Páginas

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Celular da OAS revela um câncer: a doação privada

: 8 de Janeiro de 2016 às 07:30
247 – As mensagens de SMS enviadas e recebidas por um aparelho celular, o do executivo José Adelmário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro, revelam como um câncer se espalhou pelo sistema político brasileiro e levou o organismo à metástase. Este câncer, que fez do Brasil um paciente em estado terminal, se chama financiamento empresarial de campanhas políticas. E se alguém ainda defendia o modelo de doações privadas, que foi felizmente abolido pelo Supremo Tribunal Federal em 2015, é preciso ler com atenção as mensagens do ex-presidente da OAS.
Em 2013, quando o PT passou a defender o fim do modelo de financiamento empresarial, Léo Pinheiro protestou. "Ele disse que tem que acabar com isso [doações privadas], pois as empresas acabam mandando no Legislativo e no Executivo. Ficou louco. Isso é hora de demonizar empresários?", questionava o presidente da OAS, numa mensagem que revela como lhe agradava o modelo de troca – ou de compra e venda – gerado pelo sistema de doações privadas. Afinal, é dando que se recebe.
Quem mais trocou mensagens com Léo Pinheiro nos últimos anos foi o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) – curiosamente, quem mais lutou para preservar o modelo de doações privadas. Segundo a Polícia Federal, Cunha fez 27 pedidos ao executivo da OAS. A recíproca foi verdadeira. Pinheiro fez também 26 solicitações ao presidente da Câmara, sobre temas de interesse da OAS tanto no Legislativo como no Executivo. Numa das mensagens, Cunha questionou: "Esqueceu de mim?"
O presidente da Câmara fazia referência a um acerto entre a OAS e o vice-presidente Michel Temer, que teria sido intermediado por Moreira Franco, ex-ministro da Secretaria de Aviação Civil. Segundo Cunha, a OAS teria dado "5 paus" para o Temer e não estaria honrando compromissos com a turma mais próxima a ele, que incluía políticos como Henrique Eduardo Alves, atual ministro do Turismo, e Geddel Vieira Lima, um dos entusiastas do impeachment.
Ao que tudo indica, as mensagens do aparelho celular de Léo Pinheiro estão sendo vazadas seletivamente, com viés político-partidário, com o intuito de intensificar a crise política e alimentar a chama do impeachment. Não por acaso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou a abertura de inquérito para apurar a origem dos vazamentos, uma vez que as mensagens deveriam estar protegidas por sigilo.
Um dos nomes citados nas mensagens de Léo Pinheiro, o ministro Jaques Wagner, passará a ser, a partir de agora, um dos alvos preferenciais da oposição. Logo ele que, dias atrás, afirmou que o PT "se lambuzou" no modelo de financiamento privado de campanhas. Na realidade, a política brasileira foi sequestrada pelo sistema de doações privadas. E quando a sociedade começou a reagir, Léo Pinheiro protestou: "Isso é hora de demonizar empresários?"
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/212530/Celular-da-OAS-revela-um-câncer-a-doação-privada.htm

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Governo prepara pacote de medidas para retomar o desenvolvimento

A presidenta Dilma Rousseff tem reafirmado em diversos discursos que o seu principal compromisso é garantir a retomada do desenvolvimento para enfrentar a crise econômica. Segundo fontes citadas pela imprensa, a presidenta prepara um pacote de medidas que deverão ser discutidas com líderes de partidos da base aliada no Congresso Nacional, empresários e movimentos sociais.

EstadãoDilma pretende retomar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para ouvir lideranças de diversos setoresDilma pretende retomar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para ouvir lideranças de diversos setores
Ainda de acordo com as fontes, a proposta da presidenta é retomar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para ouvir as lideranças e criar um espaço de diálogo permanente com toda a sociedade.
Em 2015, a presidenta Dilma enviou ao Congresso uma série de medidas com o objetivo de ajustar as contas. Ainda existem pautas que não foram aprovadas pelo parlamento. Por isso, o governo pretende utilizar a força desse conselho para fazer com que tais medidas possam ser enviadas com formato “afinado” ao que os parlamentares devem aprovar, diferentemente das chamadas “pautas bombas” manobradas pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pela oposição do “quanto pior melhor”.
Um dos pontos fortes do plano que está sendo discutido é promover o estímulo da economia por meio da infraestrutura, assim como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), criado em 2007 durante o governo do ex-presidente Lula.
O objetivo é reaquecer o setor da construção civil para criar empregos com programas como a terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida e a quitação de obras já executadas.
Outra proposta em debate são os financiamentos de médio e longo prazo para determinadas atividades econômicas, com o objetivo de criar um ambiente favorável de negócios, como melhor regulação de um setor ou promovendo investimentos em infraestrutura que possam ajudar aquele segmento.
A grande imprensa especula também sobre uma proposta de reforma da Previdência, que já encontra resistência dos movimentos sociais. De acordo com uma fonte do Planalto citada pela grande mídia e não identificada o governo tem ciência de que enviar propostas de reforma da Previdência sem ouvir movimentos sociais, sindicatos e empresários, pode “dificultar” a aprovação de medidas, o que seria um bom sinal de que o diálogo prevalecerá.
Do Portal Vermelho, com informações de agências
http://www.vermelho.org.br/noticia/274717-1

Efeito PRONATEC

Efeito PRONATEC: Brasil ultrapassa Coréia do Sul e é campeão em Educação Profissional do Mundo todo


