que os povos indígenas tenham acesso aos seus territórios", continuou.

Já Kátia Penha destacou o sentimento de pertencimento que todos sentiram ao longo do evento. "O presidente Lula faz esse acolhimento da sociedade civil brasileira. Depois de três COPs de um governo não-inclusivo, a gente pode estar aqui com o governo brasileiro, colocando as pautas coletivamente dos movimentos sociais organizados no Brasil", elogiou.

"E tratar a questão climática emergencial para o Brasil é prioridade. Não só do governo brasileiro, mas de toda a sociedade, de todas as pessoas que estão no campo, de todas as pessoas que estão nas florestas e nas comunidades quilombolas", prosseguiu.

Para Marcele Oliveira, integrante da Coalisão O Clima de Mudança, do Rio de Janeiro, e representante na COP 28 da Conjuclima, o evento trouxe ânimo por saber que o governo federal está atento à crise climática e envolvido em encontrar soluções efetivas a médio e longo prazo.

"Eu saio daqui com muita esperança de que a gente consiga pensar esse futuro possível de forma organizada. Hoje a gente veio não só para dar essa fala enquanto juventude, mas também para fazer uma proposição. Quando a gente fala na proposição de um conselho a gente está propondo um caminho de diálogo onde seja possível pautar assuntos delicados, como combustíveis fósseis, como racismo ambiental, como justiça climática junto com a periferia, com a juventude, com as comunidades quilombolas, comunidades indígenas, com a população LGBTQIA+", afirmou Marcele.

REPRESENTAÇÃO NO G20 — Um dia depois de o Brasil assumir a presidência do G20, posto que o país ocupará até 30 de novembro de 2024, Lula afirmou que espera que a sociedade civil possa participar das discussões do grupo que reúne as principais economias do mundo — 19 países, mais a União Africana e a União Europeia.

"Esse ano nós já temos uma tarefa que a gente não está habituado a fazer: nós temos o G-20. O G-20 é uma coisa muito importante, porque é a reunião das economias mais fortes do planeta. E nós queremos fazer uma grande participação social nesse G-20. Nós queremos que quando os chefes de Estado se reunirem em novembro a gente tenha, antes dos chefes de Estado, o resultado daquilo que é a decisão do movimento social brasileiro sobre o papel do G-20 no próximo período".

Referindo-se ao papel dos movimentos sociais no fortalecimento do ambiente democrático, o presidente fez um alerta: "Vocês aprenderam nos últimos tempos a compreender que muitas das coisas que vocês reivindicam, que vocês brigam o dia inteiro, dependem de uma coisa chamada: Fortalecimento da democracia no nosso país", afirmou.

"Se a gente não leva isso em conta, a cada eleição a gente vai reclamar que o poder legislativo está mais conservador. E se ele estiver mais conservador, mais dificuldade nós teremos de aprovar grande parte daquilo que vocês passam o ano inteiro reivindicando", concluiu Lula.

Fonte:  https://www.brasil247.com/poder/lula-cobra-participacao-da-sociedade-civil-para-evitar-a-volta-da-extrema-direita

 

Lula descreve França como protecionista após críticas de Macron ao acordo Mercosul-UE

A posição de Macron surge em um contexto onde o acordo Mercosul-UE enfrenta críticas e desafios em sua implementação

Lula discursa na COP28
Lula discursa na COP28 (Foto: Ricardo Stuckert)

247 – Durante a sessão de abertura da COP28 em Dubai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caracterizou a França como um país protecionista. Esta declaração ocorreu após o presidente francês Emmanuel Macron expressar sua oposição ao acordo comercial Mercosul-União Europeia. Macron, durante um encontro bilateral com Lula, criticou o acordo por considerá-lo desatualizado e incompatível com as estratégias ambientais atuais. Lula, ao responder às declarações de Macron, enfatizou o direito de cada país de adotar sua própria postura em questões comerciais e destacou a abordagem protecionista da França em contraste com a posição geral da União Europeia. As informações são de uma reportagem do Valor Econômico.

Macron, ao detalhar sua posição contra o acordo, descreveu Lula como um líder visionário e corajoso, salientando a existência de sinergia entre as estratégias de ambos os países. Ele argumentou que o acordo Mercosul-UE, negociado há 20 anos e posteriormente revisado, continua a ser contraditório com as políticas ambientais e comerciais atuais do Brasil e da França. A posição de Macron surge em um contexto onde o acordo Mercosul-UE enfrenta críticas e desafios em sua implementação, destacando-se como um ponto de discordância entre os líderes dos países envolvidos.

