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quarta-feira, 2 de novembro de 2016

JUIZ AUTORIZA TORTURA PARA DESOCUPAÇÃO DE COLÉGIO EM TAGUATINGA

Do Justificando - O Juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal determinou no último domingo, 30, que a polícia militar promova a desocupação do Centro de Ensino Asa Branca de Taguatinga, com métodos torturantes frente aos estudantes.
Na decisão, o juiz autorizou que a polícia:
a) suspenda o fornecimento de água, energia e gás;
b) acesso de terceiros, em especial parentes e conhecidos ao local;
c) acesso de alimentos ao local;
d) uso de instrumentos sonoros contínuos voltados para os estudantes;
Para jurista, decisão utiliza da tortura para a desocupação – “uso de sons para infligir sofrimento a uma pessoa, privando-a do sono, é conhecida e antiga técnica detortura”, afirmou o Procurador do Estado e colunista do Justificando Marcio Sotelo Felippe.
Além disso, o magistrado reforçou que os métodos devem prevalecer sobretudo na presença de crianças e adolescentes. Veja o andamento do processo no site oficial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
decisao decisao-desocupacao
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/263382/Juiz-autoriza-tortura-para-desocupa%C3%A7%C3%A3o-de-col%C3%A9gio-em-Taguatinga.htm

GRAZZIOTIN: GOVERNO NÃO QUER DISCUTIR PEC DOS GASTOS

Agência Senado - A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse lamentar que governistas não queiram discutir a proposta de emenda à Constituição que limita os gastos públicos por 20 anos (PEC 55/2016), apesar de o calendário de tramitação da PEC permitir o debate.
Para ela, não faz sentido o governo afirmar que a PEC é fundamental para o país, mas orientar a base aliada a não debater a proposta, como afirmou ter ocorrido na reunião desta terça-feira (1º) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ela também declarou que governo não tem enviado representantes às comissões que realizam audiência pública sobre o tema.
— Não debate quem não tem o que debater. Não debate quem não tem razão. E essa PEC, eles sabem melhor do que nós, que é uma PEC ruim para o Brasil, não só ruim para o povo, mas ruim para o Brasil — disse.
Vanessa Grazziotin lamentou ainda que um senador, a quem preferiu não identificar, tenha dito em Plenário que os estudantes que ocupam as escolas em todo o país o fazem para fumar maconha ou até para cometer homicídio, ao lembrar do caso do assassinato de um estudante em uma instituição de ensino paranaense.
Segundo a senadora, a ocupação das escolas foi uma forma que os estudantes encontraram para protestar contra a PEC que limita os gastos públicos por vinte anos, e a medida provisória de reforma do ensino médio.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/263442/Grazziotin-Governo-n%C3%A3o-quer-discutir-PEC-dos-Gastos.htm

PEC QUE CONGELA GASTOS SÓ É BOA PARA O SETOR FINANCEIRO, DIZ HUMBERTO COSTA

Jefferson Rudy/Agência Senado Agência Senado - O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que vai combater diuturnamente a proposta de emenda à Constituição que limita os gastos públicos (PEC 55/2016) por considerá-la nociva ao país.
Para ele, se o governo Michel Temer quer mesmo a retomada do crescimento, deve promover uma reforma tributária, de modo que os mais ricos passem a contribuir mais.
O senador também discorda da tese segundo a qual a proposta permitirá trazer de volta a confiança do investidor privado. Segundo ele, o investimento privado também depende do investimento público, que sempre foi fundamental para garantir o crescimento econômico.
- É preciso investir no social, em saúde. É assim que se cresce - afirmou, acrescentando que a proposta do governo, do jeito que está, somente será boa para o setor financeiro.
- Eu pergunto aos gênios, elaboradores dessa PEC, em que momento em nosso país, na sua história contemporânea, nós vimos o Brasil crescer, se desenvolver sem que houvesse uma participação decisiva de investimentos públicos e de gastos públicos? - questionou o senador, em pronunciamento no Plenário do Senado nesta terça-feira (1º).
http://www.brasil247.com/pt/247/pernambuco247/263421/PEC-que-congela-gastos-s%C3%B3-%C3%A9-boa-para-o-setor-financeiro-diz-Humberto-Costa.htm