luchesi
A Coréia do Sul é tida como o país que tem a melhor educação Profissional e técnica do Mundo. Pode até ser. Mas agora, com a vitória WorldSkills 2015, o Brasil já pode se vangloriar de estar entre as nações que tem a melhor educação profissional do mundo.E isto tem tudo a ver com o PRONATEC – Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego, como diz Rafael Luchesi, Diretor executivo do SENAI :
“Isso mostra que o Brasil sabe fazer uma educação profissional de excelência, mas ainda temos um contingente pequeno de jovens que fazem essa escolha. Em países desenvolvidos, a média é 50%. Aqui é em torno de 10%”, afirma Rafael Luchesi, diretor-geral do Senai, destacando a função do Pronatec para este resultado. “A produtividade do Brasil cresce com o ensino técnico. Precisamos fortalecer o Pronatec, transformá-lo em política de estado. Tivemos um corte muito drástico de verba para o programa este ano, mas esperamos que a meta de 12 milhões de inscritos até 2018 continue”.
Com 27 medalhas, Brasil é o maior campeão da WorldSkills 2015
Equipe brasileira foi premiada com 11 medalhas de ouro, dez de prata e seis de bronze; dos 31 medalhistas, 25 competidores têm formação pelo Pronatec
por Portal Brasil
Na 43ª edição da WorldSkills Competition, o Brasil alcançou o melhor resultado da história do País na competição. Com 11 medalhas de ouro, dez de prata, seis de bronze e 18 certificados de excelência, o Brasil conquistou 99 pontos e ficou a frente da Coreia do Sul e de Taiwan, que garantiram o segundo e terceiro o lugar, respectivamente.
Das 27 medalhas brasileiras, 25 tiveram a participação de estudantes com formação pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), incluídos os 11 jovens que ganharam medalha de ouro. “Isto muda o papel da educação profissional no País”, destacou o ministro da Educação, Renato Janine.
Segundo o ministro, o empenho em torno do Pronatec e da educação profissional pode ser observado na evolução do Brasil na WorldSkills. Na edição de 2011, realizada em Londres, o País ficou em oitavo lugar na classificação geral. Em 2013, subiu para a quinta colocação, em Leipzig, Alemanha. Até a edição deste ano, os brasileiros já haviam conquistado 68 medalhas e 111 certificados de excelência. O número de competidores subiu de 28 em 2011 para 56 este ano. “A vitória do Brasil no WorldSkills é uma vitória do Pronatec”, afirmou Janine.
Para o secretário de educação profissional e tecnológica do Ministério da Educação, Marcelo Feres, a participação e os resultados obtidos pelos estudantes brasileiros na WorldSkills demonstram que o Brasil está no caminho certo ao expandir a educação profissional. “A qualidade da educação profissional brasileira é comparável à de países que estão na ponta na área de educação profissional”, disse. “Ela precisa ser mais conhecida em nosso País para se tornar mais atrativa aos jovens.”
Ao todo, o Brasil teve 31 medalhistas – foram 24 vencedores em ocupações individuais e sete em ocupações por equipe. O time do Brasil é formado por 56 jovens competidores de 17 a 22 anos.
Realizada a cada dois anos, a WorldSkills reúne os melhores estudantes, selecionados em olimpíadas de educação profissional. Esta edição, a primeira na América Latina, teve a participação de 60 países. Nas provas, os competidores executaram tarefas do dia a dia das profissões que escolheram. Foram vendedores aqueles que executaram o trabalho nos prazos e com os padrões internacionais de qualidade.
A competição em São Paulo foi organizada pelo Senai, entidade do sistema S que mantém um dos maiores complexos de educação profissional do mundo.
https://luizmullerpt.wordpress.com/2015/08/18/efeito-pronatec-brasil-ultrapassa-coreia-do-sul-e-e-campeao-em-educacao-profissional-do-mundo-todo/

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

TSE rejeita as contas de Aécio Neves e deixa PSDB, Gilmar e Moro em situação delicada

Ministra do TSE pediu explicações ao senador tucano
TSE pede explicações ao senador tucano Aécio Neves
O site conexão Jornalismo publicou ontem (31), que o TSE rejeitou as contas do senador Aécio neves -PSDB/MG, por ter detectado pelo menos 15 irregularidades, que vão deste a omissão de doações como a da construtora Odebrecht (envolvida no escândalo Lava Jato), até a irregularidade de cálculos.
A ministra Maria Thereza Assis Moura pediu explicações ao candidato que há meses vem criticando as supostas pedaladas praticadas pelo governo Dilma Rousseff.
Diante desta rejeição das contas pelo TSE, o PSDB que faz oposição sistemática a Presidenta Dilma, chegando a sugerir o seu impeachment ficou em uma posição delicada, não tendo o partido moral para cobrar a saída de Dilma , uma vez que seu candidato e partido fizeram igual ou pior.
Mas o PSDB de Aécio não é o único a ficar em saia justa. Diante desta rejeição das contas, o PSDB mineiro e o Senador fanfarão carregam também para a vala comum o Ministro do STF Gilmar Mendes que recentemente mandou investigar as contas de Dilma e o Juiz Sergio Moro da operação Lava Jato.
Gilmar Mendes que chegou ao cargo de ministro da suprema corte pelas mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso- PSDB/SP, é visivelmente um opositor do governo Dilma dentro da corte e, caso não exija a mesma investigação contra Aécio Neves, ficará mais do que evidente que a balança de sua justiça pende apenas para o lado da hipocrisia.
Já para o Juiz da Lava Jato Sergio Moro, fica a duvida na transparência das apurações feitas pela policia federal, pois como explicar que o TSE rejeita as contas de Aécio Neves que omitiu doações da construtora Odebrecht, mas no entanto o senador não apareceu nenhuma vez nas apurações da PF sobre as doações da mesma construtora, ou se quer, foi citado e ouvido na referida operação.
Esta situação deixa aos cidadãos a seguinte pergunta que não quer calar: Nas apurações da Lava Jato ou a PF escondeu as doações de Aécio Neves, ou não apurou todos os envolvidos?.
Seja qual for a resposta a posição da eminente Ministra do TSE, mostra cada vez mais que aqueles que tentam o impitim do governo Dilma, não o fazem com o intuito de melhorar a situação do povo Brasileiro, mas apenas, o fazem com o intuito de esconderem o rabo da corrupção que deixaram para fora, agora tentam esconder diante da exposição publica da corrupção que a séculos implode as instituições, deixando sempre a conta para que os brasileiros menos abastados paguem.
Confira a matéria na integra Click no Link abaixo.
TSE rejeita contas de Aécio que omitiu doação da Odebrecht
http://brasilpensador.blogspot.com.br/2015/09/tse-rejeita-as-contas-de-aecio-neves-e.html?m=1#!/2015/09/tse-rejeita-as-contas-de-aecio-neves-e.html

domingo, 3 de janeiro de 2016

9 fatos que fizeram de 2015 um ano bem menos ruim do que poderia ser. Por Paulo Nogueira


