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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pau-de-arara vira e deixa nove feridos

Nove pessoas ficaram feridas em conseqüência de um acidente de trânsito ocorrido no começo da manhã de ontem na BR-116, no Município de Icó (a 375Km de Fortaleza). Um caminhão do tipo pau-de-arara, que transportava moradores da localidade de Sítio Pedrinhas, tombou fora da estrada depois de ´cair´ em um buraco, provocando a quebra da barra da direção.O veículo, de placas GPC-6074, inscrição do Município de São Miguel, no Rio Grande do Norte, transportava cerca de 20 pessoas. “Por pouco não houve uma tragédia”, contou um dos passageiros que saíram ilesos no desastre.
Os feridos fora encaminhados ao Hospital Regional de Icó e ali receberam os primeiros socorros médicos de urgência. Foram identificados como Helena Marcelino Souza, 83; Terezinha Maria Laurino, 54; Maria Barbosa de Souza, 63; João Valentim da Silva, 61; Maria Genilza Nogueira, 48; Raimundo Barbosa Marcelino, 51; Luís Nildomar Barbosa, 31; Nair Neta Barbosa, 50; e Milena Oliveira Pereira, 12.(DN).
Por Wilson Gomes

Deu no blog do Bené Fernandes

Uma situação constrangedora ocorrida no Parque de Exposição - EXPONORTE 2009, onde um BOI soltou-se e correu no meio da multidão e saiu machucando os populares que estavam alí no evento, tem sido motivo de briga entre os dois programas policiais das noites de Sobral das Rádio Tupinambá e Rádio Caiçara.
A Briga é entre os Repórter Olivando Alves e o Bola repórter da Rádio Tupinambá. Segundo soube, o BOI soltou-se, todo mundo viu, menos o repórter Olivando Alves que acusa o BOLA de estar mentindo e fazendo "sensacionalismo". Essa briga é boa, só que os ouvintes merecem coisas melhores.
Por Wilson Gomes

terça-feira, 7 de julho de 2009

Os Absurdos do Trânsito de Sobral



Rua Domingos Olímpio hoje 11:25 da manhã, a calçada interditada por bicicletas.



Rua Cel. José Silvestre 11:27 de hoje, barracas na rua.



Praça de Cuba 11:30 de hoje, carro estacionado em área proibida.

Por Jacinto Pereira

Funarte realiza cursos em Sobral

Teve início, ontem, e prossegue até o próximo sábado, na Escola de Música Maestro José Wilson Brasil, em Sobral, o Painel Funarte de Regência Coral. Com uma iniciativa da Fundação Nacional de Artes, em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado e Secretaria da Cultura e Turismo de Sobral, os painéis oferecem cursos de técnica de regência, dinâmica de coro, técnica vocal e percepção musical, com duração de seis dias. Este ano o encontro já aconteceu em Palmas (TO) e João Pessoa (PB) e agora chega em Sobral (CE).
O objetivo, segundo os organizadores, é buscar e criar oportunidades para que grupos de todo o País possam aprimorar suas técnicas, refinar os repertórios e trocar experiências uma das mais democráticas atividades musicais. “Esse é um projeto muito antigo, que esteve parado por um longo período e que em 2006 foi retomado e aprimorado pela Funarte. Hoje, a gente já encontra professores remanescentes desses projetos. Por isso que a Funarte retomou o Painel de Regência Coral”, disse Maria José Queiroz, mais conhecida por Zezé Queiroz, assessora da Diretoria do Centro da Música da Funarte e coordenadora do Painel.
Além das aulas em Sobral, haverá ensaios noturnos. “Esse projeto é aberto ao Brasil todo podendo participar qualquer pessoa interessada em música”, destacou, acrescentando que o encerramento será com um grande coral formado por alunos do Painel e por cantores. O repertório ensaiado será apresentado no concerto de encerramento que acontecerá no próximo sábado, às 19h, no Teatro São João.
Por Wilson Gomes

Quadrilha de assaltante é presa em Ararendá

Uma quadrilha composta por cearenses e piauienses, especializada em furtos de carros, foi presa em Ararendá, no Ceará, após perseguições e tiroteios com a polícia local e dos municípios vizinhos.
O cerco policial, comandado pelo major Sobreira da 3ª CIA de Nova Russas, capturou os 6 criminosos envolvidos com roubos de veículos. Os carros eram roubados no Ceará e levados para Piauí.