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Lula e Juscelino nas lutas da história


Num país indignado com a perseguição a Lula, o processo que levou à cassação de Juscelino Kubitschek, meio século atrás, merece uma reflexão. Políticos diferentes pela origem de classe e pela visão de mundo, Lula e JK possuíam importantes traços em comum, a começar pelo apego aos ideais desenvolvimentistas. Tanto Lula como JK foram os políticos mais populares de seu período histórico e enfrentaram um ambiente de caça política quando exibiam a condição de candidatos favoritos à uma eleição presidencial já em seu horizonte político. Se o destino de Lula permanece uma incógnita, a perda dos direitos políticos de JK, em junho de 1964, dois meses depois do golpe militar de abril, eliminou um dos principais obstáculos à consolidação da ditadura nascida no 1 de abril de 1964, abrindo caminho para novas cassações e à consolidação de um regime de força que se prolongou por duas décadas.
Cinquenta e dois anos depois do golpe de 1 de abril de 1964, é possível reconhecer curiosas semelhanças entre o esforço dos generais e civis que se mobilizaram para consolidar a ditadura após a queda de João Goulart e o trabalho atual das forças que articularam a queda de Dilma, consumada em 31 de agosto, para cimentar um regime de exceção. Um ponto em comum dos dois processos se encontra no destino oferecido aos dois políticos que, em 1964 e em 2016, encarnavam a resistência em nome da democracia e das garantias constitucionais: Juscelino Kubitschek e Luiz Inácio Lula da Silva, os dois políticos mais populares de seu tempo.
Candidato oficial a presidente, lançado em convenção o do PSD, seu partido, dias antes do golpe, JK teve o mandato cassado três meses e 8 dias depois da queda de Goulart. Marcada para 1965, data que parecia inquestionável aos olhos da maioria dos analistas políticos da época, a primeira eleição presidencial só iria ocorrer em 1989. Depois que Goulart e Brizola partiram para o exílio e Miguel Arraes foi preso, ao se recusar a renunciar a um governo que havia recebido pelo voto popular, mais tarde exilando-se na Argélia, JK tornou-se alvo imediato do Comando Supremo Revolucionário. Embora Castello Branco tenha lhe pedido -- e obtido -- apoio nos momentos iniciais do novo regime, a exclusão de JK da cena política estava na ordem do dia desde o primeiro momento.
Partidário de uma política de desenvolvimento que estimulava a industrialização -- projeto combatido pelo conservadorismo medular de seus adversários --, arquiteto de uma aliança política que incluía lideranças operárias e o Partido Comunista, então na ilegalidade, Juscelino era um velho inimigo das forças que derrubaram João Goulart. Elas haviam tentado impedir sua posse em 1955 e tumultuaram o mandato obtido nas urnas através de dois levantes militares fracassados. Em 1961, foi solidário com João Goulart, quando os ministros militares tentaram impedir a posse depois da renúncia de Jânio Quadros.
Alvo de frequentes denúncias de corrupção, o desenvolvimento econômico ocorrido no país entre 1956-1961 garantiu alta popularidade a JK. Semanas antes da queda de Goulart, quando anunciou a candidatura ao pleito presidencial que deveria realizar-se em outubro de 1965, ninguém duvidava de suas chances. Se o regime democrático tivesse sido preservado, a popularidade de JK seria vista como aquilo que era: sinal de boa saúde política. Numa ditadura em construção, era um risco.
Autora de uma obra importante sobre período, a professora Paula Beiguelman (1926-2009) lembra que a pressão militar contra Juscelino tinha como base "o argumento de que sempre mantivera aberto o caminho para uma aliança eleitoral com João Goulart; sua candidatura (e por isso deveria ser descartada) seria o instrumento através do qual correntes proscritas poderiam retornar ao comando da vida pública." ("O Pingo de Azeite -- Estudo sobre a instauração da ditadura").
A campanha aberta pela cassação de JK, liderada por Costa e Silva, a principal liderança do golpe e pretendente assumido à presidência da República desde o primeiro dia, enfrentava uma dificuldade essencial.
Ao contrário das demais lideranças civis do período, JK não poderia ser encaixado na fantasia favorita do momento, "subversivo." Tinha uma visão política moderada e uma história baseada em acordos e concessões, boa parte justificáveis, outra de caráter imprudente e mesmo temerário.
Em 1958, JK ignorou conselhos de aliados fiéis que possuía nos quartéis, a começar pelo ministro da Guerra Henrique Lott, que havia assegurado sua posse. Nessa situação, usou as atribuições de presidente da República para garantir a promoção de Castello Branco a general de divisão. Embora não fosse possível prevenir todas as consequências naquele momento, foi uma decisão com nefastas consequências para o futuro do país, de Castello e dele próprio.