2015 foi, sob muitos aspectos, um annus horribilis, expressão latina para designar ano horrível.
Mas fragmentos de sol brilhante emergiram dos céus sombrios e prontos a despedir raios.
Abaixo, 9 deles.
Os secundaristas de São Paulo. Eles foram a melhor surpresa do ano. Mostraram o poder da mobilização e da resistência a absurdos. Diante de uma tentativa não explicada de reorganização escolar do governo Alckmin, eles foram às ruas. Ou melhor, às escolas. Ocuparam-nas umas após outras. Fizeram Alckmin dobrar os joelhos e recuar. Não se intimidaram diante da truculência da PM de São Paulo: registros da altivez com que enfrentaram socos e cassetetes inundaram as redes sociais. Para uma cidade que parecia ter se convertido no reduto nacional dos reacionários e dos analfabetos políticos capazes de importunar petistas em locais públicos, o gesto dos secundaristas foi um sinal de esperança e redenção.
O voto de Barroso na questão do impeachment. Ali, foi um dos momentos centrais para o desarme do golpe tramado pela associação de interesses escusos liderados por Aécio e Eduardo Cunha. Fachin, na véspera, dera surpreendentemente um voto favorável aos golpistas. Não à toa, Merval Pereira escreveu que o “caminho estava aberto”. O primeiro a votar no dia seguinte, Barroso, fechou este caminho. Com argumentos potentes, ditos em tom sereno, virou o jogo. Destroçou o voto de Fachin e deixou furioso Gilmar Mendes, que se levantou abruptamente do plenário sob a desculpa de que tinha que viajar.
As colunas de Jânio de Freitas e Gregório Duvivier. Numa mídia dedicada ao terrorismo político e econômico, Jânio de Freitas e Duvivier, embora extraordinariamente minoritários, serviram de contraponto. Cada qual do seu jeito, deram aos leitores a oportunidade de entrar em contacto com visões diferentes daquela tão enviesada que domina jornais e revistas.
Os processos movidos por Lula. Em 2015, Lula decidiu enfim reagir, na Justiça, a jornalistas que o insultam e acusam sem provas. Ele seguiu a lição do grande jurista alemão do século 19 Rudolph von Ihering, segundo quem você deve à sociedade buscar na Justiça reparação contra abusos. Ao fazer isso, você está dificultando a vida de caluniadores – o que é bom para a sociedade como um todo. Quem não reage, disse Ihering num livro de enorme repercussão até hoje, merece as agressões que sofre e é “um verme”.
A lição de civilidade de Chico a playboys. Sem jamais erguer a voz e nem insultar ninguém, Chico Buarque enquadrou os playboys que se acharam no direito de importuná-lo na saída de um restaurante no Leblon. Um deles chamou-o de “um merda” por ser petista. O melhor momento da discussão se deu quando quando perguntaram a Chico o que é quem é do PT. “Petista”, respondeu ele. “O PT é bandido”, retrucou um dos playboys. “Pois para mim o PSDB é bandido. E daí?”, disse Chico. Neste instante, Chico aplicou um ippon nos que o inquiriam. Sabido depois que se tratava de jovens ricos desocupados, Chico postou no dia seguinte no Facebook a música “Vai Trabalhar, vagabundo.”
O florescimento das bicicletas em São Paulo. Com enorme atraso em relação às grandes metrópoles mundiais, São Paulo ingressou em 2015 na Era das Bicicletas. O mérito, aí, é do prefeito Haddad, porque seus antecessores, um dos quais o arrogantemente inepto Serra, ignoraram as bicicletas como uma resposta ao congestionamento e à poluição provocadas pelos automóveis. Haddad viu o óbvio, você pode dizer. Cidades como Nova York, Londres e Paris já tinham feito o que ele fez muito antes, inspiradas em exemplos bem sucedidos como Copenhague e Amsterdã. O problema é que os prefeitos que o antecederam não enxergaram o óbvio.
Os documentos levantados pelos suíços sobre as contas secretas de Cunha. Pode-se dizer que a carreira de Eduardo Cunha terminou ali, com o trabalho dos investigadores suíços. Não fossem eles, Cunha estaria entrando em 2016 cheio de graça para promover a causa do impeachment. É uma pena que as autoridades brasileiras não tiveram a mesma competência dos suíços para lidar com Cunha. O procurador Janot demorou meses para pedir o afastamento de Cunha mesmo de posse de provas acachapantes. E o ministro do STF Zavascki adiou para depois do recesso – fevereiro – a apreciação do pedido de afastamento. Com as mãos incompreensivelmente livres, Cunha pôde manobrar à vontade na Câmara e, por vingança, atirar o Brasil a uma profunda crise política ao acatar o pedido de impeachment feito por Hélio Bicudo.
O fracasso dos protestos pelo impeachment e o sucesso das manifestações pela democracia. No final do ano, a avenida Paulista mostrou que caso vingue o golpe a democracia será defendida. Ao mesmo tempo, a Paulista revelou também que o entusiasmo dos analfabetos políticos com o golpe murchou. Não vai ser fácil cassar 54 milhões de votos.
A proibição de financiamento privado de campanhas pelo STF. Foi, provavelmente, o golpe mais forte dado contra a corrupção em muitos anos no Brasil. O financiamento privado é a fonte original da corrupção dos partidos e dos políticos. Empresa nenhuma doa. Antes empresta, para receber depois de volta, multiplicado, em medidas favoráveis. O Congresso que o país tem hoje foi o pior que o dinheiro pôde comprar. Eduardo Cunha é o maior exemplo disso. Com sua capacidade de arrecadar – para depois retribuir – financiou não apenas sua própria campanha como a de um séquito de paus mandados. Com eles, dominou a Câmara, fez dela uma zona de comércio espúrio e, não bastasse isso, aprovou medidas que representam o atraso do atraso.
http://www.conversaafiada.com.br/brasil/9-fatos-que-marcaram-2015

SONEGAÇÃO FISCAL FAZ MUITO MAL À SAÚDE , À SEGURANÇA DO POVO BRASILEIRO!

SUIÇALÃO: A mídia golpista do Brasil está toda na lista do HSBC. Na lista do banco especializado na lavagem de dinheiro aparecem nomes de personagens ligados à Folha de S. Paulo, Rede Globo, Band e muito mais.

10516646_211707192505221_5780586326214748948_n[1]
Por Enock Cavalcanti em Direito e Torto | Imprensa em debate | Sai de baixo- 14/03/2015 13:49
imprensa golpista esconde dinheiro na suiça
ESCÂNDALO
Nomes de executivos de grandes veículos de comunicação revelam indícios do que levou o jornalista Fernando Rodrigues a não revelar a lista de 8,6 mil brasileiros com contas na Suíça
por Renato Rovai, do Portal Fóru

São Paulo – Começam a aparecer os indícios que levaram o jornalista Fernando Rodrigues a tratar a lista do HSBC como algo a ser investigado e a não revelar de imediato, como fazem com qualquer investigação onde apareça um nome de petista, os nomes dos 8.667 brasileiros que, entre 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça.
Evidente que manter uma conta no exterior não é crime, mas é absolutamente suspeito fazê-lo num banco da Suíça que operava como um bunker do dinheiro sujo do planeta.
Nos documentos, revelados hoje pelo O Globo, mas que já estavam para ser vazados por pessoas que trabalharam na investigação internacional se Fernando Rodrigues não os divulgassem, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha/UOL, a quem Fernando Rodrigues que dormiu com a lista é vinculado.
Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho, ambos falecidos, tiveram conta conjunta na instituição. Luiz Frias aparece atualmente como beneficiário da mesma conta, que foi criada em 1990 e oficialmente encerrada em 1998. Em 2006/2007, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas, no período, segundo o jornal, ela estava inativa.
Lily de Carvalho, viúva de Roberto Marinho, aparece na lista. Mas como ela também foi casada com Horácio de Carvalho, proprietário do extinto Diário Carioca, a reportagem “esclarece” que o nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e que o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.
Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também estão na lista do HSBC. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad, da empresária Maria Helena Saad Barros e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.
Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do Diário do Nordeste, estão Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham a módica quantia de US$ 83,9 milhões em 2006/2007. Edson Queiroz Filho também surge como beneficiário da conta. Ele morreu em 2008.
Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do jornal Gazeta Mercantil, que não existe mais e que deixou quase todos seus ex-empregando sem receber quando faliu, teve conta no HSBC em Genebra entre os anos de 1992 a 1995.
Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), foi correntista da instituição financeira na Suíça entre 1990 a 1998.
João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha conta ativa em 2006/2007. O saldo era de US$ 167,1 mil.
Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e o jornal “A Tribuna” tinha duas contas no período a que se refere os documentos. O saldo delas era de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.
Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.
O apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho e dono da Rede Massa (afiliada ao SBT no Paraná) tinha uma conta com sua mulher, Solange Martinez Massa, em 2006/2007. O saldo era de US$ 12,5 milhões.
Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), tinha US$ 120,6 milhões.
Há ainda sete jornalistas que aparecem nos registros do HSBC: são Arnaldo Bloch (O Globo), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines, filhos de Alberto Dines. Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádioJovem Pan, teve uma conta, que foi encerrada em 1999. As contas de Bloch e Guzzo estavam encerradas. Mona tinha US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas da família Dines guardavam US$ 1,395 milhão.
A quem interessar possa, não foi divulgado o nome de nenhum blogueiro ou jornalista do campo progressista.São os que gritam contra a corrupção e que pedem moralidade no país que depositam dinheiro num banco com sede na Suíça e especializado em lavagem de dinheiro sujo. Mas os sujos somos nós.
————-

