O Paquistão mantém um temível arsenal nuclear, formado por um estoque de 48 a 55 ogivas e bombas de diversos tipos. É um recurso dissuasivo contra o inimigo clássico, a vizinha Índia, que pode mobilizar seus próprios 60 a 80 artefatos atômicos. Ambos os países realizaram testes de campo no final da década de 90. Essa capacidade de destruição preocupa os governos americano e britânico. Desde novembro de 2001 a administração do presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, investiu US$ 100 milhões em dois programas secretos destinados a proteger as armas estratégicas paquistanesas.
Segundo o analista Daniel Markey, do Conselho de Relações Exteriores (CRE), “o medo maior nesse momento crítico é o da tomada do poder e do arsenal nuclear pelos islâmicos radicais, o que obrigaria os EUA a localizar e resguardar as instalações do programa - bases, laboratórios e depósitos”.
O dinheiro não comprou a informação completa, como queriam as agências de inteligência de Washington e Londres. Técnicos do Paquistão, entre os quais os assistentes do principal gestor do projeto de capacitação atômica local, o físico Abdul Khan - acusado de fornecer dados técnicos para movimentos terroristas como a Al-Qaeda -, receberam treinamento de controle e segurança. Em 2005, um centro de instrução em medidas de salvaguarda começou a ser construído perto da capital, Islamabad. Todavia, não foi completado. “O general Musharraf garantiu aos Estados Unidos o controle do sistema, mas o fato é que nunca entregou o mapa do complexo atômico militar”, explica Markey, um ex-funcionário do Departamento de Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Agência Estado
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