Pelo regimento militar, Castello Branco -- já um admirador assumido de Carlos Lacerda, um dos líderes da conspiração para impedir a posse do próprio Juscelino três anos antes -- seria forçado a pedir passagem para a reserva se não tivesse sido promovido. Aposentado, deixaria de ser personagem relevante nas articulações políticas dos anos seguintes, inclusive o golpe de 64. JK também assinou a promoção de Olímpio Mourão e Silva, o general que, a partir de Juiz de Fora, realizou os primeiros movimentos para depor João Goulart.
Dias depois da queda de Jango, JK chegou a reunir-se com o próprio Castello Branco, num apartamento no Rio de Janeiro, quando garantiu apoio na votação indireta para a escolha do general que iria assumir o governo. presidente A candidatura de Castello envolvia uma dupla ilegalidade. A primeira era óbvia pela origem -- a usurpação do mandato constitucional de Jango, deposto sem bases legais. A segunda esbarrava num veto constitucional. O artigo 139 da Constituição exigia que oficiais em função de chefe de Estado Maior, como Castello, tivessem renunciado ao posto com pelo menos três meses de antecedência para ter o direito de se candidatar a presidência da República ou mesmo a vice-presidente. Sem isso, eram considerados inelegíveis -- numa exigência que traduzia a vontade de manter a influencia militar longe dos assuntos de governo. No livro "Juscelino Kubitschek", que oferece um bom relato sobre a pressão militar contra JK, Ronaldo Costa Couto descreve um encontro onde o ex-presidente foi tratado com frieza e distanciamento, embora aguardasse uma manifestação de gratidão pela promoção de 1958. Mesmo assim, Juscelino não só concordou em dar apoio a Castello, mas saiu em busca de novos votos. Chegou a solicitar o voto de Tancredo Neves, mas este recusou.
Maior bancada do Congresso, o apoio do PSD ajudou a garantir uma vitória tranquila para Castello: 361 votos a favor, 72 abstenções, 5 votos para outros candidatos. Para limpar o terreno para a candidatura ilegal de Castello, o Comando Supremo da Revolução baixou um ato institucional número 1 no qual, entre várias providências, estabelecia que, para aquela eleição, "não haverá inelegibilidades."
Um dos mais influentes líderes do PSD, que era a maior bancada do Congresso e poderia ter desestabilizado a votação, JK moveu-se por um cálculo que parecia lógico mas estava errado -- proteger a própria candidatura, que parecia longe de qualquer ameaça em 11 de abril de 64. Detalhando o diálogo entre o senador e o candidato a presidente, o jornalista Carlos Heitor Cony escreveu que "Castello ouviu as condições impostas por JK e respondeu que dava sua palavra de honra, pessoal e militar, de que respeitaria o calendário eleitoral e faria o Brasil retornar brevemente ao primado da democracia". Para Cony, neste julgamento Juscelino cometeu o maior erro de sua carreira de homem público.
Na verdade, não era a candidatura de JK que estava em debate -- mas uma questão anterior, seus direitos políticos. Diante da incapacidade de uma condenação por subversão, procurou-se o atalho da corrupção.
Um mês depois da votação favorável a Castello Branco, o cerco se fechava com a produção de um dossiê preparado por uma equipe de 60 oficiais, que levantou sua vida pelo avesso. Vasculhou a compra de um carro importado para dona Sarah, denunciou compra de votos em troca de apoio do Partido Comunista, gastos sem controle na construção de Brasília, e até uma cirurgia de apendicite, décadas atrás, num hospital de Belo Horizonte. Sentindo a corda apertar, em 25 de maio, JK foi a tribuna para denunciar "o processo terrorista" empregado pelo regime. Num pronunciamento histórico, disse: "não recuarei em hipótese alguma. Não me intimidarei. Não deixarei de lutar, como um homem cuja força repousa apenas na identificação com ideias de ponderável parte da opinião nacional ".
Em 8 de junho, Juscelino foi cassado, sem direito de apresentar sua defesa. A consistência do dossiê contra ele era tão frágil que nem Roberto Campos -- o principal cérebro econômico da nova ordem, homem de ligação com o governo norte americano e interlocutor frequente nos debates num Congresso que era pressionado a aprovar um pacote de medidas que revogavam a política econômica anterior -- ficou convencido. Campos recusou-se a votar a a favor da medida. Crítico do governo Juscelino, denunciava o que chamava de "irresponsabilidade financeira" da gestão JK. Mas não encontrou no dossiê um único crime para cassar o mandato. "A base documental me pareceu insatisfatória para a gravidade das penas," revela em suas memórias. Em vez de dar o voto contra JK, como era esperado, colocou o cargo a disposição de Castello, que apenas pediu que ficasse no ministério e mantivesse sua opinião em segredo. "Seu voto deve ficar confidencial," disse-lhe, construindo uma unidade de fachada. "O ministério deve assumir a responsabilidade coletiva," explicou.