Feirão da Casa Própria da CEF na Fenaíva

A Caixa Econômica Federal estará em Sobral entre os próximos dias 9 e 11, com um estande na XXIII Feira de Negócios do Vale do Acaraú (Fenaiva 2009). Ao todo, duas imobiliárias (Luciano Cavalcante Imóveis e Viva Imóveis) estarão comercializando 600 unidades residenciais.

´Serão imóveis tanto da Região Norte, onde está Sobral, como de Fortaleza´, explica o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Armando Cavalcante.

No estande da Caixa, 10 funcionários se revezarão para atender aos visitantes que busquem informações sobre planos de financiamentos. Será possível ainda ao visitante fazer simulações de crédito.

15 mil visitantes

A Fenaiva acontece no Centro de Convenções de Sobral, com o intuito de reunir cultura, moda, capacitação e negócios em um mesmo espaço. Com 120 estandes e expectativa de receber 15 mil visitantes, a edição deste ano reúne empresas das áreas de Alimentos e Bebidas; Artesanato; Calçados e Acessórios de Couro; Confecção; Turismo; Fruticultura; Construção Civil; Móveis e Decoração; Cosmético; dentre outras.

Realizado pelo Sebrae/CE em parceria com a Prefeitura de Sobral e apoio do Sesc, Governo do Estado, Banco do Nordeste e Grendene, o evento tem foco no desenvolvimento de Micro e Pequenas Empresas e desempenha o papel de ponte para que os empreendedores estabeleçam novos contatos e conquistem novos mercados. (DN).
Por Wilson Gomes

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Bancos tiveram mais ajuda em 2008 que pobres em 50 anos

Segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública. A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, agravando os problemas da fome, da desnutrição e da pobreza.

O setor financeiro internacional recebeu, apenas em 2008, quase dez vezes mais recursos públicos do que todos os países pobres do planeta nos últimos cinqüenta anos. O dado foi divulgado nesta quarta-feira (24) pela campanha da Organização das Nações Unidas (ONU) pelas Metas do Milênio, destinada a combater a fome e a pobreza no mundo. Enquanto os países pobres receberam, em meio século, cerca de US$ 2 bilhões em doações de países ricos, bancos e outras instituições financeiras ganharam, em apenas um ano, US$ 18 bilhões em ajuda pública.

A ONU alertou que a crise econômica mundial piorará ainda mais a situação dos países mais pobres, lembrando que, na semana passada, a Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO) afirmou que a crise deixará cerca de 1 bilhão de pessoas passando fome no mundo.

A revelação foi feita no início de uma conferência entre países ricos e pobres, que ocorre na sede da ONU, em Nova York, para debater o impacto da crise. Segundo o diretor da Campanha pelas Metas do Milênio, Salil Shetty, esses números mostram que a destinação de recursos públicos ao desenvolvimento dos países mais pobres não é uma questão de falta de recursos, mas sim de vontade política.

“Sempre digo que se você fizer uma promessa e não cumprir, é quase um pecado, mas se fizer uma promessa a pessoas pobres e não cumprir, então é praticamente um crime”, disse Shetty à BBC. “O que é ainda mais paradoxal”, acrescentou, “é que esses compromissos (firmados pelos países ricos para ajudar os mais pobres) são voluntários”. “Ninguém os obriga a firmá-los, mas logo eles são renegados”, criticou o funcionário da ONU.