Fonte:  https://www.brasil247.com/poder/lula-descreve-franca-como-protecionista-apos-criticas-de-macron-ao-acordo-mercosul-ue

 

Veias abertas - A disputa por Essequibo

sábado, 2 de dezembro de 2023

Lula pede que países ricos paguem conta por preservação de florestas

"É a primeira vez que florestas vêm falar por si", disse o presidente Lula na COP28

Evento sobre Florestas: Protegendo a Natureza para o Clima, Vidas e Subsistência na COP28, Dubai, EAU
Evento sobre Florestas: Protegendo a Natureza para o Clima, Vidas e Subsistência na COP28, Dubai, EAU (Foto: Ricardo Stuckert)

Agência Brasil - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado (2), que são os países ricos que devem pagar a conta pela preservação das florestas. Ao discursar em reunião na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2023 (COP28), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Lula destacou que essa é a primeira vez, em 28 anos de COPs, que as "florestas falam por si”.

“É a primeira vez que as florestas vêm falar por si. É a primeira vez que nós estamos dizendo: não basta evitar desmatamento, é preciso cuidar da floresta, cuidar das pessoas que moram na floresta, e cuidar da biodiversidade da floresta. Isso custa muito dinheiro, e os países ricos têm que ajudar a pagar essa conta. É isso que nós queremos nesta COP”, afirmou.

O presidente participou, ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de evento chamado Protegendo a Natureza para o Clima, Vidas e Subsistência, que reuniu especialistas, representantes de povos de florestas e chefes de Estado de países com florestas, como o presidente da França, Emannuel Macron, devido a posse sobre o território da Guiana Francesa, aqui na América do Sul.

Lula cedeu seu tempo de fala para a ministra Marina uma vez que ela cresceu nos seringais da floresta amazônica, no Acre. O presidente chorou ao lembrar a história de vida da ministra.

“Eu não poderia utilizar a palavra sobre a floresta, se tenho no meu governo uma pessoa da floresta. A Marina nasceu na floresta, se alfabetizou aos 16 anos. Eu acho que é justo que, para falar da floresta, ao invés de falar o presidente, que é de um Estado que não é da floresta, a gente tem é que ouvir ela, que é a responsável pelo sucesso da política de preservação ambiental que nós estamos fazendo no Brasil”, destacou.

Em seu primeiro dia, na quinta-feira (30), a COP28 aprovou um fundo climático para financiar perdas e danos de países vulneráveis. O objetivo do novo fundo é ajudar as nações pobres a lidar com desastres climáticos.

Polícias ambientais do Brasil

A ministra Marina Silva fez um breve relato das políticas do governo federal para preservação da floresta, destacando as ações de combate ao desmatamento ilegal da Amazônia que, de acordo com Marina, foram responsáveis por reduzir a derrubada da floresta em 49,5% nos 10 primeiros meses de governo, “evitando lançar na atmosfera 250 milhões de toneladas de CO₂. Se não fossem suas medidas, teríamos um aumento do desmatamento de 54%”.

Marina também destacou as políticas para os povos indígenas e quilombolas como essenciais para preservação das florestas. “Os povos originários são responsáveis por 80% das florestas protegidas do mundo, e o povo quilombola agora também tem uma mulher, uma mulher negra, Anielle Franco, uma jovem que está ajudando a proteger floresta com o povo quilombola”, ressaltou.

Ainda segundo a ministra do Meio Ambiente, a política do governo não é setorial, mas está em todos os ministérios e citou, como exemplo dessa abordagem sistêmica, o Plano de Transformação Ecológica apresentado pelo Ministério da Fazenda.

Referindo-se ao presidente Lula, a ministra afirmou que "sua diretriz para proteger a floresta é mais do que comando e controle [fiscalização e repressão], é uma diretriz de desenvolvimento sustentável em suas quatro dimensões: na dimensão ambiental, na dimensão social, na dimensão econômica e na dimensão cultural.”

Nesta COP, o Brasil apresentou proposta para que os países com Fundos Soberanos invistam, ao menos, US$ 250 bilhões em um Fundo para manutenção das florestais tropicais de todo o mundo. 

Fonte:  https://www.brasil247.com/meioambiente/lula-pede-que-paises-ricos-paguem-conta-por-preservacao-de-florestas

 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Brasil terá a África como foco da política externa em 2024: ‘Fazer do Atlântico um rio’

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante chegada a Joanesburgo para cúpula do BRICS. África do Sul, 21 de agosto de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 01.12.2023

© Ricardo Stuckert / Presidência da República

A té a metade da segunda década do século 21, Brasil e África viveram os anos dourados das suas relações, com intensa cooperação econômica e diplomática. Uma das marcas do período foi a expansão de empresas brasileiras em todo o continente africano, com grandes projetos de infraestrutura, alimentação e até de saúde.