A pressão contra os direitos de JK era enorme entre as vozes que operavam as decisões do poder de Estado a partir de 1 de abril. Líder real do movimento militar, Costa Silva batalhava para cassar JK aonde quer que encontrasse quem tivesse disposição para ouvir seus argumentos -- inclusive em conversas indiscretas, presenciadas por autoridades que gostavam de transmitir inconfidências a jornalistas.
A opinião de Costa e Silva era partilhada pela maioria dos militares que haviam liderado a conspiração contra Jango, e não por acaso chamavam o golpe de "revolução". Também era assumida por civis ligados ao golpe, que reconheciam nele um concorrente temível na eleição de 1965 -- a ser disputada num ambiente de crescimento baixo e desemprego alto, obviamente favorável a oposição. Cassar JK não era apenas uma decisão abusiva. Era uma necessidade da nova ordem.
Num erro típico de quem prefere fechar os olhos para convicções e compromissos reais de quem comandava a situação, a fileira civil de golpistas imaginava que seu candidato, Carlos Lacerda, seria poupado. Também acreditava que o calendário eleitoral seria respeitado.
Na realidade, a cassação de Juscelino removeu o último obstáculo para a consolidação da ditadura como um poder à margem do voto popular. Os meses seguintes foram cenário de um avanço de medidas autoritária, inaceitáveis. Poucos meses depois ocorriam as primeiras denúncias sistemáticas de tortura de presos políticos. Embora a Constituição proibisse que parlamentares fossem chamados a prestar depoimento na condição de acusados, os interrogatórios no DOPS tornaram-se rotina. O ato institucional que instituiu o novo regime havia dado um prazo de seis meses para a investigação de contra cidadãos suspeitos. Mas o prazo venceu e os inquéritos de natureza política prosseguiram.
A exclusão política de JK atendeu a agenda do comando militar, interessado em construir seu próprio poder e dar posse a Costa e Silva. Este já tinha uma cadeira reservada no terceiro andar do Planalto desde o primeiro dia - e só não emplacou a presidência logo de saída em consideração a um numeroso contingente de políticos e empresários que não haviam se dado conta de que, após o golpe, o eixo do poder havia mudado de lugar e em vez de girar em torno das urnas, dançava conforme as baionetas e tanques dos quartéis.
Como lembra Paula Beiguelman, naquele período inicial "o grupo prestes a empalmar o poder" empregou a "tática de autoproclamar-se moderado. Não, não pretendia atingir o Congresso nem as liberdades públicas. Apenas necessitava de um aval 'jurídico' que lhe permitisse praticar uma cirurgia que a todos deveria parecer 'necessária', apesar de desagradável." Em 22 de julho, pouco mais de 100 dias depois do golpe, o Congresso aprovou por 205 votos a favor, 96 conta, uma PEC que prorrogava o mandato de Castello -- originalmente de Jango -- até 15 de março de 1967, dando ao general-presidente um mandato mais longo do que o usufruído por seu antecessor, derrubado pelo golpe. Numa coreografia patética, os pretendentes a presidência se mantiveram em atividade, como se o pleito fosse se realizar. A última eleição direta, para determinados governos estaduais, ocorreu em 1965. Mesmo assim, foi um pleito tumultuado.
Monitorados pelos senhores da situação, que já possuía um SNI estruturado para seguir seus movimentos, os primeiros candidatos foram impedidos de concorrer, com base em regras sob encomenda para garantir a escolha de nomes de confiança. Em Minas Gerais, o empresário Sebastião Paes de Almeida, que era amigo de JK, não pode entrar na disputa. Acabou substituído por Israel Pinheiro, considerado mais confiável. Negrão de Lima, candidato ao governo na Guanabara teve o direito de entrar na disputa depois que outros dois nomes foram eliminados como suspeitos. Um deles, o marechal Henrique Lott, ficou de fora depois que se criou -- por casuísmo -- a exigência de residir há pelo menos quatro anos no domicílio eleitoral onde iria concorrer. A campanha de Negrão de Lima possuía uma agenda dupla. Ao mesmo que percorria a Guanabara para pedir votos, era convocado de modo permanente para responder aos IPMs iniciados contra ele por coronéis do Exército, inclusive para apurar alianças subversivas realizadas em 1955, isto é, dez anos antes. "A continuada convocação de Negrão de Lima visava convencê-lo a desistir,"observa Paula Beiguelman.
Apesar das pressões, os dois concorrentes oposicionistas venceram as eleições no Rio e em Minas Gerais, demonstrando um regime cada vez mais isolado. Em novas manobras institucionais, as eleições para governador, em outros estados, se tornaram indiretas. Se as diretas para presidente só seriam restabelecidas em 1989, as diretas para governador foram realizadas em 1982.
http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/263243/Lula-e-Juscelino-nas-lutas-da-hist%C3%B3ria.htm