Um dos efeitos desta perversa distorção foi apontado pela FAO: a quantidade de pessoas desnutridas aumentará no mundo em 2009, superando a casa de um bilhão. “Pela primeira vez na história da humanidade, mais de um bilhão de pessoas, concretamente 1,02 bilhão, sofrerão de desnutrição em todo o mundo”, advertiu a entidade. A FAO considera subnutrida a pessoa que ingere menos de 1.800 calorias por dias.

Do total de pessoas subnutridas hoje no mundo, 642 concentram-se na Ásia e na região do Pacífico e outras 265 milhões vivem na África Subsaariana. Na América Latina e Caribe, esse número é de 53 milhões de pessoas. Em 2008, o total de desnutridos tinha caído de 963 milhões para 915 milhões. O motivo foi uma melhor distribuição dos alimentos, Mas com a crise, o quadro de fome no mundo voltará a se agravar. Segundo a estimativa da ONU, um milhão de pessoas deverão passar fome no mundo nos próximos meses.



Fonte: Carta Maior (http://www.agenciacartamaior.com.br)

Postado por Jacinto Pereira

Amir Labaki: a autópsia em vida de Michael Jackson

Michael Jackson está morto. Não é mais preto ou branco. Ele é o mundo. Na estrada desde os cinco anos de idade, enfim ele descansa em paz. Cresci ouvindo-o nos Jackson Five. Eram ele e os outros quatro, além dos Beatles, lá fora, e a Jovem Guarda mais Simonal, aqui dentro. Foi esta minha trilha sonora naquele final dos anos 1960.

Por Amir Labaki, no Valor Online


Seu solo em Ben me hipnotizava no dia em que morreu tanto quanto ao ouvi-lo pela primeira vez, centenas de execuções e quase quarenta anos antes. Aquele triste garoto negro que encantava o mundo era eu.

Passada a adolescência, dele e minha, adveio a segunda e maior explosão. Em 1982, Thriller bateu todos os recordes com mais de 50 milhões de cópias vendidas mundo afora. Mais: o brilhante cantor virara eletrizante “performer”.

Todo mundo tentou imitar diante do espelho seu “moonwalk”, ninguém com a incompetência deste colunista. Sua combinação de blues, soul e pop foi reenergizada sob a batuta de Quincy Jones. A arte do videoclip consolidou-se a partir da parceria entre ele e o cineasta John Landis para Thriller. Ouvíamos música antes de Michael Jackson; a partir dele, também a vemos.

Michael alegrava a festa mas jamais parecia partilhá-la. Era insuficiente ter tanto talento. Não bastava ser rico. Ele queria ser outro. E assim se fez. Começava a longa e pública agonia de Michael Jackson. Primeiro, a metamorfose. Seu nariz afilou. O cabelo tornou-se liso. Seu queixo ganhou uma covinha. E sua pele clareou. “Vitiligo”, diziam.

Não surpreende que para meu filho, nascido em 1990, ele fosse uma bizarra figura do passado. Aquele Jackson garoto que parecia precocemente adulto se tornou um adulto obcecado em viver como criança.

“Sou Peter Pan no coração”, repetia o cantor, enclausurando-se cada vez mais em sua “Neverland”, um misto de rancho e parque de diversões. Sua incrível visão como empresário musical, ao comprar metade dos direitos sobre as canções dos Beatles, acabaria por sustentar sua extravagância mais do que suas próprias composições.

Por mais que tenha tentado, o extraordinário sucesso de Thriller jamais se repetiu.

Foi um choque quando espocaram rumores suspeitos sobre sua convivência com garotos. Um potencial processo custou-lhe em 1993 um acordo de milhões de dólares. Outro foi vencido no tribunal, uma década mais tarde, mas o derrotou definitivamente na arena pública.

Uma tentativa de reabilitação levou-o a colaborar com o repórter britânico Martin Bashir por oito meses no começo dos anos 2000. Foi-me duro resenhar para Folha o documentário resultante, Vivendo com Michael Jackson.

Com inédita abertura, Michael respondeu a dez horas de entrevistas de Bashir. A chave da esfinge lá estava para quem quisesse ver, em suas dolorosas revelações sobre a crueldade paterna.