Lista do HSBC tem empresários de mídia

Donos de veículos de comunicação, herdeiros e jornalistas estão entre os correntistas do banco na Suíça

POR CHICO OTÁVIO / CRISTINA TARDAGUILA / RUBEN BERTA*
O GLOBO
A sede do banco HSBC na Suíça Foto: CITIZENSIDE/RÉMY GENOUD / Agência O Globo
A sede do banco HSBC na Suíça – CITIZENSIDE/RÉMY GENOUD / Agência O Globo

Na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça, aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas. Um levantamento feito pelo GLOBO, em parceria com o UOL, com base nos documentos oficiais que foram vazados por um ex-funcionário da instituição financeira, indica que há ao menos 22 empresários e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço.
Os correntistas localizados negaram a existência das contas e qualquer irregularidade.
Nos documentos, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha, ao qual pertence o UOL. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira (1912-2007) e Carlos Caldeira Filho (1913-1993). Luiz Frias (atual presidente da Folha e presidente/CEO do UOL) aparece como beneficiário da mesma conta, que foi criada em 1990 e oficialmente encerrada em 1998. Em 2006/2007, os arquivos do banco ainda mantinham os registros, mas, no período, ela estava inativa e zerada.
Quatro integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad (1919-1999), da empresária Maria Helena Saad Barros (1928-1996) e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.
Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho (1908-1983) e Roberto Marinho (1904-2003), aparece na lista. Horácio de Carvalho foi proprietário do extinto “Diário Carioca”. Roberto Marinho foi dono das Organizações Globo, hoje Grupo Globo, ao qual pertence O GLOBO. O nome de Lily surge nos documentos com o sobrenome de Horácio, seu primeiro marido, e o representante legal da conta junto ao HSBC é a Fundação Horácio de Carvalho Jr. O saldo registrado em 2006/2007 era de US$ 750,2 mil. Lily morreu em 2011.
Do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do “Diário do Nordeste”, estão Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz (membros do conselho de administração). Elas tinham US$ 83,9 milhões em 2006/2007. Edson Queiroz Filho também surge como beneficiário da conta. Ele morreu em 2008.

Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do jornal “Gazeta Mercantil”, que não existe mais, teve conta no HSBC em Genebra entre os anos de 1992 a 1995.
Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário da Rede CBS de rádios (Scalla, Tupi, Kiss e outras), foi correntista da instituição financeira na Suíça entre 1990 a 1998.
João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná, tinha conta ativa em 2006/2007. O saldo era de US$ 167,1 mil.
Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, que tem a TV e a rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e o jornal “A Tribuna” tinha duas contas no período a que se refere os documentos. O saldo delas era de US$ 4,4 milhões e US$ 5,6 milhões.
Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete, fechou sua conta no ano 2000.
O apresentador de TV Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho e dono da “Rede Massa” (afiliada ao SBT no Paraná) tinha uma conta com sua mulher, Solange Martinez Massa, em 2006/2007. O saldo era de US$ 12,5 milhões.
Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica), tinha US$ 120,6 milhões.
Os sete jornalistas que aparecem nos registros do HSBC são Arnaldo Bloch (“O Globo”), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines, filhos de Alberto Dines. Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan, teve uma conta, que foi encerrada em 1999.
As contas de Bloch e Guzzo estavam encerradas. Mona tinha US$ 310,6 mil. Os quatro jornalistas Dines guardavam US$ 1,395 milhão.
* Participaram também da apuração desta reportagem os jornalistas Fernando Rodrigues e Bruno Lupion (do UOL)
** A investigação jornalística multinacional é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (www.icij.org)http://paginadoenock.com.br/suicalao-a-midia-golpista-do-brasil-esta-toda-na-lista-do-hsbc-na-lista-do-banco-especializado-na-lavagem-de-dinheiro-aparecem-nomes-de-personagens-ligados-a-folha-de-s-paulo-rede-globo-band-e-m/

'A esquerda reduziu a pobreza na América Latina'

: 3 de Janeiro de 2016 às 10:01
Da Rede Popular – Para o sociólogo e especialista em relações internacionais, Marcelo Zero, os governos de esquerda latino-americanos promoveram crescimento econômico com inclusão social e estão em dificuldades por causa da crise econômica mundial.
O analista não vê a eleição de Macri na Argentina e a vitória do anti-chavismo nas eleições parlamentares da Venezuela como prenúncios de uma guinada liberal, no continente. Para ele, o “neoliberalismo não é um destino histórico” e a direita encontrará dificuldades para adotar políticas recessivas porque “a população, mais exigente e reivindicadora, não aceitará regressões em seus direitos”. Zero entende que a contenção de um avanço da direita depende das respostas dos governos progressistas à crise mundial.
O colunista do Brasil 247 defendeu o Mercosul como elemento de integração regional e criticou a política externa dos EUA, que, segundo ele, mesmo com Obama, “continua apostando na segmentação dos países da região e propugnando por acordos de livre comércio bilaterais, nocivos à integração da América do Sul”.
Leia a íntegra da entrevista:
Rede Popular – A trajetória das esquerdas é de ascensão desde a vitória de Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998. Agora o cenário é de crise em países como Argentina, Brasil e Venezuela. Os governos de esquerda fracassaram?
Marcelo Zero – Não, não fracassaram. Na realidade, as experiências recentes dos governos progressistas da América do Sul produziram, em geral, resultados extraordinários, tanto do ponto de vista social, quanto do ponto de vista econômico.
Na Venezuela, por exemplo, a desigualdade, medida pelo índice de Gini, foi reduzida em 54%. A pobreza despencou de 70,8%, em 1996, para 21%, em 2010, e a extrema pobreza caiu de 40%, em 1996, para 7,3%, em 2010.
São números assombrosos, sem dúvida. Números que colocam a Venezuela como o país que mais evoluiu no cumprimento das Metas do Milênio, segundo a ONU.