COM OBSERVATÓRIO, APOIADORES VÃO MONITORAR AÇÕES CONTRA LULA

Ricardo Stuckert 247 - Um grupo cerca de 90 pessoas, formado por intelectuais, juristas, cientistas e políticos de vários estados do Brasil, anunciou na noite desta segunda-feira 31, na casa do jornalista e escritor Fernando Morais, em São Paulo, a criação de um observatório para acompanhar os processos que correm contra o ex-presidente Lula.
Entre os apoiadores estão, além de Morais, o diplomata Paulo Sergio Pinheiro, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, o jurista Antônio Celso Bandeira de Mello, o ex-chanceler Celso Amorim, o ex-presidente do PSB Roberto Amaral, os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR), entre outros.
O objetivo do observatório é defender o petista no que chamam de "deslegitimação" de sua imagem. Em seu site, Nocaute, Fernando Morais colocou que o Observatório "irá monitorar todas as ações do Ministério Público, do Poder Judiciário e da Polícia Federal contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva".
"Há enorme preocupação com a forma de tratamento que Lula tem recebido", colocou o diplomata Paulo Sergio Pinheiro, ao citar o vazamento de escutas ilegais de Lula, segundo reportagem de Thais Bilenky, da Folha.
Para Fernando Morais, "a perseguição política" a Lula faz parte de um "golpe do século 21", que só terminará com a inabilitação de Lula para disputar a presidência em 2018. "Não é necessário prendê-lo. Basta que ele se torne ficha suja", completou.
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/263290/Com-observat%C3%B3rio-apoiadores-v%C3%A3o-monitorar-a%C3%A7%C3%B5es-contra-Lula.htm