Joseph Jackson não admitia ser chamado de "pai", ensaiava os filhos com um cinto de couro na mão e gozava as espinhas e o "nariz gordo" de Michael em plena puberdade. O mesmo nariz que o cantor finalmente reconhecia ter por duas vezes operado, para “respirar melhor” e “atingir notas mais altas”.

Cinema, no qual Michael como ator sempre se deu mal, pode ser um meio cruel. Em palavras, por meio da narração de Bashir e das próprias respostas indignadas de Michael, as acusações de pedofilia foram enfaticamente negadas.

Mas há as imagens. Eis um dos garotos que pernoitavam em Neverland, Gavin, 12, sendo entrevistado com as mãos entrelaçadas com as do ídolo. Ei-lo sorrindo para a câmera, encostando a cabeça no ombro de Michael. Como escrevi na época, o espectro destas cenas nos perturba até muito depois do filme.

Sempre achei pleno de simbolismo que Michael tenha se casado, ainda que brevemente, com Lisa-Marie, nada menos que a filha de Elvis Presley. Ambos foram ídolos que mergulharam para esticado declínio logo depois do apogeu. Ambos gravaram nos corpos o dilaceramento de suas almas. Por fim, nenhum deles sobreviveu até a hora da volta por cima. A diferença é que Michael fez tudo isso na era da informação em tempo real. Sua verdadeira autópsia foi feita em vida.

O declínio e o escândalo ofuscaram por demais não apenas sua arte. Embranquecer jamais representou para Michael um ato de negação de sua identidade étnica ou social. Foi, isso sim, sua dilacerante tentativa de parricídio. Michael Jackson redefiniu o status dos afro-americanos, muito antes de Oprah Winfrey e Denzel Washington. Com a campanha We Are The World, que co-produziu e co-escreveu em 1985, estabeleceu o padrão contemporâneo de militância cívica e cosmopolita dos artistas.

Barack Obama é o presidente dos EUA. Michael Jackson já podia partir para outra. Você olhou para cima na última semana? O homem finalmente voltou a andar na Lua.


Enviado por: Miguel Silva



Postado por Jacinto Pereira

Brigadeiro Ferolla: Geopolítica versus interesses de uma CPI

"Aspectos de interesse nacional e suprapartidário" indicam que a criação da CPI da Petrobras no Senado "não é apenas um movimento que atrai holofotes para palanques eleitorais. É, acima de tudo, um movimento que atende aos interesses de poderosos grupos do setor de petróleo, ao colocar sob suspeição a credibilidade da Petrobras e do governo brasileiro", escreve o tenente-brigadeiro Sergio Xavier Ferolla*


Estará o país deitado num colchão de petróleo?


Os Estados Unidos exploram petróleo desde 1859 e, valendo-se de suas grandes jazidas, transformaram essa fonte de energia em instrumento para sua consolidação como potência econômica. Tendo sido, por muito tempo, o maior produtor mundial, vislumbram um cenário de incertezas ao constatar o declínio acelerado de suas reservas, que durarão apenas mais 12 anos.

Tal situação é acompanhada pelos governos americanos há muito tempo, e é o fator determinante no planejamento estratégico das ações externas daquele país. Muitas delas são apresentadas sob argumentos dissimulados, como a ocupação do território do Iraque - dono da terceira maior reserva mundial - ou a ocupação do Afeganistão, rota adequada para escoar a produção petrolífera de antigas repúblicas soviéticas.

Essas operações bélicas estão redundando em vergonhosos fracassos, tanto pelo motivo oficial - o combate ao terrorismo - quanto pelo oculto, o controle das jazidas e a segurança dos oleodutos.

Até os anos 60 do século passado, os Estados Unidos e os demais países industrializados do Hemisfério Norte se valiam das grandes empresas privadas de exploração e refino de petróleo - historicamente conhecidas como as "Sete Irmãs" -, que, sediadas nesses países, dominavam as principais reservas petrolíferas do planeta.