No Brasil, na Argentina, na Bolívia, no Equador e no Uruguai processos semelhantes de redução substantiva das desigualdades, de diminuição significativa da pobreza extrema e de ampliação das oportunidades também se verificaram.
Em âmbito estritamente econômico, houve crescimento impulsionado, em boa parte, mas não exclusivamente, pelo ciclo das commodities. No Brasil, por exemplo, o processo de distribuição da renda e de redução das desigualdades dinamizou sobremaneira o mercado interno de massa, o que se constituiu em vetor substantivo da expansão econômica que se verificou até 2011.
Assim, esses governos progressistas foram, em perspectiva histórica, bem mais exitosos que os governos paleoliberais que os antecederam, os quais não fizeram grandes avanços econômicos e sociais. Ao contrário.
O maior avanço de alguns desses governos foi, contudo, o avanço político. Tanto a Venezuela quanto a Bolívia e o Equador romperam com seus sistemas políticos tradicionais, que alijavam sistematicamente a maior parte da população dos processos decisórios.
Na Bolívia, os indígenas, majoritários naquele país, foram incorporados ao processo político com representação própria e uma nova Constituição.
Na Venezuela, os setores populares, antes totalmente alijados do processo político pelo Pacto de Punto Fijo, obtiveram voz e vez com a nova Constituição chavista, aprovada em referendo democrático.
Entretanto, é necessário levar em consideração que tais processos progressistas ocorreram e ocorrem em regimes capitalistas e que, portanto, eles são vulneráveis aos ciclos típicos dessas economias.
Não se pode desvincular, como a faz a imprensa conservadora, a crise dos governos progressistas da América do Sul da pior crise da economia capitalista mundial desde 1929.
Uma crise muito mais profunda, extensa e duradoura que as crises periféricas que foram (mal) enfrentadas pelos governos paleoliberais, na década de 1990.
Em minha modesta opinião, a superação da crise atual impõe o aprofundamento e o alargamento das experiências progressistas recentes, não o retrocesso ao paleoliberalismo, que enfraqueceu nossas economias, manteve ou aprofundou nossa exclusão social e perseverou, em muitos casos, no alijamento dos setores populares dos sistemas políticos.
Antonio Ledezma e Leopoldo López foram presos devido a ordens judiciais que os acusavam, com provas, de terem incentivado a violência das guarimbas e participado da tentativa de golpe de Estado.
Rede Popular – O governo da Venezuela é tratado como de “esquerda radical”, em contraponto a governos como do Peru e Uruguai, tratados como moderados. Essa distinção é real ou os governos são diferentes apenas por razões conjunturais?
Marcelo Zero – Fazer uma contraposição entre “esquerda radical” e governos moderados me parece demasiadamente simplista.
A bem da verdade, as diferenças entre essas distintas experiências passam por fatores estruturais das sociedades que as abrigam.
No caso específico da Venezuela, a experiência chavista não pode ser dissociada da experiência profundamente autoritária e excludente da era pré-Chávez.
Do ponto de vista social, as desigualdades eram simplesmente assombrosas.
De fato, é assombroso que, antes do governo bolivariano, a Venezuela, um país com uma das maiores reservas de óleo do mundo, tinha 70% de sua população abaixo da linha da pobreza e 40% do seu povo na pobreza extrema. Isso diz tudo sobre os governos anteriores.
Antes do governo de Chávez, em 1998, 21% da população estavam subnutridos. É isso mesmo. No país que, como Celso Furtado escreveu em 1974, tinha tudo para se tornar a primeira nação latino-americana realmente desenvolvida, 1 em cada 5 habitantes passava fome. Essa era a Venezuela dos Capriles e da “oposição democrática”.
Hoje, a desnutrição é de apenas 5%, e a desnutrição infantil 2,9%. Méritos ao chavismo.
Hugo Chávez - Ex-presidente da Venezuela
Hugo Chávez – Ex-presidente da Venezuela
Do ponto de vista político, o principal mérito de Chávez foi ter implodido o conservador e excludente modelo político venezuelano, baseado no Pacto de Punto Fijo. Mediante tal pacto, os dois principais partidos conservadores da Venezuela, o COPEI e a URD, se revezavam no poder, sem dar chance a novas forças políticas e aos anseios da maioria da população excluída. Essa era a “democracia” da Venezuela. Essa era a “alternância de poder” pré-Chávez.
Os historiadores comparam o Pacto de Punto Fijo à Política do “café-com-leite” da República Velha brasileira: por trás de uma fachada de democracia, escondeu-se um sistema oligárquico. Avalia-se que cerca de 50% da população terá sido excluída do exercício do voto desde os anos 60. O sistema eleitoral era excludente, diante de artimanhas diversas (o voto era obrigatório, mas o registro eleitoral era facultativo e, na prática, muito dificuldade à população de baixa renda; os cartórios eleitorais se concentravam nas zonas prósperas do país e não eram facilmente alcançados pelos mais pobres; as zonas eleitorais eram remanejadas segundo cálculos eleitorais do governo de turno). O federalismo venezuelano foi profundamente autoritário, cabendo ao Presidente da República nomear todos os governadores e prefeitos biônicos, muitos dos quais hoje militam na oposição venezuelana. Apenas em 1989 foram realizadas as primeiras eleições para prefeitos e governadores.
Assim sendo, a implantação de quaisquer experiências minimamente progressistas na Venezuela impunha uma ruptura política e institucional de monta. O mesmo pode ser dito da Bolívia.
No Brasil, na Argentina e no Uruguai, isso não foi necessário, embora, em perspectiva histórica, possa se afirmar que, no caso brasileiro, o continuísmo do modelo político impôs pesadas restrições à experiência progressista no Brasil.
Rede Popular – O governo Maduro é acusado de manter opositores do chavismo presos de modo arbitrário. O sr concorda?
Nicolás Maduro - Presidente da Venezuela
Nicolás Maduro – Presidente da Venezuela
Marcelo Zero – Afirma-se que a Venezuela vive uma cruel ditadura, na qual não há liberdade de expressão e de comunicação. Se disse também que Leopoldo López e Antonio Ledezma, líderes da oposição Venezuela na radical, são democratas perseguidos pelos simples fato de serem de oposição. Afirmou-se que o processo conhecido como “la salida” é inteiramente pacífico e se desenvolve dentro dos marcos constitucionais e legais da Venezuela. Não é verdade.
Por exemplo, tomamos conhecimento que, das 43 vítimas fatais dos protestos promovidos pela oposição venezuelana, a maioria é de gente que não tem coloração política e de chavistas. Entre os mortos, há seis membros das forças de segurança da Venezuela. Alguns desses foram mortos com tiros na cabeça disparados por franco-atiradores.