Brasil completou giro à direita. Por quanto tempo?


O prefeito eleito do Rio, Marcelo Crivella, resumiu sua vitória como um sonoro “não” da cidade tida como mais progressista do Brasil às bandeiras do aborto, da legalização das drogas e do ensino sobre diversidade sexual nas escolas. Ele de fato as combateu, mas não foram estas as bandeiras centrais de seu adversário Marcelo Freixo, do PSOL, no segundo turno. O que sua vitória simboliza é a conclusão da guinada do Brasil à direita, num giro sem precedentes depois da redemocratização, e que no primeiro turno teve na vitória de João Dória em São Paulo seu sinal mais eloquente. Não só dos caminhos que a esquerda seguir para se recuperar do tombo dependerá a duração deste ciclo, em que o Brasil será um país bem diferente. A partir de janeiro a direita estará governando o país e a maioria dos municípios, e de seus resultados dependerá a duração deste ciclo.
A vitória de Crivella é ainda mais expressiva do giro conservador porque não expressa apenas a força de uma direita ideológica, amiga do mercado e hostil ao Estado, chegada a privatizações e à ortodoxia fiscal. Crivella é a expressão da força crescente das religiões evangélicas para além dos templos. É expressão do conservantismo moral que demoniza a diversidade do comportamento humano em diferentes aspectos, estigmatizando como pecadores e aliados do capeta os que não comungam de seus mandamentos. “Chora capeta”, foi como o pastor Silas Malafaia festejou a vitória de Crivella. Capeta são todos os outros, todos os derrotados, e especialmente, nas palavras dele, os “esquerdopatas”.
A Igreja Universal controla a segunda maior rede de televisão e as outras ramificações dominam quase todos os canais abertos a partir de certa hora da noite. É só zapear e lá estão os pastores das seitas que alugam horários nas outras emissoras para suas pregações. Fortalecida pela vitória de Crivella, a direita moralista retomará os projetos que vinha tocando no Congresso, que incluem o fim da autorização do aborto em casos excepcionais, a rejeição de medidas contra a homofobia e de propostas de políticas alternativas sobre drogas. E ainda o avanço do projeto “escola sem partido”, que já teve uma primeira acolhida na reforma do segundo grau do governo Temer, ao tornar opcionais matérias que levam à formação crítica dos alunos, como filosofia e sociologia.
Mas a direita, assim como a esquerda, tem matizes diversos e todas eles colorem o novo mapa ideológico do Brasil. No segundo turno, para ficar só em capitais importantes, ela venceu em Porto Alegre com Marchezan Júnior, filho de um líder do PDS na ditadura militar; com um “out sider” adepto da antipolítica em Belo Horizonte, Alexandre Kalil, do PHS; com a eleição em Curitiba de Rafael Greca, aquele que declarou tem tido vômitos após carregar um pobre em seu carro. No primeiro turno, além da vitória de Doria na capital paulista, o mais votado foi ACM Neto em Salvador.
Onde foi que isso começou? Foi com a destruição moral do PT pela Lava Jato ou pela crise econômica que, originária do final do boom das commodities, foi inteiramente debitada a erros de gestão do governo Dilma? Ou foram as duas coisas? Se apenas o PT tivesse sido surrado nas urnas como foi, o eleitorado estaria apenas usando o voto como castigo contra quem considera culpado. Mas toda a esquerda saiu derrotada, inclusive sua maior promessa neste pleito, Marcelo Freixo no Rio. A Rede mostrou que a nada veio, o PDT cresceu um pouquinho, o PC do B foi castigado por sua aliança histórica com o PT. O PSB já atravessou o rubicão.
O vento da direita não é apenas brasileiro, é continental, se não global. Ele sopra em toda a vizinhança onde os governos de centro-esquerda, no tempo das vacas gordas, acharam que bastava garantir o consumo e a renda para fidelizar o apoio das classes populares. Não ousou fazer reformas no sistema político e tributário, não ousou regular a mídia (exceto na Argentina) nem disciplinar os capitais nômades. E, sobretudo, desprezou a necessidade de educar politicamente o povo, que na primeira adversidade lhes voltou as costas.
Quanto tempo vai durar? Vai depender de como o PT conseguirá se reinventar, de como ele e os outros partidos de esquerda vão se relacionar com vistas ao futuro. Está claro que sem alguma unidade será mais difícil vencer o cerco. Mas a duração do retrocesso dependerá, sobretudo, de quais serão os impactos destas administrações conservadoras sobre a vida real dos brasileiros. No governo do pais, está cada dia mais claro que a gestão Temer trará sacrifícios e não bonança. A dureza não será passageira, está prometida para 20 anos. O congelamento do gasto público diz que ninguém deve esperar do governo federal “bondades” como as dos governos petistas, que teriam custado caro. Mas as prefeituras estão bem mais perto dos cidadãos, que a elas se apegam mais na solução dos problemas imediatos. Estão todas falidas e esperando algum socorro do governo federal, que não virá. Até onde a vista alcança, serão administrações de poucos resultados ou então serão irresponsáveis, o que levará a um descalabro ainda maior.
É sobre estes resultados, e avaliando corretamente as razões da derrota, que a esquerda deve se preparar para o novo tempo.
http://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/263229/Brasil-completou-giro-%C3%A0-direita-Por-quanto-tempo.htm