Nos últimos 40 anos, porém, um crescente movimento de nacionalização e volta ao controle estatal da maior parte das jazidas mundiais, notadamente no Oriente Médio e em países como a Rússia e a Venezuela, tem resultado na drástica redução dos estoques disponíveis para exploração por terceiros e na rentabilidade daquelas poderosas empresas, das quais, hoje, restam apenas quatro.

Vislumbrando a escassez, encontrar novas fronteiras petrolíferas e poder assumir o controle delas transformou-se em verdadeira obsessão, razão maior de as atenções estarem, cada vez mais, voltadas para o pré-sal brasileiro.

As atuais reservas do Brasil chegam a 13 bilhões de barris e asseguram nossas necessidades por apenas 19 anos. Com a exploração das jazidas do pré-sal, em 2015, o país poderá, inclusive, se tornar exportador de pelo menos 1 milhão de barris por dia.

Se consideradas as atuais cotações de US$ 50 por barril, numa visão tímida do disputado mercado mundial, podem-se projetar exportações de US$ 21 bilhões por ano. Com preços de US$ 100 por barril, até 2010, previsão bastante realista se lembrarmos que o mercado já conviveu com cotações superiores a US$ 140, o país poderá acrescentar um mínimo de US$ 42 bilhões anuais na balança comercial.

As possibilidades do pré-sal, no entanto, tornam esses cálculos acanhados, pois, apesar de não haver números seguros, mesmo os pessimistas reconhecem que o Brasil irá pelo menos dobrar suas reservas, enquanto os otimistas asseguram que é de petróleo o colchão do gigante "deitado eternamente em berço esplêndido".

Tais perspectivas ressaltam a necessidade de que, acima dos interesses do mercado, parâmetros geopolíticos norteiem as discussões sobre um novo marco regulatório para a exploração do pré-sal, tanto nas esferas políticas como empresariais. Propostas de mudanças na atual legislação e exemplos de sucesso em outros países do mundo poderão guiar os passos do governo brasileiro, mas é imperativo considerar que o controle rígido sobre as jazidas e o estabelecimento da cadência de produção são regras comuns em todos os países detentores de grandes reservas de petróleo.

Esses aspectos de interesse nacional e suprapartidário indicam que a criação de uma CPI, no Senado, para investigar temas que já estão sendo apurados por outras legítimas instâncias de poder não é apenas um movimento que atrai holofotes para palanques eleitorais. É, acima de tudo, um movimento que atende aos interesses de poderosos grupos do setor de petróleo, ao colocar sob suspeição a credibilidade da Petrobras e do governo brasileiro nessa decisiva e histórica oportunidade de formular e determinar políticas que consolidem a soberania energética do país, assegurando vultosas fontes de riqueza para toda a sociedade.

* Ministro aposentado do Superior Tribunal Militar



Fonte: O Estado de S. Paulo

Postado por Jacinto Pereira

Mauro Santayana: Tragédia e farsa no Senado

Falta autoridade a Arthur Virgílio (PSDB-AM) para pedir o afastamento do presidente do Senado, depois de ter confessado alguns de seus próprios pecados. Embora o passado não absolva o presente, muitos dos que acusamSarney hoje, e são beneficiários dos desvios administrativos, nada ofereceram ao país, senão sua ambição, escreveu Mauro Santayana, no JB Online. Veja o texto.


Arthur Virgílio: probleminha no cartão em Paris


Elegante e moderado, enquanto viveu, o excelente médico e homem público José Aristodemo Pinotti contribuiu, com sua morte, para que arrefecessem os ânimos no Senado, na tarde de ontem. Presidindo a sessão de homenagem ao morto, o senador José Sarney pediu que os discursos se limitassem à sua memória, mas não teve êxito. O senador Arthur Virgílio quebrou o rito, ao anunciar que venderá propriedades da família, a fim de ressarcir o Tesouro do dinheiro que foi pago a um funcionário que, lotado em seu gabinete, viveu em Paris, durante mais de um ano.