Há também motoqueiros que foram mortos, degolados, pelo arame farpado colocado, de forma irresponsável, pelos “guarimbeiros” da oposição. Pelo menos um dos mortos faleceu pelo uso incorreto de morteiros que seriam disparados contra as forças de seguranças.
Há fotos e vídeos claros de “guarimbeiros” portando armas de fogo e até mesmo fuzis de grosso calibre.
Nos conflitos, houve dezenas de ônibus do transporte público da Venezuela incendiados. Prédios dos distintos poderes da Venezuela, inclusive o do Mistério Público da Venezuela, foram também incendiados pelos “guarimbeiros”. Até mesmo escolas, universidades e ambulâncias não escaparam da fúria da “guarimba”.
Também foi claramente identificada uma nova tentativa de golpe de Estado na Venezuela. A chamada Operação Jericó, que pretendia, em fevereiro deste ano que passou, tomar o poder utilizando-se, inclusive, de aviões para bombardear alguns alvos em Caracas. Segundo a justiça venezuelana, Antonio Ledezma, atual prefeito de Caracas, teria participado da articulação desse malogrado golpe.
Portanto, dizer que tais protestos foram pacíficos e que se deram dentro dos “marcos legais” da Venezuela é simplesmente uma deslavada mentira.
Antonio Ledezma e Leopoldo López
Antonio Ledezma e Leopoldo López
Foi nesse contexto que Antonio Ledezma e Leopoldo López foram presos devido a ordens judiciais que os acusavam, com provas, de terem incentivado a violência das guarimbas e participado da tentativa de golpe de Estado.
Rede Popular – A esquerda latino-americana conseguiu construir um modelo político-econômico alternativo ao neoliberalismo? Existe um governo de esquerda no continente que pode ser tomado como exemplo?
Marcelo Zero – Não, não há um modelo político e econômico acabado. Tampouco há uma teorização consistente sobre esse processo histórico recente. O que há são experiências convergentes, mas diferentes, que se desenvolvem em sociedades distintas.
Entretanto, todas elas, em maior ou menor grau, se constituem em alternativas incipientes ao modelo neoliberal.
Essas alternativas vinham “funcionando” bem, até o recrudescimento recente da crise mundial e seus efeitos nocivos nos países emergentes.
Mas elas ainda podem voltar a produzir bons resultados. A volta ao neoliberalismo ou paleoliberalismo não é um destino histórico. Tudo vai depender da resposta à crise política e econômica.
Entretanto, mesmo no caso de retrocessos políticos, como o ocorrido na Argentina, duvido que a população, agora mais exigente e reivindicadora, vá aceitar facilmente regressões em seus direitos e conquistas.
“O México se incorporou ao “trem da História” no vagão da terceira classe destinado aos provedores de mão de obra barata e legislação ambiental flexível. Querem o mesmo destino glorioso para o Brasil.”
Rede Popular – A presidenta Dilma é acusada de adotar no segundo mandato política econômica ortodoxa (direita) porque a política econômica desenvolvimentista (esquerda) do primeiro mandato deu errado. O que Sr acha disso?
Marcelo Zero – Não, não acho. A política anticíclica adotada por Dilma em seu primeiro mandato vinha funcionando razoavelmente e estava evitando que a crise atingisse a população, principalmente seus setores menos favorecidos.
dilma2012A distribuição de renda continuou, e foi no governo Dilma Rousseff que saímos do Mapa da Fome da FAO e que praticamente eliminamos a pobreza extrema.
Ao final de 2014, lembre-se, apresentávamos as mais baixas taxas de desemprego dos nossos registros históricos, apesar do crescimento reduzido.
Contudo, quando iniciamos a campanha eleitoral, vivíamos num mundo. Terminada a campanha, o mundo era outro. O superciclo das commodities encerrou-se e os preços de nossas exportações colapsaram.
A crise, que antes afetava mais intensamente os países desenvolvidos, passou a se abater também, e pesadamente, sobre os países emergentes. Trata-se, insisto, de uma crise verdadeiramente mundial, cuja profundidade, extensão e duração superam em muito as dimensões das crises periféricas que enfrentamos ao longo da década de 1990.
A esse cenário mundial extremamente adverso, somou-se a grande seca de 2014, que já vinha castigando o semiárido havia 4 anos, e que passou a impactar o Sudeste, aumentando os preços da energia. Mais recentemente, ocorreram os efeitos econômicos negativos da Lava Jato, operação imprescindível para ajudar a refundar as relações entre o sistema político e o poder econômico, mas cujo impacto econômico imediato comprometeu investimentos na cadeia de gás e petróleo e na indústria de construção civil pesada, ocasionando prejuízos que ascendem a pelo menos 2% do PIB, de acordo com avaliações de institutos independentes.
Todos esses fatores combinados esgotaram nossa capacidade de absorver os impactos externos da grande crise internacional.
Uma correção de rumos tornou-se inevitável.
Não obstante, o ajuste fiscal regressivo realizado mostrou-se equivocado e só agravou nossos gargalos financeiros, fazendo cair a receita num ritmo mais acelerado que o da redução de gastos.
A recente mudança no Ministério da Fazenda pode significar mudança para melhor na política econômica, com a recuperação de seus vetores anticíclicos e distributivos.
Em minha opinião, dados os constrangimentos externos, só conseguiremos sair da crise com uma nova dinamização de nosso mercado interno. Novos esforços exportadores serão positivos, mas isoladamente não produzirão efeitos de monta.
Rede Popular – O que o Sr acha da posição do presidente da Argentina, Maurício Macri, em relação à participação da Venezuela no MERCOSUL?
Marcelo Zero – Lamentável. Trata-se, sobretudo, de falta de visão estratégica.
Os conservadores da região sempre se opuseram à entrada da Venezuela no MERCOSUL por razões puramente ideológicas.
size_810_16_9_mauricio-macri-no-mercosul
Maurício Macri – novo presidente da Argentina
A adesão da Venezuela ao MERCOSUL veio com a ratificação do “Protocolo de Adesão da Venezuela ao MERCOSUL”, um acordo internacional. Ora, é necessário considerar, em primeiro lugar, que acordos internacionais são celebrados por Estados com fundamento em seus interesses de longo prazo. Nesse processo de natureza estratégica e diplomática, governos são circunstanciais. Os compromissos de política externa constituem-se, por definição, em compromissos de países. Portanto, quem aderiu ao MERCOSUL não é o atual governo venezuelano, mas sim a Venezuela, país vizinho com o qual o Brasil sempre manteve boas relações, hoje profundamente adensadas.
A Venezuela já é um dos principais parceiros comerciais e de investimentos do Brasil na região. O mesmo ocorre em sua relação com a Argentina. Não é do interesse estratégico de nossos países que a Venezuela saia do MERCOSUL.