PRODUÇÃO INDUSTRIAL TEM QUEDA DE 7,8% NO ANO

Reuters - A produção industrial brasileira registrou alta de 0,5 por cento em setembro na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a produção caiu 4,8 por cento. As expectativas em pesquisa da Reuters com economistas eram de alta de 0,4 por cento na variação mensal e de queda de 5,2 por cento na base anual.
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/263320/Produ%C3%A7%C3%A3o-industrial-tem-queda-de-78-no-ano.htm

COM MEDO DE PROTESTOS, TEMER REFORÇA SEGURANÇA NO PLANALTO

Foto: Beto Barata/PR 247 – Com receito de protestos, Michel Temer mandou reforçar a segurança no Palácio do Planalto. O aparato de segurança será reforçado e o procedimento de identificação para a entrada na sede do governo federal também sofrerá mudanças.
O objetivo, segundo aponta reportagem do Valor Econômico, é evitar o trânsito de servidores do governo Dilma Rousseff e impedir a entrada de manifestantes em eventos realizados pela presidência da República.
"Em conversas reservadas, o presidente tem demonstrado preocupação com o clima de animosidade no país, sobretudo contra o governo federal", diz a matéria, lembrando que as manifestações vinham perdendo força no País, mas voltaram a se destacar com as ocupações dos estudantes.
Na semana passada, Temer foi irônico com manifestantes em discurso durante uma cerimônia no Planalto. Ele insinuou que o barulho do protesto que estava do lado de fora era aplausos ao governo e pediu aos empresários presentes, que participavam do evento, que oferecessem emprego ao grupo.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/263319/Com-medo-de-protestos-Temer-refor%C3%A7a-seguran%C3%A7a-no-Planalto.htm