Essa crise no Senado está muito distante da versão shakespeareana do complô contra César: não conseguimos ver, sob a manga da túnica de Arthur Virgílio, nem sob as dos outros que a ele se unem, o punhal de Brutus e de seus companheiros de conjura. Os punhais de hoje são metafóricos, e o senador pelo Amazonas não tem as dimensões trágicas de Marcus Brutus. O que se passa no Senado está mais para uma pantomima da commedia dell’arte do Renascimento Italiano.

Quaisquer que tenham sido os erros do senador Sarney na presidência do Senado, eles não são exclusivos do político do Maranhão. A cultura da tolerância permitiu que a representação parlamentar se degradasse a esse ponto.

A longa experiência política do ex-presidente da República o devia advertir que, com os inimigos e adversários que reuniu durante décadas, devia precaver-se. Mas, pelo que vemos, quaisquer tenham sido os seus erros, ele se encontra em condições de devolver, aos honourable and wise men, todas as pedras que lhe são atiradas.

Falta autoridade a Arthur Virgílio para pedir o afastamento do presidente do Senado, depois de ter confessado alguns de seus próprios pecados. Ele parece ter sido aconselhado pela astúcia jesuítica da restrição mental, quando se esqueceu, no auge de sua investida, que se valera de Agaciel Maia, a fim de socorrê-lo em Paris. Fora o senador imprevidente, ao viajar para a França sem os recursos necessários, ou perdera o controle dos gastos, o que dá no mesmo. E se esqueceu de que, na mesma Paris, estava a prova de outro descuido: o de ter, ali, recebendo vencimentos no Senado, um servidor público lotado no seu gabinete em Brasília.

Entre as muitas lições do episódio, duas se destacam. Ambas são importantes para a correção ética da vida política nacional. A primeira é que, em consequência de uma disputa menor, desencadeou-se o processo que levou à ruptura da omertà corporativa. Os debates podiam ser acesos, e eram, mas não se tocava nas coisas domésticas. Afinal, de minimis non curat praetor: dos atos secretos e dos acertos financeiros, coisa menor, cuidava o diretor-geral e seus auxiliares. Agora a cidadania sabe que uma coisa eram os discursos inflamados no plenário, outra os entendimentos fora dos holofotes e dos olhos dos repórteres.

Outra grande lição é que não pode haver República democrática sem oposição. Não temos oposição. Primeiro porque não há partidos políticos, mas, sim, grupos de interesses, que se articulam entre si, como se articulam com os “poderes de fato” exercidos pelos homens de negócios, na defesa da “estabilidade”, ou seja, da permanência da injustiça. Não há partidos políticos, salvo os pequenos, que dão testemunho ideológico no Congresso, porque não há ideias em que os grandes se sustentem. Identificam-se, vagamente, como conservadores e liberais, e dizem oscilar em torno do centro. A oposição é de faz de conta. Faltam ao Parlamento de hoje homens de ideias e de ação, como foram, em seu tempo, os oposicionistas Prado Kelly e Affonso Arinos, e os defensores do governo de Vargas, Juscelino e Jango – como Vieira de Mello, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Paulo Pinheiro Chagas, Almino Afonso, entre outros.

Ao presidir, com habilidade, a transição para o estado de direito, que caberia a Tancredo, o senador José Sarney prestou serviços valiosos ao povo brasileiro. Não foram fáceis aqueles anos, de 1985 a 1990, com o acúmulo de problemas, como o da inflação e o do desmonte do entulho autoritário. Embora o passado não absolva o presente, muitos dos que o acusam hoje, e são beneficiários dos desvios administrativos, nada ofereceram ao país, senão sua ambição.

Os cidadãos esperam que todos os fatos se esclareçam, e que os responsáveis pelos desmandos, ativos e passivos, paguem pelos seus erros.

Fonte: JB Online



Postado por Jacinto Pereira