Em 2013, o comércio bilateral atingiu um dos melhores momentos, quando alcançou a cifra de quase US$ 30 bilhões (R$ 147 bilhões).

Mas o que aconteceu nos anos seguintes?

Brasil e continente africano: laço cultural muito forte

Separadas por um oceano e ligados eternamente pela história colonizadora, as relações entre o Brasil e a África são constantes, tanto econômicas quanto sociais, e, como qualquer relação, tiveram altos e baixos. Em um passado recente, a intensa integração chegou a ser vista como uma ameaça pela União Europeia, que temia perder sua influência para Brasília.

Prova disso foi que em 2010 uma única empresa brasileira chegou a empregar quase 30 mil funcionários no continente africano: a Odebrecht, que à época teve uma receita de R$ 2 bilhões.

A crise financeira e política pela qual o Brasil passou a partir de 2015, porém, também afetou drasticamente a cooperação com o território. Tanto que no ano passado, o comércio entre Brasil e África foi um terço do registrado há nove anos, conforme o governo federal.

Parte disso se deve à política externa conduzida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que sequer viajou a nenhum país do continente africano durante o seu mandato.

Para reverter esse cenário, o assessor especial para assuntos internacionais da presidência, Celso Amorim, já prometeu que a política externa brasileira terá como foco em 2024 os países africanos.

Qual a relação entre o Brasil e a África?

O professor de relações internacionais e especialista em África na Universidade Federal do ABC (UFABC), Acácio Almeida, lembrou à Sputnik Brasil que ainda em 2008 a Europa chegou a demonstrar incômodo com a presença do país no continente.

“Questionavam muito onde isso ia dar, qual era o perigo. Claro que não se cumpriu e o Brasil deixou de ser um jogador importante nesse campo”, pontuou o especialista, que vê com bons olhos o projeto abraçado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de ampliar as relações bilaterais na região.

Mundioka #235 - Sputnik Brasil, 1920, 24.11.2023

Mundioka

O êxodo médico na Nigéria: como ficam a população e a saúde pública?

24 de novembro, 17:55

Porém, o especialista pontuou que a situação é diferente do que era há 20 anos, quando Lula foi eleito presidente da República pela primeira vez e já sinalizava a importância da aproximação.

“Naquele momento, existiam fatores que coincidiam como, por exemplo, o renascimento africano [inserção do continente na política internacional] com o brasileiro, que já não é mais falado. E também, nessas duas décadas, a África não ficou parada esperando pelo Brasil. Tivemos a ampliação do campo de influência de outros países, principalmente a China, e Celso Amorim sabe muito bem o que isso significa”, enfatizou.

Acácio Almeida relembrou a uma grande conferência que reuniu intelectuais e autoridades brasileiras e africanas ainda em 2006, em Salvador, quando foi reafirmada a necessidade de fortalecer os laços entre as nações.

“Esse momento atual é a chance do Brasil talvez retomar as relações partindo daquilo que foi acordado, que é formar um bloco mesmo. O Brasil pode voltar a pensar naquele desejo de fazer do Atlântico um rio e criar uma ação de maior profundidade com os países africanos”.

Já com relação ao discurso usado comumente pelos governos que passaram por Brasília nas últimas décadas (de que o país é um irmão do continente africano por ser a nação com maior número de afrodescendentes fora da África) para aproximar as relações ficou no passado. “Hoje essa fala já ficou meio gasta”, disse o professor de relações internacionais, que pontuou sobre a necessidade de olhar a região não só como um potencial mercado consumidor.

Há um mundo de possibilidades no território, principalmente em setores como desenvolvimento tecnológico, produção agrícola, saúde e formação de profissionais capacitados, explica à Sputnik Brasil o pesquisador de economia política mundial, planejamento regional e urbano, geopolítica e geoestratégia da Universidade de São Paulo (USP), Braulio André. “E me parece que o governo brasileiro, para além de levar empresas brasileiras do setor da construção e infraestruturas, tem se preocupado em estabelecer parcerias nessas outras áreas”, argumentou.

Segundo o analista, é assim que o país pode conquistar espaço no continente frente à concorrência de potências como a China e os Estados Unidos. “Conquistando esse espaço, muito facilmente encontrará outros mercados não só nos países de expressão portuguesa, mas também de outros idiomas”.