JANOT SE DECLARA 'SUSPEITO' PARA INVESTIGAR LÍDER DO PMDB NO SENADO

247 - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afastou-se das investigações da Lava Jato sobre o senador Eunicio Oliveira, líder do PMDB no Senado e acusado de receber R$ 5 milhões em caixa dois em 2014. Janot justificou sua ação através de uma nota em que alega "razões de foro íntimo" para não se envolver na apuração do caso.
A chamada suspeição acontece quando há presunção relativa de parcialidade no caso. O Código de Processo Civil cita como um dos motivos de suspeição as relações de amizade íntima. Janot, no entanto, afirmou a vários jornais, via assessoria de imprensa, que não iria detalhar as razões que o levaram a pedir para se afastar das investigações.
A investigação em questão veio à tona com a delação premiada de Nelson Mello, ex-diretor da Hypermarcas, que disse ter usado contratos fictícios para irrigar com R$ 5 milhões a campanha de Eunicio Oliveira ao governo do Ceará em 2014. O caixa dois teria sido orientação o lobista Milton Lyra, ligado à cúpula peemedebista.
"Com a decisão de Janot, o vice-procurador-geral da República, José Bonifácio Borges de Andrada, analisou o caso. Ele pediu ao Supremo para analisar em separado as implicações feitas pelo delator sobre peemedebistas. A parti daí, Andrada vai avaliar se há elementos para pedir abertura de inquérito", explica o portal jurídico Jota.
"Aos investigadores, Mello reforçou a relação próxima de Milton Lyra com a cúpula do PMDB no Senado.
O senador Eunício Oliveira tem dito que todas as despesas de sua campanha “estão declaradas e dentro da legalidade”, sendo que a Hypermarcas fez doação legal à campanha do peemedebista.
Mello também menciona o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o seu operador Lúcio Funaro, presos na Lava Jato. Andrada pediu que as informações sejam anexadas a um inquérito que já investigava os dois".
http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/263283/Janot-se-declara-'suspeito'-para-investigar-l%C3%ADder-do-PMDB-no-Senado.htm

DERROTADO EM MACEIÓ, RENAN ACUSA CANDIDATO TUCANO DE COMPRA DE VOTOS

Alagoas 247 - O presidente do Senado, Renan Calheiros, ainda não digeriu a derrota de seu candidato nas eleições para a Prefeitura de Maceió. O cacique peemedebista divulgou nota em que acusa o prefeito reeleito, Rui Palmeira (PSDB), que obteve 60,27% dos votos válidos, de compra de votos no pleito municipal, diz reportagem de O Estado de S.Paulo.
Candidato da família Calheiros, Cícero Almeida, com quem o tucano disputava o segundo turno, recebeu 39,73% dos votos válidos.
Em uma nota assinada como presidente estadual do PMDB, Renan metralhou: "Quem recorre à compra de votos e monta cadastros de eleitores é Rui Palmeira, não eu. Sabe disso muito bem quem esteve nas eleições de que ele participou".
"O peemedebista também lembra da ocasião em que convidou o tucano para ocupar uma cargo de confiança no Senado. E afirma que o prefeito eleito não tinha preparo, não gostava de trabalhar e fazia pouco caso do dinheiro público. Em outro trecho, o senador chama Palmeira de arrogante, presunçoso, deslumbrado e invejoso. "Devo dizer que a eleição de Rui Palmeira, de certa forma, me alivia. Isso porque não me verei novamente na obrigação de dar-lhe emprego no Senado. Depois de Rui ter perdido uma eleição, tive que contratá-lo no Senado. Foi um erro, humildemente reconheço. Rui Palmeira não tinha preparo e não gostava de trabalhar", escreve.
Em nota, o prefeito eleito Rui Palmeira (PSDB) disse que lamenta e repudia as declarações feitas por Renan. "Do mesmo modo, Rui Palmeira acredita que a sociedade é testemunha da correção que pauta sua trajetória pessoal, profissional e política", enfatizou."
http://www.brasil247.com/pt/247/alagoas247/263300/Derrotado-em-Macei%C3%B3-Renan-acusa-candidato-tucano-de-compra-de-votos.htm