Ademais, querer retirar a Venezuela do MERCOSUL alegando a quebra da ordem democrática prevista no Protocolo de Ushuaia é simplesmente ridículo.
A oposição venezuelana acaba de ganhar as eleições legislativas, num pleito inteiramente livre e transparente, como todos os outros ocorridos na Venezuela chavista.
A Venezuela é hoje um país muito mais democrático do que era na era pré-Chávez.
Rede Popular – A eleição do direitista Maurício Macri para presidente da Argentina e a derrota do chavismo nas querelas parlamentares da Venezuela são indicativos de que teremos uma retomada neoliberal na América Latina?
Marcelo Zero – Há, sim, uma onda conservadora na região, que se aproveita dos impasses gerados pela crise. Mas, como já afirmei, tal retomada não é um destino histórico. Tudo dependerá da resposta à crise e da capacidade de articular as resistências a partir dessa resposta. Evidentemente, respostas conservadoras e regressivas apenas fragilizam ainda mais governos progressistas.
Rede Popular – Quais serão os impactos políticos e econômicos imediatos na latino-américa de uma vitória republicana na disputa pela Casa Branca em 2016?
Marcelo Zero – Não creio que haveria mudanças substantivas.Ao contrário das expectativas geradas durante sua primeira campanha eleitoral, a política externa de Obama persistiu nas mesmas diretrizes básicas e nos mesmos erros da política externa republicana, principalmente no que tange ao Oriente Médio.
Embora tenha retirado tropas do Iraque, Obama apoiou a invasão da Líbia e as intervenções na Síria. Foi na sua gestão que o Estado Islâmico foi cevado com apoio financeiro e político.
Em relação à América Latina, não houve mudanças significativas. A administração norte-americana continua apostando na segmentação dos países da região e propugnando por acordos de livre comércio bilaterais, nocivos à integração da América do Sul e ao protagonismo brasileiro no subcontinente.
As diferenças entre republicanos e democratas nessa área são mais de estilo e formais do que propriamente de conteúdo das políticas.
“Retirando da Petrobras a condição de operadora do pré-sal, o Brasil se transformaria, dessa forma, no país que não tem cadeia do petróleo, não tem produção nacional e não tem futuro.”
Rede Popular – As esquerdas latino-americanas passaram a se articular de modo supranacional a partir da queda do Muro de Berlim, o professor vê as direitas locais se articulando de modo parecido nos últimos anos?
Marcelo Zero – Como afirmei, há, sim, uma onda conservadora na região, que se nutre da crise das experiências progressistas.
As direitas locais, na realidade, sempre se articularam. A Operação Condor, que articulou a repressão em nível regional nos anos 1970, é um exemplo claro disso.
Mais recentemente, o Senado brasileiro enviou Comissão Externa à Venezuela para se encontrar exclusivamente com a oposição de direita venezuelana. Outro exemplo, desta vez malsucedido.
Herbert Marcuse certa feita afirmou que as direitas eram sempre muito homogêneas e unidas, pois tinham interesses comuns a defender. Já as esquerdas tendiam a mostrar desunião, pois tinham ideias diferentes a propor.
O capital está sempre articulado, regional e internacionalmente.
Rede Popular – A relação política das direitas locais brasileiras com o capital estrangeiro coloca em risco a soberania nacional e riquezas como o Pré-Sal?
Marcelo Zero – Sem dúvida. O programa da direita brasileira está mais ou menos resumido no documento “Uma Ponte para o Futuro”, do PMDB.
Trata-se, a bem da verdade, de “uma pinguela para o passado”. Uma pinguela desenhada com régua e esquadro do capital estrangeiro.
Voltou, com grande força, a agenda destrutiva do Estado Mínimo, ensejada pela “necessidade” da contenção de gastos e do “equilíbrio fiscal”.
No que tange à (des)proteção social, pretende-se “regulamentar a terceirização”, inclusive em atividades-fim, forma perversa e sub-reptícia de burlar e corroer a proteção trabalhista herdada dos tempos de Getúlio Vargas. Com isso, o Brasil poderá regredir livremente aos tempos da República Velha, quando a incômoda questão social era simples caso de polícia.
Outra pauta conservadora é o fim do MERCOSUL, que é o que efetivamente se propõe quando se fala em “acabar com a união aduaneira”. Querem acabar com esse bloco sob o pretexto esfarrapado de que ele impede o Brasil de se integrar às “cadeias produtivas globais”.
Ora, o Brasil já faz parte, há muito tempo, das cadeias globais de produção, na incômoda condição básica de exportador de produtos primários. Mas não por culpa do MERCOSUL. Ao contrário, é esse bloco e a integração regional como um todo que vêm salvando a nossa combalida indústria. Entre 2009 e 2014, já em plena crise, a Associação Latino-americana de Importação (ALADI), que inclui o MERCOSUL, absorveu mais exportações brasileiras de manufaturados que todos os países desenvolvidos somados. Para o MERCOSUL, nossas exportações estão concentradas em 92% em bens industrializados, e com grande superávit a nosso favor.
O que se quer, na realidade, com essa conversa tola, é ressuscitar o finado projeto da ALCA, mediante acordos bilaterais de livre comércio. Acham que essa ALCA bilateralizada elevaria o patamar econômico do Brasil. Engano crasso e parvo. Que o diga o México, país plenamente integrado às cadeias produtivas globais, campeão mundial na celebração de acordos de livre comércio, mas que tem, hoje, cerca de 50% de sua população abaixo da linha da pobreza, não tem indústria real significativa além das “maquilas”, e que é totalmente incapaz de produzir inovação tecnológica. É incapaz até de se alimentar sozinho. O México importa atualmente dos EUA até mesmo o milho, base da sua culinária.
O México se incorporou ao “trem da História” no vagão da terceira classe destinado aos provedores de mão de obra barata e legislação ambiental flexível. Querem o mesmo destino glorioso para o Brasil.
Também desejam, aliás, o mesmo destino glorioso para a Petrobras, quebrada pelo insustentável “fardo” de 176 bilhões de barris de petróleo, de acordo com última estimativa para o pré-sal do Instituto Nacional de Óleo e Gás da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Almejam que tal fardo seja transferido para a Chevron e outras grandes multinacionais, as quais, em louvável ato de altruísmo, o assumiriam com indisfarçável prazer. Retirando da Petrobras a condição de operadora do pré-sal, com o tempo ela se transformaria numa espécie de NNPC, a empresa nigeriana do petróleo que não produz, não controla e não supervisiona. E o Brasil se transformaria, dessa forma, no país que não tem cadeia do petróleo, não tem produção nacional e não tem futuro.
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/211811/'A-esquerda-reduziu-a-pobreza-na-América-Latina'.htm