O presidente russo Vladimir Putin, à direita, e o presidente chinês Xi Jinping posam para uma foto durante uma cerimônia oficial de boas-vindas no Grande Palácio do Kremlin, em Moscou, em 21 de março de 2023. - Sputnik Brasil, 1920, 24.11.2023

Panorama internacional

Ocidente está perdendo parceiros no Sul Global para Rússia e China, alerta jornalista

24 de novembro, 07:23

África: ‘Nova fronteira para o capitalismo’

O pesquisador da USP avalia ainda que o principalmente o mundo ocidental vê o continente africano apenas como uma nova fronteira para o capitalismo, diante de seu potencial mercado interno de mais de 800 milhões de pessoas. Ainda há grande interesse pelos abundantes recursos naturais da região, principalmente minérios que são base do atual desenvolvimento tecnológico.

“O continente africano continua sendo um forte exportador de commodities para esse desenvolvimento dos demais países. Penso que o Brasil, nesse sentido, também tem um interesse no desenvolvimento econômico, social e político da África. Obviamente que são relações bilaterais baseadas no interesse. Aquilo que o Brasil pode fornecer para o desenvolvimento desses países precisa ter um retorno do que foi investido”, ressaltou.

Para além disso, o analista reforça que o governo Lula busca retomar parte do prestígio perdido com as nações da África durante as gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), além do seu protagonismo geopolítico até entre o BRICS. “É observado um certo enfraquecimento político no bloco e há toda uma necessidade de se estabelecer novos parceiros para retomar uma certa influência sobre o continente africano.”

O professor da UFABC concordou e acrescentou ainda que o Brasil inclusive possui condições de atuar em projetos importantes para as nações africanas em áreas como a saúde, através da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Pode-se retomar, por exemplo, uma agenda antiga para a produção de vacinas [pela entidade] contra doenças como a malária, ou pensar na fabricação e distribuição de vacinas para a COVID-19. A simples venda apenas de produtos é importante, mas os africanos já conhecem muito bem essa agenda e querem outras [mais voltadas para o desenvolvimento]”.

‘Não temos capacidade de competir com a China’

Só na última década, a China investiu US$ 34 bilhões (R$ 165,6 bilhões) em todo o continente africano, com destaque para países como República Democrática do Congo, Zâmbia e Quênia, enquanto o fluxo de recursos norte-americanos na região estão em queda desde 2010.

Em 2020, por exemplo, os Estados Unidos colocarem metade do valor investido por Pequim nas nações africanas.

Tudo isso, segundo Acácio Almeida, mostra que o Brasil não possui capacidade para competir com os chineses na região.

“O papel que devemos buscar é de ser um parceiro da China [também na África]. Há dez anos, por exemplo, o Brasil perdeu alguns contratos para fazer a exploração de petróleo, que foram vencidos pelos chineses, que contrataram empresas brasileiras para fazer [o trabalho]. Isso mostra que temos tecnologia para fazer, só não temos como financiar”, concluiu.


 

Facções criminosas de 4 países disputam território e controle do tráfico na Amazônia Legal

Estudo aponta a presença de membros de pelo menos dez facções criminosas envolvidos em disputas por território na Amazônia Legal

Amazônia
Amazônia (Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil)

247 - O estudo intitulado "Cartografia da Violência na Amazônia," divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta a presença de membros de pelo menos dez facções criminosas de quatro países vizinhos (Venezuela, Colômbia, Peru e Bolívia) envolvidos em disputas por território na Amazônia Legal.

Segundo o UOL, o documento destaca que a atuação destas facções se concentra principalmente no Acre, Amazonas, Maranhão e Roraima, e ressalta a necessidade de ações coordenadas e estratégicas para conter o avanço do crime organizado na região. 

A pesquisa indica que as facções estrangeiras ingressaram na Amazônia devido à dificuldade de levar drogas para os Estados Unidos ou países da Europa, buscando aproveitar a presença de locais estratégicos ao longo das rotas de tráfico. Ex-guerrilheiros colombianos, peruanos, venezuelanos e bolivianos estão entre os grupos identificados.

O levantamento também destaca que grupos venezuelanos estão disputando território com facções brasileiras em Boa Vista, cidade com mais de 410 mil moradores. O estudo revela a presença de quatro grupos de ex-guerrilheiros das Farc concentrados no Amazonas.

“Eles estão na mira das autoridades colombianas, brasileiras e norte-americanas por suspeita de dominar uma rota pelo rio para negociar com PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), as duas principais facções brasileiras”, ressalta a reportagem.

Os dados fazem parte do "Narco Files: a nova ordem do crime," uma investigação jornalística transfronteiriça liderada pelo Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) em parceria com o Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP), do qual o UOL faz parte.

Fonte: https://www.brasil247.com/brasil/faccoes-criminosas-de-4-paises-disputam-territorio-e-controle-do-trafico-na-amazonia-legal

 

Bom dia 247: Lula pode colocar o Brasil na Opep (1/12/23)