sábado, 2 de janeiro de 2016

STJ quebra sigilo de Sérgio Cabral e do governador do Rio, Pezão

CABRAL

A Operação Lava Jato poderá ganhar novo fôlego nos próximos dias. O Superior Tribunal de Justiça autorizou a quebra de sigilo telefônico do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), do ex-governador do estado Sérgio Cabral (PMDB) e do ex-secretário da Casa Civil Regis Fichtner, todos investigados no escândalo de corrupção da Petrobras,
De acordo com o G1, a corte também autorizou a quebra de sigilo de executivos que são investigados na operação. A Polícia Federal poderá analisar as ligações feitas entre outubro de 2009 e o fim de 2010 entre os políticos e outros investigados.
Na delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse ter arrecadado R$ 30 milhões para o caixa dois da campanha de Sérgio Cabral, que tinha Pezão como vice na chapa.
Costa afirmou que encontrou com os dois peemedebistas e Fichtner para tratar de uma ajuda a reeleição de Cabral. Segundo o delator, o dinheiro foi arrecadado com as empresas que atuavam na obra do Centro Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
Ao STJ, o Pezão negou que tenha sido beneficiado com recursos desviados da estatal.
http://www.brasilpost.com.br/2015/06/03/stj-sigilo-pezao_n_7506308.html

Uma justiça para a família Vaccari. Outra para a família Cunha

Por que Sérgio Moro pediu a prisão da cunhada do petista com base em uma falsa imagem e mantém livre a esposa de Cunha, titular de contas ilegais na Suíça? +

Najla Passos
ABr e internet
Coordenadora financeira do Centro Sindical das Américas, Marice Corrêa de Lima estava no Panamá, participando de um congresso da entidade, no dia 15 de abril deste ano, quando tomou ciência de que sua prisão temporária havia sido decretada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Foi quando ela soube também que seu cunhado, o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, havia sido preso e sua irmã e esposa dele, Giselda de Lima, cumprira mandado de condução coercitiva.
Dada como foragida, Marice só soube das provas que pesavam contra ela dois dias depois, quando retornou ao país e se apresentou espontaneamente à Polícia Federal: o Ministério Público Federal (MPF) a identificou como a mulher que aparecia em imagens cedidas pelo Banco Itaú efetuando depósitos na conta de sua irmã, Giselda, em duas agências da capital paulista. Foi o suficiente para o juiz Sérgio Moro acatar a tese de que ela estaria ajudando Vaccari a lavar o dinheiro oriundo da corrupção.
No dia 20, o MPF chegou a pedir a conversão da sua prisão temporária em preventiva, para que ela ficasse detida por tempo indeterminado. "Tudo indica que Giselda [mulher de Vaccari] recebe uma espécie de 'mesada' de fonte ilícita paga pela investigada Marice, sendo que os pagamentos continuam sendo feitos até março de 2015. Nesse contexto, a prisão preventiva de Marice é imprescindível para a garantia da ordem pública e econômica, pois está provado que há risco concreto de reiteração delitiva", sustentaram os procuradores.
Marice negava. Mas o juiz Sérgio Moro estendeu a prisão temporária dela, que vencia no dia 20, por mais cinco dias. Ele teve que voltar atrás no dia 23, liberar a investigada e reconhecer o erro primário: uma perícia feita pela PF comprovou que não era Marice que aparecia nas imagens, mas a própria Giselda. A frágil prova jurídica apresentada pelo MPF, acatada pelo juiz e amplamente divulgada pela imprensa caíra por terra. “Elas são muito parecidas”, desculparam-se procuradores e juiz.
http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FUma-justica-para-a-familia-Vaccari-Outra-para-a-familia-Cunha%2F4%2F34834

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Nota de rodapé da Folha sobre Aécio já diz tudo


: O que a Folha de S.Paulo faria se um delator da Lava Jato mencionasse o pagamento de uma propina de R$ 300 mil para o ex-presidente Lula? Não há nenhuma dúvida de que o caso seria estampado em letras garrafais na manchete principal do jornal; basta lembrar que esse foi o procedimento quando a Folha noticiou uma acusação falsa a uma nora de Lula; além disso, quando denunciado, o pecuarista José Carlos Bumlai perdeu o nome e virou "o amigo de Lula"; em outro episódio, numa manchete sobre o senador Delcídio Amaral, a foto estampada também foi a do ex-presidente; agora, quando o senador Aécio Neves (PSDB-MG) é citado num esquema de propina, o caso é escondido numa nota de rodapé; diante do duplo padrão de julgamento, o colunista André Singer afirmou no último sábado que a mídia abafa a corrupção tucana
30 de Dezembro de 2015 às 08:29
247 – Nesta quarta-feira, às vésperas do fim do ano, a Folha de S. Paulo trouxe um furo de reportagem do jornalista Rubens Valente. Segundo um dos delatores da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do principal partido de oposição e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, recebeu uma propina de R$ 300 mil da empreiteira UTC (leia mais aqui).
Em condições naturais de temperatura e pressão, a notícia teria sido estampada na manchete principal do maior jornal do Brasil. No entanto, mereceu apenas uma nota de rodapé na primeira página da publicação, confirmando a tese do colunista André Singer de que a mídia faz de tudo para abafar a corrupção tucana.
"Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum", disse Singer. "A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República." (leia mais aqui)
O caso de Aécio mereceria ainda mais destaque, quando se leva em conta o fato de que, há um ano, o senador tucano, em aliança com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vem liderando uma cruzada moralista para derrubar a presidente Dilma Rousseff, num terceiro turno sem fim que tem causado sérios danos à economia. No entanto, como disse Singer, a denúncia contra o tucano "ocupa a dimensão da notícia comum".
Vale-tudo contra Lula
A Folha, naturalmente, poderá argumentar que, no caso de Aécio, a denúncia de um delator carece de comprovação. Mas não foi esse o comportamento do jornal quando se tratava do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia 16 de outubro deste ano, a Folha cravou em sua manchete a seguinte notícia: "Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula". Era mentira. A Folha havia apenas embarcado numa "barriga" (jargão jornalístico para as notícias falsas) do colunista Lauro Jardim, do Globo, o que mereceu reparos da ombudsman da publicação (leia aqui).
Mais recentemente, a Folha deu outras demonstrações de sua perseguição a Lula. Ao noticiar uma denúncia contra o senador Delcídio Amaral, a Folha estampou na manchete a foto do ex-presidente. Quando o pecuarista José Carlos Bumlai foi denunciado, ele também perdeu o direito ao nome e foi retratado como "amigo de Lula".
Nas pesquisas recentes do Datafolha, Aécio e Lula têm sido pesquisados como os dois principais nomes da disputa presidencial de 2018 e não faz sentido que os critérios de avaliação dos dois sejam distintos. Se a Folha avança o sinal em relação a Lula, deveria, por coerência, adotar o mesmo padrão com Aécio. Se é cautelosa com o tucano, deveria agir de modo semelhante em relação ao ex-presidente.
http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/211421/Nota-de-rodap%C3%A9-da-Folha-sobre-A%C3%A9cio-j%C3%A1-diz-tudo.htm